domingo, 20 de setembro de 2015

RESENHA: Caixa de Pássaros

“Ele espera. E, quanto mais espera, mais assustado fica. Como se o silêncio ficasse mais alto. Como se estivesse prestes a escutar algo que não quer ouvir.” (MALERMAN, 2015, p. 81/82)

***

Caixa de Pássaros chamou minha atenção quando o vi entre os mais vendidos da Amazon americana. E em minha busca por ler um livro que me fizesse sentir medo, a obra de estreia de Josh Malerman me pareceu uma boa opção. 

Pessoas normais começam a ter surtos de violência e loucura seguidos de suicídio ao redor do mundo, sendo que as autoridades não sabem a causa deste problema. Quando é divulgada a notícia que as vítimas agiam desta forma após verem alguma coisa, as pessoas começam a cobrir as janelas com cobertores e usar vendas para sair. É nesse contexto que Malorie, uma jovem grávida, se junta a um grupo de desconhecidos para enfrentar a difícil tarefa de sobreviver em um mundo caótico, dominado pela insanidade e insegurança. 

A narrativa é intercalada em dois momentos: o início da epidemia e a luta pela sobrevivência, e quatro anos depois, com a fuga de Malorie da casa em que moravam. O texto do autor é fluido e facilmente nos envolvemos com a estória, mesmo que não possua nada de excepcional. 

O ponto alto de Caixa de Pássaros é que Malerman soube brincar com o leitor, colocando-o no lugar dos personagens. Quando estes saíam às cegas em busca de suprimentos, eu sentia como se também estivesse vendado, ao lado deles. Tropeçando em cadáveres, me assuntando com qualquer barulho e imaginando que estava sendo observado. A grande jogada do autor foi utilizar da ideia de que não há medo maior do que medo do desconhecido, e nestes momentos, a tensão era palpável.

O ponto baixo é que Caixa de Pássaros é o tipo de livro que não se concentra em respostas, mas sim na jornada da protagonista. O que não seria um problema, mas tendo em vista que o autor optou por não explorar ao máximo o cenário que criou, seria necessário que a obra contasse com personagens muito bem construídos e que os conflitos entre eles fossem de tirar o fôlego. Infelizmente, este não foi o caso. 

A estória que Malerman tinha para contar se resume a jornada de sobrevivência de Malorie neste mundo inóspito, bem como a evolução dela neste tempo. A ideia de uma jornada, por si só, não me incomoda, o problema foi que muitos dos episódios narrados eram de pouco impacto e até mesmo de pouca serventia para o desenrolar da trama. Os momentos de ação são escassos e minha impressão era de que lia páginas e mais páginas em que nada acontecia. 

Para disfarçar a ausência de ação, boa parte do livro se dedica a descrever o estado de espírito dos personagens, seus pensamentos e emoções, usando e abusando de adjetivos. Por isso, me pareceu que o autor tentou enveredar para um terror de natureza mais psicológica, abordagem que certamente parece interessante na teoria, mas que não funcionou na prática. Considerando que esse tipo de terror é mais subjetivo e parte do íntimo do personagem, ele apenas causará um verdadeiro impacto se houver uma conexão com o leitor. E Malorie não conquistou minha empatia. 

Caixa de Pássaros é um livro com uma premissa fantástica e tem seus bons momentos, porém, encerrei a leitura com a impressão de que a estória poderia ter sido melhor executada. 

Título: Caixa de Pássaros (exemplar cedido pela editora)
Autor: Josh Malerman
N.º de páginas: 268
Editora: Intrínseca

18 comentários:

Maurilei Teodoro disse...

Gostei muito deste livro, principalmente pela criatividade do enredo, mas realmente a história poderia ser melhor executada, principalmente os momentos finais.

bomlivro1811.blogspot.com.br

R. Elza disse...

Assino embaixo. Li esse livro com uma expectativa moderada, mas conseguiu ficar aquém. Era obvio que alguma coisa acontecia aos moradores da casa para que Malorie terminasse sozinha com as duas crianças, mas o autor não conseguiu fazer com que eu gostasse deles a ponto de me importar. Acho que o destino das crianças criou um pouco mais de expectativa, mas só por serem crianças mesmo, não pelo autor ter acertado o nível de empatia. Ótima resenha.

Luiza Helena Vieira disse...

Meu Deus, eu quero ler esse livro desde que fui na turnê da Intrínseca aqui.
Adoro livros nesse estilo e me lembrou muito um do King li anos atrás.
Beijos
Balaio de Babados

Carina Pontes disse...

Olá!
Gostei do seu blog e do conteúdo dele, mas vou confessar esse livro me dá medo, rs.
Já li resenhas dele, o resumo, mas não tenho coragem de lê-lo.
Tenha uma ótima semana!

http://carinapontes.com

Ana Clara disse...

Oi Alê!

Tem um trecho de A Menina Submersa que diz o seguinte: "O que mais tememos não é o conhecido. O conhecido, por mais horrível ou prejudicial à existência, é algo que podemos compreender. Sempre podemos reagir ao conhecido. [...] Mas o desconhecido desliza através de nossos dedos, tão insubstancial quanto o nevoeiro." Faz realmente todo o sentido, não faz? Eu sou o contrário de você, fujo de livros que me dão medo... Tenho certeza que Caixa de Pássaros traria essa sensação em mim.

Beijo!
http://www.roendolivros.com/

Marina Ramos disse...

Oi, Alê!
Quando comprei Caixa de pássaros estava louca para sentir um medinho gostoso, mas o máximo que consegui foi um pouco de tensão. Achei o tema maravilhoso, mas realmente foi mal explorado. Também não consegui sentir empatia pela Malorie :/
Esse livro ficou bem abaixo das minhas expectativas.

Beijos,
www.naestradadafantasia.com

Nessa disse...

Oiee
Eu li freneticamente este livro para saber como iria terminar. É um livro muito bom e que prende o leitor.


Adorei sua resenha.
Beijos
http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com/

Gabriela CZ disse...

Lembro que a sinopse tinha me deixado bem interessada na época do lançamento, mas como a lista já estava grande não entrou para as prioridades. Seus comentários iniciais reatiçaram minha curiosidade, Alê. Porém, os pontos negativos que você apontou são coisas que costumam me irritar e me deixaram dividida. Acho que leria, mas não iria atrás. Ótima resenha.

Abraços!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Mandy disse...

Ooi, tudo bom??
Poxa, é uma pena quando o autor tem uma trama ótima mas não sabe desenvolver. Não gosto quando não tem muita ação e é mais pessoal, porque nesse caso tem que ser muito envolvente para me prender,
Beijoos,
Sétima Onda Literária

Jacqueline Braga disse...

Olá Alê
Eu gostei muito da leitura, e achei que o objetivo maior foi explorar a psique humana frente a um medo invisível. Também me incomodou a falta de ação, mas no final a leitura foi bem proveitosa.
bjo
www.mybooklit.com

Soraya Abuchaim disse...

Nossa, Alê, eu simplesmente amei esse livro.
Virei fão do Malerman, até consegui um autógrafo dele - minha amiga me mandou da Bienal hahaha

Beijos

Meu Meio Devaneio

RUDYNALVA disse...

Alê!
Bem gosto muito do terror psicológico, porém sem muita ação, talvez não dê mesmo um bom resultado.
Achei a premissa tão interessante e estava tão empolgada para ler, porém agora fiquei com um pouco de receio em não me conectar com a protagonista e depois a leitura não ser o que espero...
“Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror.”(Charles Chaplin)
cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
Participem do nosso Top Comentarista, serão 3 ganhadores!

Desbravadores de Livros disse...

Olá, Alê.
Eu tenho o livro, porém ainda não o li. Está na minha lista de próximas leituras.
Uma pena que o autor não tenha atingido todo o potencial da obra em sua visão. Quando o autor tenta ir para o lado psicológico e falha, resta um gostinho amargo para o leitor. Contudo, talvez esse lado de não ter as respostas para as perguntas me agrade. Gosto de obras com um pouco disso.

Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de setembro. Serão dois vencedores.

Sil disse...

Olá, Alê.
Eu estava me sentindo uma et, pois sou a única que não achei esse livro a melhor leitura do ano. pelo contrário, achei chato demais. A protagonista não me cativou, a história é lenta e sou daquelas que gostam de repostas e acabei o livro sem descobrir nada, do mesmo jeito que tinha iniciado ele.

Blog Prefácio

Patrini Viero disse...

Caixa de Pássaros foi um livro extremamente perturbador a meu ver. As minhas expectativas eram altíssimas, e o autor atendeu a quase todas elas. Realmente me faltaram algumas respostas, principalmente o porquê de acontecer todo o surto e o que eram realmente as criaturas lá fora, mas a forma como ele nos insere no livro e na trama, colocando-nos no lugar dos personagens e nos fazendo sentir toda a angústia que eles sentem é formidável!

Ycaro Brito disse...

Oi, Alê. A leitura de Caixa de Pássaros é uma das principais que estou aguardando muito, Fiquei muito feliz nos pontos altos comentados por você na resenha, como a sensação de terror, a sensação de convivência com os personagens, entre outros. A única coisa que decepcionou-me, assim como com você, foi a falta de respostas. Mas, mesmo assim, lerei em breve.

Gus disse...

Estou querendo ler este livro desde que a Intrínseca lançou-o, e cada vez mais me pergunto quando o lerei... serio, quero MUITO ler este livro, n da pra ter uma noção... ótima resenha, e me deixou ainda mais ansioso para ler ele :3

www.cidadedosleitores.blogspot.com

Diane disse...

Oi ...
Apesar desse livro ter feito um baita sucesso tenho que admitir que não me interessei :(
Não é o tipo de livro que me agrada .
Beijos

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