terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Top Comentarista Dezembro


Em dezembro, o vencedor do Top Comentarista do mês poderá escolher um livro dentre as quatro opções: As Quatro Rainhas Mortas; O Sol Desvelado; Bom dia, Verônica; e Eu, você e a garota que vai morrer. 

Confira o regulamento:

1. Para participar, basta preencher o formulário abaixo, usando sua conta do Facebook ou seu e-mail. É obrigatório curtir a página do blog no Facebookcomentar em todas as postagens de dezembro e ter um endereço de entrega no Brasil.

2. Para simplificar, optamos por utilizar o Rafflecopter. A primeira entrada confirma sua participação no Top Comentarista, enquanto as demais constituem chances extras, sendo opcionais. Atenção: depois de feito o sorteio será conferido se o sorteado comentou em todas as postagens do mês. Caso essa regra não seja cumprida, o mesmo será desclassificado, e um novo sorteio será realizado.

3. Para a entrada "Tweet about the Giveaway" ser válida, é obrigatório seguir o blog no twitter. 

4. Lembrando que somente serão válidos comentários significativos. Ou seja, comentários do gênero “interessante”, “legal” ou “ótima resenha” não serão computados. O participante poderá comentar apenas uma vez em cada post.

5. O sorteado poderá escolher o livro que deseja receber dentre as quatro opções disponíveis:
As Quatro Rainhas Mortas
- O Sol Desvelado
- Bom dia, Verônica
- Eu, você e a garota que vai morrer

6. O resultado do Top Comentarista será divulgado no blog até o dia 05 de janeiro.

7. O sorteado será contatado por email, tendo o prazo de 48h para fornecer seus dados e o blog se responsabiliza por confirmar o recebimento das informações. Decorrido o prazo sem manifestação do vencedor, novo sorteio será realizado.

8. O prêmio será enviado pelo blog no prazo de quarenta e cinco dias úteis.

9. A Equipe do Além da Contracapa se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.

a Rafflecopter giveaway

sábado, 30 de novembro de 2019

RESENHA: F

F - Daniel Kehlmann
“F” estava na minha lista de desejados desde o seu lançamento em 2017, mas outros livros sempre acabavam ganhando a vez nas minhas solicitações para a editora. Até que chegou a hora.

Arthur Friedland não faz nada de especial. Seu trabalho é totalmente inexpressivo, assim como a sua relação com os filhos Martin, Eric e Ivan. Em uma tarde, ele decide levar os meninos a um espetáculo de hipnose, sem acreditar que a técnica possa lhe afetar. No mesmo dia, Arthur desaparece, levando as economias da família. Anos mais tarde, os filhos vivem cada um as suas vidas, cada um os seus problemas.

O interessante em “F” não é tanto a história em si (até porque, de certa forma, temos cinco histórias cuja única ligação é o laço sanguíneo), mas os personagens que o livro apresenta. São todas pessoas cujas vidas parecem não lhes pertencer. Pessoas que vivem mentiras, que não sabem como sair das situações em que se colocaram. Pessoas infelizes e de existências medíocres.

O livro se divide em 5 partes, cada uma com enfoque em um personagem. Na primeira, uma voz em terceira pessoa nos leva a acompanhar Arthur e os meninos. Essa é a única parte em que conhecemos o personagem sem ser através dele mesmo, talvez porque Arthur nunca tenha chegado a ser verdadeiramente conhecido por ninguém. O que o autor nos mostra em Arthur é alguém que não vive, mas que simplesmente deixa a vida lhe viver.

Na sequência, nos deparamos com Martin adulto, um padre sem fé. Martin não acredita em Deus, não tem respostas para as suas próprias perguntas e, ironicamente, é a pessoa a quem todos procuram para terem respostas, para terem paz. Estamos dentro de sua cabeça enquanto ele analisa cada uma dessas interações. Uma pessoa que dedica a sua vida a uma crença na qual ele mesmo não acredita.

Eric, por sua vez, se dedica ao mundo das finanças. O problema é que ele perdeu o dinheiro dos clientes e pode ser preso a qualquer momento. A vida de Eric é toda nebulosa, porque sua cabeça nunca está onde ele está. Ele não consegue sentir nada porque tudo está envolto da confusão em que ele se meteu e ele está tão desesperado com o que pode lhe acontecer que não consegue processar mais nada.

“Cá entre nós, o que de fato significava querer ou não querer alguma coisa. Quem é que sabia o que queria, quem tinha isso resolvido. As pessoas queriam tanto e a cada momento uma coisa nova. Naturalmente, no início, ele dizia ao público que ninguém poderia ser levado a fazer alguma coisa para a qual já não estivesse preparado de qualquer forma, mas a verdade era que todo mundo era capaz de tudo. O ser humano era aberto, era um caos sem limites e sem forma fixa.” (KEHLMANN, 2017, p. 195)

O terceiro dos irmãos é Ivan. O artista da família. Ivan se dedica ao mundo da arte, mas não acredita que ele seja verdadeiro. É por isso que ele inventa um artista e se torna especialista neste artista, sendo que ele mesmo é o responsável pelas obras. 

São três homens vazios que tentam se preencher de coisas que acabam por os consumirem. Martin tenta se preencher com Deus; Eric, com dinheiro; Ivan, com o mundo da arte. São personagens cheios de vida e completamente sem vida ao mesmo tempo e é justamente isso que os torna fascinantes.

Na última parte, vamos entender um pouco do que aconteceu com Arthur nesses anos e também conhecer a filha de Eric. O desfecho (repleto de ironias) não esteve à altura de livro, na minha opinião, mas não apaga o impacto dos questionamentos que ele propõe durante todo o seu desenvolvimento.

“F” foi uma grata surpresa. Um livro profundo e reflexivo que por vezes consegue até mesmo ser engraçado. Um livro que nos faz questionar os caminhos que escolhemos seguir, o acaso e o destino, a mentira e a verdade em cada coisa que vivemos.
Título: F
Autor: Daniel Kehlmann
N° de páginas: 276
Editora: Seguinte

Compre: Amazon
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domingo, 24 de novembro de 2019

Por que tantos autores recorrem a pseudônimos?

O primeiro livro de um autor concede a ele uma liberdade que se perde na última página. A partir do momento que o leitor finalizar este primeiro livro, ele terá um conceito do autor. Com isso, ele passa também a ter expectativas. A partir deste primeiro livro, o leitor sabe qual o tipo de tramas esse autor escreve (dentro de determinados gêneros), o tipo de personagens que constrói (Gillian Flynn, por exemplo, é especialista em personagens femininas fortes), entre uma série de outros aspectos. Além, claro, de já esperar que uma nova leitura seja boa ou ruim com base nesta experiência prévia.

Acredito que seja por isso que tantos autores recorrem a pseudônimos. Pela liberdade de escrever um “novo primeiro livro”. Agatha Christie já foi Mary Westmacott, Stephen King já foi Richard Bachman, JK Rowlling está desenvolvendo uma série policial sob o pseudônimo de Robert Galbraith. Será que eles não venderiam mais usando seus próprios nomes, já tendo uma legião de fãs? É provável que sim, mas como a Dama do Crime escreveria romances? Alguém iria aceitar? Quando Rowling lançou seu primeiro livro após Harry Potter, a maioria dos leitores (dentro os quais não me incluo) torceu o nariz para “Morte Súbita” por ele ser muito diferente dos livros do nosso amado bruxo. Mas não é injusto tirar do autor a liberdade de se reinventar?

Na arte não existe certo nem errado. Um autor pode ser maravilhoso escrevendo thrillers psicológicos e também ser muito bom escrevendo ficção científica. Uma coisa não exclui a outra e ninguém é obrigado a trilhar o mesmo caminho a vida inteira. Usando novamente o exemplo de Rowling, alguém acredita que dentro do gênero fantasia ela possa escrever algo tão bom, tão rico e de tanto impacto quanto Harry Potter? É bem improvável. Sendo assim, não faz todo o sentido ela se aventurar em outros gêneros?

Acredito que se torne meio inevitável esperar de autores que conhecemos que eles nos entreguem exatamente aquilo que conhecemos deles. Estive pensando sobre isso recentemente quando li “Macbeth”, uma releitura da tragédia de Shakespeare escrita por um dos meus autores policiais favoritos: Jo Nesbø. Nela, Nesbø traz a história do ambicioso general para um ambiente que lhe é familiar: os corredores da polícia. Até aí a proposta é promissora. O que eu me dei conta é que costumo ter um pé atrás com releituras e, caso esta não tivesse a assinatura de Nesbø, não sei se eu teria me interessado em ler. Quando o fiz, foi esperando encontrar as características que me atraem nos livros do autor e me decepcionei com as escorregadas que ele dá na condução da história. Tudo porque eu esperava um Nesbø. Mas o que, exatamente, é “um Nesbø”?

Já falei antes aqui sobre a influência da expectativa na experiência de leitura, então talvez essa coluna de hoje seja um complemento àquela. É impossível jogar fora a bagagem que temos com os autores, mas cada livro é um livro. Cada primeira página é exatamente isso: a primeira página e talvez eu esteja escrevendo esta coluna para lembrar a mim mesma de que esta primeira página deve ser sempre o marco zero, o início de uma nova jornada. O pseudônimo é justamente isso: a mais em branco das primeiras páginas. A reconquista da liberdade do autor de experimentar ser algo que ele ainda não foi e que, por algum motivo, ele quer ser. Afinal, criar arte (seja literatura, cinema, ou o que for) não é exatamente isso? Inventar coisas que não existem e, justamente assim, torná-las reais?


quarta-feira, 20 de novembro de 2019

RESENHA: Travessuras da Menina Má

Mario Vargas Lhosa / Travessuras da Menina Má
Sempre tive curiosidade de ler algum livro de Mario Vargas Lhosa e “Travessuras da Menina Má” era um dos que mais me chamava a atenção.

Ricardo conheceu Lily ainda na adolescência quando ela e a irmã se mudaram para a pequena cidade no Peru onde ele vivia com os pais. Dotadas de uma energia e um comportamento diferentes das outras meninas em 1950, as irmãs despertaram paixões, mas nenhuma tão intensa quanto a de Ricardo por Lily. Anos depois, já na década de 60, Ricardo consegue realizar o sonho de morar em Paris e lá reencontra a menina que conheceu há tantos anos e a quem tantas vezes declarou sua paixão. Ela agora se chama Arlette e é uma guerrilheira (ou diz ser). Esse será apenas um dos muitos reencontros que os dois viverão ao longo de suas vidas. A cada reencontro, ele, o mesmo Ricardito de sempre, ela, uma mulher com um novo nome, mas sempre a “menina má” a quem ele não é capaz de resistir.

“Travessuras da Menina Máé tanto a história do relacionamento de um casal (e não chamarei de história de amor pelos motivos que citarei adiante) quanto um panorama das revoluções políticas e sociais dos anos 50 aos anos 90, passando por lugares como Peru, França, Japão e Espanha. Sem dúvida um romance ambicioso e uma proposta muito interessante.

Considerando que a trama pretende contar mais do que apenas a história dos personagens e sim fazer este panorama, justifica-se que sejam totalmente forçados os milhares de reencontros entre Ricardo e sua Menina Má. Afinal, sem nenhuma razão para se cruzarem, sem procurarem um pelo outro, sem amigos em comum, eles sempre voltam a se esbarrar em novos lugares e novos contextos. Isso só não incomoda o leitor porque já sabemos de antemão que a história se propõe a isso. Caso o contrário, seria um pouco difícil de aceitar.

O que realmente me incomodou foi o relacionamento do casal. Ricardo é totalmente obcecado pela Menina Má e faz qualquer coisa para ter migalhas da atenção desta mulher que é incapaz de retribuir o que ele lhe dedica. Não se trata de paixão, nem de romantismo. Se trata de obsessão. Ela é como uma doença para ele. Uma doença que quando ataca domina todos os seus sentidos e tudo que ele precisa são doses dela. Ela é a doença e ela é o antídoto. E da mesma maneira como surge do nada, também desaparece quando menos se espera.

“Ela nunca me amou, mas tinha confiança em mim, o carinho que se sente por um criado leal. De todos os seus amantes e casinhos eventuais, eu era o mais desinteressado, o mais devoto. O abnegado, o dócil, o babaca.” (LHOSA, 2017, p. 178)

A Menina Má, por sua vez, tinha tudo para exercer no leitor o mesmo fascínio que exerce sobre seu “bom menino”, como ela chama Ricardo. Isso porque ela é misteriosa e nunca se deixa conhecer por completo e personagens assim costumam ser interessantes. O problema é que, quanto mais a conhecemos, mais entendemos que esse mistério não existe porque ela guarda muitos segredos ou tem muitas facetas e sim porque, muito pelo contrário, lhe falta personalidade. A Menina Má é totalmente maleável e muda de acordo com o contexto que lhe cerca. Há outros personagens que fazem isso (e Tom Riplay - da série “O Talentoso Riplay”, de Patricia Highsmith - me vem à mente neste momento), mas uma coisa é o personagem ter a capacidade de se transformar para atingir um objetivo, sendo isso um traço da sua personalidade (ou psicopatia, como no exemplo que citei), outra é simplesmente se transformar por cair em um lugar e fingir pertencer a ele. Ela nunca parece esconder, disfarçar, ou deixar algo para trás ao se reinventar, simplesmente porque não parece existir nada que seja intrinsecamente dela. Não existe uma essência. Sua alma é um vácuo. E é por isso que, em nenhum momento, descobrimos algo que a torna interessante, carismática ou que nos permite compreender o porquê dos sentimentos de Ricardo por ela.

Um aspecto que pode prejudicar a leitura para algumas pessoas são os tamanhos dos capítulos. Como cada capítulo marca uma fase do relacionamento dos personagens, ou seja, um novo reencontro e uma nova separação, estes são bastante longos, não tendo divisões onde o leitor possa interromper a leitura. Por isso, é sempre um pouco estranho voltar à história porque você parece estar sempre chegando no meio de algo que já começou sem você.

Confesso que até a metade do livro a leitura foi bastante arrastada para mim, mas em um dado momento a dinâmica entre o casal muda um pouco, conseguindo me fisgar mais. Ainda assim, “Travessuras da Menina Má” não foi um livro que me agradou, passando muito longe de corresponder às minhas expectativas.

Título: Travessuras da Menina Má
Autor: Mario Vargas Lhosa
N° de páginas: 302
Editora: Alfaguara
Exemplar cedido pela editora

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sábado, 16 de novembro de 2019

RESENHA: O Instituto

instituto stephen king
Luke Ellis, um garoto de doze anos, foi sequestrado de sua casa e levado para o Instituto, local onde são feitos experimentos científicos com crianças com poderes sobrenaturais há mais de cinquenta anos. Na Parte da Frente eles são testados de todas as formas possíveis e, quando estão prontos, vão para Parte de Trás do Instituto. E depois nunca mais são vistos. Após ver seus amigos serem levados para a Parte de Trás, Luke decide fugir, uma proeza que ninguém conseguiu. 

O livro começa nos apresentando a Tim Jamieson, o vigia noturno da pequena cidade de Du Pray. Apesar de não ser o protagonista, a estória de Tim é cativante e mal percebemos as primeiras cinquenta páginas passarem. É então que conhecemos Luke — o menino gênio que aos doze anos já está pronto para ingressar na faculdade — e seus pais, acompanhando-os até a fatídica noite em que o garoto é sequestrado. 

Luke é carismático e logo conquista o leitor, não apenas por sua inteligência, mas principalmente por sua empatia. E, desse modo, ficamos com um nó na garganta quando vemos os horrores que são realizados no Instituto. É impossível não se perguntar como médicos e cuidadores conseguem tratar crianças inocentes de uma forma tão perversa. E esta é uma das maiores reflexões do livro: os fins justificam os meios? 

Outro aspecto que merece destaque é como King consegue nos fazer acreditar em uma teoria da conspiração envolvendo crianças telepatas e telecinéticas, que são testadas e usadas até os limites de seus poderes. Nos agradecimentos, o autor comenta que seu objetivo sempre é “fazer o impossível parecer plausível” e é exatamente isso que King consegue fazer em O Instituto, por mais absurdas e extremas que fossem as situações. 

“Ocorreu a ele de repente que era preciso ficar preso para entender de fato o que era liberdade.” (KING, 2019, p. 266)

Confesso que no início senti uma vibe “Stranger Things” em relação aos experimentos científicos e aos poderes paranormais das crianças. Porém, logo fica claro que King criou seu próprio mundo e, apesar de possuírem um ponto comum, a estória se desenvolve de uma forma completamente diferente daquela que vemos na série. 

As últimas duzentas páginas são adrenalina pura. King já tem o talento natural de prender a atenção do leitor, mas nessa reta final se torna praticamente impossível interromper a leitura, pois queremos saber a todo custo como as coisas irão se desenvolver. O desfecho é explosivo e entrega o que promete, além de amarrar todas as pontas da estória. 

Em O Instituto King revela que os monstros não são vampiros, cachorros ou palhaços assassinos, mas os próprios seres humanos. E é por causa deste contexto de tortura e violência contra quem sequer consegue se defender que o livro nos faz refletir sobre a falta de humanidade, a perda da inocência e o poder da amizade. 

Misturando ficção científica e suspense, Stephen King mais uma vez compôs uma estória de tirar o fôlego, com personagens cativantes e antagonistas que fazem o sangue ferver. Certamente, uma estória que está a altura dos outros clássicos do autor. 

Título: O Instituto
Autor: Stephen King
N.º de páginas: 540  
Editora: Suma
Exemplar cedido pela editora

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sábado, 9 de novembro de 2019

RESENHA: Mortos não contam segredos

Mortos não contam segredos / Karen M.McManusNo ano passado, tive uma grata surpresa com “Um de nós esta mentindo”, livro de estreia de Karen M. McManus que se revelou um envolvente YA ao melhor estilo whodunnit. Por isso, quando o segundo livro da autora foi lançado fiquei curiosa para conferir essa nova história.

A cidadezinha de Echo Ridge já passou por alguns momentos trágicos. Há cinco anos, Lacey, a rainha do baile da escola, foi assassinada e seu assassino nunca foi descoberto. Agora, Ellery e, seu irmão gêmeo, Ezra chegam na cidade para passar uma temporada com avó, enquanto a mãe se recupera em um clínica de reabilitação. Eles também têm sua tragédia familiar. No ano em que sua mãe foi rainha do baile, a irmã dela desapareceu sem deixar vestígios. Agora que eles estão de volta à cidade, estranhas ameaças começam a surgir em todos os lugares e os alvos parecem ser novamente as rainhas do baile.

A narrativa se divide entre o ponto de vista de Ellery e Malcon, um dos amigos que ela e seu irmão fazem ao chegar na cidade. Confesso que para mim não ficou clara a necessidade da autora em empregar duas narrativas já que as descobertas correm paralelas para os dois personagens e eles compartilham um com o outro cada nova pista.

Ellery é uma personagem curiosa. Tendo crescido com o silêncio da mãe a respeito do desaparecimento da tia, se tornou obcecada por estudar crimes reais, de forma que cai de para-quedas nos acontecimentos de Echo Ridge e conduz sua própria investigação. Aliás, fiquei me perguntando se o nome da personagem seria uma homenagem a Ellery Queen’s Mystery Magazine, lendária revista de histórias de mistério.

“El, estamos aqui há três semanas. Até agora reportamos um cadáver para a polícia, conseguimos empregos em uma cena de crime e viramos alvos de um perseguidor de rainhas de baile.” (McMANUS, 2019, p. 103)

Em “Mortos não contam segredos” muitos mistérios se entrelaçam. Temos o desaparecimento de Sarah (tia de Ellery), a morte de Lacey, o atropelamento de um dos professores mais queridos da escola, as novas ameaças e, também, a paternidade dos gêmeos que nunca souberam a identidade de seu pai. Somado a isso temos suspeitas a ex-namorados, possíveis traições de melhores amigas e mais uma série de elementos típicos dos corredores escolares.

Não sei apontar exatamente porque a trama deste livro não me prendeu tanto quanto a de “Um de nós está mentindo”. Acredito que de modo geral a trama seja ampla demais, contando com muitas vítimas a quem não conhecemos e, portanto, não nos apegamos. Não se trata de saber o que aconteceu com Lacey, com Sarah e com os outros. Se trata de saber quem está por trás dos crimes. Uma trama que foca mais no criminoso do que nos crimes em si (inclusive a revelação, embora consiga causar surpresa, mostra uma motivação que deixa bastante a desejar).

A meu ver, Karen M. McManus não consegue repetir em seu segundo livro o mesmo feito de sua estreia. Mesmo não sendo arrastado, “Mortos não contam segredos” não é tão fluido nem tão envolvente quanto “Um de nós está mentindo”, nem apresenta a mesma coleção interessante de personagens. Ainda assim, é um livro curioso que mata a vontade de um mistério para ser lido rapidamente.

Título: Mortos não contam segredos
Autora: Karen M. McManus
N° de páginas: 351
Editora: Galera
Exemplar cedido pela editora


Compre: Amazon

terça-feira, 5 de novembro de 2019

O que vem por aí - novembro

Separamos alguns dos lançamentos de nossas editoras parceiras que estão previstos para o mês de novembro. Quais estão na lista de desejados de vocês?

INTRÍNSECA



GRUPO COMPANHIA DAS LETRAS



DARKSIDE BOOKS



GRUPO EDITORIAL RECORD



 

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