segunda-feira, 16 de julho de 2018

RESENHA: Um Ano Solitário

Um ano solitario / Alice Oseman“Meu nome é Victoria Spring. Acho que você precisa saber que eu invento uma porção de coisas e depois me lamento. Gosto de dormir e de bloggar. Um dia, vou morrer.” O quote na contracapa de “Um Ano Solitário” imediatamente me fez querer conhecer Tori Spring.

Victoria Spring está de saco cheio de tudo. O colégio é um tédio, as pessoas não se importam com nada, sua mãe parece não gostar muito dela (o que está tudo bem porque ela também não gosta muito da mãe), seus professores e seu pai insistem para que leia livros que ela detesta, protagonizados por personagens irreais (como “Orgulho e Preconceito” e sua irritante Elizabeth Bennet) e o irmão que ela adora passou por sérios problemas. A única coisa que ela gosta de fazer é escrever em um blog que não divulga para ninguém que a conhece. De resto, ela só quer se manter afastada de todos porque se envolver com as pessoas simplesmente não vale a pena. Elas não valem a pena. Ela não vale a pena. Até que um misterioso blog chamado Solitarie começa a pregar peças no colégio.

A voz de Tori é única e transborda toda a alma adolescente. Sua narrativa não é uma fala e sim uma sequência de pensamentos (embora não se trate de Fluxo de Consciência) e é a sua desconexão de ideias que a torna humana. Os pensamentos simplesmente vêm e é na maneira como eles surgem em sua mente, como ela associa as coisas, que entendemos quem ela é. Sim, Tori é um pouco irritante e faz muito drama em cima de pouca coisa, mas o que mais salta das páginas é que ela está um pouco perdida (e que adolescente não está?) e que evita ao máximo sentir as coisas para não as sentir demais. A adolescencia é a fase do mecanismo de autoproteção e Tori passa todos os momentos dos seus dias tentando fazer exatamente isso.

“Nao é como nos filmes nem nos seriados de drama adolescente, onde tudo perde a intensidade e fica em câmera lenta, as luzes piscando, as pessoas pulando com as maos levantadas. Nada é assim na vida real. As pessoas ficam paradas ao redor.” (OSEMAN, 2018, p. 2018)

Tori é a melhor coisa do livro. Arrisco dizer, inclusive, que a personagem merecia mais do que a trama que Alice Oseman cria para ela. A verdade é que, apesar do pano de fundo do Solitarie, “Um Ano Solitário” é um livro um tanto sem história e o mistério de quem está por trás das pegadinhas não move o leitor. Para mim, o que me fazia virar as páginas era descobrir se Tori se tornaria uma das mocinhas das histórias que ela tanto detestava, se teria um destino trágico ou se encontraria uma forma de viver sem odiar tanto a si mesma e a tudo ao seu redor (não porque tivesse motivo, mas sim porque não conseguia ver motivos para se sentir diferente).

Acredito que “Um Ano Solitário” seja um livro com que adolescentes terão facilidade de se identificar. Não é uma historia que busca dar lições, nem mesmo provocar grandes emoções, mas busca conectar o que, em alguns momentos, é tudo o que se precisa.

Título: Um Ano Solitário
Autora: Alice Oseman
N° de páginas: 382
Editora: Rocco Jovens Leitores
Exemplar cedido pela editora

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13 comentários:

Atraentemente Evandro disse...

Eu ainda não conhecia o livro. Pena que a autora talvez não tenha explorado tudo o que a personagem Tori e o próprio enredo poderia render. Até já vi livros que funcionam sem ter uma história cheia de tramas e mistérios, mas ainda assim é necessário uma total sintonia entre a narrativa e o leitor.

Evandro

Gabriela CZ disse...

Acabei de me interessar, Mari. Não tive curiosidade por esse livro antes, mas com seus comentários mudei de opinião. Ótima resenha.

Beijos!

Nicole Longhi disse...

Oi Mari,
Ainda não conhecia o livro, mas pela sua resenha creio que seja um livro que eu não leria.
Acabo ficando sem paciência para livros com adolescente e Tori acabou não me conquistando, ainda mais por uma trama sem história.

beijinhos
She is a Bookaholic

O Que Tem Na Nossa Estante disse...

Oi Mari, acho que não me identifico mais com essa pegada adolescente e ainda sem grande empolgação fica difícil, vou deixar esse pra próxima rsrsrs

Bjs, Mi

O que tem na nossa estante

RUDYNALVA disse...

Mari!
Ando passando livros do tipo. Não é preconceito, nem dada, mas ando tão sem paciência para problemas adolescentes, ainda mais quando o livro não demonstra ter um sentido real para todo enredo...
Desejo uma semaninha de luz e paz!
“É o coração que sente Deus e não a razão.” (Blaise Pascal)
cheirinhos
Rudy
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Espiral de Livros disse...

Oi Mari,

Quando vi o lançamento desse livro a capa chamou muito minha atenção, mas a sinopse foi uma balde d'água fria e admito que não tenho interesse em ler.

Beijos
http://espiraldelivros.blogspot.com/

Ludyanne Carvalho disse...

A resenha do blog Além da contracapa imediatamente me fez querer conhecer Tori Spring.
Fiquei interessada quando anunciaram o lançamento, mas não ao ponto de colocar na lista de desejados.
Recentemente li alguns comentários negativos sobre e pensei em deixar essa leitura para lá, mas... agora estou curiosa.
Sinto que não é uma leitura grandiosa, porém acho que é válida.

Beijos

Michael Vasconcelos disse...

Oie,

Amei a resenha,nossa, parece um livro maravilhoso!

Abraços.
https://submundosliterarios.blogspot.com/

Ivy Lacerda disse...

Oiii Mari

Uma pena que o livro não conseguiu envolver completamente. Desde a sinopse já senti que faltava algo e a resenha foi bem de acordo à isso. Acho que esse provavelmente eu não vá ler, até porque ando bem saturada de romances juvenil

Beijos

www.derepentenoultimolivro.com

Vitória Pantielly disse...

Oi Mari,
Nossa, difícil quando um personagem conquista dessa forma, mas sua história não se torna convincente, não me lembro de ter passo por isso em nenhuma leitura... Eu achei Tori meio chatinha, parece ter uns pensamentos que não batem com a realidade, mas, por outro lado, também fico curiosa para saber o rumo que a história vai ter, e o porque desse outro blog começa a agir.
Em um todo, parece uma leitura rápida.
Beijos

Ana I. J. Mercury disse...

Desculpe Mari, mas só por ela detestar a Lizzie Bennet, minha heroína literária preferida, já não quero ler esse livro não! kkkk
Achei essa Tori muito perdida também, é duro ler livros assim, a menos que o final seja verdadeiramente feliz.
Mas tô com raiva dela, então, não lerei! kkk
bjs

Luana Martins disse...

Olá, Mari
No momento não leria esse livro, agora estou preferindo mais suspense, aventura ou ficção do que livros com dramas adolescentes.
Parece ser um livro que podemos ler rápido que vale a pena saber se Tori se transforma no que ela não quer ser.
Beijos

Ycaro Santana disse...

Eu não conhecia o livro, mas parece ser uma leitura importante para os dias que estamos vivendo, né? Parece que retrata uma realidade que muitos jovens enfrentam hoje em dia e que não podemos ignorar. Eu não sei se leria, pois preciso que a leitura me prenda logo no começo ou não consigo continuar. Mas quem sabe um dia.

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