sexta-feira, 16 de maio de 2014

RESENHA: A Corte do Ar

" Mas e o amor?  perguntou Molly. 
 Essa é a maior mentira de todas.  retorquiu Fairborn.  Um comichão biológico que a avisa que chegou a hora de começar a fazer pequeninas cópias de você. Além de enfraquecer o seu corpo, devasta a sua beleza. Acredite no que digo a você, Molly, se alguma vez houve um príncipe encantado à nossa espera em um cavalo, deve ter se perdido em alguma parte do caminho. O amor é como a gripe de inverno: desaparece gradualmente depois da estação." (HUNT, 2013, p. 59). 

***

Estava decidido a não dar início a leitura de novas séries até não terminar as pendências constantes na minha estante. Todavia, abri uma exceção para A Corte do Ar pois sua sinopse prometeu uma fusão de inúmeros elementos promissores. Infelizmente, ficou só na promessa. 

Após Molly testemunhar um brutal assassinato, a garota foge para salvar sua vida. Mas seus perseguidores estão decididos a não deixá-la escapar, o que levanta a pergunta: por que ela é tão importante? Por sua vez, Oliver é acusado de ter assassinado seu tio, seu único parente, e para não ser enviado para prisão ou manicômio, só lhe resta fugir na companhia de um infame agente da Corte do Ar. 

O maior problema de A Corte do Ar é que o autor simplesmente joga o leitor em um mundo desconhecido, sem explicar absolutamente nada. Paradoxalmente, Hunt despeja informações, todavia, estas são muito avançadas se consideramos que o leitor nada sabe sobre Chacália (o local onde se passa boa parte da estória). É como esperar que uma criança recém alfabetizada consiga ler Shakespeare. Não estou dizendo que seja necessário mastigar tudo para o leitor ou que não seja válido segurar algumas revelações para um momento posterior, mas a sensação de estar "perdido" me seguiu até o findar da leitura. 

O início é eletrizante, mas algumas páginas depois a estória já começa a derrapar. Os protagonistas vão de um lugar a outro a esmo e sem o menor propósito, o que me deixou com a impressão que o autor não sabia para que lado deveria conduzir a estória ou como unir os diversos arcos que a trama apresentava. E até que o autor não revele o motivo pelo qual Molly e Oliver estão sendo perseguidos, a monotonia é o lema de ordem. 

Felizmente, os órfãos são personagens interessantes, com personalidades fortes e que cativam o leitor. Entretanto, estranhei que os dois mal se conhecem durante todo livro, sendo que tal relação não merece ser caracterizada nem mesmo de amizade. Outro fato que também me causou estranheza foi a repentina evolução dos protagonistas, que se deu de uma hora para a outra e não em um processo. 

A narrativa de Hunt é enfadonha e parece andar em loop perpétuo. O autor se atém a detalhes insignificantes ao invés de dar seguimento a estória, o que faz com que o leitor logo perca o interesse pela leitura e se distraia facilmente. 

O desfecho não empolgou, tampouco respondeu a maioria das minhas indagações. Ou, se respondeu, não entendi, o que não é de todo improvável se considerado que achei este um dos livros mais confusos que li nos últimos tempos. 

Se partirmos da premissa que o primeiro volume de uma saga serve para introduzir o leitor a seu mundo, apresentar seus personagens e, sobretudo, mantê-lo interessado na sequencia da estória, é meu dever alertá-lo que A Corte do Ar falha quase que completamente em todos os aspectos. 

Admito que este foi meu primeiro contato com o gênero steampunk, e não saberia precisar se meu problema foi com a obra em si, com o gênero ou se com ambos. Segundo o jornal The Time, Hunt revolucionou o steampunk, então, se você gosta do gênero, talvez consiga apreciar a obra.

Título: A Corte do Ar (exemplar cedido pela Editora) 
Autor: Stephen Hunt 
N.º de páginas: 537
Editora: Saída de Emergência

11 comentários:

Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

Já li resenhas positivas e negativas desse livro, o que me impulsiona a ler. Mas saber que é enfadonho e confuso me desanima. Acho que vou esperar algumas sequencias pra decidir. Quanto ao gênero, já li um steampunk (Alma?) e gostei bastante. Enfim, ótima resenha.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Mi disse...

Olá! :)
Eu já não tinha tanta vontade assim de ler esse livro e depois da sua resenha, tenha a certeza, que provavelmente eu não vá ler mesmo.
O autor não consegue inserir o leitor na história e a narrativa é enfadonha... Dá um desânimo né? :/ rs.

beijos,
Mi
http://inteiramentediva.blogspot.com.br/

Karolayne Nascimentos Santos disse...

Eu já não me sentia tão atraída por esse livro, agora então...
Odeio me sentir perdida em um livro, principalmente quando é o primeiro livro de uma série. A apresentação da situação, do ambiente e do sistema ao qual os personagens estão submersos é no minimo essencial para a compreensão da história.
Bjokas

Nardonio disse...

Desde que vi a capa desse livro, imaginei que ele era ótimo. Depois que comecei a ler algumas resenhas por aí, vi que ele não é essa coca-cola toda. Pelo que você expôs aqui, o cara só mandou bola fora em quase tudo: Narrativa enfadonha, trama confusa, desfecho fraco, etc. Apesar de apreciar o gênero, não sei se me arriscarei a ler esse não.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Ana Paula Barreto disse...

Não me empolguei com esse livro desde que o vi pela primeira vez, e acho que não estava errada.
Um dos maiores problemas de histórias que se passam em um "outro universo" é exatamente o que você descreveu: o autor não insere o leitor no novo universo, não apresenta as regras, não o faz parte daquilo. E aí, o resto fica muito sem sentido!
bjs

Ana Carolina Ribeiro disse...

Já pela capa não me empolguei com o livro
Agora me dizendo que o livro é confuso
to fora
Horrível ler um livro assim

Bárbara Lorentz disse...

Poxa, uma pena quando isso acontece. Eu nunca li nada steampunk e ainda não sei se quero. Acho que ainda só tenho interesse naquela série que saiu pela Valentina... Talvez, se eu ler e gostar, acabe dando chance a outras séries deste gênero, mas pelo que você disse sobre este, acho que não leria.
Gosto de ter as explicações sobre os mundos que antes de estarem no papel, estavam apenas na imaginação do autor.
Beijos.

Giane Nunes Teles disse...

Nossa... Adorei a sua resenha, ela teve a sua opinião mesmo! Todo mundo fala tão bem desse livro que foi maravilhoso ler alguém que não concorda com isso. Realmente se o autor não introduz o mundo e seus personagens fica difícil acompanhar a história e querer ler as continuações! Parabéns.
Bjoks da Gica.

umaleitoraaquariana.blogspot.com
@GicaTeles

Lais Cavalcante disse...

Já não gostei desse livro por causa da capa. A impressão que passa [pelo menos para mim], é uma leitura infantil e bobinha. Mesmo não sendo isso, os pontos negativos que você expôs na resenha, só confirmou minha vontade de não querer lê-lo.

Adriana disse...

Eu só ando fazendo leitura de séries depois que já tenho todos os livros em mãos, cansei de ficar com séries pendentes aqui, mas esse livro já não me conquistou desde quando li a sinopse e agora lendo sua resenha, eu fico mais tranquila em saber que não to perdendo grande coisa, é muito ruim começar um livro num ritmo bom e ir amornando, fico muito frustrada quando isso acontece e a falta de informações para o leitor se situar na leitura é imprescindível, o autor pecou feio né! Bjão!
Adriana

Érika Rufo disse...

Ouvi falar muito nesse livro, mas mesmo lendo algumas resenhas positiva, não senti vontade de ler. O gênero steampunk não me agrada muito e ao ler sua resenha tenho certeza que não é uma leitura que vá me agradar.

Beijos!!

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