sexta-feira, 7 de julho de 2017

RESENHA: Na Escuridão da Mente

“Para ser sincera, e deixando de lado todas influências externas, existem algumas partes das quais me lembro com tantos detalhes horríveis que temos me perder no labirinto de lembranças. Há outras que permanecem confusas e misteriosas como se fossem a mente de outra pessoa e temo que, em minha cabeça, eu tenha provavelmente misturado e comprimido as linhas do tempo e os acontecimentos.” (TREMBLEY, 2017, p. 23)

***

Marjorie Barret é um adolescente de 14 anos que apresenta sinais de esquizofrenia aguda. Porém, quando os médicos não conseguem tratar a doença, a família procura a ajuda do padre Wanderly, que acredita que a jovem esta possuída por um demônio. O padre também entre em contato com uma produtora, que se oferece para gravar um reality show sobre a família e o exorcismo. Embora contrariados, a família Barret acaba aceitando a oferta em virtude das dívidas que se acumulam. Quinze anos depois, uma escritora entrevista Merry, a irmã mais nova de Marjorie, para escrever um livro sobre a família, o reality show e o exorcismo. 

Os capítulos são narrados em primeira pessoa por Merry e se alternam entre o presente e o passado, além de contar também com os posts de uma blogueira que analisa os episódios do reality show. Desta forma, o leitor vai coletando informações e montando um grande quebra-cabeça sobre o que aconteceu com a família Barret. 

Marjorie, como o esperado, é o grande destaque do livro. Tremblay construiu uma personagem astuta e ambígua, que deixa o leitor em dúvida o tempo todo, pois não conseguimos ter certeza se estamos vendo apenas um adolescente mentalmente instável ou se há forças sobrenaturais envolvidas. 

Outra jogada inteligente do autor foi utilizar Merry como narradora do livro, não apenas por transmitir ao leitor uma visão do que se passava com aquela família, mesmo com as câmeras desligadas, mas também para provocar mais dúvidas no leitor, afinal, na época dos fatos Merry era uma criança de oito anos. Até que ponto suas memórias e relatos são confiáveis? Até que ponto pode ter romanceado ou fantasiado os fatos?

Porém, o problema de Na Escuridão da Mente é que seu ritmo é bastante lento e, em certo momentos, a leitura se torna um pouco monótona. Creio que a intenção do autor era ir acentuando os momentos de tensão até culminar no exorcismo de Marjorie, porém, a impressão que fiquei é que a estória patinou até alcançar o ápice. 

O exorcismo em si rendeu cenas e diálogos interessantes, além de fazer com o próprio leitor sentisse na pele o nervosismo dos personagens, porém, não conseguiu ir além do que outros livros, filmes e séries já fizeram. Entretanto, é preciso registrar que nas páginas finais o autor seguiu um caminho inesperado e que deu um fim surpreendente à estória. 

O principal motivo que me levou a ler o livro foram as diversas frases estampadas na capa e na contracapa que prometiam um livro assustador. Sinceramente, não foi isso que eu encontrei. Sim, o livro conta com cenas tensas e que até causavam um friozinho na barriga, mas certamente não me assustou para valer, não tirou meu sono, não me deu pesadelos e tampouco foi o livro mais assustador que já li. 

Na Escuridão da Mente é um livro que acerta por brincar com a mente do próprio leitor, deixando-o em dúvida sobre o que realmente aconteceu, mas peca por contar com um ritmo arrastado. Mas preciso admitir que, para mim, a leitura deixou um gostinho de decepção por não entregar o livro assustador que eu esperava encontrar. 

Título: Na Escuridão da Mente
Autor: Paul Tremblay
N.º de páginas: 264
Editora: Bertrand Brasil
Exemplar cedido pela editora

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11 comentários:

Lana Silva disse...

Só de falar que na capa do livro está escrito que é de dar medo já fiquei com receio desta leitura. Terror e um dos gêneros que infelizmente não consigo ler, principalmente com tantas cenas tensas que deixa o leitor com frio na barriga. Uma pena que ao seu ver não te passou tanto medo quanto imaginava, e a leitura foi bastante lenta, porém a forma como meche com nossa cabeça para nos confundir me pareceu interessante.

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Márcia Saltão disse...

Oi!
A premissa do livro me deixou bastante curiosa e interessada, pois gosto muito desse estilo de leitura. Mas, uma pena saber que o enredo não foi totalmente trabalhado para ser mais assustador, como o título e frases da capa prometiam.
Uma leitura arrastada, desanima qualquer um.
Mas quem sabe uma hora dessas, eu dê uma conferida!
Ótima resenha.
Beijos.

Diane disse...

Olá...
Adorei a resenha!
Ainda não li nenhum livro do autor, mas, gostei bastante de seus comentários sobre a obra. O fato da obra ser narrada em primeira pessoa com certeza deve proporcionar uma leitura bastante intensa, pois, conhecemos de fato as impressões do personagem.
Outra coisa que gostei foi essa brincadeira com a mente do leitor... Adorei!
Dica anotada!
Bjo

http://coisasdediane.blogspot.com.br/

O Que Tem Na Nossa Estante disse...

Oi Alê! Tudo bem? O fato de não assustar não me incomoda porque sou medrosa, mas o ritmo arrastado sim, acabei me empolgando pouco. Mas a resenha está ótima como sempre!

Bjs, Mi

O que tem na nossa estante

RUDYNALVA disse...

Alê!
Infelizmente achavam que quem tinha esquizofrenia, tinha um pacto com o demônio, coisa totalmente errada.
Que pena que o ritmo do livro é lento e ele nem é tão assustador, entretanto acredito que, pelo final insperado, vale a pena conferir a leitura.
Um maravilhoso final de semana!
“Não saber é o que torna nossa vida possível.” (Lya Luft)
Cheirinhos
Rudy
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Caverna Literária disse...

Pela premissa, é de se esperar mesmo uma obra bem assustadora, e é uma pena que o livro não cumpra com o que prometeu. O ritmo lento é outro fator que cansa o leitor e tira aquela ansiedade de descobrir logo se a menina estava mesmo possuída ou não. A capa é sensacional, ainda quero ler, mas já sei que não irei com grandes expectativas.

xx Carol
http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

Gabriela CZ disse...

Não conhecia esse livro mas gostei da premissa, Alê. Parece que mesmo um pouco lento consegue instigar. E honestamente, até gostei de saber que não é tão assustador quanto promete. [rs] Talvez eu leia. Ótima resenha.

Beijos!

Giulianna Santicioli disse...

A premissa do livro é muito boa e meu Deus, que coisa horrível, além da coitada da menina ter que passar por um exorcismo ainda é exposta a um reality show, gostei da história se passar por alguém que vê os fatos de fora da história, mesmo sabendo que às vezes seu relato pode não ser dos mais confiáveis, enfim, mesmo o livro se arrastando um pouco gostaria de poder lê-lo.
Beijos!

Marta Izabel disse...

Oi, Alê!!
Nossa, a premissa do livro é bem interessante pois falar sobre esquizofrenia uma doença que é bem complicada para quem tem e para os familiares e bem difícil!! Mas o enredo um pouco parecido com um filme, e que pena que a leitura não foi tão boa assim, mesmo assim gostei muito da resenha.
Beijoss

Naiara Fidelis Da Silva disse...

Confesso que eu não conhecia o livro, porém a premissa me chamou bastante atenção, fiquei curiosa para saber mais sobre o livro.
Adoro livros neste estilo.

Ana I. J. Mercury disse...

Eu ainda não conhecia o livro, e sinceramente não me interessei, pareceu-me ser mais do mesmo.
Ter uma blogueira eu achei legal! kkkkk
bjss

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