domingo, 9 de julho de 2017

RESENHA: Coração Satânico

“Que coisa singela, o coração humano. Ele segue batendo dia após dia, ano após ano, até que alguém chega e o arranca fora, e ele acaba parecendo comida de cachorro.” (HJORTSBERG, 2017, p. 170)

“Coração Satânico”, clássico da década de 80, estrelado por Robert De Niro e Mickey Rouke, está há anos na minha lista de filmes essenciais para serem vistos, mas, vergonhosamente, ainda não o assisti. Talvez tão vergonhoso quanto é o fato de eu nem ao menos saber que o filme havia sido inspirado em um livro. Por isso, quando a Darkside anunciou esse lançamento, eu contei os dias para que ele chegasse as minhas mãos.

O ano é 1959. As ruas são as da cidade de Nova York. Harry Angel é um detetive particular contratado pelo misterioso Louis Cypher para localizar Jhonny Favorite, um cantor de sucesso que está desaparecido há 15 anos. Mas conforme Angel avança na investigação, mais sombrio se torna o seu caminho. Mortes terríveis e rituais satânicos o encontram onde ele vai e se torna cada vez mais perigoso cumprir a missão.

A voz narrativa de Angel faz com que seja um prazer acompanhá-lo por qualquer um dos horríveis lugares para onde vai. O detetive é o típico personagem dos romances policiais noir - cínico, irônico, valentão – trazendo facilmente para o leitor lembranças de autores como Raymond Chandler e Dashiell Hammett.

A atenção aos detalhes se revela principalmente no que tange a cidade de Nova York, não apenas um cenário, mas praticamente um personagem da trama. Hjortsberg tem o cuidado de desenhar a cidade de tal forma que é fácil sentir como se estivéssemos ao lado de Angel. No posfácio, o autor, nascido em Nova York, revela que seu cuidado foi tanto que, nos dez dias em que a história transcorre, o que se vê no livro (chuvas, nevascas) foi o que realmente aconteceu na cidade naqueles dias em 1959. É válido comentar que o livro foi escrito em 1978 e que esses pequenos detalhes estão longe de serem supérfluos em “Coração Satânico”, pois dão toda a ambientação da trama. É importante comentar também que mesmo se atendo a tais detalhes, em nenhum momento a narrativa é enfadonha ou arrastada, pelo contrário. É envolvente da primeira à última página, sem ser frenética, mas também sem sofrer com momentos de lentidão.

Conforme Angel avança nas investigações, as pessoas vão caindo mortas como moscas ao seu redor. Chegou um ponto em que, cada vez que ele se deslocava para um lugar ou um encontro, eu me perguntava quem ele encontraria morto dessa vez. É uma história que você sente o tempo todo que vai acabar mal, mesmo que não saiba como. É algo que Angel vai descobrir? É algo que vai acontecer com ele? Eu tinha meus palpites e desconfiava de algo semelhante ao que o autor propôs no desfecho, mas ainda assim fui surpreendida. O que surpreende também é a simplicidade da história, pois quando se fecha o livro é fácil ver que aquelas respostas estavam em todas as páginas para serem encontradas, mas arrisco dizer que dificilmente os leitores irão juntar todas as peças e montar o quebra-cabeça completo, embora seja fácil chegar perto disso. É parte do que torna a leitura gratificante: perceber que você foi envolvido em uma trama bem amarrada e segura a ponto de se manter simples.

Apesar do título assustador, em geral o livro é um suspense policial. Porém, há algumas cenas envolvendo rituais satânicos que são mais perversas e chocantes. Uma coleção de personagens misteriosos aparece no caminho do detetive e é impossível saber quais deles serão as respostas e quais serão a ruína de Angel. Destaque para a sensual Epiphany Proudfoot e o enigmático Louis Cypher.

“Coração Satânico” coleciona elogios de nomes associados à gêneros distintos como Carlos Ruiz Zafón e Stephen King. Sobre o livro, o Mestre do Terror disse que é como imaginar “O Exorcista” sendo escrito por Raymond Chandler. Para mim, não foi exatamente assustador, mas acho que a descrição de King se encaixa como uma luva à história de Hjortsberg (e caso fique alguma dúvida, isso é um elogio).

Título: Coração Satânico
Autor: William Hjortsberg
N° de páginas: 315
Editora: Darkside Books
Exemplar cedido pela editora

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16 comentários:

O Que Tem Na Nossa Estante disse...

Oi Mari, eu confesso que pelo título e capa eu achava que seria mais assustador, mas foi bom descobrir na resenha que é mais um suspense policial do que um terror! Acho que antes eu não leria, mas hoje em dia até que estou curtindo um bom suspense!

Bjs, Mi

O que tem na nossa estante

Lana Silva disse...

Tive a mesma impressão a respeito do título imaginava que seria terror bem assustador, porém e um suspense policial, mas pela sua descrição com muitas mortes e rituais satânicos foi suficiente para me deixar com receio em relação a esta leitura, mesmo que a trama seja surpreendente e muito bem construída, ainda sim não consegui me cativar em relação a esta leitura.

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Giulianna Santicioli disse...

Só por se passar em New York já me interessei, amo aquela cidade e tudo que envolve aquele lugar me interessa, quanto ao livro, gosto bastante de mistérios e esse livro parece ser realmente muito bom, gosto de histórias que envolvem esse tema satânico e claro que a edição da Darkside não deixou a desejar.
Beijos!

Gabriela CZ disse...

Acabo de constatar que é mais instigante do que eu já esperava, Mari. Todos seus comentários sobre a trama, a atenção do autor aos detalhes e aos personagens me deixaram maravilhada. Mais um livro que você me deixou com certeza de que devo ler. Ótima resenha.

Beijos!

RUDYNALVA disse...

Mari!
Já assisti o filme, mas confesso que não sabia que era baseado no livro, mesmo porque, assisti há muitos anos atrás (e bota anos) e alguns detalhes passam desapercebidos.
Mas lembro que a trama é bem envolvente, justamente por ser um poilicial.
Depois de ler sua resenha, os detalhes (alguns) foram voltando, principalmente em relação aos cultos datânicos que eram fortes e tinham muito sangue.
Quero ler.
Uma maravilhosa semana!
“Todo homem, por natureza, quer saber.” (Aristóteles)
Cheirinhos
Rudy
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Ariane Reis. disse...

Oie Mari =)

Ah!! Só o titulo da obra me deixou um pouco assusta, mas conforme fui lendo sua resenha percebi que definitivamente esse livro não é para leitoras medrosas como eu rs...

Mesmo você falando que se trata mais de um suspense policial, acho que algumas partes da história iam me deixar sem dormir kkkkk

Beijos;***
Ane Reis | Blog My Dear Library.

Felipe disse...

Oi Mari, é aquele velho ditado de não julgar o livro pela capa! Se fosse pelo nome/capa eu não leria, gostei da sua dica!
Blog Entrelinhas

Pamela Sensato disse...

Pelo título do livro eu esperava outro tipo de história mas parece ser muito bom! A capa realmente está bem trabalhada.

Beijinhosss ;*
Blog Resenhas da Pâm

Luiza Helena Vieira disse...

Oi, Mari!
Mulher, eu rio demais dessa galinha na capa, não vou mentir hahhahahahhaha
Nunca que eu ia adivinhar também que esse livro inspirou um filme.
Beijos
Balaio de Babados

Livros em Contexto disse...

Nossa, que surpresa saber que esse livro inspirou um filme!
Eu achava que era uma espécie de livro de terror, jamais imaginei que fosse um livro policial.
As aparências enganam!
Amei a resenha, só aumentou minha vontade ler o livo

Beijão

Livros em Contexto

Marta Izabel disse...

Oi, Mari!!
Que legal a sua resenha!! Realmente o título e a capa do livro engana muito!! Pensei que era um livro de terror, mesmo assim amei esse suspense policial!!! Sem dúvida vou querer muito ler esse livro!!
Bjoss

Márcia Saltão disse...

Oi!
Gostei de saber que o livro é mais um suspense policial, pois é um estilo de leitura de que eu gosto muito. A edição está muito bem trabalhada, como todas DarkSide. Claro que está na minha lista!
Ótima resenha.
Beijos.

Carolina Garcia disse...

Oi, Mari!!!

Esse filme está na minha lista também, mas não faço ideia de quando conseguirei ver - não estou conseguindo assistir nada nos últimos anos! Hahahahaha

Mas adorei sua resenha desse livro e já estou desejando-o aqui!! Hahahahaha
Vou adicionar na lista com certeza e espero ter dinheiro suficiente para comprá-lo em algum momento! Hahahahaha

Bjs

http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

Thalita Branco disse...

Olá Mari!
E eu que nem do filme havia ouvido falar? UHAUHAU
Gostei muito da resenha. Vi o lançamento, mas nem dei muita bola pois imaginei que fosse algo bem voltado ao terrorzão. Adoro quando um livro nos envolve dessa maneira que você conta.
Bjs

EntreLinhas Fantásticas

Naiara Fidelis Da Silva disse...

Eu não sabia quase nada sobre este livro, muito menos que existia uma adaptação. Porém, lendo a resenha fiquei curiosa para conhecer o livro.

Ana I. J. Mercury disse...

Pela capa/título pensei ser mais macabro.
Achei bem interessante, e por ser simples, mas do tipo que "pega" o leitor, fiquei com muita vontade de ler, mesmo não sendo meu gênero preferido.
Vou querer assim que der!
bjs

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