sexta-feira, 9 de agosto de 2013

RESENHA: Sete Dias Sem Fim

“Sou obrigado a sorrir, embora eu sempre me irrite com a evidente incapacidade da nossa família de expressar emoção em momentos dramáticos. Não existe ocasião solene ou tensa que os Foxmans não consigam minimizar com a maior rapidez usando suas capacidades geneticamente desenvolvidas de ironia e fuga.” (TROPPER, 2013, p. 5).

***

A sinopse de Sete Dias Sem Fim apontava para a reunião de vários elementos distintos, os quais poderiam compor um livro muito bom ou um livro muito ruim. Sem meio termo. Apostei na primeira opção e, felizmente, acertei.

E se você descobrisse que sua mulher o traía com seu chefe? E se você perdesse o emprego enquanto vê seu casamento desmoronar? E se, logo após, seu pai morresse? E se o último desejo do morto fosse que a família cumprisse a shivá, o ritual de luto judeu com duração de sete dias? Seja bem vindo a vida de Judd Foxman.

Mas fique tranquilo. Você não irá encontrar um personagem amargurado. Judd pode ser muitas coisas, mas não é aquele tipo de pessoa que fica remoendo os acontecimentos e procurando quem é o culpado. Pelo contrário. O adjetivo que melhor lhe descreveria seria espirituoso.

Por outro lado, advirto-lhe que o livro é narrado por um homem iludido, decepcionado e emocionalmente inepto (para usar suas próprias palavras), então não espere por uma visão romântica dos fatos. O autor narra os eventos do ponto de vista de Judd, sem utilizar de eufemismos ou de outros artifícios do gênero.

Esta mistura de um narrador espirituoso mas sem papas na língua origina um livro hilário. Além disso, todos os membros da família Foxman tem suas peculiaridades, o que gera situações inesperadas, constrangedoras ou embaraçosas a todo momento.

Todavia, em uma análise mais aprofundada, Sete Dias Sem Fim não se limita apenas a risadas, visto que Tropper, de maneira sutil, conseguiu inserir na estória temas complexos e densos, tais como morte, luto, divórcio, família e amor. E são estas pitadas filosóficas o diferencial do livro.

O cerne da obra poderia ser resumido em apenas uma palavra: recomeço. Acompanhamos uma emocionante jornada de autoconhecimento e de reconciliações, que mostra ao leitor que, independentemente das circunstâncias, todos devemos e podemos recomeçar uma nova vida. 

Uma trama aparentemente simples, mas repleta de significados implícitos. Personagens comuns, mas verossímeis. Uma narrativa crua, mas sensível. Um livro tão paradoxal quanto a vida real, que me surpreendeu a cada capítulo e que certamente será relido.  

Título: Sete Dias Sem Fim (exemplar cedido pela Editora Arqueiro)
Autor: Jonathan Tropper
N.º de páginas: 295
Editora: Arqueiro

12 comentários:

Ana Paula Barreto disse...

Este livro vai e volta para minha wishlist toda hora. rs
Quando leio a sinopse não curto tanto, mas as resenhas me convencem do contrário. E acho que desta vez estou permanentemente convencida de que vale muito a pena. Acho que o tema é bacana. Adoro histórias de recomeços, adoro dar risadas com a trama, mas acima de tudo isto, gosto desta pitada de filosofia que você comentou que existe. Temas que se aprofundam são o diferencial, ao meu ver. E foi exatamente isto que me fez querer ler o livro!
bjs
GFC: Ana Paula Barreto

Sabrina Castro disse...

NUNCA tinha visto nada obre o livro.
Até parece interessantes, mas não é o tipo de livro (gênero) que costumo ler.
Provavelmente não o lerei, mas foi bom conhecer um pouquinho dele.

xoxo

GFC: Sabrina Castro

Fran disse...

Nossa, pobre personagem principal. Esse sim não tem uma vida fácil e acho bem difícil qdo o autor consegue fazer o personagem não ser um amargurado mesmo tendo passado por tanta dificuldade... Acho q vale a pena dar uma conferida no livro.

Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

Tenho muita vontade de ler esse livro, e tantos elogios só me fazem querer mais. É bem o tipo de livro de que preciso no momento.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

GFC: Gabriela Cerutti Zimmermann

Jéssica Soares disse...

Está aí um livro muito interessante, confesso que não seria a minha primeira opção de leitura, mas depois de tantos elogios fiquei mais curiosa... Bjs
Jéssica - http://lereincrivel.blogspot.com.br/

MsBrown disse...

Hm, gosto de livros em que o personagem não fica se fazendo de vítima! Essa resenha realmente me interessou, quem sabe algum dia eu leia este livro?

Ótima resenha!

Thaynara ribeiro disse...

Realmente não é um tipo de livro a me atraia muito...
Até gostei da resenha e acho q leria mas não nesse momento..
GFC: Thaynara Ribeiro

Cristiane Dornelas disse...

Parece ser muito bom esse livro, mas não deu muita vontade de ler. Acredito que se pegar acharia uma boa leitura, só que não deu muita vontade de pegar. Vejo resenhas e fica por isso mesmo. Achei interessante que pareça ter outros significados na trama, é legal quando um livro é simples mas deixa essa sensação de mais.

cristiane dornelas

Rayssa Gimenes disse...

Muit boa a resenha. Meu gênero preferido é fantasia, mas gosto de ler livros mais "humanos", por assim dizer, coisas reais que acontecem na vida das pessoas e a forma como elas se recuperam disso. Acredito que esse será um ótimo livro.

GFC: Rayssa Gimenes

http://diariosdleitura.blogspot.com.br/

Jessica Lisboa disse...

No começo da resenha eu pensei: 'nossa a vida do cara ta f***', mas ao desenrolar entendi o livro, apesar dele passar um perrengue na vida dele, ele deu a volta por cima, gostei. Apesar de na maioria das vezes as pessoas nao reagem desta maneira. Espero ler esse livro em breve.

Jessica Lisboa
xx

Ana de Cassia Oliveira disse...

Nossa a vida do cara desmorona mesmo!!! Mas gostei pelo fato de ser uma superação, não um livro cheio de amargura e sofrimento do tipo Como eu era antes de você.

Ana de Cassia Oliveira.

Nardonio disse...

Gosto de protagonista assim, direto ao ponto, sem romantizar as coisas e muito menos se fazer de coitado. Um autor precisa ser muito bom pra conseguir fazer essa mistura de humor com temas densos e complexos sem perder a mão. Pelo jeito, ele mandou bem nesse quesito.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

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