segunda-feira, 19 de novembro de 2012

RESENHA: O Tigre de Sharpe

“Tudo o que um homem precisava para vencer na vida era um pouco de bom senso e a capacidade de derrubar um oponente antes que o oponente pudesse derrubá-lo, e Richard Sharpe acreditava possuir uma boa dose desses talentos.”  (CORNWELL, 2011, p. 10).

***

Sempre tive vontade de ler algum livro de Bernad Cornwell, visto que o autor é muito conceituado e aclamado por suas obras históricas. E o único pensamento que tive em mente quando encerrei a leitura foi a seguinte indagação: por que cargas d’água nunca havia lido nenhum livro do Cornwell antes?

Em O Tigre de Sharpe acompanhamos o recruta Richard Sharpe em uma expedição militar britânica à Índia, com o fim de destronar o sultão Tipu, apoiado por aliados franceses. Acusado de insubordinação e com o “pé quase na cova”, o soldado aceita a missão de se infiltrar no exército alheio para fornecer informações sobre a fortaleza inimiga.  

Creio que a chave para escrever um bom livro histórico está na dose dos elementos. Se o autor for preciso demais, o livro fica entediante. Se o autor romancear demais, o livro deixa de ser histórico. Posso afirmar que Cornwell encontrou o ponto de equilíbrio perfeito para narrar as aventuras de Sharpe.

Todavia, desde já lhe adianto: se você não gosta de guerras, batalhas e estratégias militares, o livro não é para você. É claro que a obra vai além disso, mas esta é a base sobre a qual foi construída.

A narrativa é envolvente e emocionante, visto que consegue transportar o leitor para o furor das batalhas. A trama, habilmente concatenada, não se limitou aos acontecimentos históricos, pois o autor utilizou-se de uma boa dose de licença poética para criar uma estória empolgante e repleta de adrenalina, mas que nem por isso perdeu sua verossimilhança.

Os personagens, mesmo os históricos, foram bem desenvolvidos. Aplausos para o protagonista, um soldado raso, destemido, sagaz e impetuoso, com potencial de sobra para conduzir uma série que já conta com vinte e um livros.

Como referi, o autor utiliza-se de uma certa licença poética, alterando alguns fatos históricos ou a sua ordem cronológica. Porém, no final do livro há uma nota histórica, na qual Cornwell esclarece quais fatos realmente ocorreram e quais foram de sua criação.

Minha única crítica: o autor geralmente encerrava os capítulos, e até mesmo as seções dentro dos capítulos, com frases de efeito que soavam muito bregas e, as vezes, se mostravam desnecessárias. Evidentemente, isso não afetou em nada a leitura, tampouco ofuscou a qualidade da obra.

Por fim, resta-me admitir que quando fechei o livro, desejei ter em mãos os próximos volumes da série As Aventuras de Sharpe.

Título: O Tigre de Sharpe
Autor: Bernard Cornwell
N.º de páginas: 402
Editora: Record

6 comentários:

Natalia Dantas disse...

Olá, Alê!
Parabéns por esta bela resenha!
Não sabia da existência deste autor e confesso estar arrependida por não tê-lo conhecido, até agora. Irei marcar este livro lá no meu skoob. Logo de início percebi que este livro é para eu ler, a temática que ele aborda me interessa bastante, guerras e batalhas, amo tudo isso!

Abraços.
Entre Livros e Livros.
http://musicaselivros.blogspot.com.br/

Aione Simões disse...

Oi Alê!
Acho que o livro não é para mim. É ótimo que o autor tenha sabido como dosar o lirismo com o restante, mas sou do tipo que prefere um romance, inclusive os clichês. Eu até mesmo adoro boas frases de efeito aos finais dos capítulos, talvez essas que você não gostou se enquadrassem na categoria que me agrada e funciona comigo.
De qualquer forma, parabéns pela resenha, está ótima como sempre!
Beijos!

Francielle Couto Santos disse...

Alê, que livro interessante! Devo admitir que não o conhecia, mas é certo que a temática muito me agrada, pois adoro narrativas que envolvam questões histórias e estejam relacionadas à guerras e batalhas.
Sua resenha, como sempre, espetacular. Muito bem argumentada... instiga qualquer um que se interesse pelo enredo. (:

Um abraço!
http://universoliterario.blogspot.com.br

Eduarda Menezes disse...

Oi, Alê!
Também já ouvi falar maravilhas desse autor e, por tudo que você disse, imagino que é quase certo que irei gostar. Adoro tramas bem elaboradas e não tenho nada contra guerras, batalhas e estratégias, contato que conduzidas por alguém que sabe o que está fazendo e aonde está levando o leitor. Nas mãos de um bom autor, é quase impossível sair algo ruim daí e imagino que esse seja o caso.
Fiquei rindo aqui com as frases de efeito, por que alguns autores teimam que isso é legal? Até é legal, realmente, quando não aparentam ser forçadas e a frase realmente causa algum efeito no leitor, do contrário, acaba seguindo no caminho completamente oposto huahaua
Enfim, gosto dessa mescla de ficção com realidade e acho legal que o autor tenha explicado até que ponto foi a sua imaginação, assim a gente não confunde as coisas rs
O livro parece ser muito bom. Com 21 livros, tem que ser ótimo mesmo!
Beijos!

Nardonio disse...

Confesso que nunca tinha ouvido falar desse autor, e nem de suas obras. Não sou muito fã de livros históricos, mas se a história for boa, eu dou uma chance a ele, e leio. O bom é que o Cornwell encontrou um equilíbrio e desenvolveu bem a narrativa. Se tiver oportunidade, lerei, sim!

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Unknown disse...

Tenho 8 livros dessa serie e estou começando a ler pela 3 vez. Simplesmente incrível, obra rica em detalhes na medida certa, com humor e ate romance em alguns momentos. livros ótimos!!! Super Indicados!!!

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