domingo, 3 de agosto de 2014

RESENHA: O Príncipe da Névoa

Trilogia da Névoa O Príncipe da Névoa Carlos Ruiz Zafón
O Príncipe da Névoa” foi o primeiro livro escrito pelo maravilhoso Carlos Ruiz Zafón e já dá indícios suficientes de que este é um escritor para se amar.

O ano é 1943. Max tem então 13 anos quando sua família decide se mudar para uma pequena cidade do litoral para fugir da assombrosa presença da guerra. Ao chegar lá, o menino se depara com uma série de elementos peculiares, como o relógio da estação que anda para trás e as estátuas no jardim perto de sua nova casa. Em um de seus primeiros passeios pelo vilarejo, Max faz um novo amigo, Roland, que conta a ele a respeito de um barco de cujo naufrágio, ocorrido há muitos anos, sobreviveu um único homem: o seu avô, que construiu o farol e desde então é responsável pela sua manutenção. Além de apresentar Max às maravilhas das aventuras subaquáticas e de aproximá-lo de sua irmã mais velha, Alicia - a quem o menino sempre viu como uma incógnita -, Roland também trilha o caminho que leva Max a descobrir sobre um ser misterioso e maligno: o Príncipe da Névoa.

Para quem leu os livros posteriores do autor  em especial “A Sombra do Vento”  fica claro que sua narrativa ainda amadureceria nos anos e obras que se seguiram a sua estréia, mas é impossível não se deixar levar para o mundo misterioso e encantador que o autor cria com suas palavras nessas meras 180 páginas.

Chamou a minha atenção o quanto esta é uma história concisa e ampla, ao mesmo tempo. Usando de poucos personagens, o autor desenvolve cada um de forma a cumprir um propósito claro dentro da narrativa e opta por criar um núcleo fechado de acontecimentos de forma que a trama não se dispersa em nenhum momento, acontecendo o tempo inteiro, com todos os envolvidos. Porém isso, de forma alguma, limita as camadas da trama. Como sempre quando se trata de Zafón, a história consegue mesclar amizade, amor e mistérios, sendo pincelada por toques de magia e elementos assustadores. Diga-se de passagem que o autor tem um talento único para criar seres misteriosos.

“Quando chovia forte, Max tinha a impressão de que o tempo parava. Era como uma trégua, na qual todos podiam largar o que estavam fazendo no momento e simplesmente chegar à janela para contemplar, durante horas a fio, o espetáculo daquela cortina infinita de lágrimas do céu.” (ZAFÓN, 2013, p. 44)

Narrado em terceira pessoa, “O Príncipe da Névoa” transita com fluidez pelos pontos de vista dos personagens principais, nos permitindo acompanhar suas aventuras e também seu amadurecimento, sem nunca perder o foco de que se trata de personagens adolescentes, algo que fica claro em cada linha.

Além da fluidez da narrativa e do número reduzido de páginas, existem inúmeros outros fatores que fazem com o que o livro seja lido rapidamente (eu li em duas “sentadas”). O principal deles é a maneira como Zafón consegue sugar o leitor para dentro do mundo que cria e da história que conta. A partir do momento em que se começa a ler é preciso acompanhar as pegadas daqueles personagens pela areia e é preciso encontrar as respostas junto com eles. Parar se torna quase uma impossibilidade. Algo que se faz - quando se faz - a contragosto.

É claro que, por se tratar de um livro infanto-juvenil, “O Príncipe da Névoa” não causa o mesmo impacto ou a mesma emoção dos livros adultos do autor, mas nem por isso deixa de proporcionar o mesmo deleite. Não consigo imaginar um adulto que não se deliciaria com essa história, assim como não posso deixar de imaginar o prazer que eu mesma teria sentido ao viver essa aventura aos meus 12 anos. Por isso, acho válido mencionar um comentário que o autor faz no prefácio que compõe esta edição no qual afirma nunca ter lido os livros rotulados como “juvenis” quando tinha esta idade e sua crença de que um livro para jovens deve ser tão bom quanto um livro para adultos, tendo feito de “O Príncipe da Névoa” um livro que ele mesmo teria gostado de ler aos 13 anos, mas também aos 23, 43 ou 83. Não consigo imaginar como Zafón poderia ter sido melhor sucedido.

O Príncipe da Névoa” é o primeiro livro da Trilogia da Névoa, então não deixe de conferir as resenhas dos livros seguintes: “O Palácio da Meia-Noite” e “As Luzes de Setembro”.

Título: O Príncipe da Névoa
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Nº de páginas: 180
Editora: Suma de Letras


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10 comentários:

Leticia disse...

Oi Mari...
Não tenho preconceito com livros jovens apesar de não ler tantos. Você tem razão, apesar de não ter lido este livro, acho que vale muito a pena mesmo ler.
Gostei da resenha e tenho muita vontade de ler.

livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

Aline T.K.M. disse...

Gostei muito da narrativa do Zafón em Marina - o único que li dele até o momento. Apesar de ser considerado "juvenil", achei-o maduro até, tipo, não menospreza o leitor (como muitos juvenis fazem). Tenho bastante vontade de ler O Príncipe da Névoa, mas sendo sincera, tenho mais urgência em ler A Sombra do Vento e os outros dois da trilogia.

Beijos, Livro Lab

Estante Diagonal disse...

Oi mari tudo bem? ainda não li nada do Carlos, mas só vejo resenhas positivas, preciso quebrar este tabu pessoal hahaha

Já vi umas promoções de 3 livros dele no submarino, acho que esta ai minha oportunidade de conhece-lo!

Beijos Joi Cardoso
Estante Diagonal

Maristela G Rezende disse...

Eu sei que os livros de Carlos Ruiz Zafon e creio mesmo que, se li algum deles, foi somente um. Esse livro, cuja resenha está maravilhosa, encontra-se nos meus desejados e espero poder ler em breve.

Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

Não vejo a hora de embarcar na narrativa de Zafón. Coincidentemente ou não, ontem comprei o box Cemitério dos Livros Esquecidos. Mal posso esperar para que chegue! E saber que nesse primeiro livro que escreveu já foi arrebatador me deixa ainda mais ansiosa, Mari. E concordo que livros juvenis tem que ser tão bons quanto para adultos. Ótima resenha.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Nardonio disse...

Isso é verdade, Mari! Com muitos autores, já percebemos que eles são bons logo em suas primeiras obras. E, com Zafón, não foi diferente. Já mostrou a que veio logo de primeira, e suas obras posteriores só confirmaram o seu talento. Quero ler tudo o que ele lançar, e pode ser para qualquer público específico. Afinal, para ler um livro bom não tem idade.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Lara Lange disse...

Oláááá!
adoro quando autores mudam um pouco o pulbico alvo... diversificando seu catalogo e provando o porque fazem sucesso!
ainda não li nada do Zafon! mas estou me coçando de curiosidade para assaltar a biblioteca do meu pai!
quero que o livro consiga me envolver tanto quanto a ti!


Um beeijo Lara.
Blog Meus Mundos no Mundo | | Página Coração Furta-Cor

RUDYNALVA disse...

Mari!
Estou com esse livro aqui para leitura, mas ainda não tive oportunidade de lê-lo porque a pilha anda grande.
Gosto dos livros infanto-juvenis porque são carregados de aventuras e muita ação, além do que, a criatividade se torna imensurável aos autores.
cheirinhos
Rudy
Blog Alegria de Viver e Amar o que é Bom!

Liza Mikaelly disse...

Eu já tinha lido um post de um blog ( não lembro o nome do blog ) e eu fiquei bem interessada uma coisa difícil para mim porque eu quase não leio livro de época e esse me cativou também gostei bastante de sua capa que é linda! acho que mostra a essência do livro e nos retrata sua historia. Amo livros infanto juvenis porque ele nos cativa de uma maneira unica e verdadeira. Beijos <3

George Araujo disse...

Oi Mariana!
Zafón é um marco da literatura espanhola (apesar de se manter muito no EUA). Lembrar da Barcelona descrito por ele em suas obras mais conhecidas me traz nostalgia literária rS'.
É ótimo ver os primeiros passos de um autor que gostamos, presenciar sua evolução e suas características mais marcantes tomando forma.
Uma coisa interessante que citou é como o escritor consegue unir e trabalhar bem em cima do núcleo principal de personagens, usando da amizade e dando credibilidade aos laços formados. Confesso que o vilão, Cain, não chegou a me conquistar muito em seus propósitos. Só que isso é opinião própria, e mesmo assim o autor fez um belo trabalho e um ótimo considerando que é seu primeiro publicado.
Sua resenha está espetacular! Parabéns!

Beijo!

http://entretenilendo.blogspot.com.br

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