sexta-feira, 4 de julho de 2014

RESENHA: Ilusões Pesadas

“'Ah, é? Diz aí, então, se você pudesse escolher, onde gostaria de estar agora?'
Penso um pouco. Não consigo achar um único lugar onde eu gostaria de estar, um só lugar onde eu me sentiria bem. Ele prossegue: 'Deixa eu te dizer: você não sabe onde gostaria de estar porque você é como eu, como eles'. Ele me aponta as pessoas no quarto. 'Porque você não tem nenhum desejo que possa te transportar a outro lugar. Nenhum objetivo. Seus prazeres são tréguas, fáceis e rápidas. Você tem tudo e, no entanto, você se vê pouco a pouco com o coração vazio e a cabeça cheia de imagens violentas, as únicas capazes de fazer você se lembrar de que está vivo. Aliás, tudo o que você faz, absolutamente tudo, é para provar a si mesmo que você está vivo.'” (SPERLING, 2011, p. 91).

***

O que despertou meu interesse em Ilusões Pesadas foi a entrevista dada por Sacha Sperling ao blog da Companhia das Letras, somados aos inúmeros elogios que a obra de estreia do jovem escritor recebeu, sobretudo pela crítica francesa.

Após férias tediosas, Sacha conhece Augustin no trem rumo ao primeiro dia de aula. O que começou como uma mera troca de cumprimentos logo se torna amizade, e juntos eles vão explorar a adolescência e descobrirem suas próprias identidades, embalados por muito álcool, drogas e sexo. 

Eu diria que é impossível começar a ler Ilusões Pesadas sem perceber a maturidade da narrativa do autor, o que espanta ainda mais se considerado que o livro foi publicado quando Sperling tinha dezoito anos. O único ponto fraco da narrativa é que, em sendo utilizada a primeira pessoa, por um protagonista que se encontra em um estado quase que perpétuo de embriaguez, em alguns momentos é difícil entender sua linha de raciocínio. 

O grande mérito da obra é mostrar a vida de uma geração vazia, que não tem objetivos nem metas, que muitas vezes se limita a passar pela vida em vez de vivê-la. Apesar de seus problemas familiares, a rebeldia de Sacha não parece ter muitas explicações, tampouco sua necessidade de viver a beira do abismo, o que impediu um maior envolvimento com o livro. 

A relação de dependência e obsessão entre Sacha e Augustin é como uma panela de pressão esquecida em fogo alto e que, mais cedo ou mais tarde, irá explodir. E é através dessa relação que vemos o protagonista evoluir e, até mesmo, amadurecer. 

O final se mostrou surpreendente, ousado e, me arrisco a dizer, genial, de modo a deixar o leitor refletindo por alguns instantes até conseguir deixar o livro de lado. Entretanto, tenho a impressão de que tal desfecho não será aprovado por todos. 

Apesar de ser um livro interessante e impactante, me parece que os acalorados elogios a obra de Sperling foram exagerados. Não que o livro seja ruim, mas sinceramente não entendi o alvoroço da crítica francesa. Então, se for ler, controle sua expectativa. 

Título: Ilusões Pesadas (exemplar cedido pela editora)
Autor: Sacha Sperling
N.º de páginas: 174
Editora: Companhia das Letras

9 comentários:

Lucas Kammer Orsi disse...

Olá Alê, tudo bom?

Não conhecia o livro, mas confesso que fiquei interessado pela leitura, pelo fato de ser autobiográfico e narrar de maneira contraditória o interior de um jovem de dezoito anos. Digo, que quando realizar a leitura, levarei seu conselho em consideração e não irei com tanta sede ao pote. É muito ruim quando vamos assim a um livro e ele não nos prende quanto deveria.

Abraços
Lucas
ondeviveafantasia.blogspot.com.br

Lais Cavalcante disse...

Eu também não conhecia o livro, nem a autora, mas fiquei bem intrigada em relação a esse livro. Primeiramente, pela parte que você separou para nos mostrar. Fiquei uns 5 minutos pensando que muitas pessoas se enquadram naquela breve descrição. Depois, porque você disse que o final é genial e que nos deixará refletindo por uns instantes... nada mais intrigante que isso rs

Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

Não conhecia esse livro, Alê. Mas fiquei interessada só de ver que foi escrito por autor jovem sobre uma geração de rebeldes sem causa. Mesmo que não seja tudo isso que estão dizendo, posso imaginar como é impactante. Ótima resenha.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Ana Clara disse...

Oi Alê!

Nunca tinha ouvido falar desse livro. Adoro livros com essa temática "rebelde" e achei o máximo ele ter sido escrito por um autor tão novinho! Enquanto isso tô aqui, com meus quase vinte anos e sem nenhum mísero conto publicado... Além do mais, essa capa é divina!

Beijos!
http://roendolivros.blogspot.com.br/

Virginia de Oliveira disse...

É a primeira vez que leio algo desse livro, mas fiquei interessa da em lê-lo, claro que aceitarei seu conselho e se um dia for o ler não criarei expectativas sobre ele. Fiquei bastante curiosa em saber como foi o final dele, já que você o considerou genial.
Obrigado pela resenha.
Bjs!

Bruna Monteiro disse...

Olá :)

Primeiramente gostaria de dizer que amei a capa do livro e a citação no início da resenha me atraiu bastante, sabe aquela sensação de "eu preciso ler este livro" não sei explicar mas sentir isso. Como muitos já comentaram, eu também não conhecia o autor e muito menos suas obras mas irei começar por neste livro. Fui conferir a entrevista e gostei bastante. A leitura desse livros já estar garantida.

Excelente resenha.
Abraços!

Poliana Araújo disse...

Olá, Alê
Tudo bem?
Eu não conhecia o livro, nem a autora, mas fiquei surpreendida pela forma como você falou sobre o livro, é quase impossível ler uma resenha assim e não sentir vontade de lê-lo. Fiquei super ansiosa quanto a narrativa da autora, quero muito muito ler! Maravilhosa resenha!
Beijos*-*
Território das Garotas

Letícia Souza disse...

Oiee
Não conhecia o autor e nem esse livro,mas como você sugeriu vou controlar minhas expectativas para não acabar desapontada com a obra.
O livro seria melhor ainda se realmente houvesse razões para Sacha ser toda rebelde mas acho que ela só estava querendo aproveitar todas as oportunidades que a vida leh ofereceu,algumas não tão boas assim.
Quero muito saber o final de toda essa história.
bjs

Nardonio disse...

A premissa de mostrar uma juventude de mente vazia é bem interessante e, me parece que a autor soube usufruir de tudo o que tinha em mãos. O legal é saber que o autor, apesar de jovem, tem uma escrita bem interessante. Outra coisa interessante é o final surpreendente. Me amarro neles.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

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