quarta-feira, 10 de outubro de 2012

RESENHA: Na Toca do Leão

 “Os russos haviam cometido um erro. Bem pequeno, mas era tudo de que Ellis dispunha, e ele estava disposto a tirar o máximo de proveito. O erro fora algemar suas mãos na frente, e não nas costas.” (FOLLET, 2010, p. 401)

Histórias de espionagem tendem a misturar diversos elementos que deixam o leitor entusiasmado do início ao fim. Os principais deles são as intrigas, a ação, o mistério e o romance. “Na Toca do Leão” apresenta um pouco de tudo isso, mas a meu ver, poderia ter dosado melhor seus ingredientes.

Em Paris, Jane se apaixona por Ellis e vive com ele uma intensa história de amor. O que ela não sabe é que Ellis é um agente da CIA a procura de terroristas. O que ela também não sabe é que, terminada sua missão, ele pretende revelar tudo a ela e pedi-la em casamento. Antes que possa fazê-lo, Jane descobre a verdadeira profissão do namorado e o abandona, indo para o Afeganistão com Jean-Pierre, um médico bonitão, com quem acaba se casando. Mas existem mais coisas que Jane desconhece, entre elas o fato de que Jean-Pierre é um espião para os russos e sua ida ao Afeganistão é uma missão. Um ano e meio depois, conectando alguns acontecimentos curiosos, a mulher descobre a verdade sobre o marido. E é nessa época que Ellis surge no Afeganistão em uma importante missão que, para ele, é dupla: fazer um tratado com os líderes do lugar e reencontrar Jane.

Uma leitura prazerosa e rápida, “Na Toca do Leão” é narrado em terceira pessoa e apresenta três pontos de vista: o de Jane, o de Ellis, e o de Jean-Pierre. Essa é uma estratégia que me agrada, pois permite conhecer mais de cada um dos personagens principais, mas por se tratar de um livro de espionagem me causou certo estranhamento. Não é a primeira vez que leio um livro de Follet e vejo que o autor faz questão de mostrar o ponto de vista do vilão da história, o que seria ótimo caso o vilão fosse um Hannibal Lecter da vida, mas não no caso de Jean-Pierre. No caso dele, conhecer seus pensamentos e motivações só faz com que seja difícil vê-lo como vilão que é o que, a meu ver, diminui o impacto da história.

Mesmo tendo gostado do livro, duas coisas me incomodaram: a primeira delas foi Jane. Eu não consegui entender essa mulher. Em um momento ela ama profundamente o marido, logo depois, ama profundamente Ellis. Sente raiva de Ellis para em seguida pensar que o ama muito; se sente feliz com ele e teme perde-lo, para em instantes sentir raiva novamente. Sendo mulher, eu sei que nós temos uma capacidade incrível de nos irritarmos facilmente com os homens que amamos, mas Jane quase beira a bipolaridade. Nem irei mencionar como ela lida com Jean-Pierre.

A outra coisa que me incomodou foi a fuga de Ellis e Jane dos russos. O casal e seu guia andam e andam sem chegar a lugar algum – mais ou menos como o livro nessa parte da narrativa – o que é compreensível, mas não precisava ter sido descrito com tantos detalhes. Em compensação, a parte que poderia realmente ter sido emocionante – a captura dos dois – é rápida, o que me leva à questão do erro de dosagem.

Pelas coisas que chamei atenção nesta resenha, parece que não gostei do livro, o que não é verdade. É um bom livro, só não vai virar a sua cabeça. Como disse no início, é uma leitura prazerosa. A narrativa não é lenta, nem frenética, e a história apresentada é boa, mas faltou um equilibro entre alguns elementos. Sobrou romance, faltou ação.

Título: Na Toca do Leão
Autor: Ken Follet
Nº de páginas: 416
Editora: Best Bolso

5 comentários:

Lili disse...

Eu nunca li nada do autor e embora não tenha ficado AI MEU DEUS QUE LEGAL! Eu acho que ainda arriscarei comprar. Adoro a Vira-vira Saraiva com a Bestbolso. Uma das melhores parcerias já feitas com variedades e custo baixo.

liliescreve.blogspot.com

Nardonio disse...

Mais uma resenha que tem o poder de me deixar curioso pra ler um livro. Rsrsrs
A história realmente me parece bem legal. A pena foi esse errinho de dosagem, mas mesmo assim, não deve tirar o brilho do livro. Vou tentar dar uma olhadinha nele.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Francielle Couto Santos disse...

Mari, eu gosto bastante da narrativa do Follet. Só li um único livro do autor até hoje, é verdade, mas não me arrependi... muito pelo contrário. Quero dar continuidade com enredos bons e extremamente instigantes. Uma pena que em sua percepção tenha faltado algo em Na Toca do Leão, mas se foi prazeroso lê-lo, então acho que valeu a pena. ;)
Adorei a resenha!

Um abraço!
http://universoliterario.blogspot.com.br/

Eduarda Menezes disse...

Mari, eu amei a sua resenha, e cheguei a dar risada em algumas partes, sério. hahahaa
Um pouco mirabolante a história mas ainda assim interessante. Essa mulher tem imã para homens complicados e disfarçados heim.
Eu também gosto dos pontos de vista alternados, mas nesse caso realmente talvez não seja o ideal. Achei interessante o que você disse sobre a visão do leitor em relação ao vilão. Quando a gente conhece as fraquezas e a motivações realmente fica mais fácil criar uma empatia.
A Jane me pareceu complicada - nem com TPM conseguimos mudar tanto assim da água pro vinho - coitados desses homens.
Adorei a forma como você finalizou a resenha, tive a mesma impressão a partir do que você disse, a trama é boa, porém mal dosada.
Beijos!

Deise Souza santos blanco disse...

Eu concordo com você sobre essa parte da Jane,uma hora odiar outra hora os dois,tbm não gostei muito disso. Fora isto eu gostei muito desse livro.Não é o melhor livro dele mas é muito legal.

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