sexta-feira, 6 de abril de 2018

RESENHA: O Homem de Giz

Misteriosos sinais e um grupo de amigos que encontra um corpo em uma cidade pequena. A premissa é “stephenkingiana” demais para não me atrair e fez isso ainda no final do ano passado quando descobri que a Editora Intrínseca havia adquirido os direitos de publicação de "O Homem de Giz", livro de estreia de C.J. Tudor.

Em 1986, Eddie e seus amigos têm apenas 12 anos. Para dar mais emoção aos seus dias, passados entre a escola e pequenas aventuras, a gangue formada por Mickey, Nicky, Gav, Hoppo e Eddie encontra um jeito de se comunicar secretamente através de desenhos de homens de giz. Um dia, um recado misterioso usando o código do grupo os leva até o bosque onde encontram o corpo desmembrado de uma menina da cidade. Está tudo lá. Menos a cabeça. 30 anos depois, os amigos recebem novamente os desenhos de homens de giz, mas antes que possam saber quem os deixou, um deles é encontrado morto.

Intercalando o ano de 1986 com o de 2016, através da narrativa em primeira pessoa de Eddie, Tudor nos conduz pelos eventos que marcaram a infância do grupo, nos deixando conhecer também os adultos que se tornaram.

De maneira bastante orgânica, a autora insere diversos conflitos e personagens, de modo que não sabemos quais deles serão essenciais para desvendarmos o mistério. Tudo o que sabemos é que se Eddie escolhe falar sobre esses episódios, tantos anos depois, é porque alguma importância eles têm. Assim, o trágico acidente com a menina no parque de diversões, o misterioso Sr. Holloran (homenagem a “O Iluminado” já que a autora é uma fã de King?), a morte do irmão mais velho valentão de Mickey e o afastamento dele do grupo, Nicky e seus acidentes domésticos, os protestos comandados pelo reverendo (pai de Nicky) contra o trabalho da mãe de Eddie e sua clínica de aborto, a morte do cachorro de Hoppo, são todos eventos de 1986 que se somam aos intrigantes homens de giz que reaparecem em 2016, assim como a volta de Mickey à cidade e a relação de Eddie com sua inquilina, Chloe. Nesse vai e vem, “O Homem de Giz” se mostra aquele tipo de livro envolvente que se você não precisar interromper a leitura, você não interrompe.

“Minha vida foi definida pelas coisas que não fiz, pelas coisas que não disse. Acho que o mesmo acontece com várias pessoas. Nem sempre o que nos molda são as nossas realizações, e sim as nossas omissões. Não necessariamente as mentiras, apenas as verdades que não dizemos.” (TUDOR, 2017, p.138)

O próprio Eddie diz em um dado momento que aos doze anos os seus amigos são o seu mundo, então esse é outro aspecto positivo de acompanharmos os eventos com 30 anos de intervalo. Apesar de nos contar como se tudo estivesse acontecendo naquele momento, Eddie já tem um certo distanciamento dos eventos e dos próprios amigos o que lhe permite enxergar as coisas com maior amplitude.

No final, todas as pontas se amarram e é preciso reconhecer certa audácia da autora em alguns aspectos. Ainda assim, não sei exatamente porque, fiquei querendo algo a mais. Quando terminei a leitura, senti que se tratava daquele tipo de livro que logo cairia no esquecimento, embora durante a leitura eu estivesse 100% envolvida, querendo sempre ler mais um capítulo.

O Homem de Giz” não é aquele suspense que vai marcar a sua vida, mas você vai curtir cada segundo.

Título: O Homem de Giz
Autora: C.J. Tudor
N° de páginas: 269
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora

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19 comentários:

Mrs. Margot disse...

Esse livro foi a loucura aqui em Portugal, esteve no top de vendas, foi muito falado até no noticiário nacional, eu estou muito curioso com essa leitura =)

MRS. MARGOT

Caverna Literária disse...

Oi, Mari!

To doida pra ler O homem de giz desde o lançamento. A sua é a primeira resenha que confiro da obra, e já pude ver através dela que vou curtir bastante a leitura. Pode não ser aquele suspense fervoroso, mas é o tipo de história que te prende do início ao fim. Super curiosa pra desvendar todo o mistério junto do grupo de amigos!!

xx Carol
http://caverna-literaria.blogspot.com.br

Alice Duarte disse...

Oiii Mari

Tem livro que é assim, apesar de não ser o livro da vida, aquele inesquecivel, de cxerta maneira cumpre seu papel e prende a gente até o final. Acho legal e importante que pelo menos mantém a gente entretido...eu acho que daria uma oportunidade sim, tenho uma curiosidade por esa história.

Beijos

www.derepentenoultimolivro.com

Ludyanne Carvalho disse...

Não é um estilo que me chama atenção, na verdade eu fujo de leituras desse gênero.
O que eu achei incrível foi a capa, é de uma simplicidade que conquista.
E é interessante intercalar passado e presente, ainda mais se tratando de suspense.


Beijos

Caroline Waschburger disse...

Ok, realmente, é stephenkingiano demais pra eu não querer ler. Quero muitoooo! Parece ser super legal. Me lembrou It, haha!

Beijo!
www.controversos.com

Michelly Santos disse...

Oi Mari!
Tá todo mundo falando desse livro e todo mundo fazendo altas ligações dele com os livros de King. Outro dia ouvi que O Homem de Giz era muito parecido com It e pelo que vc disse, é mesmo! Estou terminando de ler a história de Pennywise e amando loucamente, portanto talvez eu dê uma chance pra C. J.Tudor tb!
Beijos!

Mais Uma Página

Luiza Helena Vieira disse...

Oi, Mari!
Eu achei a premissa dele bem parecida com It, não vou mentir. Por mais que eu curta um suspense, não ando na vibe desse tipo de história.
Beijos
Balaio de Babados

Gabriela CZ disse...

Já estava bem curiosa por esse livro e agora fiquei ainda mais, Mari. Pelos seus comentários é super envolvente. Quero ler. Ótima resenha.

Beijos!

O Que Tem Na Nossa Estante disse...

Oi Mari, apesar da premissa um tanto stephenkingiana a princípio não me chamou a atenção, mas é bom quando um livro nos envolve por completo e a intrínseca cada vez mais postando livros que viram filmes, impressionante!

Bjs, Mi

O que tem na nossa estante

Adriana Moreira disse...

Oi, Mari!
Assim que comecei a ler sua resenha eu me lembrei do IT - A Coisa, que eu li ano passado e gostei bastante, mas não foi o livro da minha vida!
Já vi inúmeras resenhas sobre O homem de giz, algumas muito positivas, mas vou esperar passar o rype para poder ler o livro, mesmo porque estou lendo vários e ainda tenho uma lista monstruosa (rsrsrs).
Muito obrigada pela sua visita no meu blog! Seja sempre bem vinda!
Abração,
Drica.

Anne Pimentel disse...

Amei sua resenha.
Sucinta, sem enrolação e sincera.
Eu tô querendo ler esse livro. Sei muito bem como é acabar um livro esperando algo a mais que não aconteceu. Acontece muito por aqui, principalmente quando é thriller. Esse estilo é bem difícil de agradar 100%. Já seu Ninfeias Negras? Eu achei surpreendente demais, finalizei a leitura satisfeita.

Beijos
Anne
Literatura Estrangeira

RUDYNALVA disse...

Mari!
Adorei o termo: “stephenkingiana”...kkkk
Livro de suspense, mesmo que não seja excepcional, sempre traz uma boa leitura, ainda mais quando a autora intercala lembranças do passado com o presente, gosto muito disso, porque vamos encaixando as peças aos poucos.
Desejo uma ótima semaninha!
"De vez em quando eu não sei o que fazer comigo mesmo e com o meu gênio. É um saco estar sorrindo e dois minutos depois chorando." (Augusto Cury)
cheirinhos
Rudy
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Eduarda Rozemberg disse...

Nada melhor do que um livro envolvente. A edição desse livro está maravilhosa, mais maravilhoso que isso é saber que a história está à altura. Gosto de livro que me prende, por isso, acho que vou arriscar conhecer.

Catarina Pinheiro disse...

Oi Mari, quando vi o lançamento fiquei louca pra comprar, principalmente porque eu fiquei muito interessada na história e amei a capa <3 (linda demais)
Você conta ainda me parece um livro muito bom, uma pena que não atraiu como deveria. Mesmo assim acho que vou comprar pra um bom entretenimento atual.
Bjs

Helaina Carvalho disse...

Oi!
Já tinha visto a capa desse livro, mas não dei muita atenção até ler a sua resenha! Quero pra ontem! Amo mistério e esse parece ser bem interessante!

Beijussss;
Mente Hipercriativa

Thalita Branco disse...

Olá Mari!
Fiquei com essa impressão no final. Que apesar de ter me envolvido completamente faltou alguma coisa. Mas gostei, valeu a leitura.
Bjs

EntreLinhas Fantásticas

Karina Rocha disse...

A premissa desse livro me lembrou um pouco o It, a coisa do King, pois a história é contada quando eram crianças e adultos. Fiquei curiosa quanto a identidade do homem de giz e se os amigos conseguirão combatê-lo. Preciso ler esse livro para descobrir!!

Nicole Longhi disse...

Eu tenho visto esse livro por aí mas nunca parei para ver do que se tratava, e vendo agora eu AMEI.
Adoro quando juntam presente e passado, e temos que ir descobrindo o que é essencial pra trama.
Adorei a resenha!

beijinhos
She is a Bookaholic

Ana I. J. Mercury disse...

Que demais! Adorei a resenha!
Achei a premissa fantástica, esse negócio do homem de giz, e os dramas que vão acontecendo, e a amizade e envolvimento todo dos personagens parece ser muito mais do que parece, trazendo uma trama bem amarrada e com muitas surpresas.
Quero pra ontem!
bjs

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