segunda-feira, 15 de setembro de 2014

RESENHA: O Retrato de Dorian Gray

“— Poderá a senhora lembrar-se de um grande pecado que haja cometido nos primeiros anos? — consultou ele, mirando-a por sobre a mesa. 
— Um grande número, receio. — exclamou ela. 
— Pois bem! Cometa novos ainda. — propôs ele gravemente. — Para nos remoçarmos o melhor é recomeçarmos nossas loucuras. 
— É uma deliciosa teoria. Terei de pô-la em prática.” (WILDE, 2014, p. 53)

***

Dorian Gray é um jovem que encanta a todos por sua beleza, e por isso se torna modelo e inspiração para as pinturas de Basil Hallward. É por meio de Basil que Dorian conhece o influenciável Lorde Henry Wotton, o qual lhe apresenta seus pensamentos acerca do valor da juventude e da beleza. Quando Basil termina o retrato de Dorian, este percebe que a pintura permanecerá bela para sempre, enquanto o que lhe aguarda é a velhice. E por isso suplica que seu destino seja trocado com o da obra, tendo ele o direito de permanecer eternamente jovem. 

A narrativa de Wilde me pareceu bastante enfadonha e cansativa. Além disso, ao final da edição constam as informações sobre o tradutor do livro, João do Rio, um dos grandes difusores da obra de Wilde no Brasil. Considerando que ele faleceu em 1921, percebe-se o quanto a tradução é antiga. Então, talvez o problema não fosse apenas a narrativa de Wilde, mas possivelmente a tradução de um inglês rebuscado para um português arcaico. 

Minha impressão foi de que a intenção de Wilde era criar muito mais uma discussão filosófica sobre a validade de se buscar os prazeres da vida e contestar os antigos dogmas, do que desenvolver uma estória. Tanto é que a trama é relativamente linear e não conta com grandes reviravoltas. Se esta de fato era a vontade de Wilde, missão cumprida.

Dorian Gray é um personagem interessantíssimo, que após ser abençoado com a juventude eterna abraça um estilo de vida hedonista, que não mesura consequências, que não refreia suas vontades por questões morais. Me questionei se Gray não poderia ser, na verdade, um retrato da própria sociedade, que tanto valoriza a beleza e que se torna cada vez mais fútil e superficial. 

É fato sabido que a obra abalou a sociedade inglesa por seu conteúdo homoafetivo. A meu ver, tais insinuações se mostraram bastante sutis e até mesmo ambíguas, e por isso creio que a edição anotada e sem censura publicada pela Biblioteca Azul possa reproduzir mais fielmente o texto de Wilde. 

O Retrato de Dorian Gray propõe profundas reflexões, dos mais variados assuntos, e não é por menos que é considerado um clássico da literatura universal. 

Título: O Retrato de Dorian Gray (exemplar cedido pela editora)
Autor: Oscar Wilde
N.º de páginas: 242
Editora: Martin Claret

15 comentários:

Nardonio disse...

O meu grande problema com alguns clássicos é justamente isso, a narrativa enfadonha e cansativa. E, quando vem atrelada discussões filosóficas, a coisa só vai piorando. Confesso que não sei se o leria nesse momento, mas quem sabe em um futuro bem distante, né?!?!

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

camila rosa disse...

Oi, tudo bem?
Eu achei o assunto interessante, mas parece que o livro é um tanto sem graça, mas cheio de informações, gostei da resenha, mas não sei se eu leria o livro não.
Beijos *-*

Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

Quero muito ler esse livro por causa de sua repercussão. Foi bom você avisar sobre a linguagem a falha dos capítulos, Alê, assim procuro outra edição. A história parece ter belas simbologias. Ótima resenha.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Loly Fonseca disse...

Não costumo ler clássicos justamente por conta da linguagem... Coisas cansativas para ler basta os de estudo que não tem como fugir... A resenha ficou muito boa, mas a probabilidade de eu ler esse livro é pouca, pois nem mesmo o gênero me agrada...
Kisses

Natasha disse...

Não gostei desse livro, sinceramente é mt mt chato, por mais que seja um clássico a leitura é cansativa demais...muitas reflexões. Enfim, ótima resenha.

nathalia muller disse...

ainda não, acho que iria me cansar por cauda da linguagem e acabaria abandonando o livro...
não sei se leria...

RUDYNALVA disse...

Alê!
Acredito que suas colocações são críveis. A tradução do início do século passado tornou as primeiras edições um tanto enfadonha, porém a meu ver, não tira o real desejo do Wide em mostrar à sociedade da época, o que acontecia de forma um tanto 'abafada' por trás das portas das ditas famílias inglesas. Acredito que seu intuito era mostrar como tudo era enrustido e com certeza ele escandalizou a 'perfeita' sociedade londrina.
Não sei se chegou a assistir alguma versão do filme, tive oportunidade de assistir o original e uma versão mais recente, mais contemporânea e com uma adaptação mais voltada para a liberação que veio no final do século XX, ambas muito boa. Se tiver oportunidade, assista.
Clássico é clássico e quem somos nós para julgá-los, concorda?
cheirinhos
Rudy

Iêda Cavalcante disse...

Oiee.
Já ouvi falarem muito de Dorian Grey, mas apenas do filme e nunca do livro, mas como todo clássico essa linguagem arrastada acaba me afastando.
Acho que dessa vez prefiro assistir ao filme do que ler ao livro.
Bjokas!

Vitória Pantielly disse...

Oii :)
Já tinha ouvido falar do livro, mas não tive oportunidade de ler, só vi
o filme ! E gostei ..
Quando procurei saber sobre o livro, e li algumas resenhas o que me desanimou foi
exatamente a narrativa dele .. Já me disseram até que tentam ler o livro até o fim, mas
nunca conseguem !
Creio que Dorian seja bem um retrato da sociedade, tanto a antiga, quanto a sociedade atual, querendo ou não, sempre verão beleza acima de tudo, e dá pra perceber bem(no filme) o quanto ele não mede limites pra conseguir o que quer !! Gostei do filme, mas já não sei se acharia o mesmo do livro ..
Beijoos :*

Aline Coelho disse...

Gostei muito da sua resenha e você acabou esclarecendo uma dúvida que eu tinha sobre a narrativa ( gosto quando ela é mais dinâmica e objetiva). Mas as reflexões propostas pelo livro são bem importantes.
Vi o filme e apesar de acha-lo forte em alguns momentos adorei tudo que ele debateu.
Enfim obrigada pela dica e pelos esclarecimentos.

Leituras, vida e paixões!!!!

Gladys Sena disse...

Já assisti uma adaptação dessa obra e deve ter sido a primeira, pois foi em preto e branco, e já me dei por satisfeita. Não tenho interesse em ler a obra. Pelo que li da sua resenha a adaptação cumpriu o papel, sendo desnecessário fazer uma leitura enfadonha...

Maria Trindade disse...

Não conhecia esse livro quando eu vi a capa achei que era o Jude Law ;)

Tamires Fernanda disse...

Não gostei muito desse livro, apesar de ser um clássico não fiquei animada com essa obra não.
Mas quem sabe algum dia.

Abçs :)

Ana Paula disse...

ai Meu Deus! Esse livro é um classico, é como dostoievski ou como lee child, quero ler muito, uma vez peguei ele pra ler mas não consegui continuar por conta da dificuldade com a linguagem, mas vou tentar de novo, acho que a edição que peguei é muito antiga,..

bjs <33

MsBrown disse...

Olá, Alê. Gosto tanto de O Retrato de Dorian Gray! Resenhei a obra também em meu blog, e, apesar de ter gostado muito do livro, não deixei de dizer que teve um capítulo que simplesmente não consegui engolir, tão cansativo e que me pareceu sem propósito. Mas no geral, apreciei o modo como Wilde conduziu a história e, sim, concordo com você que era um retrato da sociedade. Por fim, é uma obra memorável, importantíssima.
(Procure uma edição mais nova, talvez não seja tão enfadonha)

Postar um comentário

 

Além da Contracapa Copyright © 2011 -- Template created by O Pregador -- Powered by Blogger