Conversa de Contracapa é coluna off topic do blog Além da
Contracapa. Sem limitação temática, iremos explorar todo e qualquer assunto
relacionado ao mundo da literatura.
Em novembro, a Editora Intrínseca lançou Unidos Somos Um, último livro da série Os Legados de Lorien. E para comemorar a conclusão da saga, fomos convidados a participar da Semana Especial de posts relacionados ao universo da série. Como li o primeiro livro no início de 2013, ou seja, há quase quatro anos, achei que seria interessante fazer um balanço geral da série. Para quem ainda não leu algum livro, fique tranquilo: o post é livre de spoilers.
O primeiro fator que destaco é a narrativa de Pittacus Lore, que consegue fazer o leitor mergulhar completamente na obra e se desligar do mundo ao seu redor. Para se ter uma ideia de quão envolvente o texto de Lore é, dos sete livros que compõe a saga li três deles em menos de vinte e quatro horas.
Além da narrativa, é preciso elogiar a originalidade do autor. Já falei em várias resenhas como é surpreendente a mistura de gêneros que vemos em Os Legados de Lorien. Mesmo sendo, predominantemente, uma série de ficção científica, também há elementos de young adult, aventura, drama e suspense. Apesar da combinação parecer um pouco excêntrica, o resultado é fantástico.
Apesar da originalidade, é preciso mencionar que a saga também tem seus clichês, especialmente nos dois primeiros livros. Entretanto, creio que a partir do terceiro livro a estória se torna mais robusta — pois o enfoque é no conflito como um todo e não em tramas individuais —, se tornando menos dependente de artifícios daquele tipo.
Um dos pontos que me incomodou bastante no início da leitura da série foi a personalidade imatura de John. O protagonista aparentava ter uma incapacidade crônica de entender o que estava em jogo, bem como de prever as consequências que suas ações impensadas poderiam provocar. Felizmente, seu amadurecimento ao longo da série é palpável. Aliás, a evolução dos personagens é surpreendente, sendo impossível não reparar como esta jornada os afetou profundamente, tornando-os pessoas diferentes daquelas que conhecemos nos primeiros livros.
Quem olha para a série e acha que os sete livros podem ser desnecessários para o desenvolvimento da estória, garanto que este não é o caso. Cada livro tem seu propósito, não estando ali apenas para enrolar o leitor. E mais: a trama é perfeitamente concatenada, mostrando que o autor sabia desde o início que estória tinha para contar e qual rumo iria seguir.
Apesar de ser uma escolha difícil, creio que O Destino da Número Dez seja o livro da série que mais gosto. Essa escolha se deve não apenas ao enfoque na minha personagem preferida, Ella, mas também pela quantidade de respostas que o autor fornece. Foi apenas neste livro que me dei conta de como o universo da série é riquíssimo, e não por menos haverá um spin-off: Lorien Legacies Reborn.
Quando encerrei a leitura do último livro, percebi que Os Legados de Lorien não se trata apenas de uma série de entretenimento. Temas como amizade, amor, sacrifício, lealdade, identidade, perda, e tantos outros são abordados de forma sútil e reflexiva. Ou seja, mais do que acompanhar as aventuras de adolescentes com superpoderes, a saga conta com uma mensagem profunda por trás de toda ação.
Encerro esse balanço reconhecendo que não tinha grandes expectativas quando dei início a leitura da saga, imaginando que seria uma leitura leve, despretensiosa e divertida. No fim das contas, a saga Os Legados de Lorien superou minhas expectativas e se mostrou uma das melhores séries que acompanhei nestes últimos anos.














