quinta-feira, 4 de setembro de 2014

RESENHA: Cartas de Amor aos Mortos

“Se eu tentasse explicar, elas iam querer saber o que aconteceu, e eu não conseguiria contar. Ficariam tristes por mim, e, quando você se sente culpada, não existe nada pior do que a pena. Só faz você sentir mais culpa.” (DALLAIRA, 2014, p. 72).

***

Cartas de Amor aos Mortos me chamou atenção antes mesmo de seu lançamento no Brasil, devido ao sucesso retumbante que o livro fez na Amazon americana, recebendo inúmeras críticas positivas, tanto da mídia quanto dos leitores. 

Após a separação dos pais e a trágica morte da irmã, Laurel decide trocar de escola e tentar recomeçar sua vida. Na nova escola, recebe a tarefa de escrever uma carta a alguém que já havia morrido. E o que inicialmente era um dever se torna uma terapia para Laurel. Escrevendo para seus ídolos, a jovem consegue falar sobre sua nova vida e amigos, desabafar seus medos e angústias e compartilhar seus sonhos.

A premissa, embora interessante, se mostrou um tanto quanto complicada para ser executada, pois a autora não escolhia uma celebridade de maneira aleatória, mas tentava criar um gancho entre o que Laurel vivia com alguma experiência de seu ídolo. O problema é que não foram poucas as vezes que o gancho utilizado por Dellaira soou forçado. 

E já que estamos falando dos ídolos a quem as cartas são destinadas, vamos a eles. Me parece altamente improvável que uma adolescente de catorze anos tenha como ídolos pessoas que fizeram sucesso, em sua maioria, há décadas. Kurt Cobain e Amy Winehouse até deixo passar (embora desconheça qualquer adolescente que seja fã ardorosa deles). Mas criar uma protagonista que adora River Phoenix, Amelia Earhart, Judy Garland e outros famosos que nunca ouvi falar, tornaram a coisa toda bastante inverossímil.

E falando em inverossímil, a maioria dos personagens espantam pela superficialidade e parecem estar ali apenas para fazer cenário. Também fiquei com a impressão de que a autora não sabe o que é ser adolescente, de modo que caiu em diversos estereótipos para compor seus personagens. Um deles, por exemplo, assombra pela sabedoria que demonstra possuir no momento de aconselhar Laurel, e pela imaturidade com que vive o resto de sua vida. 

Desde o início da estória fica claro que Laurel se sente culpada pela morte de sua irmã, sentimento este que permeia todas as suas cartas, das mais diversas formas. Entretanto, a autora enrola por quase duzentas páginas para começar a explicar o porquê de tanta culpa, sendo que a revelação vem a conta gotas, o que tornou a leitura lenta e frustrante. 

Quando já tinha desistido do livro e lia as últimas cem páginas com o intuito de me ver livre o mais rápido possível, eis que Dallaria me surpreende. Não entrarei em detalhes, mas foram nos últimos minutos do segundo tempo que a autora conseguiu fazer o que não fez durante toda a obra: a estória ganha profundidade com a abordagem de temas mais pesados e Laurel demonstra sua evolução. 

Terminei a leitura de Cartas de Amor aos Mortos sem saber o que pensar. Se por um lado a jornada não vale muito a pena, o desfecho é extremamente impactante. A conclusão é que Dellaria não conseguiu encontrar a melhor forma de explorar a interessante premissa que criou. Mas, em sendo este seu primeiro romance, creio que ainda podemos esperar dela obras melhores.

Título: Cartas de Amor aos Mortos (exemplar cedido pela editora)
Autora: Ava Dellaira
N.º de páginas: 337
Editora: Seguinte

21 comentários:

nathalia muller disse...

eu conhecia o livro mas não fique interessada em ler...
e por incrível que pareça ao ler sua resenha fiquei mega interessada...
já está na minha lista de próxima leitura...
parabens pela resenha

Iêda Cavalcante disse...

Oieee.
Eu vi alguns blogs falando sobre esse livro e de cara não me interessei, então sua resenha é a primeira que leio.
Achei bem interessante ela escrever as cartas para artistas tão conhecidos. Porém o livro tem tantos "mas", tipo, "o livro é bom mas o final deixa a desejar", o livro é bom mas tem hora que é arrastado", o livro é bom mas...
Tantos mas me incomodou, então não o lerei no momento, talvez mais pra frente eu mude de ideia e me jogue nele, só o futuro dirá.
Bjokas!

Dani Kaulitz disse...

Tenho muita vontade de ler este livro, pois sempre vejo muita gente elogiando e fico muito curiosa. Acho interessante o livro ser escrito através de cartas, mas é uma pena ter sido tão lento e demorar tanto para explicar o por quê de tanta culpa da personagem. Foram muitos pontos negativos que me desanimaram, destes que você comentou, mas fiquei curiosa para saber em quê a autora surpreendeu. Não sei se leria por enquanto, mas vou colocar na lista. :)
beijos ♥
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Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

Tinha interesse nesse livro justamente pelas celebridades para quem a protagonista escreve. Pensei que me identificaria pois sempre me senti "fora da minha época". Mas se isso e a própria personalidade dela soaram forçadas não adianta mesmo, Alê. Mas se a autora te surpreendeu no final e promete melhorar em futuras obras, ficarei de olho. Ótima resenha.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Nardonio disse...

Tenho lido algumas resenhas sobre esse livro, e ele está dividindo opiniões. Uns amam, outros odeiam. O que posso dizer é que a premissa é muito interessante. Uma pena que a execução não foi tão legal assim. Só digo que também achei forçado essas ligações de uma garota de 14 anos, com famosos que dificilmente uma garota iria conhecer, ou venerar.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Natasha disse...

Esse livro realmente tem muitas opiniões controversas e eu realmente não estou pendendo para o lado bom.Já começa pelo fato de ser uma garota de 14 anos o que é realmente difícil de relatar para uma autora já que retratar bem os conflitos adolescentes tendem a cair nos temas clichês como vc msm comentou, fora que se torna irritante sempre batendo na mesma tecla e nos mesmos dramas e geralmente tem mt enrolação. Não tenho motivação alguma mesmo. Enfim que venham outros livros e que a autora nos surpreenda!

RUDYNALVA disse...

Alê!
Achei a premissa do livro bem interessante e qual não foi meu espanto em saber que se desestimulou e quase desistiu do livro e ainda mais, quando houve uma reviravolta no final e foi impactante.
Claro que fiquei bem curiosa por ler, primeiro porque faço correspondência e gostaria de ver qual o sentido das cartas e também como foi o final.
cheirinhos
Rudy
Blog Alegria de Viver e Amar o que é Bom!

Milena Soares disse...

História bem interessante, fiquei bastante curiosar em ler esse livro!

Vitória Pantielly disse...

Oii Alê !
Não vou poder concordar com a sua opinião, tá que no lance dos ídolos a autora exagerou um pouco, talvez ela tenha deixado passar alguma coisa importante. Mas eu gostei do livro, achei um pouco pesado ! Mas a minha leitura fluiu .. Talvez o fato da Laurel ter tantos ídolos quase improváveis pela idade dela seja porque foram as pessoas que ela cresceu ouvindo falar !! Não sei, mas foi o que pensei ..
Ah, e que a autora enrolou, enrolou, enrolou, isso sim é verdade! Mas gostei da leitura !!
Beijoo, beijo <3

♥♪Jan Araújo♪♥ disse...

Achei a proposta do livro inovadora, o fato de alguém "conversar" com os mortos por meio de carta me pareceu genial, se por um lado a história demora a emplacar, por outro há a profundidade da temática e a sensibilidade de como o assunto é tratado, este é um livro que estou desesperada para ler

@jan_araujo7

Tamires Fernanda disse...

Oi Alê, eu vi que na sua resenha vc achou que a autora tinha colocado Ídolos que fizeram sucesso as décadas par auma garota de 14 anos, e eu concordo com vc, embora eu não tenha lido ainda eu posso sentir que a autora pecou um pouco por ai. Mas vamos esperar por mais livros dela...

Abçs :)

Ygo Maia disse...

Olá.
Bom, pelo que eu li na sua resenha, a autora criou um bom enredo, mas acabou desenvolvendo mal a história. O próprio título, em si, já traz um impacto na gente. Infelizmente, como você disse, as coisas só melhoraram aos 45 do segundo tempo. É muito frustrante quando isso acontece. Gostei da sua resenha. Abraço!

http://ymaia.blogspot.com.br/

Maria Trindade disse...

eu ganhei esse livro essa semana, to procurando tempo pra ler pq vi algumas resenhas dizendo que bom ;/espero mesmo que seja.

Renata Varela disse...

Eu adorei o livro. Não achei superficial ou uma coisa improvável um adolescente de 14 anos ter como ídolos pessoas que já morreram a muito tempo. Eu era -e ainda sou- assim, então isso não me incomodou no livro. A leitura pode ser lenta mesmo, mas eu adorei o livro. Não sei explicar o por que, haha, mas gostei do inicio ao fim.
whoosthatgirrl.blogspot.com

Fabi disse...

Uma adolescente de 2014 gostar de River Phoenix, Amelia Earhart, Judy Garland?So muito irreal e forçado mesmo!Fiquei frustrada ao ler que a narrativa é enrolada e que somente surpreende no final( menos mal né),ja que prefiro historia mais aceleradas.

camila rosa disse...

Nossa que chato hein, eu concordo co você como alguém cria uma personagem de quatorze anos que é fã desse povo que morreu a um tempão, poxa nem eu que tenho dezenove anos tinha ouvido falar dessas pessoas. Também não gostei do fato de que há personagens que estão ali só para fazer cenário, poxa isso é chato, eu tinha pouca vontade de ler o livro, achava o titulo muito interessante, mas agora não creio que irei ler o livro tão facilmente assim.
Beijos *-*

Loly Fonseca disse...

Esse livro não me instigou... A personagem parece ser bem utópica quanto aos ídolos e ainda por cima há todo esse esteriótipo de adolescente ao criar os personagens... Já não gostei de cara, portanto passo... Mas que bom que pelo menos o final você achou satisfatório, senão seria quase trágico ter perdido tempo com essa leitura...

Gladys Sena disse...

Poxa, só nas últimas cem páginas a leitura valeu a pena, acho que teria abandonado esse livro... imaginava algo bem diferente desse enredo.

Ana Paula disse...

pelos comentarios não parece muito bom, e nem pela sua resenha.. vou pesquisar mais, mas pelo visto o livro não esta com boas avaliações..

• Luana Novais disse...

Comprei esse livro e não vejo a hora da chegada *-*
Instagram: @psicoseliteraria
Blog: http://psicoselliteraria.blogspot.com.br/

Becca Martins disse...

Oi Alê,
Assim como você, muito antes da chegada por aqui eu estava super animada para ler, mas quando li o livro senti as mesmas coisas que você. Que tudo estava meio superficial e forçado.
E quanto ao final, ainda bem que você achou impactante, porque pra mim, já estava tão cansada do livro que não consegui achar isto e acabei achando uma leitura totalmente fútil.
Tudo bem que ela se sentia culpada pela morte da irmã, mas odiei toda aquela idolatria em querer ser ela muito chata.
Não consegui curtir o livro e entrou pra um dos meus piores livros lidos na vida, logo após Fangirl.
Beijos!!
umlugarparaleresonhar.blogspot.com

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