“A teoria politicamente correta — a que era apoiada publicamente
pelos próprios vampiros — sustentava que este homem era vítima de um vírus que
o deixou aparentemente morto por alguns dias e depois alérgico a luz do sol,
prata e alho. Os detalhes dependiam de qual jornal você lia.” (HARRIS, 2009, p.
2 – tradução livre).
***
A tradução da expressão guilty pleasure seria algo como prazer com culpa. Em outras palavras, ao mesmo tempo em que você gosta de algo,
você sente uma pontada de culpa por gostar. Devo admitir que a minha
experiência com Morto até o Anoitecer foi um guilty pleasure do início ao fim.
Como já disse, nunca gostei da temática vampiresca, porém,
quando descobri que a série True Blood (inspirada na série As Crônicas de Sookie Stakehouse)
misturava fantasia com suspense policial, fiquei com uma ponta de curiosidade
para saber qual seria o resultado. E foi apenas Morto Até o Anoitecer que quebrou meu
preconceito com estes seres tão misteriosos.
Sookie Stakehouse é uma garçonete na cidade interiorana de
Bon Temps que tem a habilidade de ouvir pensamentos alheios ou perceber suas
emoções. Porém, ela se esforça ao máximo para não sentir, ouvir ou invadir a
mente alheia, até que uma série de homicídios assustam a pequena cidade,
fazendo com que Sookie use de seus poderes para investigar os crimes.
Antes de tudo, preciso aplaudir Harris por sua criatividade.
Em seu mundo, os vampiros “saíram do caixão” e assumem publicamente sua existência
após cientistas terem desenvolvido o sangue sintético, e agora lutam para terem
reconhecidos seus direitos civis. Apesar das inovações, Harris se mantém fiel a
figura mais tradicional de um vampiro.
Sookie, possuidora de um dom tão incontrolável e causador de
inúmeros problemas, poderia ser uma protagonista amargurada que reclama sobre
seu infortúnio o tempo todo. Felizmente, ela limita-se a aceitar a telepatia,
lidando da melhor maneira possível, e geralmente mantendo o bom humor.
O envolvimento entre Sookie e o vampiro Bill, apesar de ser
óbvio desde o início, não deixou de ser verossímil, não soando forçado em
momento algum. Apesar de não caracterizar Morto Até o Anoitecer como um livro hot, esteja preparado para algumas cenas mais "calientes", de modo que não recomendo a obra para
menores de dezoito anos.
A resolução para os assassinatos é surpreendente e inesperada,
porém, sem deixar de lado uma motivação plausível e coerente com o desenvolver
da trama. Não é por menos que a obra foi uma das candidatas na categoria Melhor
Romance de 2001 do Agatha Award, prêmio destinado a escritores de mistério que
escrevem no mesmo estilo da Dama do Crime.
Com uma narrativa envolvente e personagens carismáticos, Charlaine
Harris comprova que é possível misturar sobrenatural, suspense e romance em um
livro de tirar o fôlego, estreando a saga com o pé direito.
Título: Morto Até o Anoitecer - As Crônicas de Sookie Stakhouse
Autora: Charlaine Harris
N.º de páginas: 316
Editora: Ediouro



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