sexta-feira, 20 de julho de 2018

RESENHA: Um Cavalheiro em Moscou

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Em Um Cavalheiro em Moscou conhecemos o Conde Aleksander Ilitch Rostov logo após a Revolução Russa. O membro da aristocracia é julgado e condenado à prisão perpétua, passando de hóspede a detento no luxuoso Hotel Metropol em Moscou. 

O que me chamou atenção em Um Cavalheiro em Moscou foi a premissa extremamente original e criativa: como seria a reação de um Conde, acostumado luxo, quando não apenas perdesse sua liberdade, mas também a vida que conhecia? Imaginava que veríamos não apenas o Conde vivendo em um novo círculo social — os empregados do hotel —, mas que também compartilhasse suas lembranças de antigamente. Mas não foi isso que encontrei. 

Infelizmente, achei que Um Cavalheiro em Moscou é um livro vazio e que certamente não precisava de suas quase quinhentas páginas para o desenvolvimento da estória. É verdade que vemos as interações do Conde com diversos personagens, mas poucos deles são realmente significativos. A exceção de dois ou três personagens, eu diria que o restante estava ali apenas para fazer volume e, como consequência, temos uma narrativa muito pulverizada, que quer mostrar um pouco de tudo, mas que não se aprofunda em nada

O Conde é um protagonista interessante, mas fiquei frustrado por não conhecê-lo mais a fundo, especialmente o seu passado. Vemos apenas alguns vislumbres, alguns eventos mais marcantes de sua vida pré-revolução, mas que não foram suficientes a meu ver. Assim, a impressão que tive é que o protagonista foi subaproveitado e o leitor fica preso a sua vida absurdamente ordinária do presente: afinal, ele é um detento, com poucos afazeres e com liberdade restrita

“Pois os tempos, de fato, mudam. Eles mudam implacavelmente. Inevitavelmente. Inventivamente.” (TOWLES, 2018, p. 83)

Também preciso registrar que achei o texto de Towles um pouco cansativo. Perdi as contas de quantos capítulos começavam com metáforas ou digressões e o problema é que o uso excessivo de tais recursos fez com que eles perdessem seu impacto. E cabe salientar que as digressões do autor me pareciam absurdamente irrelevantes para a trama. 

Creio que a passagem do tempo talvez seja o aspecto mais interessante. O livro cobre um longo período da história russa e vemos as mudanças progressivas e paulatinas em um cenário que pouco mudou, pelo ponto de vista de um homem extremamente adaptável as novas circunstâncias. 

No fim das contas, Um Cavalheiro em Moscou tinha um potencial enorme, mas que não foi aproveitado. Uma leitura um pouco maçante, um pouco blasé, que não empolga, nem intriga, mas que apenas promete. E não entrega. 

Título: Um Cavalheiro em Moscou
Autor: Amor Towles
N.º de páginas: 460
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora

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8 comentários:

Gabriela CZ disse...

Fiquei chateada, Alê. Estava afim de ler esse livro, mas se fica só na promessa nem vou chegar perto. Melhor ver Kurt Seyit ve Sura. Enfim, ótima resenha.

Beijos!

Vitória Pantielly disse...

Alê,
Nossa, que pena... Eu me interessei pelo livro desde o lançamento, como você, esperava que mostrasse os efeitos da mudança de vida, e melhor, talvez um enredo repleto de memórias e segredos do Conde, do tipo que prendesse o leitor... Difícil conseguir estragar um premissa tão original e chamativa, fiquei bem triste.
Como sempre, eu pretendo ler, gosto de tirar minhas conclusões, mas é aquilo, depois de sua opinião já enxergo a história com outros olhos.
Beijos

Nicole Longhi disse...

Poxa que pena Alê, quando havia visto a sinopse achei que seria um livro sensacional já que gosto muito de toda essa temática.
Quase 500 páginas de um livro vazio e que fica cansativo mas com uma ótima proposta é triste.

beijinhos
She is a Bookaholic

Atraentemente Evandro disse...

Eu ainda não tinha lido nada a respeito do livro. O tema é realmente interessante e nos enche de expectativa, o que no fim das contas acaba deixando o leitor frustrado. É uma pena que a leitura se torne cansativa e desgastante. Poderiam ter dado uma enxugada no enredo já que não agregaram situações para dar ritmo ao livro.

RUDYNALVA disse...

Ale!
Gosto muito dos livros históricos e que são ambientados na Rússia, principalmente os da Guerra Fria, o que não quer dizer que não me encantei com a história de Rostov, deve ser de grande aprendizado.
Adoro nomes russos também, são fortes, né?
Desejo uma semana plena de luz e paz!
“O homem está sempre disposto a negar tudo aquilo que não compreende.” (Blaise Pascal)
cheirinhos
Rudy
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Ana I. J. Mercury disse...

Não conhecia o livro, nem o autor.
A premissa não me chamou a atenção, e pela sua resenha deu pra perceber que eu não vou gostar, não é bem do meu gênero né.
Mas se têm um pouco da história russa acho que pode ser interessante nesse ponto, eu particularmente, gosto muito de ler histórias de formações de outros países.
bjs

Luana Martins disse...

Olá, Alê
Terminei de ler esse livro nessa semana demorei muito para ler porque li ele no trabalho (horário de almoço).
Confesso que gostei do livro, mas pela capa criei várias expectativas a respeito do enredo. No começo demorou um pouco para acostumar como o escritor fez com o início de cada capítulo.
Concordo com você que o autor poderia ter contado um pouco mais da vida do conde antes.
Minhas partes preferidas foi quando ele conheceu a menina Nina e se aventurou com ela pelo hotel, Ana Urbanova e depois como Sofia (queria saber mais sobre o pais dela, penso que ficou superficial depois que Nina deixou ela com o conde) fez ele ser uma pessoa mais feliz dentro do hotel. O fim do livro é bom mas queria que ele contasse um pouco mais como ficou da vida do conde depois (deste fim, que não vou contar é spoiler).
Claro que recomendo este livro com ressalvas leia no seu tempo sem pressa porque como Alê disse é maçante.
Beijos

Ycaro Santana disse...

Definitivamente foi um dos livros mais chatos que já li na minha vida, sem contar a personalidade do Conde, que me enlouqueceu. Não o achei cavalheiro, mas apenas um rico esnobe que se acha acima da média em termos de comportamento, pensamento, gostos e atratividade. Foram 400 páginas de desperdício de vida. Eu não recomendo.

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