quarta-feira, 9 de novembro de 2016

RESENHA: O Dia da Morte de Denton Little

“A vida acontece. Todos estes momentos, estas pequenas conversas sem importância. Todos temos centenas desses diálogos e instantes toda semana e nem sequer paramos para pensar neles. Quantos mais terei? Três? Seis? Quatorze? Um?” (RUBIN, 2016, p.139)

Denton Little tem dezessete anos e amanhã é o dia em que ele irá morrer. Ele não está doente (que ele saiba), nem é o alvo de alguém (que ele saiba), nem planeja acabar com a própria vida (por enquanto), mas amanhã sua vida terá fim. Ele sabe disso desde os cinco anos de idade, graças a um mapeamento genético pelo qual todas as crianças passam logo após o nascimento e que informa a precisa data da morte, embora não a maneira que ela irá ocorrer. Sabendo que morreria jovem, Denton sempre tentou levar uma vida normal, mas no seu último dia tudo o que lhe acontece é o oposto disso e todas as confusões adolescentes das quais ele fugiu a vida inteira parecem tê-lo encontrado. Essas e tantas outras. Justo no seu último dia!

“O Dia da Morte de Denton Little” reúne o melhor de dois mundos: as confusões típicas dos YAs (triângulos amorosos, picuinhas de colégio, crises de ciúme, hormônios à flor da pele, ressacas e bailes de formatura) com o “e se?” das melhores ficções científicas (e se vivêssemos em uma sociedade na qual as pessoas soubessem exatamente o dia em que irão morrer? Como isso influenciaria a nossa maneira de encarar a morte? Como isso influenciaria a maneira como vivemos os nossos dias?). A mistura funciona muito bem.

Narrado em primeira pessoa por Denton e composto por capítulos curtos que tornam a leitura ainda mais ágil, “O Dia da Morte de Denton Little” conduz o leitor com humor, ironia e uma pitada de humor negro por uma história que consegue ser engraçada e reflexiva ao mesmo tempo.

A morte é encarada com naturalidade, afinal, as pessoas se preparam para aquele momento. Denton, e todos os que convivem com ele, sabem que ele é um Prematuro (alguém que irá morrer antes dos 21 anos) e que seu último ano de colégio será o último da sua vida. As pessoas estão cientes da perda eminente, o que não significa que ela não será triste, apenas não traumática. Aquela existência chegará ao fim e pronto. Simples assim. “Foi bom conhecer você”, “Vou sentir saudades” são algumas das coisas que o protagonista ouve ao longo do dia. Por saber o tempo que ainda tem, Denton escolhe o que quer e não quer fazer, o que vale a pena e o que é insignificante demais para ele gastar seus últimos momentos (como acessar sua página no Facebook). Nesse mundo, o funeral é um acontecimento quase festivo e ocorre na véspera do dia da morte, afinal, se é uma cerimônia em honra àquela pessoa, ela deve participar. Todos fazem seus discursos, inclusive o homenageado. O futuro morto ainda tem obrigações a cumprir com o seu governo, que lhe agradece em uma carta formal por ter sido um cidadão do seu país. Esses, e tantos outros hábitos, são explorados pelo autor, sempre trazendo à tona os mesmos questionamentos: “O que você considera realmente importante na sua vida? Se você soubesse quando ela irá acabar, o que você gostaria de estar fazendo? Quem gostaria de ter por perto?”

Nas últimas páginas, o livro toma um rumo inesperado. Confesso que quando vi os novos contornos que se insinuavam, receei que o autor fosse forçar elementos a fim facilitar o encerramento da história. Mas pelo contrário. Rubin coloca seu protagonista em uma situação tão inesperada que simplesmente não cabe encerrá-la neste livro, pois o tom tornaria-se bastante diferente. Assim, é com surpresa que o leitor descobre que haverá uma continuação (“O Dia do Nascimento de Denton Little”) para a qual desde já estou curiosa, principalmente para ver como os novos elementos serão mesclados ao que funcionou tão bem no primeiro livro.

Quando uma trama parte de uma situação inusitada (de um “e se?”) é comum que os personagens pareçam estar ali apenas para ilustrá-la e que o cenário seja mais importante que os seus dramas. Isso não acontece nesse livro, embora eu acredite que o autor poderia ter explorado um pouco mais a fundo os seus personagens (outra expectativa para a sequência).

Quando solicitei “O Dia da Morte de Denton Little” para resenha, confesso que estava com um pé atrás. Algo na premissa me atraia, mas também me fazia achar que podia ser uma grande bobagem. Felizmente, eu estava enganada. A estreia literária de Lance Rubin se revelou uma grata surpresa e o autor um nome promissor do gênero YA.

Título: O Dia da Morte de Denton Little (exemplar cedido pela editora)
Autor: Lance Rubin
N° de páginas: 330 
Editora: Intrínseca

18 comentários:

Nessa disse...

Oi Mari
Assim como você eu sou curiosa por este livro, esse tema diferente de tudo que eu já li, mas acabo ficando com um pé atrás. Estou curiosa, e gostei muito de saber sua opinião.

Beijinhos
http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

O Que Tem Na Nossa Estante disse...

YA e ficção, parece ser bem interessante! Que bom que apesar do receio a leitura foi boa! Gostei da indicação!

Bjs, Mi

O que tem na nossa estante

Luiza Helena Vieira disse...

Oi, Mari!
Nossa, eu pensei que seria mais um YA sick-lit da vida, mas sua resenha clareou as ideias. Fiquei bastante curiosa agora tanto com esse e a continuação.
Beijos
Balaio de Babados
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Vanessa Sueroz disse...

Oie,
não conhecia o livro e pela capa eu passaria longe, mas a história parece ser interessante, mesmo não sendo meu estilo de leitura.

bjos
Blog Vanessa Sueroz
Sorteio Um ano Inesquecível

Lapso de Leitura disse...

Oi, Mari! Tudo bem?
Desde que eu ouvi falar desse livro, achei incrivelmente interessante, essa premissa de saber o dia da morte me cativa muito. Esse livro tem tudo para eu gostar dele. Uma pena que tem continuação em vez de ser um livro único.
Adorei sua resenha
Abraços!

-Ricardo, Blog Lapso de Leitura

Blog Literário disse...

Oi, adorei a premissa do livro. Já foi pra lista de compra e parabéns pela resenha ♥️

Blog Literário 2

Sil disse...

Olá, Mari.
Esse livro acabou de entrar na minha lista de futuras leituras. Mesmo tendo continuação hehe. Pela capa não daria nada por ele, mas o assunto é muito interessante. Eu acho que não ia querer saber o dia da minha morte. E acho que se todos soubessem com certeza agiriam diferentes hehe.

Blog Prefácio

Gabriela CZ disse...

Assim como você também fiquei interessada e receosa com esse livro, Mari. Mas com seus comentários vejo que se trata mesmo de uma obra brilhante e que preciso conferir. Ótima resenha.

Beijos!
Portal Andar de Cima

Alice Martins disse...

Oi Mari, tudo bem?

Estou beeeeem curiosa com esse livro. Adoro o tema abortado e su opinião me animou para lê-lo. Necessito dele para tirar minhas conclusões.

Beijoos,

Gnoma Leitora

RUDYNALVA disse...

Mari!
Difícil saber o dia em que vai morrer, não é não? Não sei se gostaria de saber, acredito que ficaria 'esperando a morte chegar'...kkkkk
Brincaeiras a parte, o que me deixou curiosa foi saber quais novos elementos são esses que muda a história do protagonista e concluí que... se vai haver um novo livro, é porque ele não morre nesse...
Intrigante.
“Capacidade de saber cada vez mais sobre cada vez menos, até saber tudo sobre nada.” (Millôr Fernandes)
cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
TOP Comentarista de NOVEMBRO com 3 livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

Cristiane Dornelas disse...

Eu adorei a sinopse desse livro e o que vi dele me animou. Parece mesmo ser engraçado e fazer você pensar ao mesmo tempo. Não só um monte de situações loucas, mas coisas interessantes e que deixam o leitor torcendo pra dar tudo certo e encantado ao ler. O final parece que deixa o leitor cheio de teorias e ainda consegue surpreender por não ser nada do que pensou. Adoro livros assim. Ah, queria ler!

Caverna Literária disse...

Eu adoro esses livros juvenis que envolvam fantasia/distopia, e fiquei imaginando um mundo onde todos já soubessem a data de sua morte. Seria meio constrangedor, não? Viver temendo o dia fatídico, ter as pessoas em volta encarando. Sei lá hahaha mas gostei da premissa, e fiquei curiosa em saber que caminho inusitado foi esse que o autor escolheu seguir!

xx Carol
http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

Lilian Huzyk disse...

Que sinopse engraçada hahaha adorei, é diferente e o fato de você ter se surpreendido com a história só me fez gostar ainda mais esse livro, super lerei quando tiver a oportunidade!

http://www.leitorasvorazes.com.br/

Guilherme disse...

Oi!
Nunca tinha ouvido falar desse livro e fiquei bem intrigado com a sinopse, realmente, também senti que pela sinopse talvez não fosse muito bom, mas pela resenha merece dar uma conferida.
Abraço!
http://leituraforadeserie.blogspot.com.br/

Teca Machado disse...

Mari, confesso que quando vi o título do livro não me chamou a atenção, mas no primeiro parágrafo da resenha você já tinha me ganhado, haha.
Fiquei muito curiosa, principalmente com o que você falou sobre o desfecho e rumos inesperados.
Achei a história interessante e já anotei entre minhas futuras compras.
:D

Beijooooos

www.casosacasoselivros.com

Jessica Andrade disse...

Oi Mari,
Não conhecia o livro, mas a premissa dele chama a atenção.
Eu acho que eu leria ele sim, mas não nesse momento.
Bjs e um bom fim de semana!
Diário dos Livros
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Luciana Campos disse...

Nossa, Mari, que diferentão!
Amei ele desde a capa até a sinopse! Achei cômico demais todos esses procedimentos pelos quais a pessoa tem que passar na véspera da sua morte (escrever uma carta pro governo? ah vá!), e também já tenho um leve palpite do que vai acontecer pra mudar os planos dele. Adorei demais e já adicionei aos meus desejados.

Ana I. J. Mercury disse...

Oi Mari,
nossa nunca tinha lido nada sobre esse livro, mas achei o máximo, rs
Parece ser bem divertido e inusitado, além de cativante.
Deve trazer muitas reflexões sobre como estamos levando nossa vida, o que a morte é para cada um e etc.
Fiquei mais que curiosa!
Vou procurar se tem disponível no kindle, e caso tenha, começarei já!
Adorei, rs
bjss

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