quinta-feira, 18 de julho de 2013

RESENHA: O Prisioneiro do Céu

“Há épocas e lugares em que ser ninguém é muito mais digno do que ser alguém.” (ZAFÓN, pag. 135, 2012)

Sempre acho extremamente difícil resenhar livros de Carlos Ruiz Zafón porque a não ser que você já conheça o autor, nada do que eu diga fará jus ao escritor maravilhoso que ele é.

Às vésperas do Natal, o movimento na livraria Sempere e Filhos é mínimo e Daniel está cuidando do estabelecimento sozinho quando um estranho mancando, vestindo roupas velhas e com uma mão falsa aparece e compra um dos livros mais caros disponíveis: uma cópia valiosa de O Conde de Monte Cristo. Alegando que o livro é um presente, o estranho escreve nele uma dedicatória e, para a surpresa de Daniel, a dedicatória é para seu grande amigo Fermín. O surgimento desse fantasma do passado obriga Fermín a revelar para Daniel segredos que havia mantido guardados durante anos a fim de protegê-lo e é assim que Daniel se verá em frente a uma descoberta que poderá mudar os rumos de sua vida e até sua própria essência.

“O Prisioneiro do Céu” é o terceiro volume da inesquecível e primorosa trilogia do Cemitério dos Livros Esquecidos, composta ainda por “A Sombra do Vento” (RESENHA) e “O Jogo do Anjo” (RESENHA), mas nada impede que o leitor confira este livro antes dos outros.

A habilidade de Zafón de contar uma história jamais poderia me surpreender, mas “O Prisioneiro do Céu” mostra que o autor é capaz de criar tramas independentes maravilhosas e ainda amarrá-las de um jeito magnífico, admirável e que faz quem já havia gostado delas, gostar ainda mais. O livro expõe lacunas deixadas pelos outros dois títulos da trilogia (lacunas essas que antes nem haviam ficado evidentes), de forma que findada a leitura você vê que as histórias são ainda mais ricas do que havia imaginado.

A narrativa do autor, além de ser essencialmente bela e recheada de figuras de linguagem, é ágil e faz com que não se queira largar o livro que é todo composto por capítulos curtos. Havia momentos em que eu interrompia a leitura na esperança de que o livro se prolongasse, outros em que devorei dezenas de páginas sem nem perceber, pois era impossível me manter afastada daquele mundo.

Outro ponto alto dos livros do autor é a amplitude das histórias. Acho dificílimo classificar seus livros e com “O Prisioneiro do Céu” não é diferente, pois Zafón consegue mesclar mistério, amizade, histórias familiares e de amor e fazer de todos esses elementos uma história coesa e repleta de personagens apaixonantes no meio de personagens detestáveis. Vilão ou mocinho, todos os que pisam na Barcelona de Zafón tem potencial para marcar o leitor. Para mim, o grande destaque da história é o leal e divertidíssimo Fermín (que já havia me conquistado em “A Sombra do Vento”) que arranca risadas quase toda a vez que aparece.

Além da mescla de elementos, o autor conduz a história em dois momentos distintos: a Barcelona devastada pela Guerra Civil e a Barcelona já recuperada quase vinte anos depois. Dessa forma, ao mesmo tempo em que leva o leitor a passear por livrarias e acompanhar os preparativos de um casamento, também o leva aos mais cruéis e tristes corredores de prisão, conduzindo-o com habilidade de um tempo ao outro, de uma vida a outra.

Dos livros que compõe a trilogia do Cemitério dos Livros Esquecidos, “O Prisioneiro do Céu” é o mais dependente dos outros, mas ainda assim pode ser lido sem que se tenha conhecimento prévio das outras histórias. Caso você já tenha lido “A Sombra do Vento” e/ou “O Jogo do Anjo”, a sensação é a de reencontrar velhos amigos. Caso não tenha, você vai se apaixonar por esses personagens e pela Barcelona que figura nessas páginas e vai querer mais. Eu, particularmente, recomendo que os livros sejam lidos na ordem em que foram escritos (que vem a ser justamente a ordem que eu li), mesmo que a ordem cronológica das histórias não seja exatamente essa. Na verdade, eu me atreveria a ir adiante e recomendar que depois de ler dessa forma, você relesse “O Jogo do Anjo” e depois encerrasse com chave de ouro relendo “A Sombra do Vento”. Acredite, isso é algo que eu pretendo fazer e se você já leu qualquer coisa de Zafón, entende o porquê disso.

Com apenas 246 páginas, “O Prisioneiro do Céu” consegue fazer o leitor sorrir, torcer, sentir alegria e tristeza tudo ao mesmo tempo. Um livro que toca, emociona e deixa o gosto agridoce das melhores despedidas: aquelas que nos fazem querer mais.


Título: O Prisioneiro do Céu
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Nº de páginas: 246
Editora: Suma de Letras

17 comentários:

Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

Ainda não li nada do Zafón, mas só vejo elogios às suas narrativas. Não sábia dessa trilogia, parece ser mesmo maravilhosa.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

GFC: Gabriela Cerutti Zimmermann

Gabriella Alvim disse...

Ainda não li nada do Zafón, mas vejo muitas pessoas elogiando muito seus livros que estou bem curiosa. Darei uma olhada nessa trilogia que parece ser muito boa.
Ótima resenha ;)

Rodrigo Lessa ® disse...

O nome em si ja me chama muito a atenção. REalmente te entendo quando vc fala que temos q conhecer o autor para realmente entender a resenha e tudo mais sobre ele e seus livros. Acredito q esse autor superou minhas expectativas. Eu realmente gostei. A historia é riquissima em misterios e segredos, isso me mantem ali, lendo! Achei sensacional. Preciso do livro. Ainda mais q é o tema q eu adoro e tem esse fantasma que retorna, adorei.

GFC: Rodrigo Lessa ®

Diego B. Oliveira disse...

Nossa, esse realmente parece ser um livro de peso, assim como toda essa trilogia! Faz tempo que eu não leio resenhas de livros tão interessantes e com verdadeiro conteúdo! Parabéns! Fiquei realmente curioso sobre esse autor, parece ser simplesmente fascinante.

Abraços!

http://pecasdeoito.blogspot.com.br/

Ana Paula Barreto disse...

Concordo com você, é muito complicado de classificar as obras do Zafón, já que ele consegue misturar os melhores elementos de vários estilos literários. O que mais achei interessante no caso de O Prisioneiro do Céu (pelo que li na resenha) é que o autor retoma ideias (lacunas) dos livros anteriores, imperceptíveis aparentemente, e deixa a história fechadinha. Adoro quando isto acontece. Espero ler a série logo!
bjs
GFC: Ana Paula Barreto

MsBrown disse...

Tenho grande curiosidade para conferir os livros do Zafón. Dele, li apenas Marina... Sombrio, mas interessante e com certeza muito bem escrito. Quem sabe um dia eu leia essa trilogia?
Ótima resenha!

Matheus Salera ' disse...

Nunca li nada desse autor ainda, mas confesso que fiquei bastante curioso com sua resenha... só ouço elogios! rs *-*

Lindo seu blog e já estou seguindo!
theplugados.blogspot.com

Lucas Kammer Orsi disse...

Esse é o único da trilogia que não li dele. Li os outros e gostei bastante! \o Acho bacana o toque sombrio que o Záfon deixa em suas histórias, procurando envolver seus leitores ao máximo.

Abraço
Lucas
ondeviveafantasia.blogspot.com.br

Naty disse...

Ainda não li nada do autor, mas tenho muita curiosidade para ler algo dele pelos vários comentários que li. Gostei como ele consegue invocar tantas emoções em um livro, deve ser uma ótima leitura.
GFC: Naty C

Thaynara ribeiro disse...

Sinto muita curiosidade com os livros desse autor, porque são super elogiados.
Ainda não tive a oportunidade de ler algo dele, mas espero ter em breve. Depois de ler essa resenha, é difícil não se interessar pelo livro..

Alessandra disse...

Já ouvi diversos elogios referentes ao autor, sobre sua escrita e afins, mas ainda não tinha parado para procurar sobre alguma obra específica.
E por coincidência ou não, ontem eu estava fuçando a biblioteca online da faculdade e me deparei com este livro, cheguei a anotar a referência dele para na próxima semana ir busca-lo.

Mas que bom que eu li o post antes, por eu iria começar a trilogia pelo fim, hahaha!

Tu conseguiu me deixar ainda mais maravilhada com o autor (que eu só conheço de comentários), amanhã vou entrar no site da biblio de novo e pegar a referência do primeiro. hahaha


Seg: Lê

Pam disse...

Ahhhh
eu só li Marina do autor..
e sinceramente eu ADOREI!
Concordo com sua resenha, no q vc fala sobre a escrita do autor..
e pelo q percebi, vc sentiu lendo esse livro o msm q eu senti lendo MArina..
Eu adoro a mistura q ele faz, confundindo até o q é real e imaginario..
enfim..
Alem das capas dos livros dele serem lindissimas, da vontad d ler em publico pra todo mundo saber o livro q to lendo.. hehehe

Fiquei com muita vontad d ler esse!!! *----------*

bjinhos
Pam
Meus Livros Preciosos

Mariana Gomes disse...

Nunca li nada do Zafón, mas quero muito ler Marina. E esse aí acabou entrando pra minha listinha também, parece ótimo!

Beijos,
biblioteca-de-resenhas.blogspot.com.br

Gladys Sena disse...

Ainda não li nada do Zafón.
Como não curto essa "áurea" sobrenatural que ele coloca nas tramas, não lerei nada tão cedo...

GFC: Gladys.

Nardonio disse...

Até agora só li resenhas extremamente positivas em relação a todos os livros do Zafón. A cada resenha lida, minha vontade vai aumentando consideravelmente. São poucos os autores que tem esse dom de nos deixar completamente envoltos às suas tramas engenhosas. Espero ler em breve.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Ju disse...

Eu não sabia que os livros podiam ser lidos fora de ordem... mas, como você recomendou a leitura na ordem certa, ainda preciso conseguir o segundo volume da trilogia! hehe...

Zafón parece ser tão apaixonante... Mal consigo esperar para me juntar aos infinitos fãs que ele possui.

GFC: Ju

Jessica Lisboa disse...

Ah serio que pode ser lido fora de hora? Pensei que tinha que ler sequencialmente, porque olha tem autor que decepciona bastante fazendo zilhoes de sequencias. Sempre falam muito bem do autor e que sua escrita é otima, ao vejo a hora de poder ler.

Jessica Lisboa

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