domingo, 14 de janeiro de 2018

RESENHA: O Labirinto dos Espíritos

O Labirinto dos Espíritos - Carlos Ruiz Zafón - O Cemitério dos Livros Esquecidos - livro 4
O que pensar quando aquela série que você adora e que você julgava ter terminado no terceiro livro (que, por sua vez, te deixou órfã) anuncia que vem mais um volume pela frente? Foi isso que aconteceu comigo quando a editora Suma de Letras anunciou que estava prestes a lançar “O Labirinto dos Espíritos”, quarto (e, agora sim, último) livro da série “O Cemitério dos Livros Esquecidos” do maravilhoso Carlos Ruiz Zafón.

Quando o Ministro Maurício Valls desaparece, Alicia Gris é chamada para investigar o caso. Para isso, ela precisará retornar para Barcelona, a cidade onde perdeu seus pais durante a guerra e onde ganhou um ferimento que lhe causa uma dor excruciante diariamente. É lá que o destino dela irá cruzar novamente com o de Fermín Romero de Torres (que há anos lhe salvou a vida) e com o da família Sempere, em especial Daniel que tem quase certeza que Valls é o responsável pela morte de sua mãe, a mulher cujo rosto ele sofre tanto por não lembrar.

Mesmo se tratando de uma série, todos os livros do “Cemitério dos Livros Esquecidos” podem ser lidos de maneira independente e em qualquer ordem, já que as quatro histórias se sustentam por elas mesmas. Para quem leu todos os livros (seja na ordem cronológica da história ou na de lançamento), os fios vão se cruzando neste último livro, o que, claro, torna a experiência ainda mais gratificante e permite apreciar a obra em sua totalidade.

Mas mais do que personagens ou que um cenário, para mim, o que realmente liga os quatro livros é a poesia da narrativa de Zafón. Ninguém escreve como ele. Ninguém faz sons, imagens e sensações ecoarem como ele. Seu texto tem atmosfera e evoca algo em cada frase. Mas, por alguma razão, não senti isso tão intensamente neste livro, porém desconfio que há uma intenção por trás disso (não revelarei minha teoria para não dar spoilers).

“Você não percebe o vazio em que deixou o tempo passar até o momento em que vive de verdade. Às vezes a vida é apenas um instante, um dia, uma semana ou um mês, não os dias desperdiçados. Você sabe que está vivo porque dói, porque de repente tudo é importante e porque, quando esse breve momento se acaba, o resto da sua existência se transforma em uma lembrança à qual você tenta em vão voltar enquanto tiver alento no corpo.” (ZAFÓN, 2017, 566)

É claro que, por melhor que seja uma narrativa, uma boa história precisa de bons protagonistas e isso Zafón entrega para o leitor na forma de uma coleção dos mais adoráveis personagens. Não bastasse ter os inesquecíveis Daniel Sempre, seu pai, o hilário Fermín, Beatriz e Bernarda, Zafón dá vida neste livro a Vargas (que irá dividir a missão com Alicia), o misterioso Leandro (mentor de Alicia) e Fernandito (eterno admirador de Alicia), todos carismáticos, cada um do seu jeito. Mas é Alicia quem rouba a cena. Que personagem maravilhosa! Forte, cheia de defeitos e traumas. É ela quem dá forma a “O Labirinto dos Espíritos” e faz as vezes de protagonista. Inclusive, acho admirável que, com tantos personagens que os leitores aprenderam a amar ao longo dos livros anteriores, Zafón tenha a coragem de os deixar de lado por um considerável volume do livro para dar vez a uma personagem nova. Quanto aos velhos conhecidos, Julian Caráx e David Martín marcam forte presença e até mesmo o perverso inspetor Fumero é mencionado.

É preciso dizer também que em alguns momentos a história poderia ter sido desenvolvida mais rapidamente, mas talvez o autor tenha optado por não fazer isso pelas diversas pontas que se criam (afinal, fica claro que também é um objetivo deste livro esclarecer algumas pequenas coisas dos livros anteriores – entre elas os acontecimentos do frustrante “O Jogo do Anjo”). Mas é inegável que a trama é ampla e satisfaz o leitor ao final.

Eu diria ainda que, de todos os livros da série, “O Labirinto dos Espíritos” é o que menos se vale do tempero característico de Zafón (drama + amizade + amor + suspense + mistério) e mergulha mais fundo no suspense. “O que terá acontecido com Valls?” é apenas uma das perguntas que o leitor se faz durante a jornada. Conforme a trama se desenvolve, vemos que ela tem inúmeras subtramas, uma mais enigmática do que a outra.

Mas a série recebe seu título por uma razão e não há nada capaz de encher (e marejar) os olhos de qualquer apaixonado por livros como a visão do Cemitério dos Livros Esquecidos. As cenas que o envolvem são sempre inesquecíveis. As palavras que o descrevem sempre tocam fundo.

Reencontrar personagens que você já aprendeu a amar é sempre uma emoção. Em “O Labirinto dos Espíritos” houveram momentos em que foi bem difícil deixar o livro de lado, em especial nas últimas 200 páginas. Em especial mesmo na última, que nos obriga a encarar a despedida e de um jeito que nos faz querer voltar para o primeiro livro e começar tudo de novo. É com um sorriso no rosto que coloco o livro na minha estante, ao lado dos outros três. Uma jornada inesquecível.

Título: O Labirinto dos Espíritos
Autor: Carlos Ruiz Zafón
N° de páginas: 679
Editora: Suma de Letras
Exemplar cedido pela editora

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14 comentários:

Victor Nascimento disse...

Olá Mari! Tudo bem?

Adoro livros do gênero e particularmente este me chamou atenção pela premissa e sua resenha, apesar de eu nunca ter visto antes.

Grande abraço!
www.cafeidilico.com

Lilian Marques disse...

Olá vindo conhecer!! Eu gostei muito do blog, adoro livros!
Eu nunca tinha visto falar desse, até porque não é muito do assunto que costumo ler. Mas valeu a resenha.
Me avise sobre novos posts!
www lilianmarques.com.br

Ludyanne Carvalho disse...

Aaaaaaaaah, ficamos em êxtase quando isso acontece. Quando amamos tanto uma série, desejamos que o autor não pare nunca de publicar novos livros haha...
Nunca li nada desse autor, confesso que não conheço muito o trabalho dele.
Gostei da resenha, e é uma ótima indicação para quem curte o gênero.

Beijos

Tony Lucas disse...

Oi, Mari! Tudo bem? Será que em breve irá surgir um quinto livro? Brincadeiras à parte, não tenho muito interesse em ler essa série, mas tenho uma certa curiosidade para conhecer a escrita do Zafón. Espero um dia fazer isso. Chocado com a quantidade de páginas rs

Abraço

http://tonylucasblog.blogspot.com.br/

Alison de Jesus disse...

Olá, adoro essas séries nas quais o último volume intersecta as storylines dos outros, numa fusão que sempre deixa o leitor sedendo por respostas. Aqui essa estratégia parece dar muito certo, e O Labirinto dos Espíritos não deixa a desejar tanto em enredo quanto em caracterização. Beijos.

Tamires Marins disse...

Oi, Mari

Eu nunca li nada do autor e até p lançamento deste último livro eu sequer sabia que essa série tinha essa pegada de suspense.
É ótimo quando um autor lança mais um livro de uma série que estava, até então, finalizada.
Eu não curto escrita poética, talvez por isso eu adie tanto a leitura de Zafón, não é a primeira vez que alguem a descreve assim. Mas algum dia eu lerei, pois acho que a gente não pode passar por essa vida sem conhecer a obra de alguns autores, e Zafón é um deles.
E que bom que você aproveitou este volume derradeiro apesar das pequenas diferenças no conduzir da narrativa.

Beijos
- Tami
http://www.meuepilogo.com

Aline Bechi - Amor Literário disse...

Olá, tudo bom?
Nunca dei bola para os livros desse autor pelo fato de não gostar da capa, mas não fazia ideia que ele era policial (me corrija se estiver errada, mas foi o que entendi).
É bom saber que dá para ler eles de forma independente, apesar de ser série.

Beijos, Ally.
Amor Literário

Eduarda Graciano disse...

Oi Mari.
Eu já li dois livros do Zafon: Marina e O Jogo do Anjo - que faz parte dessa série né. Comecei O Jogo super empolgada... gostei do clima, da escrita e apesar de não me lembrar de quase nada da história lembro que por algum motivo fui desgostando (agora que vc chamou de "frustrante" eu to tentando lembrar o pq mas sei que tb achei). Marina eu achei super blézinho, não gostei.
Não sei quando darei outra chance pro Zafon, mas tenho intenção de ler os outros dessa série sim. Pelo jeito q vc falou, OJdA é o menos legal né? Então fico mais feliz. Especialmente com essa resenha animada aí... esse já parece mais interessante!
Beijo!

www.cafeidilico.com

Denise Sena de Oliveira disse...

Oi Mari,tudo bem?
Já tinha visto esse livro, mas ele nunca chamou minha atenção :x
Adorei sua resenha.

Beijos
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RUDYNALVA disse...

Mari!
Fiquei super curiosa, principalmente por ver que o livro não é nada do que parece, quando pensamos que é uma coisa, é outra e claro, os livros do autor trazem sempre um mistério policial que instiga.
Ainda não li, mas bem quero.
Novo Ano repleto de realizações!!
“Meta para o Ano Novo? Ser feliz!” (Desconhecido)
cheirinhos
Rudy
1º TOP COMENTARISTA do ano 3 livros + Kit de papelaria, 3 ganhadores, participem!

Carolina Santos disse...

Meu Deus esses livro faz parte de uma série vamos ver no que vai dar mas eu já li um livro desse autor que foi uma das maiores perdas de tempo que eu tive na minha vida o livro era chato tedioso irritante espero que esse seja melhor do que o que eu li

Ana I. J. Mercury disse...

Que resenha linda, Mari!
Deu pra ver o quanto você ama Záfon, ai menina, ainda não li nada dele, mas quero.
Adorei a sua resenha,e fiquei agora bem curiosa pra conhecer essa série!
Vou procurar já!
bjsss

Marta Izabel disse...

Oi, Mari!!
Nossa tenho que colocar esse autor na minha lista de desejados pois todos que leram algo do Carlos Ruiz Zafón recomendam os seus livros, e também estou bem curiosa com essa série dele.
Bjos

Gabriela CZ disse...

Alicia é mesmo uma personagem incrível, Mari. Sua personalidade e a ligação com nossos conhecidos personagens me encantou. Concordo com seus comentários, e acho que o livro encerrou a série com chave de ouro. Ótima resenha.

Beijos!

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