sábado, 11 de novembro de 2017

RESENHA: Amor sem fim

Amor sem fim / Ian McEwan
Ian McEwan é um daqueles autores que sempre me provocam interesse. São diversas as sinopses de seus livros que me atraem e diversos também os primeiros capítulos que já experimentei, mas até hoje “Amor sem fim” foi apenas o segundo de seus livros que li.

Após uma viagem, Joe está morrendo de saudades de sua esposa Clarissa. Ele a pega no aeroporto e eles decidem fazer um piquenique, mas o que era para ser um agradável passeio acaba se transformando em tragédia quando um homem cai de um balão e morre. Joe, um dos que tentaram salvá-lo, não foi capaz de fazer nada. Esse era apenas o início do pesadelo. Naquela mesma noite, Joe recebe a ligação de Jed Parry, outro dos homens que tentaram ajudar. A mensagem do estranho diz: “Eu também te amo”. A partir de então, Joe vê sua vida e seu casamento afetados pela perseguição de um homem obsessivo.

“Amor sem fim” é um livro lento, mas envolvente graças à qualidade indiscutível do texto de McEwan. O autor consegue ficar páginas e páginas falando sobre a mesma coisa, sem avançar na história, e ainda assim não entediar seu leitor. Uma narrativa densa que não deve ser lida rapidamente para que não vire um mero emaranhado de palavras.

É claro que a profundidade dos personagens é também fator fundamental para que o livro funcione. Pouco importa se tudo indica que Parry é louco e não há a menor razão para ele se sentir como se sente em relação a Joe. O que importa é o efeito que a perseguição provoca no protagonista. A situação pode ser totalmente absurda, mas isso não significa que suas consequências não serão reais. Além disso, as perguntas “até onde Parry será capaz de ir para conseguir o que quer?” e “o que Joe será capaz de fazer para se livrar dessa situação?” mantém o interesse do leitor do início ao fim.

“Todo começo é artificial, e o que torna um mais recomendável do que outros é o sentido que pode dar à sequência de eventos.” (McEWAN, 2016, p. 27)

Outro aspecto interessante são as possibilidades que se abrem pelo fato de a história ser narrada em primeira pessoa por Joe – raras exceções quando vemos as cartas que Parry envia para ele. O fato de acompanharmos tudo pelo seu ponto de vista levanta uma série de dúvidas: isso está mesmo acontecendo ou é apenas efeito do trauma? Por que Clarissa nunca vê Parry? É realmente porque ele se esconde quando ela aparece ou porque ele não está ali? E por que a caligrafia dele é tão parecida com a de Joe? É com Parry que há algo errado ou com o próprio Joe? Essas foram algumas das perguntas que me fiz durante a leitura.

Mas eu não diria que “Amor sem fim” é sobre uma obsessão e sim sobre a fragilidade das relações humanas. Sobre a fugacidade dos momentos. A história principal aqui é o – até então – feliz casamento de Joe e Clarissa, mas basta que surja um elemento externo a essa história para que ela já não seja a mesma. Parry é quem coloca a trama em movimento, mas a história é muito mais sobre o que ele provoca na relação de Joe e Clarissa do que sobre ele e suas intenções.

Apesar de ter gostado da leitura, devo confessar que “Amor sem fim” se revelou um balde de água fria em suas últimas páginas. Ao longo da narrativa, elaborei várias teorias, apenas para me deparar com uma resolução preguiçosa que pouco soou como uma resolução. Isso não o torna um livro ruim, mas não consegui evitar a sensação de “só isso?” quando o fechei após a última página. Ainda assim, não será isso que encerrará minha relação com Ian McEwan. Há muitos outros livros com os quais o autor poderá se redimir. Tenho certeza que, com algum deles, ele o fará.

Em 2005, o livro ganhou uma adaptação cinematográfica (Amor para sempre) com Daniel Craig no papel principal. 

Título: Amor sem fim
Autor: Ian McEwan
N° de páginas: 291
Editora: Companhia das Letras

Compre: Amazon - Submarino - Saraiva
Gostou da resenha? Então compre o livro pelos links acima. Assim você ajuda o Além da Contracapa com uma pequena comissão.

16 comentários:

Alessandra Salvia disse...

Oi Mari,
Não conhecia, mas já fiquei curiosa.
Gosto dessa profundidade de personagens, mesmo não senso um gênero que eu leia facilmente, parece uma obra que vale o esforço.
Beijo
http://estante-da-ale.blogspot.com.br

Diana Canaverde disse...

Olá Mari, tudo bem?
Bom eu fico louca da vida, quando leio um livro e que faço teorias na minha mente e o final é frustrante... isso me deixa muito doida rs...Parece que os personagens aqui são bem profundos, mas infelizmente não me senti cativada pela leitura. Xero!

https://minhasescriturasdih.blogspot.com.br/

Mrs. Margot disse...

Fiquei muito curioso, não conheço o autor, nem o livro, mas adoro adaptações, não me lembro de ter visto o filme, mas já fiquei debaixo de olho.

MRS. MARGOT

RUDYNALVA disse...

Mari!
Não li nada do autor ainda, mas fiquei bem interessada por ver que esse é um livro denso, que deve ser degustado aos poucos, onde há profundidade dos personagens e narrado em primeira pessoa com algumas cartas, nossa, maravilha!
Sem contar com todo mistério que envolve a trama que me deixou curiosa.
Desejo uma semana carregadinho de luz e paz!
“ Inteligência não é não cometer erros, mas saber resolvê-los rapidamente.” (Bertolt Brecht)
cheirinhos
Rudy
TOP COMENTARISTA novembro 3 livros, 3 ganhadores, participem!

Felipe disse...

Oi Mari, tudo bem?
Ainda não conhecia esse livro, mas achei bem interessante, porém não curti muito a capa.
Blog Entrelinhas

Priscilla Frasnelli Rocha disse...

Oi Mari, tudo bem?
Nossa, que pena que o final decepciona. Ainda bem com uma trama tão envolvente!
Comecei a resenha achando que seria um thriller, mas depois parece algo mais psicológico. Me conta o final? :P Por acaso o protagonista desenvolveu TEPT ou dupla personalidade?
Beijos,

Priih
Infinitas Vidas

Victor N. Souza disse...

Oi Mari! Tudo bem?

Adorei a capa, mas o livro em si não me chamou muita atenção apesar de alguns fatos interessantes da história.

Grande abraço!
www.cafeidilico.com

Luiza Helena Vieira disse...

Oi, Mari!
Não conhecia a obra, mas achei interessante essa abordagem sobre o casamento. Tem sempre aqueles que achamos que é o casal mais feliz do mundo, mas basta uma coisinha e explode tudo.
Beijos
Balaio de Babados
Participe das promoções em andamento e ganhe prêmios maravilhosos

Carolina Santos disse...

Essa é a primeira obra do autor que tenho a oportunidade de ler e posso dizer, sem sombra de dúvidas, que não me entusiasmou muito.

Naiara Fidelis Da Silva disse...

Não conhecia este livro, e nunca li nenhum livro deste autor. A premissa deste me chamou a atenção e fiquei curiosa para saber o desfecho, mas ao mesmo tempo fiquei com receio, pois você disse que o final não é tão bom.

Jason Bertinelli disse...

Não conhecia esse livro, mas tem um livro do autor que quero muito ler, o nome é 'Serena', mas está tão dificil de achar que estou quase desistindo.
Eu gosto muito desses narradores que não são confiáveis, eles sempre trazem um certo mistério ao redor da história que me agrada muito.
Sei muito bem como é terrível ler um livro que parece ser incrível e receber um balde de água fria nas ultimas páginas, é realmente muito triste T.T
Não conheço o filme do livro também, mas gosto muito do Daniel Craig, é um dos meus atores favoritos, então vou procurar ver.
xoxo

Planeta 94

Sora Seishin disse...

Oi Mari!
Já ouvi falar do autor mas nunca li um livro dele. Não conhecia esse livro nem o filme, não sei se eu iria gostar da narrativa lenta, mas fiquei curiosa.

Beijos,
Sora | Meu Jardim de Livros

Amanda Barreiro disse...

Nossa eu fiquei curiosa, mas acho que pra um mistério e um clima tão denso como o que você descreveu o final deveria ter sido no mínimo surpreendente pra você. É horrível essa sensação de que faltou algo! Fico revoltada quando pego livros assim, rs. Mas achei a ideia interessante.
Beijos.

Marta Izabel disse...

Oi, Mari!!
Não conhecia esse livro, achei bem interessante a estória e também não tinha ouvida falar desse filme também. Mas gostei bastante.
Bjoss

Ana I. J. Mercury disse...

Não conhecia,
mas achei curioso.
Parece ser bem profundo e ambíguo.
bjs

Gabriela CZ disse...

Também já fiquei curiosa por muitos livros do McEwan mas não sei porque nunca li, Mari. Mas seus comentários me instigaram bastante. Não sei se leria esse já de cara, mas certamente lerei algum o mais breve possível. Ótima resenha.

Beijos!

Postar um comentário

 

Além da Contracapa Copyright © 2011 -- Template created by O Pregador -- Powered by Blogger