sábado, 16 de maio de 2015

RESENHA: Raylan

“Você está me dizendo que é um bosta de um filho da puta (...) Sabe quantos bandidos procurados me olharam desse jeito? Se eu disser uns mil, vou estar dizendo pouco. Alguns fazem uma cara muito feia quando eu ponho as algemas; aí é tarde demais.” (LEONARD, p.37, 2013)

Elmore Leonard é um dos nomes mais importantes da literatura policial norte-americana, tendo recebido diversos prêmios e inúmeras adaptações de suas histórias para o cinema por nomes como Quentin Tarantino e Steven Soderbergh. Como não podia deixar de ser, o autor estava na minha lista há muito tempo e foi ao descobrir que já estava familiarizada com o seu universo graças à serie “Justified” que decidi ler “Raylan”, cujo personagem-título é o protagonista da produção do canal FX.

Raylan Givens é um agente federal que volta a trabalhar em sua cidade natal no estado do Kentucky. Lá ele se depara com os mais diversos tipos de criminosos, como os irmãos Crowe (conhecidos traficantes de drogas que agora traficam também órgãos humanos) e três jovens assaltantes de bancos.

“Raylan” apresenta uma estrutura interessante. É um romance narrado em terceira pessoa, mas que conta com três histórias independentes que se unem umas às outras, dando início a uma nova quando a anterior está prestes a terminar. Isso porque o livro gira em torno de três casos distintos: o do trafico de órgãos, o da mineradora e o das assaltantes de banco (que, por sua vez, se entrelaça com a história de uma moça envolvida com apostas), todos com início, meio e fim, o que faz com que o livro soe, de certa forma, como um livro de contos, cujo tema em comum é o lugar onde ocorrem e o envolvimento de Raylan Givens.

Devido a isso, é difícil analisar a trama como um todo. Se por um lado essa transição dá verossimilhança ao livro, visto que ocorre com muita naturalidade e é de se esperar que um agente como Raylan tenha um caso após o outro, ela também torna difícil o envolvimento com os casos porque quando um começa a ficar interessante, ele logo se torna outro. Embora seja realista, acaba não empolgando. A história do tráfico de órgãos tem a melhor das premissas, mas é pouco explorada, visto que sabemos tudo sobre os crimes e apenas esperamos Raylan resolver o caso. A da mineradora, por sua vez, é a mais sem atrativos, tendo como mérito a participação de Boyd Crowder e a ambientação do lugar onde Raylan vive, sendo a história que melhor apresenta essa realidade, já que os outros casos poderiam acontecer praticamente em qualquer lugar. Por fim, a história dos assaltos e da apostadora é a mais interessante por ser a mais imprevisível, mas ainda assim não traz grandes surpresas. Assim, o atrativo do livro não são os casos propriamente ditos, mas a oportunidade de se passar um tempo na companhia de Raylan Givens.

E existem razões para se querer isso, já que Raylan é um ótimo personagem. Durão, irônico, correto e (muito) rápido no gatilho, Raylan é uma espécie de cowboy moderno (o que, provavelmente, seja uma influência dos primeiros trabalhos de Leonard, que estreou na literatura escrevendo westerns), não é à toa que o autor dedicou a ele diversas histórias. Sua primeira aparição foi no conto “Fire in the Hole” que foi a base para “Justified” e foi devido à receptividade da série que Leonard deu ao personagem o romance “Raylan”. Lendo, lembrei da primeira cena em que vemos o personagem na série e como com simplicidade ela nos mostra toda a sua essência. Em uma conversa com um criminoso, ele não pensa duas vezes e atira, matando, antes que o criminoso atire nele. Quando lhe perguntam sobre o tiro, ele diz: “Foi justificado”. Esse é Raylan Givens: alguém que não pensa duas vezes antes de fazer o que é certo, seja o que for.

Outro aspecto que merece destaque é o fato de todas as histórias contarem com algum tipo de mulher fatal. Mas, como sempre, o melhor vem de Raylan e da maneira como lida com cada uma delas.

Elmore Leonard usa de diálogos rápidos e afiados e uma narrativa que parece dizer “não tenho tempo a perder com bobagens” contando os eventos rapidamente. Não sei se essa é uma característica constante na obra do autor, mas funciona bem em “Raylan” sendo até um reflexo da personalidade do protagonista.

Quanto à “Justified”, minha experiência com a série nunca foi completamente satisfatória. Assisti as três primeiras temporadas pelos personagens e pelo pano de fundo que sempre foi interessante, mas eventualmente deixei de acompanhar porque sentia falta de algo que me empolgasse e me fizesse ansiar por um novo episódio (embora parecesse estar sempre prestes a isso). Curiosamente, minha experiência com o livro foi parecida. Vejo em “Raylan” uma essência rica (tanto pela atmosfera, quanto pelas pequenas tramas e personagens) e um desenvolvimento que não deixa a desejar, mas falta algo para empolgar de verdade. Por enquanto Elmore Leonard continua na minha lista. Na próxima vez, pretendo conferir um dos seus contos.

Título: Raylan (exemplar cedido pela editora)
Autor: Elmore Leonard
Nº de páginas: 256
Editora: Companhia das Letras

18 comentários:

Gabriela CZ disse...

Devo dizer que a premissa é super interessante, Mari. Fiquei bastante curiosa, mas não sei se conseguiria me envolver com esses casos resolvidos tão rapidamente e sem grandes surpresas. Todavia, acho que conferiria pelo protagonista badass. Ótima resenha.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

DominO Simmons disse...

Oie Mari tudo bom, que livro interessante eim... nem vou falar que já entrou pra listinha dos desejados e que em breve em adquiro meu exemplar... nunca li nada do autor mas estou desejosa de voltar a ler livros policiais!
:D Beijos enormes e bom domingo!

cantodadomino.blogspot.com.br

Diane disse...

Sua resenha atiçou a minha curiosidade , agora esse livro já está na lista de desejados . Haja dinheiro !!!

http://coisasdediane.blogspot.com.br/

Jéssica Soares disse...

Oi, Mari! Tudo bem?
Conheço o Elmore Leonard, mas ainda não pude ler nada dele e confesso que não fiquei tão empolgada assim com "Raylan". Gostaria de acompanhar um caso único, que me empolgasse, que me permitisse criar teorias e desenvolver uma relação maior com os personagens. Ao menos o personagem principal funciona com essa dinâmica, imagino que quem o conheça da série poderá aproveitar melhor a leitura. De qualquer forma, ainda não desisti do autor, só estou procurando aquele livro que vai me fazer amá-lo, espero. Até mais (:
Jéssica - http://lereincrivel.blogspot.com.br/

Bárbara Carollo disse...

Oi Mari,
Não tenho o costume de ler romances policiais, mas estou lendo no momento Os Elefantes Não Esquecem da Ágatha Christie!
Gostei bastante da sua resenha, só não sei se leria este livro. Saber que há três histórias independentes e que isso dá impressão de ser contos me desanimou um pouquinho...
No entanto, parabéns pela leitura e pela ótima resenha! :)
Beijos,

http://versosenotas.blogspot.com.br/

Helena Cintra disse...

Oi, Mari.
Adoro romances policiais! No geral, são história bem envolventes...
Não conhecia nem a obra, nem o autor e o fato do livro não possuir um enredo único não me encorajou a lê-lo.
Adorei a resenha!
Bjos,
Helena

http://doslivrosumpouco.wordpress.com

gih disse...

Oiii Mari, tudo bem??? Eu não conhecia o livro ainda, mas até que me interessei apesar das ressalvas. Acho que ia gostar bastante. Gosto de personagens assim, durões e irônicos, heheh
Um beijão
http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

Sil disse...

Ainda não conhecia esse autor nem a serie hehe. Gostei do que você falou sobre o livro, mas não sei se leria ele. Apesar de gostar de histórias assim, acho que esse livro especificamente eu não iria gostar.

Blog Prefácio

Katrine Bernardo disse...

Oii, tudo bem?
Não conhecia esse livro, e ainda não li nada do autor.
Não sei se leria esse livro no momento, minha lista de leituras está bem grande, e ele não chamou tanto assim a minha atenção :/
Um beijo
http://www.garotadolivro.com/

Priscilla Frasnelli Rocha disse...

Oi Mari!
Gostei muito dessa ideia das histórias se conectando. Acho super bacana quando as peças se encaixam e formam um todo mais surpreendente!
Beijos,

Priscilla
http://infinitasvidas.wordpress.com

Inês Gabriela A. disse...

Olá,
Esse tipo de livro realmente não faz meu estilo de leitura, por isso não me interessei pela obra. Já tinha ouvido falar da série Justified, mas também não faz meu estilo, então acabei nem conhecendo mais profundamente, rsrs.
Beijos.
Memórias de Leitura - memorias-de-leitura.blogspot.com

Luis Carlos disse...

Eu adoro livros como esse, principalmente por conta dos suspenses que o livro acaba contendo. Esse livro me chamou atenção não só por isso, e sim por envolver três casos em um único livro. Adorei a resenha!

Nadja disse...

Oi! Não me atrair pelo livro, não costumo ler muito esse gênero, livros que envolve investigação policial, muitas vezes deixam a desejar. Acho que foi o que aconteceu nessa leitura para você, a rapidez dos casos, a forma que eles acabam parece um pouco frustrante, mas o que gostei nele foi a personalidade do personagem, ágil e sem meias palavras.

Ana Paula Laux disse...

Oi Mari,
Boa e clara resenha, gostei.
Bjs! Ana

http://literaturapolicial.com/

Maisanara F. disse...

Oi, amo ler romances policiais! O personagem me chamou a atenção, gosto de personagens desse tipo. Bjus.

Nardonio disse...

Não conhecia nem o autor, nem suas obras, nem essa série de TV (estava em Marte, só pode. kkkkk).
Achei esse estrutura da trama bem interessante. Parecer com um livro de contos, mas com uma ligação bem interessante entre os casos isolados. Creio que nunca li nada com uma estrutura como essas. No mais, gosto de personagens que dão esse ar de não perder tempo com bobagens. Enfim, fiquei bem curioso pra ler.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

RUDYNALVA disse...

Mari!
Raylan do livro me parece bem decidido e não se importa com a opinião de ninguém.
Interessante 3 histórias ou contos em um único livro que tem como elo do próprio Raylan, sem se entrelaçarem completamente. Talvez seja o estilo do autor em escrever contos...
Quanto a série, acompanhei alguns capítulos de algumas temporadas, mas também não consegui acompanhar muitos mais, faltava mesmo alguma coisa.
Cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

Ana I. J. Mercury disse...

Tem cara de ser um bom livro. Interessante, fluido e cativante.
Porém, também não curto livros com mais de uma história que se cruza, e principalmente quando se cruza no final.
PORQUE EU ME PERCO!!!!
kkkkkkkkkkkkk
Já chegay até a fazer anotações de cada caso e seus respectivos personagens. Sempre me perco, chega uma hora que não sei quem é o criminoso e a vítima, de tanta gente que tem kkkkkk
Mas se tiver a oportunidade, lerei esse sim!!
bjooos

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