terça-feira, 7 de janeiro de 2014

RESENHA: Uma Longa Fila de Homens Mortos

"- Não estou muito seguro de que se possa encontrar um motivo lógico (...) Por que haveria de existir uma explicação sadia para um padrão tão duradouro de comportamento insano? Tudo que ele preciava era um pretexto." (BLOCK, pag. 267, 2006)

Gosto de Lawrence Block desde minha primeira experiência com um de seus livros. Suas tramas de premissa simples são sempre aproveitadas ao extremo e entregues ao leitor em um texto enxuto que não perde tempo com cenas ou comentários desnecessários. Tendo isso em mente, "Uma Longa Fila de Homens Mortos" não foi exatamente o que eu esperava.

Há anos um grupo de trinta e um homens se reúne toda a primeira quinta-feira de maio para um jantar no qual conversam sobre a vida e lêem uma lista com os nomes dos colegas que faleceram. O clube é secreto, mas está longe de se assemelhar a uma sociedade secreta cheia de rituais e lendas, pois tudo que eles fazem é comparecer ao jantar anual, conversar e, alguns dizem, esperar pela morte. Quando 30 sócios estão mortos, cabe ao último sobrevivente convidar outros 30 para formar um novo grupo e assim dar continuidade à tradição. Mas nos últimos anos, um número excessivamente grande de mortes - algumas naturais, outras nem tanto - tem acometido os sócios e um deles desconfia que alguém pode estar os matando um a um. Alguém determinado e com muita paciência para esperar o momento correto para atingir seus alvos. É então que o investigador particular não licenciado Matthew Scudder é contratado para descobrir se o grupo está mesmo na mira de um assassino e quem poderia querer matá-los desta forma quando ninguém teria razão nenhuma para lucrar com essas mortes. 

Antes mesmo que se leia a primeira página, "Uma Longa Fila de Homens Mortos" já tem duas coisas a seu favor: um excelente título e uma premissa típica das clássicas historias policias: alguém está matando os sócios do clube um a um e é possível que o assassino seja um deles (como não lembrar daqueles dez convidados daquela misteriosa ilha que também morreram um a um?). Esse é um prato cheio para um autor como Lawrence Block que, para mim, se destaca justamente por conseguir pegar premissas nada extraordinárias e transformá-las em livros impossíveis de serem largados. Porém, para a minha surpresa, "Uma Longa Fila de Homens Mortos" é um livro que desenvolve o seu caso de maneira lenta, pois foca mais no investigador do que na resolução do caso em si.

É engraçado que no primeiro livro que li de Lawrence Block, "Punhalada no Escuro",  eu tenha ficado com a impressão de pouco conhecer Scudder, como se sua função na trama fosse apenas solucionar o caso. Quando li "Na Linha de Frente" essa impressão se dissipou, pois o autor encontrou a medida ideal entre o caso e a história do ex-detetive e alcoólatra em recuperação, fazendo com que cada evento da vida pessoal de Scudder fosse ao encontro do caso e da resolução deste. Já "Uma Longa Fila de Homens Mortos" é o livro em que Scudder mais aparece pensando e refletindo sobre sua vida e, por essas razões, o ritmo de boa parte da leitura me causou estranheza. 

É claro que o caso em si é interessante e diferente dos que vi em outros livros do autor, pois não se trata da investigação de uma morte e sim de várias mortes que podem, ou não, estar relacionadas, pois algumas parecem ser acidentes, outras naturais, outras suicídios e, claro, outras assassinatos. O tipo de caso para o qual é difícil encontrar uma resposta, mas que, ao mesmo tempo, deve apresentar uma que seja simples. Talvez justamente por isso esta tenha sido a trama ideal para o autor focar no protagonista que já lhe rendeu tantos prêmios. Sendo esse o 12º livro da série Matthew Scudder, talvez fosse justamente isso que os leitores quisessem: conhecer mais o personagem que há tanto já acompanhavam, mesmo que para isso o caso policial ficasse em segundo plano. 

Com uma narrativa mais lenta - arrisco dizer até mais introspectiva - do que de costume e um caso nascido para ficar às sombras de seu personagem, "Uma Longa Fila de Homens Mortos" apresenta um Lawrence Block diferente do que eu conhecia. Confesso preferir a velha forma, mas não tenho dúvidas de que um personagem como Scudder merece todas as honrarias que seu criador possa lhe dar. 

Título: Uma Longa Fila de Homens Mortos (exemplar cedido pela editora)
Autor: Lawrence Block
Nº de páginas: 334
Editora: Companhia das Letras

11 comentários:

Michelle Agda disse...

Achei interessante o enredo desse livro (apesar de grotesco), mas em suma, nunca ouvi falar do autor Lawrence Block. Investigações e suspense são o tipo de leitura que me prende do início ao fim, por isso, apesar de sua opinião negativa, gostaria de ler esse livro para experimentar a leitura do autor e ter uma opinião formada sobre o livro :)

Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

Achei o enredo interessante e gostei da resenha, mas como nunca li nada do autor acho que não vou começar por esse.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Jéssica Soares disse...

Gostei bastante da sinopse do livro, é uma pena que ele não tenha superado as suas expectativas, mas ainda continuo interessada na história... Nunca li nada do Lawrence Block, apesar dele sempre ser um nome me indicado quando quero ler algum mistério/investigação. Ah, o título "Uma Longa Fila de Homens Mortos" é realmente interessante!!
Jéssica - http://lereincrivel.blogspot.com.br/

Ana Paula Barreto disse...

Pela capa eu nunca leria esse livro! rs
Mas a história parece realmente boa. Eu gosto demais do estilo e tramas simples e bem feitas são as melhores.
Esse lance da investigação de vários mortos é ainda mais intrigante, fico levantando várias teorias (aposto que nenhuma é a certa! rs).
bjs

Fran disse...

Só por comparar a Agatha já fiquei curiosa =P
Achei o título realmente interessante e pegaria o livro só pelo título. Parece ser uma boa história,m as eu tb prefiro quando há um equilíbrio entre a história do detetive e a do caso. Dependendo se tem muita introspeção acaba cansando...

http://www.trilhasculturais.com/
http://www.entrandonumafria.com.br/

Mallu Marinho disse...

Como fã dos romances policias da Agatha, o título e a sinopse me chamaram bastante atenção. Não tenho certeza se irei gostar da história por como você destacou, ser uma narrativa lenta. E bom, não tenho muita paciência pra esse tipo. Só tenho uma dúvida: você disse que é o 12º livro da série desse detetive, mas não precisa necessariamente ler na ordem ou faz diferença?

Julia G disse...

Oi Mari, eu não conheço a escrita do autor, e deve admitir que estou devendo muita leitura aos policiais - que tenho deixado de lado. Gostei da proposta do livro, mas não sei se estranharia essa forma introspectiva, exatamente por não conhecer outros livros, visto que policiais muitas vezes tem um pouco esse tom.

Beijos

Paula Souza disse...

Não sou uma das maiores fãs de romances policiais, na verdade é muito raro eu me interessar por algum. Por você ter elogiado tanto o autor, talvez eu procure conhecer o trabalho dele e experimente algum outro livro, já que esse não te agradou muito.
Beijinhos,
Paula
http://www.interacaoliteraria.com/

Michelli Santos Prado disse...

Olá Mari, tudo bem??
Não conhecia o autor nem o livro...Mas confesso que amo livros com temas com investigação!! E este com mortes, que não se tem ideia o porque das mortes ou quem seria o assassino me deixou com " a pulga atras da orelha"!! Mas como você citou os livros anteriores, fiquei curiosa com uma coisa, pode ler fora de ordem?
Aguardo sua resposta e parabéns pela resenha!!

Nardonio disse...

Não conhecia nem a série, nem o autor, mas até que achei interessante. Concordo com você em relação ao título e a premissa. São bem instigantes mesmo. Só não sou fã dessa abordagem que não seja na investigação em si, mas como a série é extensa, acho que foi válida essa alternativa do autor.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Adriana disse...

Não li nada desse autor ainda, então não tenho como me basear se esse livro tem uma narrativa mais arrastada, mas sei que gostei do enredo e gostaria muito de ler esse livro, historias policiais são sempre bem vindas! Já vou coloca-lo na minha lista pra leitura desse ano! Bjão!
Adriana

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