terça-feira, 9 de maio de 2017

RESENHA: Antes que eu vá

“Na maioria das vezes – 99 por cento do tempo -, você simplesmente não sabe como e por que os fios se enrolam juntos, e não tem problema. Faz uma coisa boa e algo ruim acontece. Faz uma coisa ruim e algo bom acontece. Não faz nada e tudo explode.” (OLIVER, p. 322, 2011)

De todos os livros não lidos da minha estante, “Antes que eu vá” tinha o status de “É o último que lerei”. Ganhei em um sorteio e só mantive o exemplar comigo porque havia lido várias resenhas positivas sobre ele. No espírito de “Quem sabe um dia?”, ele ficou ali por anos até que seu dia chegou quando eu estava precisando de uma leitura leve, descompromissada e para a qual eu não tivesse muita expectativa. Funcionou.

O Dia do Cupido é sempre o dia favorito de Samatha Kingston. Por que não seria? Afinal a tradição escolar mede o quão popular você é e quantos amigos tem através do número de rosas que recebe, e ela é uma das meninas mais populares do colégio. O que ela não imaginava era que aquele Dia do Cupido seria o seu último dia. Após sair de uma festa com as três melhores amigas, ela sofre um acidente de carro e morre. Mas antes, ela irá reviver seu último dia repetidas vezes até acertar os erros que deixou para trás.

Narrado em primeira pessoa por Sam, “Antes que eu vá” inicia com seus primeiros pensamentos após o acidente para depois nos mostrar como foi o seu último dia. Apesar da situação, é difícil simpatizar com a protagonista nos primeiros capítulos já que ela é a típica adolescente popular que faz o que quer porque pode escapar impune de tudo (palavras dela). É difícil se importar com alguém que não se importa com nada nem com ninguém e é nessa condição que conhecemos Samantha. Ainda assim, Lauren Oliver não chega a extremos. Em nenhum momento detestei Samantha, apesar de não concordar com suas atitudes. “Ela é inconsequente, ela se deixa levar, mas deve existir um outro lado”, era o que eu pensava. E havia. Conforme começa a reviver seus dias, ela vai aos poucos corrigindo pequenos erros e percebendo que muitas coisas a incomodavam sem que ela mesma tivesse consciência disso.

Quando vemos as atitudes de Samantha, é fácil pensar nelas como sendo tipicamente adolescentes. Ela e suas amigas fazem maldades, mas não são más. São adolescentes. Irresponsáveis, fúteis e estão fazendo o possível para esconder seus medos e inseguranças das pessoas que habitam aquilo que, naquele momento, parece ser o mundo todo (o colégio). Pode-se dizer que é uma fase e que com o tempo Samantha deixaria muitas dessas atitudes para trás como consequência do amadurecimento. E é por isso que “Antes que eu vá” se torna interessante. O que Lauren Oliver propõe é uma espécie de amadurecimento forçado. Samantha aprenderia suas lições e poderia sim vir a se tornar uma pessoa melhor, mas não terá chance disso porque morreu aos 17 anos. É isso que reviver sete vezes seu último dia lhe dá: a chance de amadurecer, de se tornar essa pessoa que não terá a chance de se tornar de fato.

Vários clichês aparecem, mas são aceitáveis por serem intrínsecos à história que Oliver tinha para contar. Se Samantha é uma menina popular, ela anda com as populares, namora um dos populares e não se relaciona com os que não são (muitas vezes até sendo maldosa com eles). É clichê? É, mas não incomoda. A jornada de Samantha acaba sendo a de alguém que se viu pega nessa vida sem saber como foi parar nela, sem nunca parar para pensar nisso ou no que deixava pelo caminho, e continuou na onda porque jamais imaginou que qualquer um daqueles dias seria o último e que alguma daquelas coisas seria definitiva. Acredito até que muito da razão pela qual a história funciona é porque se passa na adolescência, uma fase em que pequenas coisas parecem ser tão importantes e justamente por isso pequenas atitudes podem mudar tudo (Lindsay e Juliet mostram isso muito bem).

A premissa de estar presa entre a morte e a vida me lembrou “Se eu ficar”, mas ao contrário do livro de Gayle Forman, achei que “Antes que eu vá” conseguiu mostrar a angústia de Samantha com a situação em que se encontra e com o seu destino.

Também é interessante que se o quarteto formado por Sam, Lindsay, Ally e Elody é o centro da história no início (afinal as amigas são o centro do universo de Samantha), aos poucos são personagens como Kent – o nerd – e Juliet – a esquisitona da escola – que ganham destaque porque Samantha abre os olhos para eles e para as histórias que vivem naqueles mesmos corredores escolares onde ela e as amigas reinam.

Já mencionei que é difícil simpatizar com a protagonista no início e talvez por isso vi as primeiras 50 paginas se arrastaram. Mas depois as outras 300 passaram sem que eu sentisse e acredito que isso não só tenha a ver com a evolução da protagonista (e com a narrativa fluida de Oliver, claro) como com os múltiplos pontos de interesse que surgem a partir do momento que Sam começa a ver o mundo com outros olhos. Além disso, uma das minhas curiosidades desde o início era saber o destino das três meninas que estavam no carro com Sam no acidente e a autora encontrou uma forma bastante natural de trazer essa resposta.

Dias se seguem uns aos outros e é fácil deixar que eles passem, afinal, amanhã é será outro dia (“The sun will come out tomorrow”, diz a música favorita de Sam na infância). Mas e se não for? E mesmo que seja, nem sempre você terá chance de corrigir seus erros. Nem sempre terá a chance de escolher novamente. Para mim, essa é a mensagem de “Antes que eu vá”.

Em 2017, o livro ganhou uma adaptação cinematográfica com Zoey Deutch no papel principal.

Título: Antes que eu vá
Autora: Lauren Oliver
N° de páginas: 368
Editora: Intrínseca 


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16 comentários:

Lara Caroline disse...

Oi Mari, tudo bem?
Eu estou doida para ler este livro, e acho que apesar dos clichês a história parece ser muito boa. Como você disse, é bem difícil falar sobre adolescentes sem citar coisas clichês rsrsrs
Espero poder fazer essa leitura em breve.
Beijos

Lana Silva disse...

Estou louca para ler esse livro, antes mesmo da obra ser adaptada pro cinema, pelo fato de se lembrar muito do livro se eu ficar que você mesmo citou, uma estória que me cativou e muito. Imagino que o fato da personagem ter uma personagem um tanto quanto chata no começo tenha um proposito, pois pela sua resenha podemos perceber que ela vai amadurecendo ao decorrer do livro, conseguindo enxergar o que estava invisível. Estou muito curiosa para saber como tudo isso termina.

Luiza Helena Vieira disse...

Oi, Mari!
Apesar da premissa ser interessante, não sei se leria esse livro. Ainda falta algo pra me cativa. Fora que tem essa da personagem não ser muito legal nas primeiras páginas.
Beijos
Balaio de Babados

Manu Marinho disse...

Oioi bonita!

Eu ja tinha visto sobre esse livro antes, e até vi o trailer que me deixou bem mais interessada na história. Eu amo clichês, talvez seja até clichê eu gostar tanto deles hahaha dica mais que anotada!

Beijão,
www.cretinaliteraria.com

Marília Leocádio disse...

Ah mas que livro hein!!!
Eu vi o trailer da adaptação e fiquei bastante confusa porque não sabia muito da historia mas realmente vale a pena a leitura gostei da resenha sem dar spoilers.
Até mais!!!!

Gabriela CZ disse...

Teus comentários me surpreenderam, Mari. Esse livro não tinha chamado minha atenção, achei que era do tipo "mais do mesmo". Mas pelo visto é ao mesmo tempo despretensioso e significativo. Talvez eu leia. Ótima resenha.

Beijos!

Gustavo zz disse...

Eu estou muito louco para ler esse livro; as criticas que vejo ora são boas e ora são ruins, mas mesmo assim sinto vontade de ler. Tipo, o livro praticamente me chama pra ler ele haha. Enfim, quero saber o que acontece com a protagonista e toda essa historia :)

RUDYNALVA disse...

Mari!
Bom ver que a protagonista de certa forma aprende a lição, amadurece e se aproxima de pessoas que realmente valem a pena, porque pelo jeito, as amigas do início são bem inescrupulosas.
Está uma onda de resenhas desse livro, creio eu que seja por causa do filme, mas quando passar a onda, pretendo ler, porque sou dessas sabe? No afã não gosto muito de fazer a leitura, gosto de esperar a onda passar para ler.
“A sabedoria dos homens é proporcional não à sua experiência mas à sua capacidade de adquirir experiência.” (George Bernard Shaw)
Cheirinhos
Rudy
TOP COMENTARISTA DE MAIO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

Leituras da Ketellyn disse...

Eu adoro essa capa. Já ouvi muito dizer que o começo não é muito bom mas que melhora no decorrer das paginas, infelizmente esse livro não chamou tanta a minha atenção, seria um que eu leria se tivesse a chance. Adorei a sua resenha.

Márcia Saltão disse...

Oi. Resenha muito bem escrita, parabéns.
A premissa do livro não me atrai muito, mas quem sabe um dia venha a ler.
Obrigada pela dica.
Beijos.

Priscila Tavares disse...

Oi Mari!
Apesar de não curtir muito histórias com essa pegada, fiquei com vontade de ler.
Tenho muitos livros parados na minha estante na condição de talvez um dia kkkk espero gostar quando for ler.
Beijokas
Quanto Mais Livros Melhor

Raquel disse...

Já muito vi a capa desse livro, mas sempre achava que era alguma coisa de terror hahaha gostei bastante da sinopse e da resenha, parece ser um livro que te prende. Gostei de saber que tem filme! Acho que vou começar por ele porque estou sem tempo haha

Beijos!
http://tipsnconfessions.blogspot.com

Marlene Conceição disse...

Oi Mari.
Esse livro está na minha meta de leitura desde que houve o lançamento eu fiquei um pouco triste em saber que o livro tem alguns clichês Mas aquela coisa que eu digo, eles sendo bem trabalhados é outra coisa, eu ainda não li um livro se eu ficar e conversa que nunca tive curiosidade para mim amei essa capa enfim ansiosa por essa leitura.
Bjs.

Marta Izabel disse...

Oi, Mari!!
Adorei a resenha do livro, estou bem curiosa para fazer a leitura dessa história, mas até o momento nada. Também achei bem interessante o trailer do filme baseado no livro. Sem dúvida vou dá uma chance para ambos!!
Bjoss

Carolina Garcia disse...

Oi, Mari!!

Esse é um livro que eu também enrolei muito para ler, confesso. Hahaha
Tinha na prateleira e resolvi ler em um tempo livre porque parecia uma leitura tranquila e também porque o filme saiu essa semana nos cinemas.

Mas fiquei surpresa porque acabei gostando muito. Toda essa trajetória da Sam é ótima, né? Eu gostei muito e no fim me senti mal por ela não ter tido a chance de ter mais dias. Infelizmente, assim é a vida, né?

Bjs

http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

Lary Zorzenone disse...

Oi Mari
Eu ganhei o livro em um sorteio feito pela Todateen em 2011, quando foi lançado. Eu estava no 3º colegial, tinha 17 anos. Qualquer semelhança com a protagonista é mera coincidência. Eu adorei o livro e ele se tornou meu favorito. Esse ano eu o reli por conta do filme e me encantei novamente. Concordo contigo. As quatro garotas são inconsequentes e era pra odiarmos elas, mas não odiamos. As coisas simplesmente acontecem, interligando tudo.

Vidas em Preto e Branco

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