quinta-feira, 10 de abril de 2014

RESENHA: Budapeste

Budapeste Chico Buarque
Li a sinopse de Budapeste há alguns anos e o livro imediatamente entrou na minha lista de leituras, embora nem lembre exatamente o que me atraiu. Além dos inúmeros elogios, a obra ganhou importantes prêmios da literatura nacional, de modo que minha expectativa estava em alta. 

José Costa é um talentoso ghost-writter que, após terminar de escrever a biografia de um empresário alemão, embarca rumo a Budapeste. Em sua jornada, Costa divide-se entre cidades, amores e palavras, enquanto enfrenta uma crise criativa e até mesmo existencial. 

Inicialmente, a narrativa de Chico Buarque me pareceu absolutamente singular e incomparável com a de qualquer outro autor. Porém, a partir de certo momento, fiquei com a impressão que a narrativa em si era mais importante do que a estória, o que de fato fez sentido no contexto da obra, mas ao findar da leitura fiquei com uma sensação de vazio. 

Em sendo narrado em primeira pessoa, é esperado que o texto esteja em consonância com o espírito do narrador-protagonista. O problema é que José se vê em um impasse existencial e seus pensamentos se mostram confusos e, muitas vezes, desconexos. Outra coisa que estranhei é a ausência absoluta de "diálogos tradicionais" (leia-se: marcados com travessão ou aspas), os quais foram inseridos na narrativa. 

uma dualidade que permeia todo o livro, a qual foi, inclusive, muito bem representada na capa. Budapeste e Rio de Janeiro. Húngaro e Português. Kriska e Vanda. Pisti e Joaquim. Porém, fiquei com a sensação de que esta dicotomia apenas está presente, mas que nada agrega a obra.

"Tenho esse ouvido infantil que pega e larga línguas com facilidade, se perseverasse poderia apreender o grego, o coreano, até o vasconço. Mas o húngaro, nunca sonhara em apreender." (BUARQUE, 2011, p. 08). 

Admito que cheguei ao final do livro sem entender exatamente o que havia acontecido, sendo que foram necessários alguns dias para que eu entendesse a moral do livro, ou para, pelo menos, criar uma teoria que a explicasse. 

Apesar de extremamente bem recebido pela crítica, Budapeste me soou pretensioso e audacioso. Mesmo contando com uma estória relativamente simples, o autor, de alguma forma, a complicou desnecessariamente, com a intenção de criar um livro cult e profundo. Tenho dúvidas se funcionou. 

Título: Budapeste 
Autor: Chico Buarque 
N.º de páginas: 113 
Editora: Companhia das Letras

12 comentários:

Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

Vou confessar que não conhecia esse livro. E pelo que você disse penso que eu até leria mas sem esperar muita coisa. Um livro do Chico que quero ler é Leite Derramado. Enfim, ótima resenha.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Nardonio disse...

Já tinha ouvido falar desse livro, mas nunca cheguei a cogitar em lê-lo. E que bom que não estava de todo errado. Não sou fã de leituras em que as tramas são complicadas sem necessidade. Esse, eu passo!

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Beatriz Arruda disse...

Não conhecia esse livro, mas apesar de sua resenha fiquei curiosa em lê-lo, só para ver se vou gostar ou não. Mas não seria um livro que eu compraria, se eu for ler será emprestado, afinal posso me arrepender.

Beijos!
Borboletas Literárias

Inês Gabriela A. disse...

Nunca tinha ouvido falar desse livro, mas acho que foi melhor assim.
Não curto livros em que o autor força algo, fica bem artificial. Para algo ser cult e profundo não é necessário forçar nada, precisa ser naturalmente...

memorias-de-leitura.blogspot.com

Laura Zardo disse...

Eu não conhecia este livro, mas nada nele chamou a minha atenção, e sua resenha só me fez ter ainda menos vontade de lê-lo. Que vergonha saber deste lado "se achando o cult" do Chico Buarque. D:

Paula Souza disse...

Oi, Alê!
Não conhecia o livro, admito que odeio quando o autor força a barra para deixar o livro cult, viu? É uma coisa que me irrita bastante. Quando o tema é realmente forte, eu amo isso. Mas quando é simples, prefiro que o autor mantenha tudo na simplicidade mesmo :(
Esse livro, com certeza, não é para mim.

Beijos
http://www.interacaoliteraria.com/

Lais Cavalcante disse...

Achei bem válido não ter lido esse livro, eu ate tinha aqui mas a preguiça falou mais alto. Ainda bem que não li porque eu ia ficar brava com o modo com que ele força ser cult... Nao dá

Kel Araujo disse...

Ahhh, já eu curti esse livro. Li na época da faculdade e achei o tema bem interessante. Claro que é um livro um pouco subjetivo. Busquei associar mt do comportamento do personagem com aquilo que ele era, um Ghost Writer. O livro não é o meu preferido, mas achei a leitura super válida e interessante =)

beijos
Kel
www.porumaboaleitura.com.br

Brubs. disse...

Já tinha ouvido falar no livro, mas não me chamou atenção, agora lendo sua resenha só conclui que não irei ler.
Brubs
contodeumlivro.blogspot.com.br

Estante Diagonal disse...

Oi Alê, confesso que tenho um pouquinho de medinho com certos gêneros de livros, e acredito que eu fique empacada um pouco neste. Mas termos uma opinião valida é importante ler mesmo?!

Prentendo ler ele mas nao agora, preciso estar em outra vibe hehehe.

Bjos
Joi Cardoso
Estante Diagonal

Jéssica Soares disse...

Ah, que pena que o livro não funcionou com você :/ Eu já sabia da existência dele, mas essa é a primeira resenha que leio de "Budapeste" e, assim como você, achei que o livro era realmente promissor. De qualquer forma ainda pretendo lê-lo, não com tantas expectativas, mas com a fé de que o Chico Buarque irá me encantar em algum ponto...
Jéssica - http://lereincrivel.blogspot.com.br/

Tatah disse...

É uma pena que não tenha gostado.
Não conhecia o livro, e já não me interessei.
É ruim quando o autor nos decepciona, é muito frustrante. Rs
Bjoss

http://fotografiaeleitura.blogspot.com.br/

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