sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

RESENHA: O Garoto no Convés

O Garoto no Convés John Boyne
Quem acompanha o blog sabe que a leitura de O Pacifista foi o suficiente para me tornar fã de John Boyne, sendo que o livro conquistou a primeira posição na minha Retrospectiva Literária de 2017. Por isso mesmo, uma das minhas maiores Expectativas Literárias para esse ano era O Garoto no Convés

John Jacob Turnstile é um jovem que vive de pequenos furtos nas ruas de Portsmouth, até que um dia é flagrado roubando um relógio. A polícia o conduz para o tribunal e a sentença a ser enfrentada é de doze meses. Porém, para sua surpresa, é a vítima do crime que vem em seu auxílio e lhe propõe que trabalhe no navio Bounty por dezoito meses como criado do capitão. Turnistile aceita a proposta e acaba embarcando em uma vida repleta de aventuras e lições. 

O livro é narrado em primeira pessoa por Turnstile, sendo impossível não se afeiçoar ao jovem que teve uma vida difícil, mas que mesmo assim não perdeu a inocência, nem a ingenuidade. A meu ver, O Garoto no Convés é um romance de formação, pois vemos como os episódios vividos a bordo do Bounty moldam o caráter do protagonista. 

Não apenas por ser um romance de formação, mas também por contar com  a Marinha britânica como pano de fundo, temas como honra, lealdade, dever e responsabilidade são uma constante, sendo que aparecem de forma natural na estória. Além disso, o autor também aborda assuntos como sobrevivência, amadurecimento e amizade, provocando diversas reflexões. 

“Nada melhor que o arrependimento e pedidos de desculpa, mas certas coisas que acontecem na vida de uma pessoa ficam tão impressas na memória e tão gravadas no coração que é impossível esquecê-las.” (BOYNE, 2013, p. 99).

Mais uma vez, Boyne me surpreendeu como sua capacidade de construir personagens extremamente complexos. Já nas primeiras páginas conseguimos ter uma ideia clara sobre a personalidade de cada um deles, até mesmo dos personagens secundários. E é justamente por causa disso que entendemos como o Bounty se tornou um terreno fértil para um motim. 

Entretanto, preciso admitir que uma parte do livro — que é dividido em cinco partes — me pareceu um pouco monótona e demasiadamente longa. Isso por que havia poucos acontecimentos a serem narrados, de modo que fiquei com a impressão de que a estória não estava chegando a lugar nenhum. 

Apesar de não ter sido tão marcante ou intenso quanto O Pacifista, O Garoto no Convés foi uma excelente leitura e mostrou que Boyne é um autor talentoso e multifacetado, que consegue escrever com a mesma delicadeza e ternura para públicos diferentes. 

Título: O Garoto no Convés
Autor: John Boyne
N.º de páginas: 323
Editora: Companhia das Letras
Exemplar cedido pela editora

12 comentários:

Aline Nascimento disse...

Oi Alê
Já li alguns livros do autor e gostei bastante, estou com o livro Palacio de inverno há alguns anos por aqui tenho que fazer essa leitura logo, pois sempre gosto bastante das obras dele.
Como vc disse apesar de não ser o preferido como o Pacifista foi um livro excelente é isso já é mais que suficiente né...
Beijos

Divagando Palavras
www.divagandopalavras.com

Ludyanne Carvalho disse...

E por conta desses comentários positivos em relação aos livros do Boyne que eu decide colocar como meta para 2018 ler algo dele, e quero começar pelo O menino do pijama listrado.
Até porque muitas pessoas só elogiam essa obra.
Confesso que O garoto do convés não me chamou tanta atenção, e pena que não tenha sido uma leitura marcante.

Beijos

Gabriela CZ disse...

Acho que só pelo fato de trazer temas como amizade, honra e lealdade já vale muito a pena, Alê. Quero ler. Ótima resenha.

Beijos!

O Que Tem Na Nossa Estante disse...

Oi Alê, tudo bem? O tema de amadurecimento é bem interessante, mas no momento não estou muito no clima de narrativas muito monótomas, quem sabe depois!

Bjs, Mi

O que tem na nossa estante

Erika Rodrigues disse...

Oi Alê! Até o momento só li O menino do pijama listrado e apesar de ter adorado não sei explicar a razão de não ter lido outros livros do autor. Gostei do fato de você sinalizar esse livro como um romance de formação... normalmente esse tipo de narrativa me agrada muito. Também vou anotar a sugestão de O Pacifista.
Beijos
http://www.numrelicario.com.br

RUDYNALVA disse...

Alê!
Uma história do século XVIII é no mínimo intrigante e com enredo tão farto de aventura e divertimento, não tem como não desejar a leitura.
Acrescentando a isso uma escrita escrita envolvente e fluida, é maravilhoso!
Adorei a resenha!
Uma semana abençoada!
“Acredite na justiça, mas não a que emana dos demais e sim na tua própria.” (Código Samurai)
cheirinhos
Rudy
TOP COMENTARISTA FEVEREIRO: 3 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

Naiara Fidelis Da Silva disse...

Nunca li nenhum livro do John Boyne, porém vontade é o que não falta.

Pretendo neste ano ler o Menino do pijama listrado pelo menos, já estou enrolando mais de 3 anos para lê-lo rsrs.

Mariana M... disse...

John Boyne é aquele autor que você lê um livro e já sente o impacto. Minha primeira experiência com a escrita do autor foi O Menino Do Pijame Listrado e... Eu nem preciso dizer muito mais, né. O autor realmente sabe ligar as personalidades de seus personagens ao leitor e isso é fascinante. Não conhecia essa obra, mas ela é muito diferente da que eu estou acostumada, logo, quero conferir rssa leitura.

Ana I. J. Mercury disse...

Oi Alê,
parece um livro bem legal, interessante e com toda aquela sensibilidade e ensinamentos que o John Boyne passa com tanta leveza.
Eu adoro os livros dele, mas esse é o que menos me interessou, parece ser mais leve. kkkk
Mas ainda quero o ler sim!
bjs

Marta Izabel disse...

Oi, Alê!!
Ainda não tive oportunidade de ler nada do John Boyne, mas gostei muito da resenha e ainda quero muito ler algo do autor.
Bjoss

Patrini Viero disse...

O autor também é um dos meus preferidos, seus livros sempre tratam de temas importantes de serem discutidos de forma natural e delicada. Confesso que a premissa desse título em particular não me atraiu tanto quanto poderia, mas os romances de formação são sempre bastante interessantes de se ler, então vale a pena a tentativa. Gosto de acompanhar o amadurecimento e o desenvolvimento dos personagens, e acredito que seja exatamente isso que acontece aqui. Gosto também dos assuntos trabalhados ao longo do enredo.

Carolina Santos disse...

Eu li esse livro e eu adorei acompanhar a evolução dos personagens mas o meu livro favorito do Eu autor é com certeza O Menino do Pijama Listrado o que eu chorei nesse livro não é possível definir em palavras é simplesmente maravilhoso

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