quarta-feira, 23 de abril de 2014

RESENHA: Divergente

“Trabalhando juntas as cinco facções têm vivido em paz há anos, cada uma contribuindo com um diferente setor da sociedade. (...) Mas o alcance de cada facção não se limita a essas áreas. Oferecemos uns aos outros muito mais do que pode ser expressado em palavras. Em outras facções, encontramos sentido, encontramos propósito, encontramos vida.” (ROTH, 2012, p. 49)

Inúmeros elogios me fizeram querer conferir a obra de estréia de Veronica Roth, mesmo que sobre ela eu me esforçasse em saber pouco. Por alguma razão, logo ficou claro para mim que eu queria ler “Divergente”, mas eu queria ser jogada naquele mundo sem estar preparada para ele. E foi isso que aconteceu.

Em uma Chicago futurista, a sociedade é dividida em cinco facções e as pessoas vivem de acordo com o lema da facção a que pertencem: Audácia, Abnegação, Amizade, Franqueza e Erudição. Ao completarem 16 anos os jovens passam por testes de aptidão que medem a sua afinidade com cada uma delas e tudo culmina em uma grande cerimônia na qual escolhem a que grupo se juntarão e passarão suas vidas. Se escolherem partir para outra facção, devem deixar todos os seus laços familiares para trás, afinal, a facção está acima do sangue.

Mas para Beatrice as coisas não são tão fáceis, pois ao fazer o seu teste de aptidão ela descobre ser uma Divergente, algo que coloca sua vida em perigo. Ao fazer a sua escolha, ela muda seu nome para Tris e precisa encarar o processo de iniciação que definirá se ela pertence mesmo à facção que escolheu. E é nesse período que ela descobre que a sociedade que vive está em vias de um conflito como nunca visto antes.

Foi apenas ao começar a ler “Divergente” que percebi o quão pouco eu sabia sobre a premissa do livro, o que foi ótimo pois me permitiu descobrir cada detalhe do mundo criado por Veronica Roth exatamente como ela planejou que seu leitor descobrisse.

Confesso que de início a idéia de uma sociedade dividida em facções não me pareceu tão interessante. Talvez isso se deva a minha descrença de que pessoas poderiam ser catalogadas e viver de acordo com princípios fechados, obedecendo regras tão rígidas. Se você é da abnegação, precisa ser completamente altruísta, não demonstrar interesse em atividades divertidas ou em riqueza. Se é da Erudição, é obrigado a estar sempre cercado de livros. Da Audácia, precisa mostrar coragem irrestrita em qualquer situação (o que inclui pular de trens em movimento). É difícil acreditar que ninguém teria dúvidas, que ninguém pensaria de forma diferente e que todos pudessem ser felizes sendo tão limitados.

É assim – em meio de alguns clichês e situações forçadas - que Tris começa a se revelar interessante. Por ser uma divergente ela não se encaixa em nenhuma facção, tendo características de várias. Como o livro é narrado em primeira pessoa, conhecemos as dúvidas e os anseios da protagonista e são eles que nos ajudam a entender um pouco mais daquele mundo, embora ela mesma não o entenda por completo. Ela é uma adolescente e está apenas começando a descobrir quem é, o que naquela sociedade ocorre da maneira mais difícil possível. Ao poucos ela vai se encontrando e é esse processo de amadurecimento, em meio às provas de iniciação, que dão forma a “Divergente”.

A sensação de amadurecimento se estende também à trama, dando a impressão de que esse primeiro livro é meramente introdutório. A opção da autora é compreensível, pois ela precisa inserir o leitor dentro daquela sociedade e o mesmo ocorre com Tris, afinal a vida na nova facção é como um outro mundo para ela. Com tudo isso, apesar da narrativa fluida da autora, o livro demora um pouco a engrenar e a sensação que fica é que a história só começa de fato nas últimas 100 páginas.

Algo que precisa ser dito é que é impossível ler “Divergente” e não associa-lo a “Jogos Vorazes”. Temos uma distopia que se passa em uma sociedade intransigente e uma protagonista feminina de 16 anos que é jogada em uma situação violenta e nos conduz pela história. As semelhanças geram comparações e, a meu ver, a história de Suzane Collins se sai melhor, pelo menos ao avaliarmos o primeiro volume das respectivas trilogias. Embora no caso de “Jogos Vorazes” o primeiro livro seja também uma mera introdução da história, o livro é, por si só, mais empolgante. Além disso, a sociedade em “Divergente” não causa o mesmo impacto que a de Panem e a narrativa de Tris não me parece transmitir a mesma naturalidade e ansiedade que a de Katniss.

Mas nada disso desmerece “Divergente”, pois tudo que Veronica Roth insere nesse primeiro livro tem potencial para evoluir e, ao levar em consideração as últimas 100 páginas, se tornar algo verdadeiramente empolgante em “Insurgente” e “Convergente”.

Muito disso vem da construção dos personagens e seus relacionamentos. A autora ganha pontos por não tentar introduzir um triângulo amoroso e com isso cria um romance adolescente gostoso e natural. Diga-se de passagem que Quatro, o personagem com quem a protagonista se envolve, é ainda mais interessante que ela ao se manter em uma áurea de mistério.

“Divergente” pode não ter correspondido totalmente às minhas expectativas, mas vejo muito potencial para os próximos livros, pois tanto os personagens como a situação da sociedade em si prometem uma evolução interessante.

Título: Divergente
Autora: Veronica Roth
Tradutor: Lucas Peterson
Nº de páginas: 500
Editora: Rocco

11 comentários:

Nereida disse...

Muito legal essa resenha. Eu vi o filme na semana passada e meu namorado leu o livro. Eu achei estranho essas facções e provavelmente seria divergente também, porque eu me encaixo em várias... na erudição, na amizade e na abnegação um pouco, também. Não entendo porque uma pessoa erudita não pode ter amigos, fazer o bem e etc.

Beijos,
Nereida
agua-marinha.net

Alessandra disse...

Quando li divergente eu só sabia que se tratava de uma distopia. Para falar a verdade eu nem tinha aquela vontade louca de lê-lo, mas como acabei ganhando o livro achei que seria errado deixa-lo escondido na estante hahaha

Acho que para mim também foi bom não saber muito, tive a oportunidade de me surpreender em alguns momentos e não me decepcionar por causa de expectativas. Foi uma leitura boa, nada que me fizesse escolher uma facção, mas já estou com Insurgente na prateleira pq agora saber a continuação hahaha

bjs

http://www.confraria-cultural.com/

Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

Quero muito ler Divergente, só não sei se antes ou depois de Jogos Vorazes, de qualquer jeito me parece que acabarei fazendo comparações. Mas é bom saber que tem potencial apesar de alguns clichês. Ótima resenha.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Ana Caroline disse...

Não consegui terminar de ler este livro. Acho que me pressionei tanto para ler que não consegui, mas vou ler rsrsr.

Adorei a resenha.

Beijos.

http://livrosleituraseafins.blogspot.com.br/

Diandra disse...

Oi, gostei muito do blog e já estou seguindo ^^
Eu li Divergente, mas não achei ele parecido com Jogos Vorazes. Não gosto muito de Divergente, acho que a autora viajou muito nas facções, não consegui ver uma lógica naquilo tudo =/
Beijos

http://entrelivrosevestidos.blogspot.com.br/

Jeni Viana disse...

Oi, Mari! Cara, meus parabéns. Essa é a primeira resenha perfeita que leio desse livro. Consegui me situar de uma maneira que até então não tinha conseguido. E de fato fiquei bem curiosa para conhecer essa história.

Um beijo enorme da Jeni!
Doce Sabor dos Livros - Aguardo sua visita! ♥

Caline disse...

Oi mari

Sempre tive muita vontade de ler Divergente, principalmente depois de ter lido JV e gostado tanto desse gênero distópico, mas a verdade é que depois das críticas pesadas que Convergente recebeu, fiquei bem desanimada.
Até agora não vi uma pessoa falando bem do último livro e sinceramente, se for pra ler um a história que tem tudo pra ser ótima, mas o desfecho causa tanta decepção, eu prefiro nem começar.

Beijos
Mundo de Papel

Nardonio disse...

"Divergente" já está na minha listinha de aquisições desde o lançamento. E agora com a adaptação para o cinema, minha curiosidade pra ler aumentou consideravelmente. Acho que quando se fala em distopias com essa pegada, é quase impossível não fazer essa comparação. O "Jogos Vorazes" é meu queridinho, então pra conseguir barra-lo, o autor tem que mandar muito bem.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Laura Zardo disse...

Este livro está na minha estante já faz algum tempo, mas ainda não o li. Depois de comprá-lo acabei perdendo o interesse, e confesso que ainda não o achei. Mesmo agora com a chegada do filme, eu não consigo criar vontade de lê-lo. Ai gente, que coisa desagradável falar isso, fico triste com o meu desânimo, mas fazer o quê... )=

Lais Cavalcante disse...

Vou pegar para ler esse livro semana que vem, pretendo hahah espero que eu curta, mesmo sabendo que você esperava mais... Espero que funcione melhor comigo.

Yasmin disse...

Assisti o filme, queria ter lido antes mas não deu agora falta ler pois, sinceramente sempre gosto do livro mais do que o filme !!! rsrsrs

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