sábado, 10 de outubro de 2015

RESENHA: Sonhos Partidos

“Mas cada pessoa adulta que você encontra na vida está arrastando atrás dela uma fileira invisível de muitos fantasmas, dos quais, quando se é criança, você é generosamente poupado de conhecer. 
Contudo, agora sei que esses fantasmas existem, e que outros adultos podem vê-los. Os amores perdidos, os amigos feridos, os mortos: eles seguem seus donos para sempre.” (WALSH, 2015, p. 141).

***

Assim que li a sinopse de Sonhos Partidos fiquei interessado em conhecer mais daquela estória, o que me motivou a ler a prova do livro no site da editora. E apenas três páginas foram suficientes para me convencer de que precisava ler a obra de estreia de M. O. Walsh. 

No verão de 1989 Lindy Simpson, com quinze anos de idade, foi atacada e estuprada perto de casa, em um bairro tranquilo da cidade de Baton Rouge. Considerando os parcos recursos daquela época, a polícia limitou-se a interrogar a vizinhança, e embora tenha identificado alguns suspeitos, o verdadeiro autor do crime nunca foi descoberto. 

Conhecemos esta estória através do olhar de um homem que, quando adolescente, era obcecado por Lindy, e por isso mesmo um dos suspeitos do crime. Não sabemos por que, dezessete anos depois do estupro, ele resolveu contar esta estória, tampouco se suas informações são confiáveis, e são estes aspectos que mais me interessaram durante a leitura. 

O fato do narrador ser, possivelmente, o autor do crime, deixa claro desde o início que ele poderia estar manipulando o leitor ao invés de estar relatando os fatos como realmente aconteceram, abrindo um leque de possibilidades. Assim, Walsh fazia com que o leitor acompanhasse a estória sempre com um pé atrás, aceitando o que era dito, mas também desconfiando. 

Fiquei impressionado com a capacidade do autor em expor todas as falhas e defeitos do protagonista, como seu amor obsessivo por Lindy, sua apatia em relação à família, e ainda assim conquistar o leitor. 

Curiosamente, o narrador sequer tem nome, fato este que apenas reparei no momento em que me pus a escrever esta resenha, o que denota o quanto o personagem foi bem construído, a ponto de sequer necessitar de um nome. 

Apesar da premissa parecer policial, classificaria Sonhos Partidos como uma mistura entre drama e suspense. A meu ver, o cerne da obra não é o mistério que cerca o estupro de Lindy, mas sim como este evento, entre outros, marcou a vida dos personagens e de certa forma moldou o futuro deles. 

Acima de tudo, Sonhos Partidos é um livro que faz refletir sobre os mais diversos assuntos, como a perda da inocência, as consequências da violência, o peso da culpa, o significado da família, a importância do perdão, entre tantos outros. Apesar da capa singela e até mesmo bucólica, uma metáfora para a tranquila cidade de Baton Rouge, não espere encontrar um livro leve. 

Encerrada a leitura, tudo o que tenho a dizer é que M. O. Walsh fez uma bela estreia com Sonhos Partidos e que mal posso esperar para conferir outros livros de sua autoria. 

Título: Sonhos Partidos (exemplar cedido pela editora)
Autor: M. O. Walsh
N. de páginas: 254
Editora: Intrínseca

21 comentários:

Ycaro Brito disse...

Olá, Alê. Eu, logo de inicio, me encantei pelas cores presentes na capa de Sonhos Partidos. Depois, me surpreendi com a estória, pensando que seria algo mais fofo ou romântico, mas daí sua resenha já inicia-se com um estupro, cena forte! Enfim, o livro parece ser muito bom, principalmente por seu aspecto reflexivo sobre vários temas da vida. Além, do suspense criado envolta do possível autor do crime.

Gabriela CZ disse...

Estava em dúvida a respeito desse livro mas seus comentários me ganharam, Alê. Fiquei curiosa por esse narrador não confiável e a trama aparentemente singela porém intricada. Quero ler.
Ótima resenha.

Abraços!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Ana Clara disse...

Oi Alê!

A capa por si só já chama atenção da gente, de tão bonita que é. Adoro quando os autores não dão nomes aos personagens, não sei exatamente o porquê. Acho que gostaria de ler essa história, já que o estupro (apesar de ter sido importante, digamos assim) não é o centro da história.

Beijo!
http://www.roendolivros.com

Luiza Helena Vieira disse...

Oi, Alê!
Nossa! Eu quero muito ler esse livro. Curti muito a premissa.
A sua resenha mudou minha opinião de como seria o livro mas, isso foi bom porque assim não me decepcionaria com o que lesse.
Beijos
Balaio de Babados

Diane disse...

Oi ...
Adorei o livro !
Achei bem interessante o fato do narrador não ter nome , o que mostra a qualidade da composição dos personagens feita pelo autor .
Com certeza vou ler :)
Beijos

http://coisasdediane.blogspot.com.br/

Sil disse...

Olá, Alê.
Não conhecia esse livro ainda e me interessei logo lá no trecho que você colocou na introdução. Fiquei curiosa em saber quem é o culpado, principalmente se é o tal narrador. Adorei saber que nos envolvemos tanto com o protagonista que nem sequer prestamos a atenção na falta do nome. Assim que der eu vou ler ele.

Blog Prefácio

Camila Monteiro disse...

Tem uma coisa que me incentiva, a editora. Poucos livros lançados pela Intrínseca são ruins, pra mim é uma das editoras mais brilhantes que conheço.
Vou dar uma olhada nessa obra, gostei muito da resenha!

www.vidacomplicada.com

Vitor Leonardo disse...

Nossa, com essa capa nem dá pra se imaginar uma história dessas como conteúdo do livro, super legal o enredo, uma boa leitura!
Parabéns pela resenha!

Jéssica Peixoto disse...

Oi Alê!
Nossa, nunca imaginaria que um livro com essa capa tivesse uma história tão complexa e até mesmo perturbadora como a sua resenha expôs. Já estava encantada pela capa do livro sem saber nada do livro, mas agora, estou muuuuuito curiosa para saber como se dá o desenrolar da história.

Um abraço,
winterbird.com.br

RUDYNALVA disse...

Alê!
Um livro que a priori seria policial, onde se passa em uma cidade desconhecida e sem grandes recursos para se obter quem é o suspeito e possivelmente sendo ele mesmo a narrar os fatos, confunde realmente e pode manipular o leitor.
Me parece uma boa leitura.
“Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem?”(Confúcio)
cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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David Andrade disse...

Oi Ale!
Gosto dos livros da Intrínseca justamente por esse caractere reflexivo que sempre são incriveis demais <3 Geralmente são os livros que mais me agradam na minha estante, e vivo adquirindo séries deles.
Embora a sinopse desse não tenha me cativado a primeira vista, a capa fez, e depois da sua resenha, fiquei curioso para conhecer um pouco mais.

Abraços
David Andrade
http://www.olimpicoliterario.com/

Tony Lucas disse...

Oi, Alê! Tudo bem? Cara, eu adoro a capa desse livro e a premissa dele é ótima! Lendo sua resenha e conhecendo melhor o protagonista do livro, me lembrei de Amy (Garota Exemplar) que é uma personagem extremamente bem construída que meio que nos manipula o tempo todo! rsrs Acho que leria "Sonhos Partidos" sim, o livro faz o meu estilo e eu acho que ia gostar dele! :) Adorei a resenha!

Abraço

http://tonylucasblog.blogspot.com.br/

Ariane Reis. disse...

Oie Alê =)

Confesso que fui fisgada pela citação que você colocou logo no começo da postagem. É tão verdadeiro não é?
Não conhecia o livro, mas só por causa dessa citação já sinto que preciso ler ele.
Obrigada pela dica!
Ótima resenha =D

Beijos;***

Ane Reis.
mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
@mydearlibrary

Rafaela. disse...

Oi, Alê!

Não conhecia este livro, mas gostei muito do modo como a história foi contada e de todos os mistérios que cercam a narrativa.
Adorei a dica! Apesar de abordar um tema pesado, acho que irei gostar da leitura.

Beijocas.
http://artesaliteraria.blogspot.com.br

Alana Gabriela disse...

Helloo, Alê! Tudo numa nice?!
Eu tinha visto a capa do livro e remetido a um assunto completamente diferente do exposto aqui na resenha. Gosto também de ler livros sob a perspectiva de criminosos ou psicopatas, esse tipo de vilão astuto, ficar sem saber de verdade se ele está brincando conosco ou só dizendo a verdade é a melhor parte para ser surpreendido no final!
Gostei demais da tua resenha bem construída!
Beijin..
http://piecesofalanagabriela.blogspot.com.br

Gus disse...

Vi várias resenhas do livro e todas eram positivas e recomendavam e isso já pôs ele na lista de leitura, e com a sua opinião (que conta mt), quero ler ele já. Adoro livros de assassinato e ainda mais quando mistura drama e suspense, e deixa reflexões!

Www.cidadedosleitores.blogspot.com

Mariele Antonello disse...

Bom, como adoro livros em que após a leitura fico refletindo e esse livro faz o leitor refletir sobre diversas coisas, acredito que irei gostar de ler, a história parece ser interessante e o livro parece ser muito bom.
Sua resenha está muito boa e pretendo ler Sonhos Partidos em breve.

Carolina Garcia disse...

Oi, Alê!

Sua resenha está ótima! Eu acabei ficando muito curiosa sobre esse livro. Gosto muito de narrativas que nos faz refletir. Acabei apaixonada por Toda Luz Que Não Podemos Ver, que a Intrínseca lançou esse ano. Era só emoção e pensamentos por alguns dias ainda depois da leitura.

Mas confesso que nunca imaginaria que o livro por trás dessa capa traria uma história tão complexa. Por isso que nunca devemos julgar pela capa, né? Hahaha

Obrigada pela dica! ;)

Bjs

livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

Rose Gs disse...

Sempre quando leio uma resenha ou até mesmo uma uma sinopse fico tentando imaginar tudo que vou encontrar na historia e cri-la em minha mente, mais essa me deu uma angustia que não sei se quero ler mais sei que preciso ler pra a angustia parar sempre que leio ou ouso sobre essas historias de estupros/abusos e penso no quanto aquilo vai afetar a vida das pessoas em volta daquela situação me da essa certa angustia, e essa historia contada não pela jovem , não por um familiar mais por alguém que supostamente possa ser o autor do crime, não sei o que esperar dessa historia mais tenho que ler e descobrir , e em sei explicar o porque dessa angustia quando evolve esses assuntos!!

Ana I. J. Mercury disse...

Gosto bastante desses livros que envolvem assuntos polêmicos e dolorosos, mas não leio qualquer um, pois têm livros que falam de uma forma tão banal que da dó do autor, desculpa, mas penso assim kk
Pela capa desse, pensei que fosse mais leve, mas adorei sua resenha, mais um que preciso ler urgentemente!!!!
bjos

Ju M disse...

Realmente não se julga um livro pela capa. Já tinha visto esse livro e não tive vontade de ler, pensei que fosse um romance, algo assim.

Agora, sabendo do que se trata quero muito ler, achei mega criativa a forma que foi estruturado o livro, meio que um livro policial as avessas. O fato de ser narrado pelo suspeito, de deixar essa dúvida de que o que está sendo narrado é a verdade ou não me encantou.

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