sábado, 25 de janeiro de 2014

RESENHA: A Zona Morta

“Tocar nas roupas das pessoas e de repente conhecer seus pequenos temores, pequenos segredos, seus insignificantes triunfos – isso era anormal. Era um dom anormal, era uma maldição.” (KING, pag. 347, 2009)

“A Zona Morta” é a minha quinta experiência com Stephen King, um dos escritores mais amados da atualidade, e foi o livro que fez entender o porquê de tanta adoração.

Johnny Smith é um cara normal. Professor de ensino médio, querido pelos alunos, mais simpático que bonito e está no início de um feliz namoro com Sarah. Mas a vida de Johnny muda ao sofrer um acidente de carro que o deixa em coma por quase cinco anos. Quando acorda, Johnny já não é tão normal. Uma parte de seu cérebro - que ele passa a chamar de Zona Morta – não é mais capaz de reconhecer alguns objetos. E essa não é a única sequela do acidente/coma. Ao tocar em algumas pessoas, Johnny tem visões que vão de questionamentos e anseios, a vislumbres de acontecimentos do passado, do presente e até do futuro. A mais perturbadora dessas visões ocorre quando Johnny toca em um político e enxerga as trágicas consequências que sua eleição como Presidente dos Estados Unidos trará para o país e para o mundo em um futuro próximo.

A sinopse de “A Zona Morta” não me atraiu durante muito tempo por mero preconceito. A idéia de Johnny acordar de um coma tendo premonições ao tocar nas pessoas me soava muito sci-fi (um gênero que apenas recentemente aprendi a apreciar) e fazia com que eu desconsiderasse os muitos elogios que já havia visto o livro receber. Não entrarei em detalhes a respeito do que me fez mudar de idéia e direi apenas que, a partir de determinado momento, se tornou uma necessidade para mim ler “A Zona Morta”. E eu não me arrependi.

Esse é um dos livros mais constantes que eu já tive a oportunidade de ler. King desenvolve um suspense que se mantém no mesmo nível da primeira à ultima página, fazendo com que seja impossível perder o interesse pela história um minuto sequer.

Mais do que me colocar um passo mais perto do hall de fãs confessos e incondicionais de Stephen King, “A Zona Morta” me fez ter respeito pelo autor. King tem um controle de narrativa admirável a ponto de fazer com que eu me sentisse um fantoche em suas mãos em alguns momentos. Eu quase podia ouvir o autor dizendo: “Agora você vai sentir exatamente o que eu quero que você sinta. E o que eu quero é prolongar a sua expectativa, envolver você nessa atmosfera.” Fica claro que King sabe escolher os momentos para ser ágil e os momentos para frear o leitor. Tudo tem seu tempo e nada soa forçado, já que todas as explicações são dadas satisfatoriamente. Além disso, King demonstra tamanha confiança na trama e no poder de empatia dos personagens que não tem medo de deixar o leitor prever o desfecho que virá pela frente, o que não o torna menos impactante ou memorável.

E não é só na narrativa que o autor demonstra sua maestria na arte de contar uma história como se levasse seu leitor pela mão, é também na contextualização dos personagens. Com uma única cena eu já era capaz de gostar de Johnny Smith e de torcer por ele, da mesma maneira como um único episódio foi o suficiente para me fazer detestar Greg Stillson e saber exatamente o tipo de homem que ele era. O mesmo ocorre com outros personagens - igualmente bem construídos – como o pai e a mãe fanática religiosa de Johnny, Sarah, o médico, entre outros.

Embora a sinopse oficial dê a entender que a visão que Johnny tem de Greg Stillson é o evento central do livro, se engana quem lê acreditando nisso porque, apesar da relação de Johnny com o político ser crucial para a história, “A Zona Morta” não é um livro de um grande evento. É um livro de uma grande jornada.

A história criada por Stephen King recebeu duas adaptações: “Na Hora da Zona Morta” é o filme que contou com Christopher Walken no papel de Johnny Smith e Martin Sheen no papel de Greg Stillson sob a direção de David Cronenberg. The Dead Zone (conhecida no Brasil como “O Vidente”) é a série de televisão que estreou em 2007 e durou seis temporadas, tendo 80 episódios ao todo. 

Mais de trinta anos após sua publicação, “A Zona Morta” ainda é considerado um dos melhores livros de Stephen King. É impecável dentro do que se propõe e envolvente do início ao fim.

Título: A Zona Morta
Autor: Stephen King
Nº de páginas: 610
Editora: Ponto de Leitura

17 comentários:

Natalia Dantas disse...

Olá!
Tenho muito interesse em ler King, mas até agora não li nada x.x E quanto mais o tempo passa mais comentários positivos sobre o autor me rodeiam. Parabéns pela resenha.

Abraços.
Natalia do Entre Livros e Livros.
http://musicaselivros.blogspot.com.br/

Francielle Couto Santos disse...

Mais um livro do mestre King que parece ser espetacular! Sinto-me uma infeliz por nunca ter lido nada do outro... preciso mudar essa dura realidade. Hahahah!
Excelente resenha, Mari. Tuas críticas e observações são ótimas, como sempre.

Um abraço!
http://universoliterario.blogspot.com.br/

Ana Paula Barreto disse...

O cara realmente é muito bom. Consegue escrever histórias envolventes do começo ao fim, e tem o dom de elaborar personagens peculiares em todos os sentidos.
Não li esse livro ainda, mas já anotei a dica. Parece bom mesmo!
bjs

Thais Pampado disse...

Stephen King é simplesmente o rei da narrativa de suspense, não há dúvidas disso! Pessoalmente, dos livros que já li dele, A Zona Morta foi o que achei mais "diferente" do terror usual dele. Não é um livro que dá medo, mas que, como você disse, mantém o suspense durante todas as páginas e te faz querer ler mais e mais.

Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

Eu realmente não sei por qual livro de King começar, e A Zona Morta virou mais uma opção. Ótima resenha, Mari.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Gabi disse...

Eu ainda estou criando coragem para ler algo do Stephen King. Já li diversos comentários sobre a narrativa dele e eu fico com muita vontade de ler para ter a experiência. Sua resenha me deixou com bastante vontade de começar por "A Zona Morta".

Jéssica Soares disse...

Outro livro que não li do Stephen King, mas acredito que irei gostar muito da história! Acredito que o King sempre se entrega nas suas histórias e não poderia esperar algo diferente em "Zona Morta", adorei a resenha e adorei o impacto que o livro teve em você, espero que eu fique envolvida na mesma medida!! Bjs
Jéssica - http://lereincrivel.blogspot.com.br/

Nardonio disse...

Acho difícil escolher os melhores livros do Stephen King, pois parece que todos são maravilhosos. O que adoro em seus livros, é justamente esse domínio que ele tem sobre tudo, seja dentro da trama, como com os leitores. Cada coisa que ele faz é muito bem construída e hipnotizante.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Lais Cavalcante disse...

Me sinto uma ET quando falam de Stephen King. Todos falam super bem dos seus livros e eu ainda não li nenhum! Mas o que eu mais quero ler é Sob a Redoma

pamela giovana disse...

Nunca li nenhum livro de Stephen
King, mas depois da resenha que você fez há alguns dias, fiquei morrendo de vontade de ler Novembro de 63.
Bem, essa estória de saber do passado, presente ou futuro com um toque, me traumatizou um pouco depois de ler a saga Os Imortais.
Também me lembrou um pouco da personagem principal de Lua de
Sangue (Nora Roberts)...
Bem, irei ler algum livro deste autor tão aclamado, depois digo o que achei...
Bjs

Michelle Agda disse...

A cada livro novo que descubro de Stephen King fico dizendo: 'espero ler em breve, 'quero lê-lo', e nunca dá. Por isso, até hoje, não tive nenhuma experiência de leitura com o autor. Mas uma coisa eu garanto: 'Zona Morta' é um livro que com certeza vai atingir todas minhas expectativas!

Michelli Santos Prado disse...

Olá Mari!!Tudo bem??
Sou apaixonada pelos livros de Stephen King! Li poucos até hoje, mas adoro o modo como ele escreve e tudo. Não conhecia este livro, mas sua resenha me deixou louca pra ler A Zona Morta!

Mallu Marinho disse...

Não li nada do King e sinceramente não sei se gosto muito desse gênero meio sobrenatural e tal. Ok, sei que ele é o rei do suspense\terror, mas me vejo mais interessada em um "Carrie, a estranha" que em "A zona morta".

Adriana disse...

King está no topo não é a toa né! Seus livros são maravilhosos, sua narrativa é viciante, até hoje gostei de todos os livros que li dele, mas O Iluminado pra mim, foi o melhor! Quero muito ler esse livro também e espero que não demore! :)
Adriana

Luziana F. Oliveira disse...

Li! Muito bom! Recomendo!

Thamiris Dondóssola disse...

A sua quinta experiência e a minha primeira, haha. Esse livro me apresentou a escrita sensacional e extraordinária do autor e eu comecei a procurar freneticamente outros de seus livros para ler a partir desse.

Tão doce e tão amarga.



gilmar disse...

King na minha estante tem lugar de destaque - Torre Negra (os 07) - Mr Mercedes (os 03), O iluminado, Cujo, sob a redoma e outros tantos. Gênio da escrita. Recomendo sempre.

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