sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

RESENHA: Lua Vermelha

“A violência é o que define a humanidade, é ela que determina manchetes, decide eleições e estabelece fronteiras; o mundo inteiro se reduz à questão de quem bate em quem com mais força.” (PERCY, 2013, p. 322)

***

Li a sinopse de Lua Vermelha quando de seu lançamento, todavia, a premissa não me atraiu. Tudo mudou quando Stephen King atribuiu a obra o título de “épico lupino”, acrescentando que não conseguia parar de pensar sobre o livro. Com o aval do Mestre do Terror, mergulhei de cabeça no livro, que ficava melhor a cada página.

Patrick embarca rumo a Portland a fim de viver com sua mãe, porém, seu avião se torna alvo de um atentado terrorista promovido pelos licanos e ele é o único sobrevivente. Por sua vez, o governador Chase Williams, almejando a Casa Branca, promete medidas drásticas para conter todos os que foram infectados pelo vírus. Com a perseguição cada vez maior, surge a Resistência, que deseja o fim da discriminação, assim como o fim da exploração americana na República Lupina.

Antes de continuarmos, tenha certeza que minha singela sinopse não faz jus a estória. A capacidade de Benjamin Percy contar uma estória tão ampla e complexa, com tantos acontecimentos e reviravoltas, em pouco mais de quatrocentas páginas, é impressionante, além de uma prova cabal de que épicos não precisam ser divididos em infindáveis volumes com incontáveis páginas cada um.

Mas não espere encontrar um lobisomem qualquer, pois autor não se limitou a mitologia existente. O licano é alguém infectado por um vírus que atinge o cérebro e causa as transformações, porém, tais mutações podem ser controladas pelo infectado, o qual pode viver entre os humanos sem que ninguém desconfie.

Devo admitir que não senti uma grande conexão com os protagonistas, o que atribuo a um simples fato: a estória não gira em torno de tais personagens, visto que é muito maior do que eles. Na verdade, tenho a impressão que o intento de Percy foi criar protagonistas que servissem de guias para sua magistral estória, pois esta não poderia ser ofuscada pelo brilho alheio. E creio ter sido uma decisão acertada.

Lua Vermelha conta com todas as qualidades de um bom thriller: uma narrativa com ritmo acelerado e envolvente, pontuado por guinadas completamente imprevisíveis. A reta final mantém o leitor grudado nas páginas, pois é possível imaginar os mais variados cenários para o desfecho, sem saber qual rumo o autor irá tomar. A conclusão da obra é ousada, e tenho a impressão que algumas pessoas podem não saber apreciá-la em sua totalidade.

Mesmo sendo uma obra de ficção, é impossível não reconhecer a influência de grandes debates do nosso século, como o terrorismo e a guerra ao terror, a violência e a discriminação. E, sejamos sinceros, não é qualquer um que consegue escrever uma obra tão envolvente e ainda discutir questões relevantes de uma forma convincente.

Se tivesse que categorizar, diria que Lua Vermelha é uma mistura de thriller com ficção-científica, repleta de intrigas, mistérios, manipulações e jogos de poder. Em tempos em que o gênero fantástico está em alta e, muitas vezes, os livros limitam-se a apresentar mais do mesmo, Lua Vermelha se mostrou como uma lufada de originalidade e criatividade. Um verdadeiro épico lupino.

Não deixe de assistir ao booktrailer.

Título: Lua Vermelha (exemplar cedido pela Editora)
Autor: Benjamin Percy
N.º de páginas: 429
Editora: Arqueiro

10 comentários:

Ana Paula Barreto disse...

Apesar de não ser muito fã do gênero, fiquei muito animada com a resenha. Gosto de tramas envolventes, cheias de ação e reviravoltas.
Acho fenomenal quando o autor tem "coragem" para fazer um final ousado e imprevisível, ainda que isso desagrade alguns. Na verdade, acho que falta essa audácia hoje em dia.
bjs

Thais Pampado disse...

Parece ser um livro muito bom mesmo, e com um comentário desses do Stephen King é difícil não querer ler. Adoro histórias que trazem reviravoltas e narrativas que te prendem do começo ao fim.

Paula Souza disse...

É assustadora a quantidade de livros que são ambientados em Portland, ou pelo menos citam a cidade hahahaha Mas bem a resenha não é sobre isso né? :P
Quando li a sinopse do livro nada nela me chamou atenção. Estou até surpresa por causa dessa sua resenha, não dava nada pelo livro. Nada mesmo. Fiquei até com vontade de ler agora rs
Beijinhos,
http://www.interacaoliteraria.com/

Lais Cavalcante disse...

Thriller é um dos meus gêneros literários favoritos. Se for bem contado, sabe nos envolver de uma forma que não conseguimos largar até chegar no final do livro. Mas em relação a esse livro, não tenho uma opinião formada. Talvez compraria por causa da sinopse e da sua resenha [que me deixou curiosa], mas ao mesmo tempo não gosto da capa. Acho ela beeem sem graça, apenas condiz com o título.

Nardonio disse...

Confesso que também ao ver a capa e a sinopse, não me interessei muito. Foi só ler essa frase do Stephen, que minhas atenções voltaram-se todas pra esse livro. Ainda bem que o livro é bom, e que vai muito mais além do que os outros do gênero. Originalidade e criatividade são artigos de luxo ultimamente. Fiquei super curioso pra ler.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Jack Moura disse...

confesso que nao me agrada muito esse tipo de livro, embora percebo que voce o amou!! nao gostei da sinopse, nem enredo e muito menos capa :/ tomara q o livro seja bom e agradavel pra quem gosta do estilo

Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

Quando divulgaram a sinopse desse livro também não me empolguei, parecia exatamente que era mais do mesmo. Mas li tantas críticas positivas que fiquei curiosa. E agora, com seu aval, certeza de que vou acrescentá-lo a minha lista.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Natalia Schimpf disse...

Adoro livros q trazem a polemica da vida real em historias de ficção e cheio de criticas reais.
vou adorar ler, certeza.

Jessica Lisboa disse...

Mentira que o livro é bom! Eu nao estava dando nada para esse livro nao, e como assim ele é um thriller???! Ja quero esse livro pra mim.

xx

camila rosa disse...

Nossa eu nunca tinha ouvido falar do livro e nem do autor, mas parece que o livro é muito bom, e que isso o King não conseguia parar de pensar na historia do livro, ele deve ser muito bom mesmo, espero ter a oportunidade de ler em breve.
Beijos!!!

Postar um comentário

 

Além da Contracapa Copyright © 2011 -- Template created by O Pregador -- Powered by Blogger