sexta-feira, 29 de abril de 2016

RESENHA: Longe da Árvore

Longe da Árvore Andrew Solomon
O que acontece quando pais têm filhos que não se ajustam aos padrões familiares? Em Longe da Árvore, Andrew Solomon investiga o que acontece com famílias que precisam se reajustar a filhos que são diferentes do esperado. Imagine pais que descobrem que seu filho é surdo? Ou tem Síndrome de Down? Ou é anão? Ou é transgênero? Tratam-se de deficiências/transtornos e portanto devem ser corrigidos ou se tratam de identidades?

Em sua obra, Solomon diferencia dois tipos de identidade. Por um lado, temos as identidades verticais, que são aquelas características obtidas através da família, como etnia, língua e religião. Já as identidades horizontais são aquelas que se diferenciam das encontradas no seio familiar, como uma deficiência ou uma orientação sexual diversa. Curiosamente, famílias tendem a celebrar identidades verticais, pois são vistas como qualidades; enquanto as identidades horizontais são objeto de tratamento, pois são vistas como defeitos. 

Solomon explora dez tipos de identidades horizontais, transitando em meio a famílias que tiveram de apreender a lidar com as mais variadas situações, indo desde a surdez e esquizofrenia até a genialidade. Apesar de casos distintos em sua natureza, todos eles desafiam a "zona de conforto" familiar e o grande mérito do livro é mostrar uma outra perspectiva daquilo que a sociedade muitas vezes julga como deficiência/transtorno/desvio de comportamento. 

“Não existe isso que chamam de reprodução. Quando duas pessoas decidem ter um bebê, elas se envolvem em um ato de “produção”, e o uso generalizado da palavra “reprodução”, com a implicação de que duas pessoas estão quase se trançando juntas, é na melhor das hipóteses um eufemismo para confortar os futuros pais antes que se metam em algo que não podem controlar.” (SOLOMON, 2013, p. 11)

O mais interessante é que além de fornecer esta outra perspectiva, Solomon levanta inúmeras indagações com o intuito de provocar o leitor. Devemos curar o autismo ou estaríamos privando uma pessoa de ser quem ela verdadeiramente é? Pais com deficiência têm o direito de reproduzir ou deveriam abster-se de dar à luz a um filho que provavelmente carregará a mesma deficiência? Crianças diagnosticadas com deficiência devem ser abortadas?

Longe da Árvore é um livro que fala de forma direta sobre a relação entre pais e filhos, sobre o vencimento do preconceito, o processo de aceitação e até mesmo da celebração da diversidade. O mais incrível de tudo é observar que pais que abraçaram as identidades horizontais de seus filhos passaram por experiências enriquecedoras e que, apesar do sofrimento, jamais optariam por filhos “normais” ou “saudáveis”. E mais: pais que encontraram até mesmo um propósito de vida na identidade dos filhos. 

Apesar de ser um livro de não ficção, Solomon utiliza de uma linguagem acessível e fluída, ilustrando todas as identidades com inúmeros exemplos de famílias que enfrentaram estas circunstâncias. Por ser um livro extenso, optei por ler aos poucos, a fim de não perder nenhuma de suas lições, o que me pareceu uma opção acertada visto que o livro pode se tornar cansativo em alguns momentos.

“Estamos mais perto do que nunca do direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade. Cada vez menos pessoas se mortificam por ser o que verdadeiramente são.” (SOLOMON, 2013, p. 793)

Mesmo olhando para situações de sofrimento e até mesmo de desespero, o que se sobressai é o afeto e a superação. Em Longe da Árvore, somos levados em uma jornada emocionante e impactante sobre a identidade, aceitação e a essência do amor. 

Para quem tiver interesse em saber mais sobre o livro, indico assistir a palestra do autor no TED

Título: Longe da Árvore 
Autor: Andrew Solomon
N.º de páginas: 1050
Editora: Companhia das Letras
Exemplar cedido pela editora

Comprar: Amazon
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22 comentários:

Amanda disse...

Oi, Alê! Nossa, que legal encontrar texto sobre esse livro por aqui! Não faz muito tempo que o adicionei na minha lista de desejados no skoob! É um livro que não vejo muitas pessoas comentando.

Sem dúvida, em sua obra, ele levanta questionamentos que vão nos fazer pensar 'fora da caixa'. Nos fazer sair da nossa zona de conforto. Parece uma leitura muito interessante! Espero ter oportunidade de lê-lo também.

Beijos e boas leituras!
Amanda | Lendo & Comentando
:)

Alice Lima disse...

Que bacana, Alê!
Eu que venho começando a planejar ter filhos me pego muitas vezes pensando nisso, e fazendo muitos questionamentos deste tipo, acho que curtirei a leitura!
Vou procura-lo, certamente!
Beijinhos,
Alice
www.wonderbooksdaalice.com

Bruna Lago disse...

Nossa, que livro imenso, não é?! Mas também vem com uma carga de assunto que seria mesmo impossível reproduzi-lo em um número menor de paginas.
Com certeza ter filhos é uma responsabilidade imensa. Ainda naontenho, mas nós vivemos em uma sociedade preconceituosa com esse tema abordado no livro. Deve-se ter uma estrutura pessoal maior para aceitar um filho, independente de suas características físicas e psicológicas.
Bom dia Ale!

Maria Fernanda Pinheiro disse...

Amei a premissa, entendi que o objetivo do autor é mostrar como lidamos com a deficiência nas pessoas, acho que ficaria até nervosa com um livro desse, fiquei bastante intrigada com a pergunta ''Devemos curar o autismo ou estaríamos privando uma pessoa de ser quem ela verdadeiramente é? '' realmente é algo tenso, certeza que lerei, o autor parece tratar de maneira delicada os fatos

Stephanie Vasques disse...

Ótima resenha, Alê! Nunca tinha ouvido falar desse livro mas já o adorei. Eu amo essas coisas relacionadas a genética e ele me pareceu muito interessante! Vou adicionar na minha lista do Skoob :D

Com amor,
Steph • www.naoeberlim.com.br

Diane disse...

Oie...
Não conhecia o livro, mas, estou fascinada com o conteúdo!
O livro tem uma premissa bem interessante e acho que irei me identificar muito, pois, tenho um tio que tem sindrome de down e outro que é anão (um de família materna e outro paterna), e sim, as famílias tem que se adaptar! No caso do meu parente anão, não houve muita adaptação, pois, ele é uma pessoa normal, porém de tamanho reduzido, já o meu tio com sindrome de down houve uma necessidade de adaptação, pois, ele fala meio enrolado, então, todos os irmãos, sobrinhos e conhecidos tiveram que se desenrolar para uma melhor convivência ;)

Com certeza irei comprar esse exemplar e indicar pra família toda.
Beijos

http://coisasdediane.blogspot.com.br/

Theresa Cavalcanti disse...

Esse não faz muito meu estilo de leitura, mas parece ser interessante.

Gabriela CZ disse...

Que livro interessante, Alê! Não o conhecia, mas achei o tema bem pertinente. É bem extenso mesmo, mas pelo visto parece que vale a pena. Acho que o assunto deveria ser refletido e debatido por todos, sei como é ser diferenciada por ter uma "identidade horizontal". Ótima resenha.

Beijos!

Desbravador de Mundos disse...

Olá, Alê.
Gostei da resenha e da dica. Nunca tinha ouvido o termo "identidade vertical". Achei interessante e deve ser um livro que nos faz refletir bastante, visto que levanta diversos questionamentos.
Dica anotadíssima.

Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de abril. Serão três vencedores!

Vida de Leitor disse...

Oi, gostei da forma como escreveu sua resenha mas acho que esse livro não faz muito meu tipo, não arriscaria...

Beijos,
Natália

www.doprefacioaoepilogo.blogspot.com

Thalita Branco disse...

Olá Alê!
Gostei de conhecer esse livro. Me surpreendi com a quantidade de páginas, mas parece ser uma leitura instigante que nos faz pensar em várias coisas sobre a vida. Curti.
Bjs

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Mariana Ogawa disse...

esse livro parece ser tipico de livro didático da sociologia ou cursos nessa área, achei legal que apesar disso ele traz um texto de uma forma acessivel a todo mundo, pois quase sempre esses estudos ajudam a vc entender coisas da sua vida e até mesmo relacionamento
procurar por aqui com os meus amigos da humanas quem tem

Thay Freitas disse...

Oi, Flor!!
Nossa, não me interessou muito não, viu?
E grande assim? Nem pensar!
O livro tem que me interessar muito pra poder pegar um grande assim..

Beijinhos :*
Sankas Books

Sávio França disse...

Olá, Alê.
Não conhecia "Longe da Árvore" e, apesar do gênero não fazer parte das minhas leituras, acho que o livro traz uma mensagem bem bacana.
Não conhecia os termos identidades verticais e horizontais, mas acho que o bom de ler livros assim é que vamos aprendendo coisas novas o tempo inteiro.

Abraço!
http://tudoonlinevirtual.blogspot.com/

Sil disse...

Olá, Alê.
Apesar de não ter interesse em ler esse livro, prefiro ler ficção, achei o tema abordado muito interessante e com certeza vou indicar o livro. Deve ser de grande ajuda para quem passa por isso.

Blog Prefácio

Marlene Conceição disse...

Oi.

Gostei da premissa do livro, é difícil para os familiares lidar com uma criança especial na família, estamos vivendo isso muito de perto, mas tenho certeza que com a dose certa de amor, tudo irá ficar bem.
Vou comprar esse livro para a família inteira, eu simplesmente amei.
Boa Noite.

Janiele Silva disse...

Olá, achei muito interessante a proposta do livro, tem mmuita gente por ai precisando ler um desse! é muito triste ver como pessoas são afetadas pelo tratamento que tem em sua própria família quando tudo que precisam é de afeto, amor e compreensão!

XoXo

http://www.leituraentreamigas.com.br

Tony Lucas disse...

Oi, Alê! Tudo bem? Nossa, estou um pouco assustado com essa quantidade de páginas! rs Mas a obra parece ser tão bacana que nem percebemos ser um livro tão extenso. Adorei a resenha! :)

Abraço

http://tonylucasblog.blogspot.com.br/

Carolina Garcia disse...

Oi, Alê!!

Quantas pessoas hoje em dia não precisariam ler esse livro, né? A gente vê tanta história triste de pais que não aceitam os filhos por determinadas questões que ficamos até chocados.

Tenho certeza que os pais que aceitam seus filhos - independente de qualquer característica ou gênero - são os mais realizados e felizes. Imagino que não é fácil ter um filho fora do rótulo de normalidade imposto pela sociedade, mas também acredito que estamos caminhando para um estilo de vida na qual todos são aceitos pelo que são.

Bjs

livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

Teca Machado disse...

Alê, que livro legal!
Me interessei muito.
Gosto muito de estudar o comportamento humano e a relação entre pais e filhos é uma das coisas mais lindas e complicadas que existem, ainda se fogem do padrão.
Muito bacana saber que a leitura é dinâmica e fluida.
Vou ver a palestra dele no TED.

Beijooos

www.casosacasoselivros.com

Elivelton Lopes disse...

Gostei da resenha, parabéns.

Da uma passada no meu blog, tá rolando um mega sorteio lá.

http://www.vestigiodelivros.com.br/2016/05/sorteio-5-kits-de-livros-5-chances-de_1.html

Orlinda welington disse...

Fiquei sabendo desde livro em uma entrevista dada pela cantora Olivia Byington ao Roberto D`Avila , fantástico ,muito esclarecedor.Parabéns ao Solomon

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