sábado, 4 de abril de 2015

RESENHA: Coração Ardente

“Eu nunca tinha pensado que poderia amar uma pessoa daquele jeito. Também nunca tinha pensado que teria tanto medo de perder alguém. Será que todos os apaixonados se sentiam assim? Abraçavam a pessoa amada com força e acordavam aterrorizados no meio da noite, com medo de ficar sozinhos? Era uma sensação inevitável quando se amava alguém tão profundamente? Ou éramos só nos dois, que andávamos à beira do precipício, que convivíamos com esse pânico?” (MEAD, 2014, p. 337). 

***

ATENÇÃOa resenha CONTÉM SPOILERS dos livros anteriores da série Bloodlines

Já disse milhares de vezes que Richelle Mead é uma autora que surpreende a cada novo livro, mas confesso que foi apenas com O Feitiço Azul, terceiro volume da saga Bloodlines, que fiquei realmente empolgado. Por isso mesmo, Coração Ardente entrou na minha lista de mais desejados do ano, e apesar de ter um tom diferente dos demais livros da série, não decepciona. 

Apesar de sua lógica afiada, Sydney não conseguiu vencer sua própria razão e optou por ficar em Palm Springs, e esconder de todos seu relacionamento com Adrian. Entretanto, tal tarefa está prestes a ficar mais difícil agora que sua irmã, Zoe, também foi escalada para a missão. Enquanto isso, Sydney investiga outras formas de quebrar o encantamento da tatuagem alquimista e Adrian é destacado para auxiliar nas pesquisas que visam impedir a transformação em Strigoi. 

Acho que o ponto que causou mais estranheza em relação aos demais livros da série é que a narrativa de Coração Ardente é dividida entre os pontos de vista de Sydney e de Adrian. Apesar do choque inicial, Mead fez um bom trabalho em caracterizar cada uma das vozes, pois as características essenciais de cada um dos personagens estão impressas na forma como eles narram a estória. O fato do livro contar com capítulos alternados não interrompeu a continuidade da estória, pois os pontos de vista são complementares. 

Agora que temos um casal, um dos pontos altos do livro é justamente ver essa Sydney mais emotiva, apaixonada e até mesmo impulsiva. Por mais que já tenhamos visto a estória do amor proibido — sem falar de alguns outros clichês de acompanhamento —, Mead sabe como explorar esses temas sem deixar o leitor com o gosto de “mais do mesmo”. A verdade é que quando se tem personagens bem construídos e um envolvimento que não acontece do dia para a noite, que tem química e, sobretudo, que faz sentido, clichês são perdoados. 

Fiquei com a impressão de que Coração Ardente se foca mais na resolução de problemas e conflitos já conhecidos nos livros anteriores do que em novos aspectos da trama, o que me pareceu uma decisão acertada, porém, teve como efeito colateral um desenvolver mais lento da estória. Mesmo assim, não deixo de me surpreender com o quanto a narrativa de Mead é fluida, sendo possível ler páginas e mais páginas sem perceber, mesmo que nada de empolgante esteja acontecendo. 

Empolgante mesmo é a reta final, repleta de ação e reviravoltas de tirar o folego, sendo impossível interromper a leitura. O desfecho, embora tenha se mostrado bastante previsível, ainda assim consegue deixar o leitor com o coração na mão. Dessa vez, Mead aposta todas as suas fichas em um gancho principal para a continuação da série e limito-me a dizer que o mesmo é promissor. 

Os personagens coadjuvantes tiveram pouca participação no desenvolvimento da obra, o que me pareceu uma opção inteligente, visto que o espectro da estória a ser explorado em Coração Ardente não demandava a presença deles. Além disso, creio que se Mead tivesse forçado a presença deles e dos dramas que os acompanham, o livro ficaria desnecessariamente pesado. 

Coração Ardente tem um enfoque muito maior no romance da protagonista e seus conflitos pessoais, então é possível que alguns leitores estranhem essa pegada mais intimista, direcionada mais aos sentimentos do que a ação. Embora não tenha se tornado meu livro preferido da série, é impossível negar o quanto Mead aproveita o momento para desenvolver seus personagens a fundo e preparar uma continuação eletrizante. 

Título: Coração Ardente – Bloodlines 4 (exemplar cedido pela editora)
Autora: Richelle Mead
N.º de páginas: 413
Editora: Seguinte

16 comentários:

Lary C disse...

Oi, Alê.
Eu li a resenha toda, apesar dos spoilers, pois eu não tenho interesse em ler essa série. Esse universo criado pela Mead não me atrai muito, não sei porque. Enfim... Eu gosto quando a narrativa é alternada entre outros personagens, principalmente se isso não atrapalha o ritmo da história.
Abraço!

Matheus Braga disse...

Fala Alê, tudo bem?

Cara, confesso que esse foi um dos livros que menos me agradou na série, justamente por ter colocado o ponto de vista de Adrian. Entendo que essa foi uma atitude necessária da autora, afinal, depois do final desse livro, seria meio impossível saber o que está acontecendo no mundo se o foco da narrativa fosse só da Syd, não é mesmo? Mas mesmo assim acho que houve uma desconstrução de personagem, pois ao longo da série, e também da série original (VA), somos apresentados a um Adrian cheio de vícios, levemente perturbado (culpa do Espírito) e um tanto quanto convencido, aí vem a autora e mostra um ponto de vista de um cara mega romântico e que gira todas as atitudes pensando "Não vou fazer isso pq a Syd não vai gostar... não vou fazer aquilo pq a Syd não faria isso, etc...". Sei lá, acho que o personagem aí perdeu a essência, que nem aconteceu com o Tobias em Convergente.

Como havia comentado, terminei de ler Sombras Prateadas e, apesar de ainda continuar com a mesma impressão sobre o ponto de vista do Adrian, esse foi um livro cheio de reviravoltas e até mesmo com alguns furos na trama, mas ainda assim foi algo que me deixou de queixo caído, principalmente o final. Richelle tem essa mania miserável de terminar os livros dela com algum plot twist mega arrasador. Foi assim com Feitiço Azul quando a Zoe chega, foi assim com Coração Ardente com o que rola no final e foi assim com Sombras Prateadas T__T #Çamulheréumavacasô HAHAHAHAHAHA

PS: Estou doido para que você leia Sombras Prateadas para podermos discutir alguns dos furos na trama que achei *__*. Me avisa quando ler.

Abraços,
Matheus Braga
Vida de Leitor - http://vidadeleitor.blogspot.com.br/

Vanessa Vieira disse...

Gostei da resenha Alexandre. Li o primeiro volume de Bloodlines e mal posso esperar para ler o restante da série. Abraço!

www.newsnessa.com

RUDYNALVA disse...

Alê!
Acredito que a mudança foi estratégica feita pela autora, afinal, vem tudo com mais ação e aí, ela esfria um pouco colocando Nathan como o narrador e a revelação de vários pontos do romance, tornando um livro mais 'meloso' digamos assim... e para quem gosta dos romances como eu, até goste mais um pouco.
De qualquer forma a série é ótima, né?
Cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

Mariana Ogawa disse...

eu só li um livro da mead (georgina kincaid) e gostei muito.

eu tenho um pouco de medo de livros que alternam os narradores, pois nem sempre os autores conseguem fazer as mudanças das "vozes" se ela conseguiu ela ganhou pontos como escritora para mim.
tanto o bloodline quanto o va estão na minha lista de leituras, mas como são 12 livros ao todo estou enrolando um pouco.
ah, é quase impossível fazer resenha de livro em série sem fazer spoiler dos anteriores, mas até que não teve tanto parabéns!

Vanessa Sueroz disse...

Oie,
nossa eu li a primeira série e amei, estou começando esta segunda e até agora estou gostando bastante.
Bem curiosa para ler este livro

bjo

http://blog.vanessasueroz.com.br

Cecília Vieira disse...

Não li a resenha porque ainda bem que você avisou que há spoiler e eu ainda não li nenhum livro dessa série, embora eles estejam na minha lista. Acho que vou achar.
Beijos!

Gabriela CZ disse...

É difícil não se empolgar com a forma que você fala de Mead, Alê. Bom saber que o livro te agradou mesmo fugindo do padrão. Fico cada vez mais curiosa para ler algo da autora. Ótima resenha.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Luis Carlos disse...

Como eu não pretendo ler a série, eu não tive problema algum em ler a resenha por conter spoilers! Esse livro me pareceu interessante por ter essa dinâmica de duas visões, o que na maioria das vezes, acaba ficando uma ótima leitura. Além disso, o livro me agradou por conter reviravoltas, fazendo com que o leitor fique de queixo caído. Adorei a resenha!

Rafaela. disse...

Oi, Alê!

Eu tenho essa série, até já comprei "Sombras Prateadas". Estou ansiosa para ler, especialmente por saber que ela continua surpreendendo a cada livro. Assim que terminar Academia de Vampiros, inicio Bloodlines.
Ótima resenha!

Beijocas.
http://artesaliteraria.blogspot.com.br

Marco Antonio Marco Antonio Sousa da Silva disse...

Olá Alexandre,

Li muitas resenhas positivas dele, só que o meu interesse não é tão grande no momento, mas quem sabe outra hora, mas gostei da sua resenha....abraço.


devoradordeletras.blogspot.com.br

Anelise santana disse...

Tenho muita curiosidade em relação à Bloodlines, vejo muitos elogios à série e à autora, mas não tive a oportunidade de ler ainda e também não esta na minha lista de desejados porque tem muita coisa na frente haha Mas pretendo ler, acho a premissa da estória bem legal, e a fama que a autora tem de surpreender ajuda muito! Sem falar que os livros da série são lindos demais *-*

Nardonio disse...

Bem, como não li nenhum dos volumes desa série, preferi pular para o último parágrafo desse resenha. Pelo que vi, a autora resolveu focar mais no romance em si. Confesso que não gosto muito, mas, se ela realmente está "preparando a cama" para uma continuação eletrizante, eu aprovo.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Camila Monteiro disse...

Tô com o primeiro livro dessa série aqui em casa e não senti a urgência de ler. Adorei Academia de vampiros e acho que tô com medo de estragar a história lendo essa hahahahaha

Será que devo pular logo para essa?!

Ju M disse...

Não conhecia essa série, nada me chamou muito a atenção para ela, mas gostei da sua resenha, ainda despertou certa curiosidade em ler. Quando você fala da reta final empolgante, cheia de reviravoltas, sendo impossível interromper a leitura, é isso que espero de um livro, que me prenda, que me tire o folego.

Letícia Souza disse...

Muita gente adora a Mead mas eu não tenho tanto interesse nas séries dela mesmo gostando de acompanhar o que rola por meio de outras pessoas.achei bem bacana esse diferencial nesse 4 ljvro,com foco no romance e entre Sidney e Adrian além de conter o ponto de vista dos dois lados.O próximo livro com certeza vai surpreender.

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