segunda-feira, 6 de abril de 2015

RESENHA: Extremamente Alto, Incrivelmente Perto

“Naquela noite, na cama, inventei um dreno especial que ficaria embaixo de cada travesseiro de Nova York, conectado ao reservatório. Sempre que as pessoas chorassem até dormir, as lágrimas iriam todas para o mesmo lugar e pela manhã o homem do tempo poderia informar se a água do Reservatório das Lágrimas havia subido ou descido, e você saberia se as botas de Nova York estavam pesadas.” (FOER, p. 49, 2006)

Oskar é um menino de 9 anos cujo cartão de visitas lê: inventor, desenhista de joias, entomologista amador, francófilo, vegan, origamista, pacifista, percussionista, astrônomo amador, consultor de informática, arqueólogo amador, colecionador de: moedas raras, borboletas que morreram de causas naturais, cactos em miniatura, memorabilia dos Beatles, pedras semipreciosas e outras coisas. Dentre as coisas que Oskar mais gostava de fazer, estava procurar erros no New York Times e olhar as estrelas brilhantes coladas no teto do seu quarto enquanto seu pai lhe contava alguma história fascinante. Isso até o pai morrer no atentado ao World Trade Center. Ao encontrar uma chave misteriosa, dentro de um envelope que diz apenas “Black”, Oskar parte em uma aventura pelos cinco distritos de Nova York para tentar descobrir o que o Pai deixou atrás de tal fechadura.

“Extremamente alto, incrivelmente perto” é um livro lindo. Daqueles que lemos e somos verdadeiramente tocados por suas palavras.

Intercalando três narrativas em primeira pessoa, Jonathan Safran Foer nos mostra as consequências de conflitos como a Segunda Guerra Mundial e os atentados de 11 de setembro na vida de pessoas que tentam continuar vivendo tendo perdido o que lhes era mais precioso: as pessoas que amavam.

Cada narrativa é única e emocionante a seu modo. A de Oskar mostra a visão de uma criança especial, mas que ainda assim é apenas uma criança que perdeu sua pessoa favorita no mundo e teme que ela seja esquecida ou que sua falta deixe de ser sentida. Narrar pelos olhos de uma criança é sempre uma tarefa delicada, mas o autor consegue isso de maneira louvável. Em nenhum momento perdemos a perspectiva de um menino de 9 anos, mas ainda assim seus sentimentos nos levam a profundas reflexões.

Já a narrativa da avó de Oskar se dá na forma de cartas e mostra a dor de uma mulher que perdeu o filho nos atentados, a família na guerra e foi abandonada pelo marido sem explicações.

Por fim, a narrativa do avô de Oskar revela os sentimentos de um homem que perdeu seu grande amor na guerra e uma parte de si mesmo no processo, sendo aos poucos privado da fala e tendo que se limitar a escrever frases simples em um caderno e a tatuar SIM e NÃO nas mãos para conseguir se comunicar. Das três, a narrativa do avô - também na forma de cartas, mas essas escritas para o filho que ele abandonou antes mesmo de nascer - foi a que mais me tocou. Se adjetivos como belo e intenso podem ser empregados para o livro de maneira geral, a narrativa do avô de Oskar merece um a mais: poético.

A singularidade das três vozes é a razão pelo qual o autor não precisa anunciar em cada inicio de capítulo qual é o personagem que fala, nem localizar o leitor na linha temporal, já que o texto faz esses esclarecimentos por conta própria.

Com tantos méritos, é difícil explicar no que reside a beleza de “Extremamente alto, incrivelmente perto” que não é tanto um livro de acontecimentos quanto de sentimentos. Um livro que consegue aliar momentos melancólicos a momentos engraçados com delicadeza e naturalidade. Um livro cheio de dor, mas também cheio de esperança e até de graça.

Completando o texto existem inúmeras imagens de cenas que Oskar presencia ao longo de sua jornada, mas confesso que as imagens não fizeram muito pela minha experiência de leitura.

“Extremamente alto, incrivelmente perto” é uma leitura emocionante sobre as marcas que as pessoas que amamos deixam nas nossas vidas.

Em 2012, o livro ganhou uma adaptação cinematográfica com Tom Hanks no papel de Thomas Schell (pai de Oskar). “Tão forte e tão perto” foi dirigido por Stephen Daldry e indicado ao Oscar de Melhor Filme.

Título: Extremamente alto, incrivelmente perto (exemplar cedido pela editora)
Autor: Jonathan Safran Foer
Tradutor: Daniel Galera
Nº de páginas: 392
Editora: Rocco

19 comentários:

Carla disse...

Que capa diferente!! Nunca vi uma capa parecida, gostei dela, hahahhaha. Adorei a resenha, esse livro parece muito bom.
Beijos,
cabanadosanjos.blogspot.com

Rafaela. disse...

Oi, Mari!

Senti-me tocada apenas lendo sua resenha. O livro deve ser incrível mesmo, gostei da narrativa alternada e de saber que o autor escreveu com louvor a visão de uma criança de 9 anos traumatizada.
Com certeza irei ler! Ótima dica.

Beijocas.
http://artesaliteraria.blogspot.com.br

Luis Carlos disse...

Eu adorei o fato do livro ser narrado por 3 pessoas, pois faz com que o livro tenha uma dinâmica excelente. Além disso, o livro acaba sendo mais explorado! Eu gosto de livros assim, que fala sobre guerras e/ou atentados. Eu ainda não li esse livro, mas ele parece ser um daqueles livros que você se emociona bastante. Adorei a resenha!

Gabriela CZ disse...

Não sabia que o filme "Tão Forte e Tão Perto" era baseado num livro, Mari. Por sinal, ainda não vi o filme porque sou um desastre. Mas com esses seus comentários lindos e emocionantes quero ler o livro também. Já entrou pra lista. Ótima resenha.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Marco Antonio Marco Antonio Sousa da Silva disse...

Olá Mariana,

Não conhecia o livro, mas gostei muito do que li na sua resenha e fiquei bem curioso, vai com certeza para a minha lista....bjs.


devoradordeletras.blogspot.com.br

Estante Diagonal disse...

Nossa, fiquei bem instigada com o livro, depois de tantos elogios fica evidente a complexidade da obra, já foi pra listinha ♥

Beijos,
Joi Cardoso
Estante Diagonal

RUDYNALVA disse...

Mari!
Acredita que hoje estava no banho e pensando nas pessoas que entram em nossas vidas de várias formas, um mais próximos outros de relâmpago, mas que de algum jeito se vão e ficamos com sentimento de saudade e lembrando de tudo que eles proporcionaram em minha vida.
Sessão nostalgia...kkkk
E não é que me vem com uma resenha que mostra justo esses sentimentos... e também outros.
Fiquei interessada.
“Passando para desejar a todos uma ótima e abençoada semana,que Deus esteja no controle de nossas vidas guardando e livrando de todos os obstáculos que possam surgir pelo caminho,pois com Deus no controle tudo dará certo.” (Andréia Godoi)
Cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

Juh Bernardo disse...

Oie,
Eu já tinha lido sobre esse livro, mas não sabia que tinham adaptado ele para o cinema.
Quero muito ler ele, adoro livros emocionantes...

Beijos,
Juh
http://umminutoumlivro.blogspot.com.br/

Anelise santana disse...

Já me senti comovida só ao ler a resenha, imagina se chego a ler o livro todo :3 Realmente parece ser uma estória linda e emocionante, e gostei do fato de ter três narrativas que não precisam ser identificadas, muito interessante. Sobre a adaptação pro cinema, eu não fazia nem ideia até agora, vou procurar para assistir.
A capa do livro me lembrou de A Menina Mais Fria de Coldtown *-*

Alessandra Tapias disse...

Vou falar do filme primeiro, eu não sabia que era o Daldry que havia dirigido. E confesso que estou num momento de amor por este homem. Quero assistir tudo dele, e este vai pra fila já.

Quanto a resenha... AMEI!!!! Agora quero ler logo. Ler e assistir!!!

Lindaaaaaaaa


Bjks

Lelê - http://topensandoemler.blogspot.com.br/

Jacqueline Braga disse...

Oie Mari
tem um século que sou louca por esse livro. A narrativa parece ser extremamente visceral e emocionante. Preciso de mais livros assim.
bjos
www.mybooklit.com

Cecília Vieira disse...

Ainda não tinha visto nada sobre esse livro, mas depois de ler essa sua resenha, já tenho a certeza de que ele é bastante emocionante. Faz tempo que não leio um assim, então fiquei tentada em fazer a leitura o quanto antes.
Beijos.

Mariana Ogawa disse...

eu senti vontade de chorar só por causa da resenha,essa temática das pessoas que são perdida em guerra (ou tb em atentados)normalmente a gente tenta esquecer e transformar em números, mas cada um tem sua vida pessoas que os amam e esperam a sua volta.
só não prometo ler, pq como eu disse só de imaginar a dor de um menino de 9 anos,que perde o pai eu já quis chorar, acho que vou comprar uma caixa de lenço p poder ler esse livro...

Gabriel Ribeiro Gomes disse...

Heey Mari (e Alê)!

Já li o livro e, apesar de ter gostado bastante, não foi tudo o que eu esperava. Confesso que o final me surpreendeu, mas, mesmo assim, não consegui pegar afinidade com o protagonista. Beijos!

http://euvivolendo.blogspot.com.br/

Lary C disse...

Oi, Mari!
Eu não assisti o filme 'Tão forte e tão perto', e não sabia que era baseado em um livro.
O livro parece ser extramente tocante. Fico um pouco com o pé atrás quando a narração é feita por uma criança, mas nesse caso ficou bem interessante. Esse não é o tipo de livro que leio rápido, já que o enredo não é tão dinâmico. Talvez eu dê uma chance a ele, rs.
Beijos!

Bárbara Prince disse...

Que título lindo! E o livro parece lindo também. As partes do ponto de vista da criança parecem ser de alguma forma parecidas com os livros de John Boyne, não?
Achei muito interessante essa história de o autor conseguir diferir narradores e tempos sem indicá-los explicitamente. Deve ser muito habilidoso!
www.blogsemserifa.com

Nardonio disse...

Gosto de narrativas divididas, e quando os narradores tem uma grade diferença de idade e cada um deles fala em uma década diferente, a coisa fica mais interessante ainda. E o bom é que o autor consegue diferenciar cada narrador, sem precisar colocar a informação no início de cada capítulo. Enfim, não conhecia esse livro, mas acabei ficando interessado por ele.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Ju M disse...

Não conhecia o livro e nem a adaptação cinematográfica. O livro parece ser muito bom, sua resenha me tocou. Se bem que quando um livro vira um filme já é um indicativo de que o livro é bom né? Quero ler.

Letícia Souza disse...

Parece ser um livro bem intenso,aquela leitura que te prende e emociona fazendo você passar a admirar os personagens e suas histórias.Fiquei bem curiosa com o livro assim como o filme,que vou procurar assistir pra ter uma noção melhor da história enquanto não leio a obra.

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