quarta-feira, 29 de março de 2017

RESENHA: Frankenstein

“Um dos fenômenos que atraíram de modo peculiar minha atenção foi a estrutura do corpo humano e, decerto, de qualquer animal dotado de vida. Por isso, muitas vezes perguntei de onde procedia o princípio da vida. Era uma pergunta arrojada e considerada sempre um mistério; no entanto, quantas coisas estaríamos prestes a conhecer se a covardia ou o descuido não impedisse nossas pesquisas?” (SHELLEY, 2017, p. 67)

***

Frankenstein é um dos livros mais icônicos da literatura de terror, sendo que até mesmo aqueles que não leram a obra conhecem a estória. É por isso que se pode afirmar com segurança que Frankenstein transcendeu não apenas fronteiras geográficas e temporais, mas transcendeu seu próprio formato. O monstro não vive apenas no livro escrito por Mary Shelley, mas habita o imaginário popular, sendo mais conhecido que sua própria criadora. 

Victor Frankenstein é um jovem ambicioso, com aptidão para as ciências naturais. Quando ingressa na faculdade, dedica-se com afinco aos estudos a fim de descobrir como poderia criar a centelha de vida que animaria um ser criado por suas mãos. Mas quando alcança este feito, apavora-se com o resultado e com suas implicações. A criatura, apesar de sua aparência grotesca, é essencialmente humana e nutre os mesmos tipos de sentimento, como amor, esperança, desejo de aceitação, medo e ódio. 

O texto de Shelley é um pouco cansativo, visto que a narrativa da autora é eminentemente descritiva. Creio que isso se atribui ao fato de que o livro consiste em um relato linear do próprio Victor acerca de sua jornada, ou seja, a narrativa diz respeito à descrição dos acontecimentos e não aos acontecimentos em si. Outro aspecto que me incomodou um pouco são as inúmeras coincidências utilizadas pela autora a fim de cruzar as vidas de Victor e da criatura. 

Meu interesse e envolvimento com a estória apenas surgiu quando a criatura confronta seu criador, narrando-lhe suas experiências de vida. A meu ver, este é o ponto alto da trama, pois Shelley revela de forma genial a humanidade do mostro e a monstruosidade da humanidade. É impossível não se sentir indignado com o tratamento que todos dão à criatura, julgando-a apenas por sua aparência. 

É a partir deste cenário de julgamentos e de preconceitos que Shelley mostra que o “monstro” nada mais é do que um produto de seu meio, e suas ações são, na verdade, meras reações às injustiças que sofreu. É por isso que vejo Frankenstein muito mais como um livro de drama, do que uma estória de terror ou de ficção científica. 

Vale registrar também que Frankenstein é uma mina de ouro para as reflexões, sendo que uma delas se destacas: existem limites para as ciências e para experimentos científicos? Ou será que há mistérios que estamos fadados a não compreender? Mesmo tendo sido publicado originalmente há duzentos anos, Shelley já explorava assuntos que são extremamente pertinentes nos dias de hoje. 

Frankenstein é uma interessante estória baseada em dicotomias: criatura e criador, esperança e medo, desejo de aceitação e rejeição, injustiça e vingança, vida e morte. Apesar de contar com um texto denso e um pouco cansativo, a obra certamente brilha por suas reflexões. 

Esta edição ainda apresenta quatro contos da autora com a temática da imortalidade. 

Título: Frankenstein 
Autora: Mary Shelley
N.º de páginas: 304
Editora: DarkSide Books
Exemplar cedido pela editora

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18 comentários:

Marília Leocádio disse...

Apesar de ter entendido pouca coisa eu particularmente gostei da historia e da linda edição, o protagonista vive em um mundo que só ele pode aceitar ou não a realidade em que convive sendo assim deve assumir todos os atos do meio anti ético.
Até mais!!!

Luiza Helena Vieira disse...

Oi, Alê!
Comprei esse livro tem uns 3 anos, mas ainda não li...
Tenho problemas com muita descrição, então espero que aqui não seja um problemão.
Beijos
Balaio de Babados

Gabriela CZ disse...

Frankenstein realmente se tornou um clássico por inúmeros motivos, Alê. Já faz um tempo que tenho visto comentários sobre as reflexões que o livro traz e desde então tenho muita vontade de lê-lo. Acho incrível abordar tanto a questão do uso da ciência quanto questões de humanidade e preconceito. Só espero que a quantidade de descrições que você mencionou não me incomode. E não sei se compro essa edição da DarkSide ou a da Zahar, que também está linda. Enfim, tenho que ler. Ótima resenha.

Beijos!

Girlene Viey disse...

Eu particularmente amo descrição em livros, então acho que diferente de você não acharia cansativo a descrição demais da historia. Mas espero muito que não seja em excesso, pois se não eu também acharia. Enfim... Adoro historia de Frankesnstein, eu conheço por a historia por conta de filme, porém nunca cheguei a ler nenhum livro. Esse livro será meu primeiro contato, caso leio futuramente. Achei a capa linda, acho Victor um genial por pensar que é possível reviver os mortos. Imagina se fosse possível mesmo? Acho que só a elite conseguiria ter essa possibilidade. Enfim, adorei a resenha

Beijos

RUDYNALVA disse...

Alê!
O que acho mais incrível na criação de Shelley é ela fazer esses questionamentos há décadas atrás e ainda tudo ser tão atual...
É fantástica a percepção que ela teve e a criação do 'monstro' para poder expor todas as críticas.
Clássico que vale a pena ler.
“Não há nada bom nem mau a não ser estas duas coisas: a sabedoria que é um bem e a ignorância que é um mal.” (Platão)
cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

O Que Tem Na Nossa Estante disse...

Oi Alê, tudo bem?

Eu ainda estou lendo, mas estou gostando. A autora é prolixa isso de fato dificulta a leitura, mas a estrutura da narração que começa com cartas me pareceu bem interessante. E a edição da Darkside é linda!

Bjs, Mi


O que tem na nossa estante

Nessa disse...

Oi Alê
Eu já li este livro faz um tempinho e curti muito, lembro que não foi uma leitura rápida, mas que gostei muito.
Quero muito esta edição maravilhosa da Darkside.

Beijinhos
http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

Marta Izabel disse...

Oi, Alê!!
Adorei a resenha. Nunca li nada sobre Frankenstein só assisti alguns filmes sobre essa história!! Mas sem dúvida quero muito essa edição da Darkside que ficou linda demais!!
Beijoss

suzana cariri disse...

Oi!
Tem alguns livros que acabamos conhecendo a historia só que nunca lendo seu livro, Frankenstein é uma dessas obras por isso quero muito finalmente ler o livro e conhecer a historia original, esse não parece ser um daqueles livros envolvente, mas uma historia que acaba nos mostrando vários pontos interessante, quero muito ler esse livro !!

Priscila Tavares disse...

Oi, tudo bem?
Quando eu vi esse lançamento achei a edição linda, e tenho certeza de que vai agradar os fã, mas eu particularmente não gosto de histórias assim. Não foi dessa vez.
Beijos
Quanto Mais Livros Melhor

Ana I. J. Mercury disse...

Oi Alê!
Ai já faz anooooos que quero ler esse livro!
A história parece ser realmente muito reflexiva, e trazendo vários questionamentos e dúvidas ao leitor, quando ao monstro e seu criador.
Adorei a resenha, me deu mais vontade de lê-lo logo!
bjoss

Jônatas Amaral disse...

Algo longo dos anos, esta história nunca realmente me saltou aos olhos. Nunca me interessei por ela de fato, mas sei que um dia lerei apenas por querer ter lido.
Uma coisa que me disse me deixou já com um pé atrás que é a narrativa essencialmente descritiva. Não gostou muito.
Mas quem sabe.

Jônatas Amaral
alma-critica.blogspot.com.br

Kemmy Oliveira disse...

Bem isso: até quem não leu sabe do que se trata.
Acredito que essa reflexão sobre os limites da ciência seja bem importante. Na verdade eu acredito que não existam limites, a cada dia vai surgindo coisas novas e não duvido nada que encontrem a fórmula da imortalidade (se já não tiverem encontrado)

Abraço

Carolina Garcia disse...

Oi, Alê!!

A Iza leu esse livro e me contou que a ideia de Frankenstein surgiu como uma competição entre escritores, sendo Mary Shelley a única mulher e vencedora graças a essa obra.

Com certeza é um marco cultural. Quem não conhece, não é mesmo?! Embora algumas pessoas não saibam que Frankenstein era o médico e não a criatura.

Mas é um livro que estou enrolando para ler exatamente por conta do excesso de descrições que o torna um pouco cansativo. Já me falaram isso e acho que já comentamos que cada vez temos menos tempo para as leituras, né? Hahaha

Enfim, algum dia na vida com certeza lerei. xD

Bjs!!

http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

Marco Antonio Marco Antonio Sousa da Silva disse...

Olá ALê,

Eu quero muito ler esse livro, mesmo sendo uma leitura densa e um pouco lenta como descreveu, ótima resenha.....abraço.


http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

Renata Pereira disse...

Eu reli esse edição nova.....realmente o texto cansa mesmo, mas em pensar em tudo que Mary Shelley construiu é muito material para reflexão constante ♥
bjs

Felipe Câmara disse...

O livro é fantástico! Ao contrario da resenha não achei o texto cansativo, porem concordo que é denso. Algumas vezes me peguei lendo o mesmo paragrafo mais de uma vez. O livro exige muita reflexão. Não se escrevem mais livros assim...

Felipe Câmara disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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