quinta-feira, 31 de julho de 2014

RESENHA: Iluminadas

“O futuro não é tão ruidoso quanto a guerra, mas é implacável com sua própria e terrível manifestação de fúria.” (BEUKES, 2014, p. 52).

***

Quando li a sinopse de Iluminadas, fiquei bastante intrigado com a mescla de policial com ficção científica. Por isso, fui pesquisar mais sobre o livro na Amazon americana, ocasião em que encontrei o aval de Gillian Flynn, autora de Garota Exemplar (leia-se: um dos melhores livros policiais de todos os tempos).

Harper é um sem-teto que encontra abrigo em uma casa abandonada, que é capaz de transportar pessoas no tempo. Assim, ele começa a matar mulheres em diferentes décadas, sempre retornando ao passado e escapando de qualquer investigação policial. Kirby foi a única vítima que sobreviveu a um dos ataques de Harper, e agora está decidida a encontrá-lo.

A narrativa de Iluminadas é extremamente confusa. Além do livro não seguir uma ordem cronológica, saltando entre passado e presente, não consegui identificar sequer uma sequência lógica para a estrutura da obra. Acrescente-se, ainda, que o próprio texto de Beukes é confuso, sendo que foram inúmeras as vezes que tive de reler um parágrafo para compreender o que estava acontecendo.

Já salientei em inúmeras resenhas de livros policiais que tal gênero demanda certo ritmo. Entretanto, Iluminadas se desenvolve de maneira lenta e monótona, fornecendo descrições exacerbadas ao invés de focar na ação. Outra falha da autora foi não conseguir compor reviravoltas, não conseguindo surpreender o leitor em momento algum.

Protagonista e antagonista se mostraram igualmente insossos, e não conseguem despertar no leitor nenhum tipo de reação, de modo que é difícil se envolver e até mesmo se importar com a estória. Infelizmente, nem mesmo os personagens secundários se destacaram.

O final até consegue empolgar, visto que ganha as doses de ação e adrenalina que se mostraram ausentes durante todo o decorrer da leitura. Porém, falhou ao não esclarecer por que as vítimas eram consideradas “meninas iluminadas” e por que deveriam morrer.

Provando que uma boa premissa não é suficiente para a criação de um bom livro, Iluminadas decepciona do início ao fim. Apesar da ousadia em misturar gêneros tão distintos, me pareceu que Lauren Beukes tem muito a evoluir como escritora antes que possa se aventurar em um projeto mais audacioso.

Título: Iluminadas (exemplar cedido pela editora)
Autora: Lauren Beukes
N.º de páginas: 318
Editora: Intrínseca

9 comentários:

Nardonio disse...

Nossa, Alê!!! Que pena, hein?!?!
A premissa é, realmente, bem interessante. E a mistura também, mas é triste ver que a autora tinha tudo nas mãos, mas acabou desperdiçando. E o pior, parece que nada é aproveitável nesse livro: Personagens, ação, narrativa, estrutura, etc.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Virginia de Oliveira disse...

O livro realmente tem uma premissa bastante interessante, mas lendo sua resenha me desanimei totalmente em ler é uma pena que a autora não conseguiu desenvolver a ótima ideia que teve.

Bruna Monteiro disse...

É totalmente frustrante quando o livro lhe desaponta. Eu acho que esse gênero literário requer muito cuidado, pois às vezes a leitura pode ficar confusa e acaba que o leitor não consegue sentir a empolgação que tal fato ocorrido no enredo deveria proporcionar.

Lais Cavalcante disse...

Eu estou lendo Garota Exemplar, estou bem mo finalzinho e me deu um alívio quando vi que você gostou! Rs e nossa, esse livro tem de tudo para ser uma péssima leitura né? Muita descrição, personagens sem graça, confusão entre passado e presente... Acho que passo a leitura :/

Letícia Souza disse...

O livro tinha tudo para ser perfeito,é uma pena a leitura
ser cansativa e monótoma.
Livros confusos não são pra mim,sempre acabo irritada e largando a leitura.
Ainda bem que nem planejava lê-lo mesmo.
beijos

Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

Me sinto destruída, Alê. Queria muito ler esse livro pela questão das viagens no tempo, mas diante de tais comentários já não sei. Vou pensar melhor. Ótima resenha.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

infinitasvidas disse...

Oi, Alê!
Gostei muito da resenha sincera, até porque suspense policial é um dos meus gêneros literários favoritos! Pela premissa, o livro realmente parece interessante. Porém, como vocês mesmo disse, uma boa ideia não é o bastante para fazer uma história se tornar inesquecível. Uma pena.

Priscilla
http://infinitasvidas.wordpress.com

Matheus Salera disse...

Adorei a resenha. A premissa do livro parece ser bem interessante, me deixou curioso. Vou procurar para ler ;)

Até mais!
Math // de-livro-em-livro.blogspot.com

Lucas Kammer Orsi disse...

Fiquei com pena que você não gostou, já que a história parecia ser bem bacana! Não é a primeira vez que ouço comentários negativos sobre esse livro, o que me deixa desestimulado a realizar a leitura. Mesmo assim, se surgir a oportunidade, ou se ele estiver em promoção, acho que darei uma chance a ele.

Abraços,
Lucas
ondeviveafantasia.blogspot.com.br

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