terça-feira, 5 de junho de 2012

RESENHA: O Médico e o Monstro


"Era uma noite de março, tempestuosa e fria; a lua estava pálida e vencida, como se o vento a tivesse magoado, e em torno pairavam nuvenzinhas diáfanas. O vento dificultava a conversa e fazias-lhes afluir o sangue às faces. Parecia ter varrido as ruas, afugentado os transeuntes, a tal ponto que Utterson pensou que nunca tinha visto essa parte de Londres tão deserta. O advogado teria desejado o contrário: nunca na sua vida sentiu uma vontade tão grande de tocar, de estar perto dos seus semelhantes." (STEVENSON, 2011, p. 196).

***

O Médico e o Monstro é uma daquelas estórias que, de tão clássica, todo mundo conhece ou, se não conhece, pelo menos já ouviu falar.

A obra conta a estória pelo ponto de vista de Utterson, advogado e amigo de Dr. Jekyll, com quem começa a preocupar-se em virtude de um estranho testamento, assim como por seu paulatino afastamento. Por sua vez, Utterson vem a conhecer Mr. Hyde por obra do acaso e, posteriormente, vem a desconfiar que este seja o autor de um brutal assassinato.

A trama da estória é relativamente simples, não possui muitos personagens, nem reviravoltas mirabolantes. A narrativa é linear e estável, não havendo altos e baixos. Mas, justiça seja feita: os capítulos finais são lidos mais rapidamente, pois, além da curiosidade em desvendar o mistério, a narrativa parece fluir melhor.

O grande mérito do autor foi criar uma obra repleta de significados metafóricos — os quais não irei explorar por receio de dar spoilers —, que renderiam dias de divagações e acalorados debates.

Outro ponto positivo, é que Stevenson soube interagir com o leitor, pois em momento algum fornece extensas descrições, mas permite que a imaginação do público preencha algumas lacunas, sobretudo, aquelas destinada a incutir medo e pavor. E esta é uma das melhores características de obras deste gênero.

Por fim, no que tange ao elemento terror, tenha em vista que o livro foi publicado em 1886, por isso, não espere ler o livro embaixo das cobertas, com o coração acelerado e que irá se apavorar com um som inesperado na calada da noite.

A impressão final foi de que Stevenson, no que se propôs, teve êxito.

Título: O médico e o monstro
Autor: Robert Louis Stevenson
N.º de páginas: 48 (p. 173 a p. 221)
Editora: Martin Claret

6 comentários:

Aione Simões disse...

Oi Alê!

Tenho curiosidade em ler o livro, e o que mais me chama a atenção é essa característica metafórica! Acho até mais interessante do que o "terror" em si!

Parabéns ao post de nº100!!

Beijos!

André L. Soares disse...

Metaforicamente falando: 'O Médico e o Monstro' é um filme sobre a dualidade da alma humana; sempre capaz de se transformar radicalmente, de uma hora para outra. Muito bom!

Cris Aragão disse...

Por incrível que pareça eu não tenho certeza absoluta de ter lido esse livro, embora eu como todo mundo conheça bem a história, não posso afirmar com 100% de certeza que li, pois eu costumava pegar muitos livros emprestados na biblioteca e acho que esse livro foi um deles. É um clássico e toda biblioteca de colégio deve ter.

Maurício maumau disse...

Tres inesqueciveis estorias de terror, quem nunca ou viu falar em Dracula,
Excelente livro da editora, estao de parabéns mesmo, com certeza vale a pena reler a estes tres!!!!

Jéssica disse...

Quero muito ler essa historia! Já ouvi referências interessantes em uma conferência de Psicologia...

Gabriela disse...

Dr. Jekyll e Mr. Hyde, alguns livros que eu li tinham referencias efêmeras desse livro. Gostei da resenha, vou procurar esse livro na biblioteca da minha escola. Vai ser difícil achar já que a biblioteca de lá nem tem como ser chamada de biblioteca, aquilo é uma vergonha.

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