domingo, 7 de fevereiro de 2016

RESENHA: What I Didn't Say

“Há algumas palavras que você conhece, mas que nunca pensa, que nunca reflete de verdade sobre o seu significado. ‘Mudo’ era uma dessas palavras.” (TAYLOR, 2012, texto digital – tradução livre)

***

Um dos primeiros ebooks que comprei foi What I Didn’t Say (O que eu não disse em tradução livre), mas por algum motivo sempre protelei a leitura. A fim de praticar o inglês e no espírito para encarar uma leitura despretensiosa, percebi que havia chegado a hora de lê-lo. 

Jake é apaixonado por Samantha há anos, mas nunca conseguiu dizer isto a ela. Certo dia, em uma festa com os colegas da escola, depois de beber algumas cervejas, Jake finalmente cria coragem para se declarar a Sam. Porém, ele e seus amigos se envolvem em um acidente de carro no caminho até a casa dela. Jake fica gravemente ferido e suas cordas vocais são removidas. 

What I Didn’t Say é um livro previsível. Keary Taylor seguiu passo a passo o roteiro de qualquer romance, não conseguindo surpreender o leitor com suas reviravoltas. Provavelmente, um dos maiores problemas do livro seja seu tamanho. O ritmo da narrativa é vagaroso e, somando-se ao fato que a estória é previsível, fiquei com a sensação de que a autora estava enrolando por páginas e mais páginas para entregar algo que já era esperado.

Também achei a construção dos personagens fraca. Jake, por exemplo, é perdidamente apaixonado por Sam, porém, a autora não dá explicações convincentes para esse sentimento tão intenso. Considerando que eles nem são amigos, mas apenas colegas de aula, a paixão de Jake me pareceu muito mais uma obsessão. Além disso, há inúmeros personagens que são meros nomes na estória e que não desempenham nenhuma função no desenvolver da trama. 

Além disso, faltou verossimilhança. A situação de Samantha, que não posso entrar em detalhes por constituir spoiler, é simplesmente estapafúrdia e desprovida de qualquer senso de realidade. Outro aspecto difícil de aceitar é a demora de Jake em aprender a linguagem dos sinais, que passou o livro inteiro se comunicando através de um caderno onde escrevia o que não poderia dizer, nem sinalizar. 

O que me chamou a atenção neste livro foi o potencial reflexivo, afinal, temos um adolescente que de uma hora para outra perde a capacidade de falar, um contexto propício para a discussão de inúmeros assuntos. O problema é que a autora focou muito mais na mensagem que o livro poderia trazer do que na estória em si. Creio que um livro, para realmente provocar reflexões, só funciona se as situações descritas levam o leitor a pensar sobre o assunto. Em What I Didn’t Say a reflexão vem mastigada na narrativa, de forma que perde todo o seu impacto. 

Quando iniciei a leitura de What I Didn’t Say esperava ler um livro leve, mas reflexivo. Infelizmente, encontrei um livro superficial, construído sobre clichês e que subaproveitou uma premissa interessante. Mas para quem gosta do gênero e quer praticar a leitura em inglês, o livro pode ser uma boa opção, pois sua linguagem é bastante acessível. 

Título: What I Didn’t Say
Autora: Keary Taylor
N.º de páginas: 326
Editora: Createspace

21 comentários:

Sofia disse...

Oi, Alexandre!
Achei a premissa interessante até, mas realmente clichê. A grande questão dos clichês é saber desenvolvê-los, até mesmo porque não adianta criar mais do mesmo sem absolutamente nenhum diferencial. Gostei muito dos pontos que você ressaltou.

Beijo.

Jéssica Soares disse...

Oi, Alê! Tudo bem? Na hora que li a sinopse, já fiquei com o pé atrás. A promessa de algo reflexivo parece ser interessante, mas fiquei com a impressão de que o livro daria um baita filme de Sessão da Tarde, daqueles que não tem propósito nenhum além de preencher duas horas vazias do seu dia. O que é uma pena né, realmente, é muito difícil encontrar diversidade de protagonistas, especialmente em livros YA.
Jéssica S. - http://lereincrivel.blogspot.com.br/

Carolina Garcia disse...

Olá, Alê!

Gosto muito de ler alguns clichês de vez em quando. Esses livros normalmente relaxam a minha mente depois de uma temporada de histórias densas e complexas.

Tento sempre ter um na prateleira ou no Kindle na espera do momento certo. Hahahaha

Mas a história parece fofa. É um final bem previsível, obviamente, mas o legal dessas obras é o caminho até o fim e o quanto você consegue criar empatia com a personagem.

Uma pena que você não curtiu essa leitura. Espero que pegue um livro melhor na próxima vez!

Eu li Daughter of the Blood (da série Black Jewels) em inglês no Kindle e foi MARAVILHOSO. Recomendo muito!!! Fiquei dois dias colada no Kindle seja no apartamento ou quando ia para praia. Hahaha

A Saída de Emergência/Arqueiro publicou os dois primeiros livros dessa série em português também, mas não tive dificuldades na leitura em inglês.
Então fica a dica! ;)

Bjs

livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

Resenha Atual disse...

olá, Alexandre, tudo bem?

Normalmente sou convencida pela capa e esta não me chamou atenção, não sei se foi improviso não entendi! O fato de ser previsível e ainda pior, fico entediada rapidinho HAHAHAHA e claro que existe livros previsíveis que conseguem nos prender, mas o simples fato da personagem ser fraca e não conseguir tocar o leitor e complicado, o que uma pena não é mesmo? gostei da resenha.

Beijinhos

http://resenhaatual.blogspot.com.br/

RUDYNALVA disse...

Alê!
Triste ver um romance ser desperdiçado dessa forma.
Apesar de gostar de romances, vou ter de passar esse porque já sei que não vou gostar, então, nem me arrisco na leitura.
“Na juventude deve-se acumular o saber. Na velhice fazer uso dele.” (Jean-Jacques Rousseau)
cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
Top Comentarista fevereiro, 4 livros e 3 ganhadores, participe!

David Andrade disse...

Oi Ale!
Que pena que o livro não agradou tanto.
Eu não ando muito na praia de romances ultimamente. Fico sem paciencia, ainda mais quando os personagens não estão bem construidos. A sua maneira de resenhar, me lembrou a impressão que tive com Se Eu Ficar, então, com certeza, não vou passar nem perto.

Abraços
David
http://www.olimpicoliterario.com/

Vida de Leitor disse...

Oi Alê. Poxa, eu gostei da capa, do título e do que se trata, mas pelo o que você falou, é um livro que não vale a pena :( Fiquei com vontade de ler mas estou com um pé atrás...

Beijos,
Natália

www.doprefacioaoepilogo.blogspot.com

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Dan Igor disse...

Muito triste quando vemos uma história que esperávamos ser tão boa no final se mostrar superficial e nos decepcionar :/ Enfim, também acho que um romance desse tipo tem de ser leve e com alguma mensagem a passar. Não e interessei. Abraços

Ariane Reis. disse...

Oie Alê =)

Também tenho alguns e-books em inglês que adquiri para praticar a leitura do idioma e que venho protelando até o momento rs...
Não conhecia esse livro, mas as vezes gosto dessas histórias mais clichês sabe. Elas são perfeitas para intercalar entre uma leitura mais densa e outra.

Gostei da dica!

Beijos;***

Ane Reis.
mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
@mydearlibrary

Tô pensando em Ler disse...

Nunca tinha ouvido falar deste livro, mas sabe que gostei. Principalmente desse ar reflexivo que ele mostrou.

Adoreia resenha!!!

Amei a dica!

bjkssssssss

lelê

Minhas Impressões disse...

Oi Alê.
Pelo visto não foi uma experiência de leitura muito boa, mas valeu para praticar o idioma, pelo menos.
Abraços.

Minhas Impressões

Desbravadores de Livros disse...

Olá, Alê.
Detesto livros superficiais, baseados em clichês e previsíveis. Isso, aliado ao fato do meu inglês péssimo, me afasta completamente da leitura.
Uma pena que até a reflexão tenha sido comprometida em parte, por ter vindo mastigada.

Desbrava(dores) de livros - Participe do top comentarista de fevereiro. Serão dois vencedores!

Sandra disse...

Este tipo de livro não faz meu gênero...e depois de ler sua resenha, menos ainda...e na versão em inglês, somente, se fosse para algum trabalho educativo....

Sil disse...

Olá, Alê.
Que pena que o livro não funcionou com você. Acho que eu também não iria gostar por todos os pontos que você apresentou. Além de não ler em inglês é claro hehe. Se tem uma coisa que não gosto nos livros é esse amor exagerado que os autores colocam nos personagens sem dar nenhum fundamento a ele. E passa essa impressão de obsessão mesmo.

Blog Prefácio

Denise Sena de Oliveira disse...

Oi :D
Interessante o post, imagino que não vou gostar muito também mas preciso treinar meu inglês, quem sabe não tento com esse?
Bj

@saymybook
saymybook.blogspot.com

Luiza Helena Vieira disse...

Oi, Alê!
Gente, acho que era não era amor; era stalker mesmo.
Que pena que o livro não é tão bom assim. A premissa dele tem um potencial bacana.
O primeiro livro em inglês que li foi Belo Desastre. Desde então, nunca mais parei.
Beijos
Balaio de Babados

Gabriela CZ disse...

A premissa é interessante, Alê. Uma pena que tenha sido subaproveitada e que autora tenha levado tudo para o clichê. Existem tantos livros que poderiam ser uma sucessão de clichês mas os autores desenvolvem tão bem a trama, transformando em algo magnífico, que ver algo assim é triste. Mesmo querendo treinar o inglês, acho que passo. Ótima resenha.

Abraços!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Jessica Lisboa disse...

Bem o livro parece ser bom para quem ta iniciando a leitura estrangeira, mesmo sendo previsível vou colocar na minha lista.

Patrini Viero disse...

Achei bem interessante a premissa do livro, como tu disse ela abre espaço para não só discussões, mas também diversas reflexões. Uma pena a autora não ter sabido aproveitar toda a capacidade que o enredo em si carregava. Personagens superficiais e situações sem verossimilhança são realmente um problema durante a leitura, fica difícil se conectar a uma história que possua esses dois elementos.

marlene conceiçao disse...

Amei essa capa.
Confesso que é a primeira vez que vejo falar desse autor, e essa sinopse me intrigou bastante, com certeza quero ler esse livro, e esse nome? Amei.

Fernanda Mendonça disse...

Oi!

A idéia do livro pareceu bem interessante, e eu tbm imaginaria uma história leve, com algumas situações engraçadas e uma grande reflexão...Mas se a autora não soube trabalhar nem mesmo os personagens eu não pretendo ler, nem um pouco :/

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