terça-feira, 31 de janeiro de 2017

RESENHA: A arte de ser normal

“Não é só brincar de me vestir; isso é real.” (WILLIAMSON, 2016, p. 274)

Quando David tinha 8 anos, perguntaram na escola o que ele queria ser. Os colegas responderam as mais diversas carreiras. David respondeu: uma menina. Agora, adolescente, ele tenta criar coragem para revelar aos pais como se sente para poder, finalmente, fazer a cirurgia de mudança de sexo. É nessa época que Leo, solitário e cheio de mistérios, surge no colégio e ao defender David de um episódio humilhante, uma inesperada amizade surge entre os dois.

Não é comum vermos personagens transgêneros na literatura, em especial em livros Young Adult. Trazer o tema à tona já torna “A arte de ser normal” um livro válido.

A narrativa se divide em dois pontos de vista: o de David, e seu desejo de realizar a operação, e o de Leo que se refugiou em um novo colégio para fugir de um episódio traumático. Apesar de se sentir preso em um corpo que não lhe pertence, David vive feliz. Tem uma boa relação com a família e dois amigos inseparáveis. Leo, por outro lado, só quer conseguir terminar o colégio para poder ir embora e começar uma vida de verdade.

A narrativa é fluida e os personagens vivem dramas tipicamente adolescentes, mas o livro peca por não elevar a história ao patamar que ela poderia alcançar. O tema pedia por profundidade e pelos mais profundos conflitos existenciais (imagine se olhar no espelho todos os dias e se sentir um estranho dentro do próprio corpo), mas a autora opta por uma abordagem superficial e leve. Sabemos que David está insatisfeito, mas não sentimos nele uma angústia, uma ansiedade ou até mesmo um verdadeiro desconforto. Isso não se torna um defeito sério porque Lisa acerta na condução da história que se propõe a contar. Ela apenas não era a história que eu imaginei que fosse e, por isso, me decepcionou um pouco.

É claro que se trata de um livro voltado para o público juvenil e talvez por isso a autora tenha optado por essa abordagem. Por outro lado, a adolescência já é uma fase cheia de conflitos e questionamentos para qualquer pessoa. Portanto, a mescla da temática transgênero com adolescência não seria ideal para explorar a fundo tudo isso?

Dentre os acertos de Lisa está conseguir mostrar os dois lados da situação: o lado inocente de quem acredita que uma cirurgia bastará para resolver todos os problemas e também o lado de quem já passou pelo procedimento e precisa enfrentar o preconceito das pessoas.

“A arte de ser normal” apresenta uma abordagem leve de um tema profundo. Não entrega todas as reflexões que poderia, mas não deixa de ser uma leitura rápida e agradável. 

Título: A arte de ser normal (exemplar cedido pela editora)
Autora: Lisa Williamson
N° de páginas: 384
Editora: Rocco

17 comentários:

Luiza Helena Vieira disse...

Oi, Mari!
Pelo título do livor, eu achava que era algum tipo de autoajuda. Mas depois que li algumas resenhas, fiquei bastante interessada.
Beijos
Balaio de Babados
Promoção Quatro Anos de Minhas Escrituras

Adriana Holanda Tavares disse...

Minina fiquei acordada ontem até as onze e quarenta e nada de post de Janeiro e tu me sai com um post as onze e quarenta e cinco? Maldade pura pra eu não participar do Top comentarista! kkkkkkkkkkkkkkkkkkk, brincadeiras à parte, gosto muito desse tipo de livro que aborda as questões de sexualidade e aceitação. Achei a capa linda e bem discreta!

Marta Izabel disse...

Oi, Mari!!
Não conhecia o livro. Mas a premissa é bem interessante. Acho que nunca li um livro com essa temática!! Gostei bastante da resenha e a capa é adequada para o assunto do livro.
Beijoss

Rossana Batista disse...

Eu acho que nunca li algum livro que fosse com essa temática. É bem interessante ver um tema tão profundo com uma linguagem mais simples e para o público mais jovem. Gostaria de ler!

O Que Tem Na Nossa Estante disse...

Oi Mari! Realmente o tema transgêneros é algo pouco explorado e seria bacana ler algo mais profundo a respeito. De todas as formas parecer ser uma boa leitura!

Bjs, Mi

O que tem na nossa estante

Roberta Moraes disse...

Realmente um tema muito profundo. Que pena que não foi tão aprofundado. Mas já é bom porque livros assim são importantes para que possa causar uma certa discussão sobre o tema. Me pareceu ser um bom livro!

Gabriela CZ disse...

Livros com essa temática tendem a me dividir, Mari. Isso porque ao mesmo tempo que acredito que assuntos referentes a inclusão devem ser debatidos temo que os livros sejam muito superficiais ou caricatos. Pelo visto esse não se encaixa nessas características apesar de não ser tão reflexivo quanto você esperava. Mas entendo a autora ter optado pela leveza pois muitas vezes contribui para a compreensão geral. Acho que leria. Ótima resenha.

Beijos!

Thaynara ribeiro disse...

Não consigo imaginar essa história, só lendo mesmo... pela capa até pensei que fosse do tipo mas é difícil imaginar a leitura. Tenho medo de ler por causa do preconceito que o personagem pode sofrer e isso me entristece demais... como disse que o autor aborda de forma leva, tento ler

Bruna Bento disse...

super quero ler mesmo sendo tratado de modo superficial já que não lembro de ter visto outro livro falando sobre trans! Bastante interessante! Definitivamente preciso aprender mais sobre genero =)

Rena Késsia disse...

Oii!
Adorei a resenha e fiquei com muita vontade de ler esse livro. Adoro assuntos ligados a LGBT, é muito importante ver a história pelo outro lado!

Beijos!

RUDYNALVA disse...

Mari!
Bom que o tema seja abordado, já que é algo bem contemporâneo e está cada vez mais tendo uma conotação social, porém concordo com você: deveria ter uma profundidade maior, tanto nos conflitos adolescentes, como nos conflitos internos.
“Saber interpor-se constantemente entre si próprio e as coisas é o mais alto grau de sabedoria e prudência.” (Fernando Pessoa)
cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
TOP Comentarista de FEVEREIRO, livros + KIT DE MATERIAL ESCOLAR e 3 ganhadores, participem!

Ana I. J. Mercury disse...

Gosto muito do tema, acho sensacional. Apesar de triste ver tanto preconceito contra orientação sexual e etc. O Caso do David é ainda mais profundo, tendo em vista a cirurgia e tal.
Fiquei muito curiosa para ler.
Ainda mais com a chegada do Leo, imagino as aventuras que ocorreram.
Quero muito!
bjs

Nessa disse...

Oi Mari
Muito legal o tema deste livro, acho que vi muito pouco sobre, fiquei interessada.

Beijinhos
http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

Patricia FQ disse...

Adorei este livro. Leitura fluida, escrita sensível.. Torci muito pelos personagens.

Larissa Dutra disse...

Olá, tudo bem? Adorei sua resenha e fiquei curiosa para realizar a leitura da obra, me pareceu bem interessante...

Beijos,
Duas Livreiras

Caverna Literária disse...

Uma pesa que o autor tenha preferido se manter raso na história, mas talvez seja justamente por existirem poucos personagens transgêneros na literatura. Talvez ele tenha dado o passo inicial para que outros autores se aventurem e aprofundem o tema. Não sei, é uma ideia hahaha mas ainda assim é ótimo que esse assunto seja tratado nos livros.

xx Carol
http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

Carolina Garcia disse...

Oi, Mari!!

Realmente, o tema sobre os transgêneros é algo que me chama a atenção também. Tenho aqui em casa "George", um livro pequeno da Galera sobre um menino que quer ser uma princesa. Ainda não tive a oportunidade de lê-lo, mas é algo pelo qual sou muito curiosa.

Enfim, achei interessante esse livro também. Uma pena que não aprofunda muito o conflito, mas deve ser uma leitura agradável mesmo.
Vou checar algum dia desses.

Bjs!!

http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

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