sábado, 11 de outubro de 2014

RESENHA: A Terceira Moça

“Também achava, cada vez mais, que havia maldade verdadeira em algum lugar. Ele conhecia a crueldade. Já deparara com ela antes. Conhecia seu lado picante, seu gosto, os trejeitos que tinha. O problema era que não sabia ainda exatamente onde estava localizada. (...) Algo estava acontecendo, algo estava em andamento, algo que ainda não estava concluído. Alguém, em algum lugar, estava em perigo." (CHRISTIE, 2012, p.227).

Hercule Poirot, “o mais verdadeiro dos detetives de verdade” (pag.41), está tomando seu café da manhã tranquilamente quando uma moça pouco bonita e muito desesperada requisita alguns minutos da sua atenção e faz a mais estranha das confissões: ela acredita que talvez tenha assassinado alguém. Depois disso, foge e desaparece. Intrigado, e percebendo que a moça realmente precisa de ajuda, Poirot tenta encontrá-la e descobrir o que está acontecendo, afinal, ter assassinado alguém é algo que sabe. Ou se fez ou não se fez. Nessa aventura, ele conta com a ajuda de sua amiga de longa data, a escritora de romances policiais Ariadne Oliver.

A alegria e o bem-estar de voltar para casa. É assim que me sinto cada vez que leio um livro de Agatha Christie. Talvez com “A Terceira Moça” isso tenha se intensificado já que há muitos meses eu não tinha a oportunidade de ler nada dessa que é uma das minhas autoras favoritas desde que eu tinha 12 anos. E estamos falando de Agatha Christie, portanto, é claro que eu encontrei nessa aventura tudo que eu esperava.

Se eu adoro incondicionalmente a autora, isso se duplica quando se trata de um caso do Poirot que, além de genial, excêntrico e incomparável, é absolutamente hilário. Se ler Agatha é voltar para casa, ter Poirot na aventura é ser recepcionada por um dos meus melhores (e mais antigos) amigos. Em “A Terceira Moça”, o detetive e Ariadne Oliver (provável alter-ego de Agatha) precisam encarar as mudanças advindas da década de 60, em especial o comportamento (e as roupas!) da juventude da época, a independência das moças e os relacionamentos. Inclusive nesse livro são abordados temas que não recordo ter visto com frequência nos livros de Agatha, como uso de drogas.

O mistério é magistralmente arquitetado. O inusitado é que, ao contrário dos casos que têm mortes e suspeitos, esse não tem uma morte. Não tem o crime. Apenas um possível crime que o detetive nem mesmo sabe qual é, onde ou quando ocorreu. De certa forma, esse é um caso que não é um caso. Então do que se suspeita?

A mocinha que pode, ou não, ser louca; o namorado que pode, ou não, ser um interesseiro; as colegas de quarto independentes; o pai ausente que há pouco voltou para casa trazendo consigo uma madrasta indesejável; o tio rico, desmemoriado e cego e sua jovem e bela secretária que pode, ou não, ser uma espécie de espiã ou simplesmente uma interesseira; são os personagens que desfilam por essas páginas.

Agatha manipula seus leitores como ninguém e é a rainha da pista-recompensa. Por isso sempre encerro uma leitura com orgulho de mim mesma quando consigo desvendar suas artimanhas (quem já leu os livros da autora divide o sentimento comigo, tenho certeza). Nesse caso, descobri o quem, o como e o porquê, mas ainda assim a autora aprontou algumas que eu não captei.

Leitura deliciosamente fluida, intrigante e bem amarrada. “A Terceira Moça” poderia ganhar muitos elogios, mas para mim basta um: é um Agatha Christie.

Título: A Terceira Moça
Autora: Agatha Christie
Nº de páginas: 287
Editora: L&PM

20 comentários:

Paloma Viricio disse...

Amo essa autora. Ela é realmente uma danada de uma manipuladora! kkkkk Aii eu só li história dela com o Poirot, mas quero ler outras. Tenho certeza que esse é um grande livro, quero muito ler.
Beijos,
Monólogo de Julieta

Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

Toda vez que leio esses elogios apaixonados a Agatha Christie fico com mais vontade de ler seus livros. Ainda mais quando você fala dela, Mari. E esse parece mesmo bem peculiar. Ótima resenha.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

MsBrown disse...

Olá, Mari! Que resenha apaixonante! Confesso que ler Agatha Christie é sempre um prazer, embora ainda não tenha conferido esse clássico. Agora, com sua resenha, com certeza devo lê-lo.

Renata D disse...

A Agatha Christie também é uma das minhas autoras preferidas. Já li muitos livros dela... esse ainda não, quero muito lê - lo! Gostei muito da sua resenha.
Beijos
http://lovelyplacee.blogspot.com.br

Nereida disse...

Eu lia tanto Agatha Christie! Aí estava na livraria outro dia e vi justamente esse livro na estante. Eu fiquei confusa, porque nunca tinha lido (ou visto) esse livro antes. Eu quero ler assim que puder...
Ah, estou te seguindo!

Beijos,
Nereida
agua-marinha.net

Isabelle Vitorino disse...

Nos últimos tempos tenho estado incondicionalmente apaixonada pelo gênero policial, porém, nunca li nada da Agatha. Fiquei pensando tanto nesse provável erro que a fim de me remediar adquiri os dois boxs lançados pela editora Nova Fronteira – com os romances que eles consideram serem os principais da autora. Agora estou ansiosíssima para que eles cheguem, quero fazer meu début logo e poder me encantar também com os romances dela. ^^
Beijos,
Isabelle | http://www.mundodoslivros.com/

RUDYNALVA disse...

Mari!
Sou arrebatadoramente apaixonada pela Rainha do crime e claro por Hercule Poirot.
Confesso que esse foi um dos livros mais engenhosos e criativos que li da autora, não apenas pelo fato de não ter descoberto a trama e o assassino(a)(?) antes do livro terminar, mas porque tem um cunho mais psicológico e questionamentos verossímeis quanto a sanidade...
Amei!
cheirinhos
Rudy

Desbravadores de Livros disse...

Oi, Mari.
Mas que fantástica essa resenha.
Terminei a leitura dele desejando pegar a obra e captar esse sentimento que você sentiu ao ler o livro, aliás, o sentimentos que a maioria sente ao ler Agatha. Acredito que seja algo unânime e incrível.
Esse sim é uma obra totalmente intrigante, por se tratar de um suposto crime que pode ser apenas uma loucura.
Ansiando pela leitura imediata.
Simplesmente adorei.

Ø Väzïø ñä Flø® disse...

Engraçado como o tempo passa e novos autores vem aparecendo..outros gêneros..E Agatha continua arrasando como sempre..Como se nunca tivesse tido nada dela antes, sempre soa como inédito e único.
Ainda não li este livro da grande dama, mas amei o que li acima..Seria loucura? Seria crime? Pelo que entendi, o questionamento vai bem além!
Lerei com certeza..
Beijo

Milena Soares disse...

Amo os livros da Agatha Christie ela é maravilhosa, curto muito uma história de mistério e depois de ler essa resenha fiquei super ansiosa pra ler esse livro.

Loly Fonseca disse...

Ainda não li algo da Agatha Christie pelo simples fato de nunca ter visto falar de uma obra dela e, consequentemente, nunca me chamou a atenção, mas esse parece ser mesmo muito bom! Histórias de detetives são geralmente intrigantes, e essa em que não se sabe se aconteceu ou não, se tal pessoa é assim ou não, se tem ou não tem a ver, intrigou bastante apenas de ler a resenha... Vou procurar este livro e lerei logo logo...
Kisses =*

Nardonio disse...

Verdade, Mari! O nome Agatha Christie deveria se usado como uma espécie de carimbo de qualidade comprpvada. É um dos poucos nomes que me jogo em uma leitura sem nem pestanejar. Tenho certeza que será uma experiência maravilhosa.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Girlene Viey disse...

Olá! Pois bem curto demais livros que investigação principalmente quando
não pela policial e sim por detetives ! AJAHAHAH! Deixa historia
um pouquinho emociante , tipo a cereja do bolo hahah!
Achei meio estranho um garota chega de repente e dizer que acha que matou alguem! Melhor sem logico!... Mas depois comecei a entende o ser tratava e então comecei a entende a historia

nathalia muller disse...

Agatha dispensa comentários...
Seus livros sempre são envolventes, emocionantes...
Litura que vale super a pena...

Tamires Fernanda disse...

Nossa Mari, eu amei os Personagens, o tio, o pai, a madrasta. a secretaria. Amei todos, embora agora eu fiquei com bastante vontade de ler esse livro, já foi para os meus desejados...^^

Abçs :)

Adriana disse...

Não tem nem o que comentar...perfeito! Livro e resenhas perfeitos! Também gosto muito das historias dessa genial escritora, e eu entro na historia de cabeça também e fico tentando captar as pistas, é sempre uma leitura deliciosa né! Mais um livro da Agatha que não li, e preciso ler!

Jessica Lisboa disse...

Aghata é o tipo de autora que faz voce sulgar o livro do qual esta lendo, essa obra dela ainda não li, mas ja a coloquei na minha lista. Parabens pela resenha.

Edna Dias disse...

Adoro Agatha e Poirot e realmente não tem como não sentir o que vc mencionou na resenha.
Fiquei muito a fim de ler e descobrir: afinal, a menina fumou uns e queria chamar atenção? hehehe...
Claro que sei que nada acontece por acaso e que a trama trará muitos suspeitos que num momento são e em outros não...
Sem muitas palavras... preciso ler *-*

Thállyta Silva disse...

Apesar de não gostar tanto de livros policiais, sempre ouço que os livros da Agatha Christie são ótimos.
Os personagens tiveram que encarar as mudanças da década de 60? Um caso sem mortes, suspeitos e que não se sabe quando, onde e o que aconteceu? Conseguiu prender minha atenção, já quero ler. Deve ser muito bom mesmo este livro, ainda mais por ter uma leitura fluida.

Liza Mikaelly disse...

Acredita que eu ainda não li nenhum livro da Agatha Christie?! Pois é! não sei porque eu já tive oportunidades mais nunca tive vontade. Tentarei conferi. Mas agora devo falar que esta resenha esta sensacional! finalmente me deu aquela pontinha de ansiedade que a tanto tempo estava procurando para ler algo da Agatha. Beijos <3

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