segunda-feira, 6 de outubro de 2014

RESENHA: Fique onde está e então corra

“Quando ia dormir à noite, esforçava-se tanto quanto podia para juntar o máximo de recordações sobre sua família antes das mudanças, pois, se lembrasse como costumavam ser, então haveria sempre a chance de, um dia, tudo voltar ao normal.” (BOYNE, 2014, p.14)

Às vésperas do início da Primeira Guerra Mundial, o momento não parece propício para comemorações. É por isso quase ninguém compareceu à festa de aniversário de 5 anos de Alfie Summerfield. Ele nunca esqueceu daquele dia e de como os adultos pareciam preocupados com algo que, diziam, estaria acabado antes do Natal. Aquele dia foi como um divisor de águas na vida de Alfie já que logo depois seu pai se alistou para o combate. No início cartas dele eram frequentes e até animadas, na medida do possível, mas aos poucos se tornaram sombrias e sua mãe passou a esconde-las, até que as cartas pararam de vez. A mãe diz que o pai está em uma missão secreta, mas Alfie acredita que ele está morto. É então que o menino descobre que o pai está em um hospital não longe dali e que cabe a ele tirá-lo daquele lugar horrível que, na visão do menino, não é capaz de fazer pelo pai nada que a família não possa fazer em casa.

“Fique onde está e então corra” não é uma história de guerra. É a visão de uma criança sobre a guerra, em especial, sobre como ela impacta sua família.

Nas primeiras páginas somos apresentados a um Alfie de 5 anos e um salto temporal nos leva a encontrar um menino esperto de 9 anos que adora ler Robinson Crusoé e está decidido a ajudar a família na ausência do pai. Nesse processo, Alfie deixa de ser uma criança e passa a ser apenas um filho, um neto, um vizinho. Alguém que precisa sobreviver em meio a tempos difíceis. É assim que, ao ver que estão cada vez mais “perigosamente perto da miséria”, como a sua mãe insiste em dizer, Alfie passa a engraxar sapatos na estação de trem, guardar parte do dinheiro e colocar outra parte na bolsa da mãe sem que ela perceba. Sua mãe (que se desdobra para fazer qualquer coisa que possa lhes dar algum dinheiro na ausência do marido) não pode saber o que ele está fazendo já que Alfie tem faltado aula para trabalhar.

Narrado em terceira pessoa, mas sempre pela perspectiva de Alfie, John Boyne nos mostra que a guerra impacta aos que ficam em casa tanto quanto aos que vão para o campo de batalha. Na verdade, vejo o livro mais como uma história sobre os que ficam do que sobre os que partem.

O autor usa de poucos personagens, todos conectados ao menino, para ilustrar as injustiças no tempo de conflito. Cada um tem uma função e representa uma situação.

Além de ter a infância interrompida, precisar conviver com a falta do pai e com as dificuldades financeiras enfrentadas pela mãe, Alfie vê injustiças desfilarem pela rua onde mora. Sua melhor amiga é levada embora porque acreditam que seu pai é alemão; o melhor amigo de seu pai, que se recusa a se alistar por crenças políticas e humanitárias, é desprezado e espancado pelos vizinhos. Ele tenta, mas não entende direito porque essas coisas acontecem. Não entende porque as pessoas se odeiam a ponto de existir uma guerra.

Não li “O Menino do Pijama Listrado”, de forma que não posso fazer comparações entre os dois, embora acredite que algumas devam ser inevitáveis já que mais uma vez John Boyne apresenta a perspectiva de uma criança diante da guerra.

Sempre vejo comentários a respeito de como os livros do autor são emocionantes, entre eles “Fique onde está e então corra”, porém esse não foi o meu sentimento. É de fato bela história e Alfie e sua jornada são cativantes, mas não me envolvi com elas como esperava e, certamente, não o suficiente para me emocionar. Mas isso não significa que o livro não seja bom. A narrativa fluida faz dessa uma leitura que passa ligeiro e é preciso lembrar que esse é um livro voltado para o público infanto-juvenil, então não se pode esperar um desenvolvimento muito profundo dos personagens. Ainda assim, Boyne consegue (e muito bem) ilustrar através de cada um deles uma visão da guerra. Não me cativou como eu esperava, mas tem bons elementos.

Título: Fique onde está e então corra (exemplar cedido pela editora)
Autor: John Boyne
Nº de páginas: 224
Editora: Seguinte

22 comentários:

Kel Araujo disse...

Oi Mari, tudo bem?

Tive uma primeiro experiencia ruim com o Boyne. Acredite ou não eu abandonei Pijama Listrado. Estou doida para retomar a leitura, acho que eu ainda não tinha idade para ler um livro do autor. Estava no colégio ainda. Bom... esse livro parece ser bem legal e, com certeza, emocionante. Vamos ver se eu solicito tb =)

beijos
Kel
www.porumaboaleitura.com.br

Milena Soares disse...

O livro parece muito bom, curto livros voltado para o público infanto-juvenil, fiquei bastante interessada em ler.

Desbravadores de Livros disse...

Oi, Mari.
Eu li esse livro e me envolvi bastante e me emocionei com a história. Concordo com você que a leitura é bem ligeira, mas no ponto da emoção, o meu sentimento falou mais alto e eu me envolvi completamente. Me sentia nos pensamentos e nas ações do garoto e a todo momento senti as dores que ele estava sentindo.
Eu também não li O menino do pijama listrado, mas tenho uma certa vontade e curiosidade em ler.

Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

Não li nenhum livro do Boyne mas tenho bastante vontade devido aos comentários, e porque a maioria usa temas de que gosto. Seus comentários me deixaram bastante curiosa a respeito desse, Mari. E mesmo que não emocione, pelo menos provoca reflexão. Ótima resenha.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Loly Fonseca disse...

Tenho muita vontade de ler O menino do pijama listrado, mas por tudo que já ouvi falar acredito que choraria demais... Assim como esse, pelo que li, também me emocionaria bastante... Sou chorona de natureza, então não precisa muito para as lágrimas rolarem... Amo a época de Primeira e Segunda Guerra, então já vi que vou me identificar bastante com esse livro... Já estou curiosa pra conhecer mais sobre ele...
Kisses =*

Lise Orsi disse...

Ah Maria, que pena que não te envolveste, porque eu me envolvi pela história com tuas palavras. Eu gosto de ler literatura de guerra, mas eu fico mais interessada em livros como este, em que a guerra está de pano de fundo. O cenário histórico é um cenário da vivência da história dos personagens.

Imagino que seria como eu viveria o fenômeno.

Vou atrás dele, mesmo que tenhas ficado 'assim, assim'.

liliescreve.blogspot.com

Sil disse...

Se for tão bom quanto O menino do Pijama listrado deve se ótimo. Eu amei ele. Que pena que para você não foi tudo aquilo, mas cada um tem um gosto não é?

Blog Prefácio

Inês Gabriela A. disse...

Olá.
Adoro esse autor, acho a escrita dele simplesmente incrível e suas história idem. Quero muito ler esse livro, a capa é linda e as resenhas estão sendo muito positivas. É uma pena que você não tenha se envolvido tanto com a história, mas mesmo assim tenho curiosidade pela obra.

memorias-de-leitura.blogspot.com

Bárbara Prince disse...

Esse livro é uma gracinha! Tive a oportunidade de trabalhar com ele, e gostei muito da história e dos personagens. Gosto de como o ponto de vista infantil dá certa suavidade a esse tema pesado; e meu personagem favorito é o amigo do pai de Alfie, acho muito interessante a inserção de um personagem que não apoia a guerra.

www.blogsemserifa.com

RUDYNALVA disse...

Mari!
Gosto de livros ambientados durante a 1ª Guerra (ou a 2 também) e fico triste por não se envolvido com o livro, mas tem alguns que são assim para nós.
O enredo visto pelo ponto de vista de Alfie, uma criança, talvez traga ao livro um toque mais leve do que foi realmente aquela época.
Fato é que fiquei interessada pelo livro e vou procurar para ler.
cheirinhos
Rudy

Ø Väzïø ñä Flø® disse...

Bem, eu li O Menino do Pijama Listrado e me emocionei demais..mas também, como você citou, acredito que a comparação é certa..
A visão de uma criança sobre a guerra..com a inocência, mas também com a dureza da situação.
Esta é a primeira resenha que leio deste livro e já me encantei. Vou ler com certeza, até porque não é um livro sobre guerra, mas sim, um retrato doce e amargo na vida de uma criança.
Beijo

Nardonio disse...

Ainda não li nada do autor, pois sempre acho que as histórias são "cruéis" demais. Fico morrendo de pena ao lembrar das crianças que vivem bem no meio da guerra. Fico triste ao ver o quão a vida dessas pessoas são totalmente mudadas. Confesso que não sei se o leria. Quem sabe algum dia, né?!?!

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Girlene Viey disse...

Gosto muuito de livro que acontece em Guerra Mundial
São sempre bem detalhadas e bem realistas
“Fique onde está e então corra” me achou por atenção londo quando tu disse
que acontece neste mundo ! A historia e muuuito linda e triste. Quero e espero ter oportunidades de ler!

nathalia muller disse...

Sinceramente não me senti atraída pela história, o mesmo aconteceu co o menino do pijama listrado, comecei a ler e abandonei...
não sei explicar o poe que, acho que a ambientação em época de guerra não me agrada muito...

Tamires Fernanda disse...

Eu até não li nenhum livro de Boyne porque me disseram que seus livros são muito fortes e eu não tenho pique psicologicamente de ler um livro desse porte, mas quem sabe algum dia eu não dê uma chance ao autor e comece por esse livro.

Abçs :)

Adriana disse...

Só por ser o mesmo autor de O menino do Pijama listrado eu já leria esse livro, porque além do personagem também ser uma criança, a historia se passa na guerra, que é um tema que eu gosto muito. Talvez ela não seja tão emocionante quanto o outro livro, mas mesmo assim, fiquei com muita vontade de ler e Mari, se tiver oportunidade, leia o Menino do Pijama listrado, é uma historia linda demais, bjão!

Adriana disse...

Só por ser o mesmo autor de O menino do Pijama listrado eu já leria esse livro, porque além do personagem também ser uma criança, a historia se passa na guerra, que é um tema que eu gosto muito. Talvez ela não seja tão emocionante quanto o outro livro, mas mesmo assim, fiquei com muita vontade de ler e Mari, se tiver oportunidade, leia o Menino do Pijama listrado, é uma historia linda demais, bjão!

Jessica Lisboa disse...

Essa e a primeira resenha da qual leio sobre esse livro, quando ele lançou nao dei muita coisa pra ele não, agora que li (♥) todos os livros que tem Criança+guerra (pra mim) O menino do Pijama listrado! Gostei com certeza esse livro ja esta na minha lista!

Edna Dias disse...

Eu só assisti ao filme "O menino do pijama listrado" e só fiquei sabendo do livro depois e como achei muito triste o filme e não queria passar por aquilo de novo não quis e continuo não querendo ler.
Eu adoro livros que retrata histórias de guerra e as injustiças, as perdas, as dores que ela ocasiona... Sinto como se eu pudesse sentir a dor de pais, mulheres, filhos que sofreram nestes períodos.
Acho pesado quando o personagem é uma criança, gostaria de que mais fossem adultos...
Bem, eu fiquei muito a fim de conhecer um pouco mais de Alfie. Até por saber que ele não é pesado...
Bjs

Edna Dias disse...

Ele = o livro (não é tão pesado)

Thállyta Silva disse...

Adoro livros infanto-juvenis, e tenho bastante vontade de ler este livro. Também não li O Menino do Pijama Listrado mas também quero lê-lo.
Imagino como é a vida de Alfie, pensando que o pai estivesse morto, e ao descobrir onde ele está querer levá-lo para casa.
Com certeza a guerra deve impactar e muito a vida dos familiares de quem vai a batalha..

Liza Mikaelly disse...

Eu tenho muita vontade de ler algo escrito pelo Jonh Boyne. Há um tempo atrás assistir o filme O Menino do Pijama Listrado e confesso que me surpreendi com o final do filme. Depois descobrir que tinha o livro eu não li por saber do final e pensei também " se o filme mexeu comigo o que o livro irá fazer?" e quando lançou este novo livro eu corri para compra-lo e ler mas ele estava muito caro. A capa é muito linda e a historia emocionante. Beijos <3

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