sexta-feira, 25 de abril de 2014

RESENHA: Insurgente

“Sem facções? Um mundo onde ninguém sabe quem é ou onde pertence? Não consigo nem imaginar isso. Só consigo imaginar o caos e o isolamento que isso provocaria.” (ROTH, 2013, pag. 116)

ATENÇÃO: Contém spoilers de “Divergente”

Tris passou pelo processo de iniciação na Audácia, mas ao invés de começar sua vida na nova facção se vê diante de uma guerra prestes a eclodir. Atormentada por decisões que precisou tomar e diante de escolhas e alianças que jamais pensou que precisaria fazer, ela deve descobrir qual é o seu lugar neste conflito que poderá mudar seus relacionamentos mais importantes e até mesmo a vida de todos que ela conhece.

“Insurgente” começa exatamente onde “Divergente” terminou e, ao menos para mim que li os dois com uma semana de intervalo, não deixa buracos sobre a nova situação dos personagens. Também não é difícil voltarmos para aquele mundo já que, ao contrário de seu antecessor, “Insurgente” nos joga direto dentro da ação – palavra essa que descreve bem o segundo livro da trilogia de Veronica Roth. A trama toda se passa sob um clima constante de ação, como se algo trágico estivesse prestes a acontecer a qualquer momento (o que é perfeito para ambientar uma distopia, afinal o elemento central é uma sociedade desconhecida e, portanto, enigmática).

É uma pena que essa sensação se limite ao clima e não se estenda a trama e aos eventos em si. A impressão que se tem é que a trama evolui de uma situação para a outra, mas que “a coisa em si” nunca começa, como se tudo fosse apenas uma preparação para algo maior. Ao ler “Divergente” imaginei que a história central só tomaria forma no segundo livro, já que o primeiro se dedicava ao processo de iniciação de Tris, mas me surpreendi ao constatar que essa não foi a opção da autora e que, ao final da leitura, havia gostado mais do primeiro livro do que deste.

Porém, enquanto os acontecimentos deixam a desejar, os conflitos reivindicam o seu espaço. Se em “Divergente” eles ficavam atrás das cortinas – pois todas as pessoas sabiam exatamente o que era esperado delas e como deviam agir – agora tudo está às claras e uma das facções é a inimiga, assumindo as vezes de vilã da história.

A autora é feliz em não deixar apenas para o último livro as respostas que os leitores se fizeram ao terminar o primeiro. Entre outras coisas, sabemos agora que ser Divergente pode ser uma bênção, mas também uma maldição.

Sem deixar de lado a evolução dos personagens, Veronica opta por delinear melhor os protagonistas, em especial Tobias/Quatro, o que é importante para o andamento da história e do relacionamento dele com Tris, mas faz com que o personagem perca muito do mistério que o cercava no primeiro livro e que, a meu ver, o tornava interessante.

Infelizmente, o que mais me marcou em “Insurgente” foi algo que não havia me chamado a atenção em “Divergente” e que me incomodou nesse segundo livro. A narrativa de Veronica Roth parece ser mais repleta de fatos e constatações do que de sentimentos. Isso se torna ainda mais incômodo por se tratar de uma narrativa em primeira pessoa que deveria estar totalmente contaminada pela maneira como a personagem enxerga o mundo (não apenas com os olhos, mas também com a mente e o coração), mas nesse caso me pareceu que Tris apenas nos relata suas observações. É assim que algumas cenas de lutas parecem não tem fim, sendo descritas em minúcias que em nada acrescentam (como um dos envolvidos colocar o pé na garganta do adversário e em seguida tirá-lo para depois fazer outro movimento, e outro depois desse).

Acredito que a jornada em “Insurgente” teria sido melhor se a autora tivesse editado alguns acontecimentos, em especial a narração que se prende a detalhes supérfluos e mecânicos. Ainda assim, o desfecho lança boas perguntas e cria expectativa para “Convergente”, o último volume da trilogia.

Título: Insurgente
Autora: Veronica Roth
Tradutor: Lucas Peterson
Nº de páginas: 509
Editora: Rocco

7 comentários:

Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

Começo a ter dúvida sobre ler a trilogia... Numa visão geral, seus comentários fazem um balanço bastante positivo. Mas a menção à falta de emoções e excesso de minúcias me preocupa. Vou avaliar mais antes de embarcar. Ótima resenha.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Nardonio disse...

Como ainda não li "Divergente", e pretendo em breve, preferi pular para o último parágrafo dessa resenha. Pelo que entendi, esse segundo volume deu uma caída em relação ao primeiro livro da trilogia. Realmente uma pena. Mas pelo menos não foi um desastre completo, e ainda te deixou uma pontinha de vontade de finalizar a trilogia.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Laura Zardo disse...

Li alguns trechos da resenha, pulando os spoilers, porque ainda não li Divergente, mas pude perceber que o segundo livro não agradou tanto assim, se eu não estava com vontade de ler o primeiro, com certeza agora minha vontade foi para o brejo. Mas vou esperar para ver se minha vontade volta. =(

Camila Libanori disse...

Essa questão do sentimento é minha pior crítica também para o próximo livro Convergente. Embora tenha gostado bastante da trilogia, no último livro ai dividir os capítulos entre a Tris e o Quatro a única coisa que distingue uma personalidade da outra é a indicação no começo do capítulo, na minha opinião ela não consegue fazer a distinção. Depois me conta o que achou!

http://poraodaliesel.blogspot.com.br

Paula Souza disse...

Acredito que tenha sido assim porque a Tris meio que estava em modo mecânico, sabe?
Ela perdeu muita coisa em Divergente, acho que ela estava meio perdida. Sem saber o que sentir, ou fazer. Gostei muito do livro, principalmente o final que me deixou louca por Convergente *O*
Infelizmente não gostei do que encontrei em convergente :(
Beijos
http://www.interacaoliteraria.com/

Achados na estante disse...

Não cheguei ler nem o primeiro ainda, mas vou assistir o filme para ver se me desperta interesse. Parabéns pela resenha.
Beijos

http://achadosnaestante.blogspot.com.br/

Lais Cavalcante disse...

Pelo jeito esse também não te agradou tanto ne? Estou começando a duvidar dessa trilogia :/

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