quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

RESENHA: O Poeta

Como repórter policial, eu era um turista do macabro. Ia de assassinato a assassinato, de horror a horror sem pestanejar. Supostamente. Enquanto caminhava pelo saguão em direção aos elevadores, pensei sobre o que isso indicava a meu respeito. Talvez houvesse algo de errado comigo. (CONNELLY, 2007, p. 159).


Conheci Michael Connelly somente no ano de 2011, e mesmo tendo lido apenas três livros de sua autoria, creio que estes já foram o suficiente para afirmar que ele seja um dos melhores autores de literatura policial da atualidade, inclusive alcançado o quinto lugar na minha lista Top 5 Melhores de 2011.

Em O Poeta conhecemos Jack McEvoy – um jornalista que cobre a seção policial, mais especificamente os homicídios – no ápice de seu drama: o suicídio de seu irmão gêmeo, Sean, um detetive da Polícia de Denver. Para superar, Jack decide escrever sobre o assunto, sua forma própria de dizer adeus, porém, durante sua pesquisa, incentivada pela negação em aceitar o fato, esbarra em alguns indícios, em especial um trecho de um poema de Edgar Alan Poe, que apontam para a possibilidade de Sean ter sido assassinado.

Em seguida, Jack descobre outros casos semelhantes ao de seu irmão, percebendo que este não foi a primeira vítima de um possível serial killer, e que outras já podem estar sob sua mira. Com a chegada do FBI tem início uma caçada empolgante, que mistura muita adrenalina, suspense e emoção.

Já fiz uma comparação do livro O Mirante com a finada série 24 Horas (leia-se: a melhor série que já existiu). Novamente, terei que usar desta comparação. Sabe aquela caçada que Jack Bauer empreende em busca dosterroristas? Uma pista que leva a outra, e assim sucessivamente? É exatamente esta a sensação que o livro transmite. Você não somente não é capaz de parar de ler o livro, como também sente que está participando da investigação. Em suma, o autor escreveu uma narrativa hábil, empolgante e instigante, que poucos escritores conseguem construir.

Além de 24 Horas, sinto-me obrigado a fazer mais uma comparação, desta vez com a série Criminal Minds (leia-se: a melhor série de investigação policial da atualidade), em virtude da participação da “BAU” (Behavioral Analysis Unit), traduzido, no livro, como Unidade de Serviços da Ciência do Comportamento. Os agentes do FBI, embora um tanto quanto estereotipados, deram uma charme todo especial a trama, analisando os crimes do serial killer, traçando seu perfil psicológico e comportamental, de forma a possibilitar a previsão de seus próximos passos.

Enfim, a soma de 24 Horas e Criminal Minds deveria ter sido fantástica e, até certo ponto, foi. Todavia, eis que o final, de uma forma que ainda não compreendi direito, foi como o de Lost (leia-se: a série mais decepcionante que já existiu), ou seja, frustrante e com poucas explicações.

Porém, no auge da minha desilusão, lembrei de ter visto uma entrevista na Globo News há algum tempo, mas não não recordo mais com quem era. De qualquer forma, tal indivíduo disse algo que faz sentido: “A ficção exige uma lógica que a vida, muitas vezes, não exige”. Na vida real o final do livro teria sido aceitável. Mas para uma ficção, faltou um pouquinho dessa lógica. Mas talvez esta tenha sido a idéia do Connelly: fazer um final fidedigno a vida real. De certa forma, tal pensamento me consolou. E devo reconhecer que foi necessário ter muita coragem para escrever este final, motivo pelo qual tiro o chapéu para Connelly.

Espero que minha sinceridade a respeito do final da trama não o desanime a ler o livro, pois, mesmo sendo um tanto quanto decepcionante, O Poeta ainda foi um dos melhores romances policiais que li em 2011 e certamente será relido.

Por fim, devo dizer que o livro contém uma introdução de Stephen King que, agora, me parece extremamente exagerada. Não me entenda mal, como já disse, o livro é excelente. Mas tal introdução criou uma expetativa alta e que não foi completamente alcançada. Ainda assim, indico o livro, pois é muito bem escrito, com uma trama muito original e criativa, e que se reveste de verossimilhança. Talvez, até demais.

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Título: O Poeta
Autor: Michael Connelly
N.º de páginas: 512
Editora: Record

2 comentários:

Caíque Fortunato disse...

Gostei muito dessa resenha, ainda não conhecia esse livro que parece ser bem legal, agora quero logo saber de toda a história contida nessa obra.

Abraços
Caique Fortunato - Entre páginas de livros / Twitter

Anônimo disse...

o connelly revela toda sua genialidade no romance luz perdida,onde coloca assalto a carro forte,o dpla,a cia e a al quaeda numa trama incrível

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