sábado, 28 de novembro de 2015

RESENHA: O Colecionador de Peles

“Na ciência forense, um investigador examina a morte de forma abstrata, considera-a meramente um acontecimento que dá origem a uma série de incumbências. Bons policiais forenses enxergam esse episódio como algo do passado; os melhores veem a morte como ficção, e a vítima como alguém que jamais existiu. 
O distanciamento é uma ferramenta necessária para o trabalho numa cena de crime, assim como luvas de látex e luz negra.” (DEAVER, 2015, p. 24). 

***

Desde que li O Colecionador de Ossos — livro que inspirou o filme estrelado por Denzel Washington e Angelina Jolie — me tornei fã do autor. Jeffery Deaver é especialista em mesclar empolgantes perseguições com investigações policiais centradas na perícia forense. Porém, em O Colecionador de Peles, Deaver não alcançou o brilhantismo pelo qual o admiro. 

Um serial killer está a solta nas ruas de Nova York. Suas vítimas parecem ser aleatórias e o que chama a atenção é a forma como ele as assassina: utilizando uma pistola de tatuagem, inserindo veneno ao invés de tinta. Lincoln Rhyme e Amelia Sachs precisam desvendar as enigmáticas mensagens tatuadas na pele das vítimas e correr contra o tempo para impedir os próximos passos do Colecionador de Peles. 

A narrativa de Deaver é fluída e envolvente, rapidamente transpondo o leitor para o contexto do livro, seja ao lado de Amelia, ao processar uma cena do crime, seja ao lado de Rhyme, tentando compreender como as evidências coletadas se encaixam no panorama geral. O auge do livro fica por conta dos momentos de perseguição, em um brilhante jogo de gato e rato, no qual sobejam ação e adrenalina. 

Entretanto, o que me decepcionou foi o fato de que a perícia se tornou muito mais um pano de fundo do que o cerne do livro propriamente dito. Me pareceu que a investigação em O Colecionador de Peles contou muito mais com a ajuda constante da sorte e de deduções exageradas do que de inferências lógicas partindo dos indícios encontrados pela equipe nos locais dos assassinatos. 

Por sua vez, o que me desagradou no transcorrer da trama foi a opção do autor em fazer saltos no tempo no decorrer da investigação. Exemplifico: em um momento vemos um personagem correndo risco de vida, sendo que ninguém mais sabe o que está acontecendo. Do nada, chegam policiais para impedir que a situação se agrave, sendo que a explicação vem somente depois. Rhyme, revendo as evidências, conclui que poderia haver uma ameaça a tal pessoa. Ao utilizar tal artificio, Deaver quebrou duas regras essenciais do gênero policial: a) o leitor tem que fazer parte da investigação, acompanhando o detetive e recebendo as mesmas informações para ter a oportunidade de desvendar o mistério; b) quando se trata de uma perseguição policial, a jornada é o cerne da estória. Não é viável que fatos novos surjam do nada, se o leitor, em tese, está acompanhando toda a jornada. Assim, ao cortar um trecho, Deaver deliberadamente optou por excluir o leitor da investigação. 

Ao final da leitura, quando todas as peças se encaixam, é impossível não ficar com a sensação de que a trama ficou forçada em alguns aspectos, exagerada em outros, faltando coerência e, principalmente, verossimilhança. Sempre afirmo que Deaver é um autor que não precisa recorrer a truques para fazer um bom suspense, reviravoltas empolgantes, e isso tudo sem tirar o pé do chão. Infelizmente, parece que toda regra de fato tem sua exceção. 

Encerro dizendo que, apesar de tudo, O Colecionador de Peles não é um livro ruim. Entretanto, não está nem perto de retratar a habilidade e competência de Deaver como escritor. 

Título: O Colecionador de Peles (exemplar cedido pela editora)
Autor: Jeffery Deaver
N.º de páginas: 489
Editora: Record

21 comentários:

RUDYNALVA disse...

Alê!
Um primeiro livro tão, considerado por mim um dos melhores no gênero e que decepção nesse segundo..
Fico me perguntando por que os autores mudam sua forma de escrever e pensar durante o decorrer de uma série que prometia ser fantástica?
Triste de verdade, embora ainda queira ler o livro, porque acredito que algo de bom deve ter, já que é investigativo.
“Sem a música, a vida seria um erro.”(Friedrich Nietzsche)
cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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Karina Valshe disse...

Não li O Colecionar de Ossos, mas vontade não falta, ainda mais com o lançamento de O Colecionar de Peles, que ao meu ver tem uma boa premissa, uma pena que o autor cometeu erros ao conduzir a trama.
Um dos problemas de criarmos certo afeto ou expectativa com alguns autores é que, quando um livro deles não nos agrada como esperávamos, a decepção é um pouco maior do que seria com um autor que não conhecemos ou não esperamos tanto.
Não gostei de saber que o livro possui esses saltos no tempo, pois como disse não é algo comum no gênero. O leitor precisa estar acompanhando cada passo do detetive, caso contrário como podemos tentar desvendar o mistério? As vezes reclamo um pouco que queria achar um livro em que eu não conseguisse deduzir muita coisa, isso porque nos últimos tempos andei acertando muito os culpados e seus motivos, seja de forma completa ou parcialmente. Isso não torna um livro ruim, pelo contrário, mas as vezes quero ser surpreendida por completo, portanto que não se use de artifícios como saltos no tempo para conseguir isso.
Apesar de todos os pontos negativos que ressaltou, irei ler O Colecionador de Peles, não só por ser de um gênero que gosto muito, mas também porque acredito que ainda pode ser uma leitura agradável.
Abraços

Gabriela CZ disse...

É uma pena quando um grande autor comete esses vacilos, Alê. E mesmo você dizendo que apesar de tudo ainda é um bom livro, não posso dizer que fiquei com vontade de ler. Mas quero muito ler O Colecionador de Ossos. Ótima resenha.

Abraços!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Livros & Entretenimento disse...

Olá, o título do livro parece muito interessante!
Momentos de perseguição sempre me deixam agoniada!
Acredito que vou ler o livro.

Bjks,

http://livrosentretenimento.blogspot.com.br/

Camila Monteiro disse...

Mesmo com estas críticas eu fiquei curiosa!!! Hehehehe
Eu nem conhecia esse livro e vou procurar por ele com toda certeza. Valeu a dica.

>> Vida Complicada <<

Sil disse...

Olá, Alê.
Eu quero muito ler alguma coisa do autor. Eu amei o filme e fiquei sabendo que era livro aqui no seu blog. Quanto a esse livro, mesmo com suas ressalvas eu ainda quero ler ele. Acho que não sou tão exigente quanto você e vou gostar bastante hehe. Mas realmente fica aquela sensação de que faltou alguma coisa quando não participamos ativamente de todo o processo investigativo. Vou até anotar lá no skoob para não esquecer.

Blog Prefácio

Ycaro Brito disse...

Oi, Alê! Eu nunca ouvi ou li nada sobre o Jeffery Deaver, nem sobre os filmes e livros produzidos por/com ele. Logo quando li o título deste livro, pensei em um assassino que retirava a pele das pessoas. Estava enganado, mas a história é tão perturbadora quanto, imagino meu pavor com esta leitura. O ponto mais forte deste livro é o conteúdo investigativo.
Blog: Consumidor de Sonhos | consumidordesonhos.blogspot.com.br
Instagram: Consumidor de Sonhos | CdS

Luiza Helena Vieira disse...

Alê, eu jurava que O Colecionador de Ossos era do King oO
Pra falar a verdade, eu nem conhecia o autor, mas sabia do filme (que ainda não vi)
Eu odeio quando fica aquela sensação de trama forçada. Parece que o autor estava escrevendo de má vontade..
Beijos
Balaio de Babados | Participe da promoção Natal do Babado

Thalita Branco disse...

Olá Alê!
Tenho aqui O Colecionador de Ossos e pretendo ler em breve. Uma pena esse livro não ser tão bom :(
Bjs

EntreLinhas Fantásticas | SORTEIO 250 SEGUIDORES! NOS SIGA E PARTICIPE :)

Gus disse...

Eu estou louco para ler O Colecionador de Ossos e também, talvez, conferir esse segundo, que apesar das criticas me interessei, principalmente pq não dispenso um livro policial, mesmo ele soando forçado.

www.cidadedosleitores.blogspot.com

Nadja disse...

Oi! Mesmo que não tenha te conquistado senti que não é de tudo ruim. Achei curioso o fato do criminoso atacar com uma pistola de tatuagem e colocando veneno em vez de tinta e tudo parece ter uma mensagem subliminar. Achei interessante, mesmo que não seja espetacular.

Vitor Leonardo disse...

Parece muito interessante o livro esse suspense na capa é bem atrativo, nunca li nada do gênero é um bom co.eco espero ter oportunidade de le-lo!

Vanessa Vieira disse...

Gostei da resenha Alê. Apesar do livro não ter te agradado por completo, ainda me pareceu ser um thriller interessante. Se tiver oportunidade, pretendo lê-lo. Abraço!

www.newsnessa.com

Devaneios de uma Cindy disse...

Oi Alê,

Não conhecia o autor e com certeza vou seguir sua dica e não vou começar por esse livro. Fiquei balançada durante a resenha mas pelos pontos negativos e argumentos que você apresentou prefiro não arriscar.

Beijos!

Cintia
http://www.devaneiosdeumacindy.blogspot.com.br/

Rose Gs disse...

Olá!!
Só ouso elogios dessa autora e não por isso não tem como não querer ler e conferir, é lastimável quando a gente gosta tanto de um livro e do seu autor e vai com cede ler outro titulo e não é tão bom quanto, isso é decepcionante acredito eu que se você tivesse lido esse antes teria gostado mais dele e depois se surpreendido positivamente com o colecionador de ossos descobrindo que é bem superior, mas infelizmente foi o contraio, eu não li nenhum dos livros ainda, mais vou levar sua experiencia em consideração e vou ler esse primeiro rsrs
Bjocas!!

Jeni Viana disse...

Oi, Alê! Tudo bem contigo?

Cara, já disse que tu escreve super bem? Deus do céu, que ortografia impecável. Me lembre de ser mais assim, certo? Obrigada.

Cof, cof, cof. Voltando ao assunto principal: gostei muito de conferir as suas impressões a respeito desse livro. Nunca ouvi falar dele e assim que vi a capa no início da postagem, fiquei entusiasmada; conforme fui absorvendo as suas considerações, decepcionada. É uma pena que o autor tenha dado mancadas nessa obra em especial. Quais livros dele você indica?

Um beijo,
Doce Sabor dos Livros - docesabordoslivros.blogspot.com

Ariane Reis. disse...

Oie Alê =)

Eu gostei bastante do filme O Colecionador de Ossos, mas ainda não li nada do autor e confesso que mesmo o estilo não sendo um que eu normalmente leio a premissa de ambos os livros dele me deixaram curiosa.
Uma pena esse livro em questão ter deixado a sensação que não foi tão bom quanto o anterior. Também fico chateada quando isso acontece, principalmente quando tenho a impressão que o autor forçou a barra em alguns pontos.

Beijos;***

Ane Reis.
mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
@mydearlibrary

Tony Lucas disse...

Oi, Ale! Tudo bem? Poxa, tinha até interesse em ler esse livro, mas agora esse interesse se esvaiu... Gosto quando os autores nos deixam a par da investigação e esses cortes e saltos no tempo iam me incomodar bastante. Adorei a sua resenha esclarecedora! :)

Abraço

http://tonylucasblog.blogspot.com.br/

Mih Prado disse...

Ainda não tive a oportunidade de ler nada do autor, mas já havia lido outras resenhas sobre o primeiro livro que citou, e já tenho ele na estante, espero poder ler em breve! Primeira resenha que leio sobre este livro e para saber se tenho interesse nele terei que conferir outras resenhas, pois curto bastante o gênero.

Eloísa Pompermayer disse...

Oláá
Bem eu não conhecia o livro, mas apesar do meu entusiasmo com a sinopse eu acredito que não vá ler este livro, pois como disse na resenha o livro não transmitiu o brilhantismo do escritor então começarei a conhecer o escritor de maneira mais amena e para me apaixonar tem que começar com boa impressão não é mesmo?! Mas quem sabe um dia eu não o acabe lendo mesmo assim. haha
Parabéns pela resenha!
Bjoos

Nana Barcellos disse...

Oi Alê,
Quero ler ambos os livros assim que possível.
O Colecionador de Ossos, eu gosto do filme, mas certamente o livro deve ser bem melhor.
Esse fiquei curiosa e dá aquele ar de continuação ou mantem o nível, mas parece que não.

E que inusitada essa maneira que ele usa para atacar as vítimas.

Ótima resenha.

tenha um ótimo final de semana.
Nana - Obsession Valley

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