sexta-feira, 27 de julho de 2018

[Livros com poucos personagens] para quem não gosta de [livros com poucos personagens]

Todo leitor se identifica com alguns gêneros literários mais do que com outros. Mas existem alguns livros que são capazes de abrir os olhos dos leitores para gêneros dos quais ele nunca gostou, justamente por mostrarem uma faceta diferente do gênero, por terem algo a mais. Livros que fazem o leitor que diz “Não gosto deste tipo de livro” se apaixonar justamente por um livro deste tipo.

Foi pensando nisso que o Além da Contracapa criou a coluna: “[...] para quem não gosta de [...]”, na qual faremos uma seleção de livros de um determinado gênero ou temática que podem agradar até mesmo quem costuma fugir deles. 

Algumas premissas são arriscadas e podem facilmente dar errado. Livros cuja dinâmica gira em torno de apenas dois personagens correm o risco de serem monótonos e dependem, principalmente, do carisma de seus protagonistas para sustentar a trama, afinal, em uma situação como essa, há pouco para distrair o leitor das suas personalidades.

Os três livros dessa edição de "[...] para quem não gosta de [...]" trabalham com a mesma premissa: uma pessoa mantém outra em cativeiro. Mas apresentam razões diferentes para conquistar um leitor que foge de elencos que se reduzem a uma dupla.

Misery

Aqui temos uma das melhores personagens já criadas por Stephen King: Annie Wilkes. A fã lunática que sequestra seu escritor favorito após este sofrer um acidente de carro e o força a ressuscitar a mocinha que ele havia matado no último livro. Annie é completamente desiquilibrada, o que a torna tão assustadora quanto os piores seres sobrenaturais de King. É por ela que lemos o livro: para sabermos até onde ela será capaz de ir, mais até do que para saber o que acontecerá com Paul. Ele, por sua vez, é um competidor à altura porque é inteligente a ponto de tentar ludibriá-la, mas acaba por extrair dela o que ela tem de pior. Um duelo mental que tem tudo para agradar leitores que gostam de um suspense que cresce da primeira à última página e de livros que se lê para saber o que acontece dentro dos personagens mais do que fora.


O Colecionador

Um amor platônico e obsessivo faz com que Frederick sequestre Miranda. Ou melhor dizendo, a receba como convidada em sua casa nova, construída e decorada especialmente para mantê-la ali com ele, sem contato com o mundo exterior. O que torna esta dinâmica entre captor e vítima diferente das outras é que Miranda é tão mais inteligente que Frederick que chega a ser injusto. A única razão pela qual ele controla a situação é porque é ele quem a mantém presa. Um thriller psicológico de primeira que mesmo tendo apenas dois personagens, os transforma em quatro: o Frederick que ele vê, o Frederick que ela vê, a Miranda que ele vê e a Miranda que ela vê. E são essas facetas que deixam o leitor sem saber o que pensar, o que sentir ou para que torcer. Uma das minhas melhores leituras de 2018 é um estudo psicológico interessantíssimo que mostra que dois personagens podem fazer estrago mais que suficiente.

Escrita por uma ghost-writer, a história de Laura, uma adolescente sequestrada e mantida em cativeiro como escrava sexual por quatro anos, é a mais brutal dessa lista. Tanto a violência física quanto a psicológica pela qual a personagem passa são de revirar o estômago (e não costumo dizer isso com frequência, mesmo já tendo lido outros livros do tema), mas o que mais marca nessa história é o quão frágil é a nossa humanidade. O quanto precisamos de coisas e pessoas que nos façam sentir seguros e dignos e como nossas certezas podem ser abaladas quando somos levados a extremos. Com um desfecho polêmico que me deixou absolutamente chocada, “Diário de uma Escrava” é um livro que busca alertar sobre perigos que nos esperam em cada esquina e deve agradar leitores que gostam de histórias com os dois pés bem fincados em uma realidade que preferíamos que não existisse.






10 comentários:

Sil disse...

Olá, Mari.
Eu já li dois livros dos indicados. Um foi O Colecionador, que eu amei. Li a muitos anos atras e estou doida por essa nova edição. O outro foi Diário de Uma Escrava que achei bem ruinzinho. O do King eu até tenho vontade de ler, mas como sempre acho os livros dele monótonos, não sei quando lerei.

Prefácio

Nicole Longhi disse...

Eu adoro essa coluna!
Ainda não li nenhum dos livros da lista, mas Misery está na minha lista já faz um tempo e eu acabei assistindo a adaptação antes e fiquei louca para ler o livro.
O colecionador eu estou querendo ler desde que vi o lançamento!
Não conhecia o diário de uma escrava.

beijinhos
She is a Bookaholic

Gabriela CZ disse...

Os três estão minha lista, Mari. Me intrigam muito. Ótimo post.

Beijos!

Atraentemente Evandro disse...

Adorei a nova coluna e principalmente o tema da semana. Acho que muito gente acaba perdendo muita coisa boa justamente por renegar todo um gênero. É totalmente possível se apegar a um livro de um estilo que normalmente não gostamos, porque ele pode ter "n" diferenciais como nos exemplos e ser altamente interessante.

Vitória Pantielly disse...

Oi Mari,
Eu gosto dos dois estilos, poucos personagens e muitos, mas acho que com poucos você consegue se envolver mais com eles.
Misery para mim é um dos melhores livros do King, senti raiva, repulsa, tudo o que imaginar com a Annie, então sim, pode se considerar uma das melhores criações dele.
Quanto aos outros, ainda não li, confesso que Diário de uma escrava não tem uma premissa que me conquista tanto, já O Colecionador eu quero muito ler.
Beijos

Bárbara Constante disse...

Acabei de colocar os três na minha lista.
Fiquei super curiosa, adorei o teu post.

Beijos.

Blog Mamãe e Bebê ♥'
@Cantinhomamaeebebeblog ♥ '

RUDYNALVA disse...

Mari!
Li apenas Misery e ainda não li os outros, mas confesso que realmente livros com apenas um ou dois personagens, por vezes são maçantes mesmo.
Misery não chega a ser maçante por causa da dinâmiza aplicada pelo autor, mas tem trechos bem enfadonhos.
Que a semana seja abençoada!
“O prazer dos grandes homens consiste em poder tornar os outros felizes..” (Blaise Pascal)
cheirinhos
Rudy

Ana I. J. Mercury disse...

Uma ótima lista!
O Diário de uma escrava, li ano passado e tenho pesadelos com ele até hoje! O final achei horrível, sinceramente!
O Colecionador quero muito ler, mas tenho medo kkk
E Misery também quero ler, talvez ainda lerei esse ano, parece bem inteligente e eletrizante!
bjs

Luana Martins disse...

Olá, Mari
Ainda não li nenhum estes livros, mas 2 deles estão na minha lista Que é Misery e O Colecionador.
Diário de Uma Escreva já tinha visto a capa do mesmo mas não sabia do que se tratava.
Mesmo os 3 livros sendo nesse estilo quero muito ler todos, obrigada pelas dicas.
Beijos

Ycaro Santana disse...

Nunca passou por minha cabeça um livro com tão poucos personagens, acredita? Estou sempre acostumado a ler tanta gente que me acostumei. Adorei conhecer as opções e, realmente, é necessário muito carisma. O primeiro que entrou para a minha lista foi O Colecionador.

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