terça-feira, 24 de janeiro de 2012

RESENHA: A Cruzada do Ouro

“E agora chegou o momento de você saber por que eu o fiz andar metade do mundo para chegar a esse lugar” (GIBBINS, 2007, p.92)

Foi em um dos meus passeios pela biblioteca que me deparei com um livro cuja contracapa dizia: “O que acontece quando se juntam Indiana Jones e Dan Brown? Resposta: David Gibbins”. Imediatamente pensei: “Deve ser divertido. Se aliar as aventuras do Indiana Jones que são sempre ótimas (com exceção do filme lançado recentemente, claro) a narrativa frenética do Dan Brown, tem-se aqui um ótimo entretenimento”. Eu nem sei por onde começar a explicar o quão enganosa foi essa propaganda.

Jack Howard é um arqueólogo que juntamente com sua equipe está atrás de tesouros perdidos. O mais importante deles, a menorá, candelabro de sete braços representativo do judaísmo, feito em ouro maciço. É claro que essa busca não aconteceria sem imprevistos ou sem despertar a atenção de inimigos. Eu vou parar a sinopse por aqui porque, francamente, não vale a pena prolongar a sinopse de um livro que não tem história.

Antes de mais nada, devo ressaltar que o autor foi de fato um arqueólogo, e isso fica evidente em cada uma das 375 páginas de “A Cruzada de Ouro”. O livro nada mais é do que uma aula de história medíocre aliada a uma trama fictícia para disfarçar que nada mais é do que uma aula de historia. Eu sou a favor de escrever sobre o que se entende e temos ótimos exemplos de autores que fazem isso muito bem como Scott Turow, Dashiell Hammett ou até mesmo John Grisham. O problema com Gibbins é que tudo o que ele tem a oferecer é o seu conhecimento sobre os fatos (arqueologia, história e tal). Faltou criar uma trama interessante, com personagens cativantes e ter uma boa narrativa. Ou seja, faltou ser um escritor. A impressão que se tem é que não tendo história para contar (ou capacidade para criar uma, acredito eu) o autor derrama conhecimentos teóricos para ter com o preencher as páginas tudo porque ele inventou de escrever um livro. Ele quis que o livro soasse inteligente e esqueceu que deveria ser entretenimento. Para mim ficou claro que alguém disse a Gibbins que ele poderia ser o futuro Dan Brown e o coitado acreditou. Sabe aquele estilo que Dan Brown tem de narrar que prende você e faz você querer levar o livro junto para o banho se fosse possível? Ou a maneira pontual que tem de inserir os fatos em meio as conversas dos personagens ou mesmo como uma explicação no meio da narrativa, mas sem soar forçado ou chato? Não há nem vestígios dessa combinação inteligente e bem feita em “A Cruzada do Ouro”. Não que eu seja fã de Dan Brown. Não é isso. Tenho minhas encrencas, digamos assim, com o autor e faço minhas criticas sobre alguns aspectos pontuais de suas tramas, mas li todos os seus livros e sei que vou ler os futuros porque ninguém sabe contar uma história como ele. A narrativa dele, em termos de thriller, é imbatível. Convenhamos, independente de qualquer coisa, o homem sabe a escrever a historia que se propôs a escrever. Eu sei que eu não deveria estar comparando os dois autores, mas quando o livro utiliza dessa comparação para se vender, ou seja, fazer com que o leitor queira ler, e depois não entrega nada do que prometeu eu me sinto no direito de comparar e mostrar o quão ridícula é tal comparação.

Sabe aquela frase que diz “a emoção está na caçada”? Em “A Cruzada de Ouro” não está. Alias, não está em parte alguma. É incrível como até nos momentos em que poderia haver emoção (como um seqüestro ou situação de vida ou morte) o livro é chato. E veja bem, não é qualquer seqüestro ou qualquer situação de vida ou morte, eu estou falando dos protagonistas. Parece que quanto mais a intenção do autor é tirar o fôlego do leitor, mais enrolado fica. Jack, o protagonista, estava quase morrendo sobre um iceberg e eu pensava “Tá e daí?” Maria, personagem que faz parte da equipe de Jack, é seqüestrada e eu pensava “E essa agora? Só para esticar mais um pouco. Porque ele não acaba logo com isso?”

Outra coisa que me irritou profundamente (sim, tem mais) eram as frases que encerravam os capítulos. Em uma tentativa desesperada de fazer o leitor ficar ansioso pelo próximo capítulo, Gibbins encerra vários com frases como a que está citada no inicio da resenha. Como se alguma coisa fantástica estivesse por vir. Parece o Grissom de CSI. Não entenda mal, eu gosto de CSI e sem dúvida Grissom é o melhor chefe que a equipe teve ao longo dos 12 anos da série, mas aquelas frases de efeito que o personagem diz, principalmente antes dos intervalos comerciais, são de doer.

Eu li o livro até o final, com muito esforço e fazendo uma espécie de leitura dinâmica, apenas para poder escrever essa resenha e dizer para vocês: “Alerta! Não leiam”

Eu resumo “A Cruzada do Ouro” em poucas palavras assim: a história é medíocre, a narrativa é pobre e como escritor David Gibbins é um excelente arqueólogo.


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Título: A Cruzada do Ouro
Autor: David Gibbins
Nº de páginas: 375
Editora: Planeta

4 comentários:

Neyla Suzart disse...

Oi Mariana!
Adorei o blog e estou seguindo ;)
Muito legal a resenha, gostei bastante da sua sinceridade. Não conhecia o livro. Uma pena ele ter sido decepcionante pra vc =/
Bjoo ;*
Se puder, segue lá meu blog, tá tendo promo tb ;) Não vou participar da sua promo pq já tenho o livro!
http://coisasdemeninasarteiras.blogspot.com/

Jose Orlando Oliveira Rios disse...

Olá Mariana!
Acabei de ler a cruzada do ouro, fiz como você penitenciei-me para conseguir terminar, UFA!!! Faço minhas as suas palavras.
Irei postar no meu blog também a minha visão da obra
Se a frase da contra capa for do Mirror, ele é um grande mentiroso.

Anônimo disse...

Parabéns pelo excelente comentário . Claro e objetivo . Característica de uma pessoa inteligente.

Brenda Martins disse...

Li o livro, e concordo com a sua crítica. O Jack é muito super-homem para um arqueólogo, xD (e o pior é que no segundo livro do Gibbins, "A Cruzada de Ouro", essa característica dele fica ainda pior, rss...apesar que esse segundo livro tem uma trama levemente mais interessante, IMO).A história é legalzinha, mas é daquelas que você já começa a esquecer logo após o final da leitura...e é fato que falta (muito) carisma aos personagens (apesar de eu ainda gostar um pouquinho do Costa, mais pelo "A Cruzada de Ouro" do que por esse...).Enfim, dá para ler para passar o tempo, mas é o tipo de leitura que não te acrescenta nada. Até troquei esse livro no Trocando Livros...mas confesso que antes de enviar o livro tive ímpetos de arrancar a capa e guardá-la para mim.
Mas hey, se não acreditam leiam pelos seus próprios olhos: http://portugues.free-ebooks.net/ebook/A-Cruzada-do-Ouro

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