domingo, 13 de outubro de 2019

RESENHA: Estrada Escura

Dennis Lehane - Estrada Escura - Patrick Kenzie - Angela GenaroQuem conhece a obra de Dennis Lehane e a saga da dupla Patrick Kenzie e Angela Genaro sabe que a história da pequena Amanda McCready é um assunto delicado. Quando tinha quatro anos, Amanda foi sequestrada e levada para ser criada por um casal que, durante poucos meses, lhe deu um ambiente seguro e a vida familiar de amor e proteção que uma criança merece ter. Mas os detetives localizaram a criança e, contra a vontade de Angela, Patrick a levou de volta para sua mãe, uma mulher viciada em drogas, com péssimas influencias para ela. Para o último livro da série, o autor volta a cruzar os caminhos de Amanda, Patrick e Angela, doze anos depois. Agora, Amanda desapareceu novamente, sua mãe continua uma péssima influência e a máfia russa está atrás de todos os envolvidos.

Desde que li “Gone, baby, gone” (quarto livro da série detetivesca de Lehane, que traz o caso de Amanda McCready) aguardo ansiosa o momento de conferir o que o destino reservou para a menina. Mas Lehane não é um autor para se emendar um livro no outro. É um autor para ser lido e digerido com calma. Suas histórias sempre são pesadas, seu mundo sempre é cruel e é quase impossível o leitor fechar o livro e não se sentir impactado. Entre a leitura daquele caso e deste, 3 anos se passaram (e confesso não ver problema em ter pulado o quinto livro da série, que separa as duas histórias).

Doze anos depois, Patrick é um homem diferente. Agora, ele e Angela são casados e têm uma filha (uma menina da mesma idade que Amanda ao ser sequestrada). Agora há outras coisas em jogo ao se fazer um trabalho perigoso. Há também o acúmulo das decepções, das coisas horríveis que precisaram testemunhar ao longo dos anos, há questionamentos, arrependimentos e uma carga de sentimentos intensos.

Lehane é um autor envolvente. Tanto que a primeira parte de “Estrada Escura” (quase 100 páginas) são dedicadas principalmente a contextualizar a vida do casal, mais do que a dar início à investigação. Ainda assim, o autor mantém o interesse do leitor.

Embora trate de temas pesados como tráfico de bebês, “Estrada Escura” não é tão desolador quanto eu esperava. E pela primeira vez digo que isso é bom. Sempre espero de Lehane livros que me fazem dizer: “pára o mundo que eu quero descer”, mas nesse me surpreendi muito com a fase em que encontrei Patrick, com a estabilidade do relacionamento dele e de Angela (depois de tudo que já passaram juntos) e, principalmente, com a jovem adulta que Amanda se tornou.

“Doze anos antes, eu tinha agido errado. Tinha certeza disso todos os dias que haviam se passado desde então, mais ou menos uns quatro mil e quatrocentos. No entanto, doze anos antes, eu também tinha agido certo. Deixar Amanda morando com sequestradores, por mais que eles estivessem investindo no seu bem-estar, significava deixa-la morando com sequestradores. Durante os quatro mil e quatrocentos dias desde que eu a havia tirado de lá, tivera certeza disso. Sendo assim, qual era a minha situação?” (LEHANE, 2012, p.102)

Achei sensacional que, para o desfecho da saga da dupla, Lehane tenha optado por não criar um novo caso, e sim trazer de volta o mais impactante que viveram. Para aqueles que não leram “Gone, baby, gone”, “Estrada Escura” pode ser compreendido sem problemas, pois o caso anterior é contextualizado e este segue de maneira independente. Mas para aqueles que leram, é incrível como o autor consegue despertar o sentimento de já conhecermos esta menina (embora só tenhamos convivido com a investigação do seu sequestro e não com ela, propriamente dita, no livro anterior) e de torcermos por ela por sabermos a vida que teve. Amanda é uma personagem interessante e poderosa. Seu coração, mas também sua frieza, seu senso de justiça que pouco se importa com a lei e sua inteligência lhe dão um conjunto de características que, arrisco dizer, poderiam até lhe colocar em outros livros. 

O interessante é que, além de girar em torno dos mesmos personagens, o autor faz com que esse novo livro gire em torno do mesmo debate ético do anterior: o que é o certo e o que é o errado? Quem define a linha que separa os dois? A lei deve ser sempre a regra máxima? No mundo de Dennis Lehane não existe preto e branco e as respostas nunca são fáceis.

Algo inesperado para mim foi constatar que a minha implicância com a voz narrativa de Patrick se foi. Sempre achei que Lehane falhava neste aspecto, não conseguindo empregar a alma do protagonista no olhar que ele transmitia ao leitor, mas nesse livro me senti junto de Patrick. Muito além de seus comentários irônicos, à la Philip Marlowe, Patrick não esteve apenas dentro das situações. Ele era as situações.

Continuidades são sempre audaciosas, afinal, elas correm o risco de estragar o efeito da primeira obra caso tomem um rumo torno. “Estrada Escura” é uma história de redenção que nos faz questionar conceitos e regras, mais uma vez. Um complemento válido ao excelente “Gone, baby, Gone”.

Título: Estrada Escura
Autor: Dennis Lehane
N° de páginas: 329
Editora: Companhia das Letras
Exemplar cedido pela editora

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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

RESENHA: A Última Colônia

A série A Guerra do Velho me surpreendeu e encantou desde o primeiro livro. Scalzi é um daqueles autores com o raro talento de criar estórias que se tornam experiências de imersão, pois uma vez que você inicia a estória simplesmente não consegue interromper a leitura. E por isso mesmo estava ansioso para conferir A Última Colônia, o terceiro livro da saga. 

Atenção: o parágrafo abaixo contém spoilers. O restante da resenha é livre de spoilers

A União Colonial decidiu criar uma nova colônia, mas em vez de terráqueos, são os povos de planetas já colonizados que habitarão Roanoke. Por ser um empreendimento inédito, a UC convoca John Perry e Jane Sagan para administrar a colônia. Porém, o que eles não sabem é que a União Colonial tem planos muito maiores e mais complexos. 

A Última Colônia certamente é o turning point da saga. Apesar de ser mais uma aventura eletrizante, Scalzi continua expandido os horizontes e limites do universo que criou. Assim, a estória vai muito além das estruturas militares e da luta por planetas, passando a explorar o aspecto político da estória e suas consequências

É comum dizer que as relações internacionais são anárquicas e caóticas, uma vez que não há hierarquia entre os atores internacionais e nem regras determinando suas condutas. E Scalzi mostra exatamente isso: na corrida pela colonização do universo, o que vale é a lei do mais forte. Ou do mais inteligente. 

“Somos corpos estranhos quando pousamos em novos mundos e sabemos o que qualquer sistema de vida faz com um corpo estranho em seu meio: tenta matá-lo o mais rápido possível.” (SCALZI, 2019, p. 61)

Além desse pano de fundo intrigante, o autor consegue trazer à tona uma profunda discussão a respeito da importância da informação e dos riscos que a falta dela ou sua distorção podem causar na sociedade. Outro tema de reflexão é o conceito de humanidade: o que nos faz humanos e o que nos rouba a humanidade? Assim, Scalzi consegue mostrar que a ficção científica, por mais futurística que seja, consegue dialogar com os desafios e dilemas que vivenciamos na atualidade. 

Desta vez, a narrativa volta a ser feita em primeira pessoa do ponto de vista de John Perry e tive aquela gostosa sensação de voltar para casa. Não que o autor não tenha sido bem sucedido quando narrou em terceira pessoa, porém, Perry é um personagem tão carismático que é impossível o leitor não se conectar com ele e com sua jornada logo nos primeiros capítulos. 

Como esperado, o final é empolgante e deixa ganchos inesperados para o futuro da saga. Quando iniciei a leitura do primeiro livro, jamais imaginei que o autor seguiria por rumos tão inusitados e mal posso esperar para descobrir o que os próximos volumes da saga reservam.

Mais uma vez Scalzi acerta em cheio e entrega tudo o que um leitor pode esperar: bons personagens, trama bem construída e altas doses de aventura e adrenalina. Resta-me reconhecer, mais uma vez, que A Guerra do Velho é a melhor série de ficção científica da atualidade

Título: A Última Colônia
Autor: A Guerra do Velho
Editora: Aleph
N.º de páginas: 357
Exemplar cedido pela editora

terça-feira, 8 de outubro de 2019

O que vem por aí outubro

sábado, 5 de outubro de 2019

Top Comentarista Outubro



Em outubro, o vencedor do Top Comentarista do mês poderá escolher um livro dentre as quatro opções: Mortos não contam segredos; Ubik; O Clube dos Oito e Voltar para Casa

Confira o regulamento:

1. Para participar, basta preencher o formulário abaixo, usando sua conta do Facebook ou seu e-mail. É obrigatório curtir a página do blog no Facebookcomentar em todas as postagens de outubro e ter um endereço de entrega no Brasil.

2. Para simplificar, optamos por utilizar o Rafflecopter. A primeira entrada confirma sua participação no Top Comentarista, enquanto as demais constituem chances extras, sendo opcionais. Atenção: depois de feito o sorteio será conferido se o sorteado comentou em todas as postagens do mês. Caso essa regra não seja cumprida, o mesmo será desclassificado, e um novo sorteio será realizado.

3. Para a entrada "Tweet about the Giveaway" ser válida, é obrigatório seguir o blog no twitter. 

4. Lembrando que somente serão válidos comentários significativos. Ou seja, comentários do gênero “interessante”, “legal” ou “ótima resenha” não serão computados. O participante poderá comentar apenas uma vez em cada post.

5. O sorteado poderá escolher o livro que deseja receber dentre as quatro opções disponíveis:
- Mortos não contam segredos; 
- Ubik; 
- O Clube dos Oito;
- Voltar para Casa.

6. O resultado do Top Comentarista será divulgado no blog até o dia 05 de novembro.

7. O sorteado será contatado por email, tendo o prazo de 48h para fornecer seus dados e o blog se responsabiliza por confirmar o recebimento das informações. Decorrido o prazo sem manifestação do vencedor, novo sorteio será realizado.

8. O prêmio será enviado pelo blog no prazo de quarenta e cinco dias úteis.

9. A Equipe do Além da Contracapa se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.


a Rafflecopter giveaway

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Quem vem para o jantar? #33 - Especial de Aniversário

A iniciativa partiu de Hemingway.

— Aniversário tem que ter festa. Comidas. Bebidas. Boas conversas. 
— Concordo — disse Benjamin Alire Sáenz. — Mas acredito que o aniversário do Além da Contracapa esteja um pouco fora da nossa alçada dessa vez. A festa não é nossa e eles não falaram nada sobre festa esse ano. 
— É exatamente esta a questão — argumentou Hemingway. — Do jeito que eles estão com o tempo curto, não irão planejar nada. Não porque não querem comemorar. Todos vocês sabem como foram as festas dos anos anteriores.
— Aquelas crianças adoram uma festa – disse Agatha Christie com um sorriso nos lábios. 
— Exato! Mas eles não vão conseguir organizar tudo dessa vez. Esses jantares dão trabalho.
— Então você propõe que a gente faça isso? – questionou Stephen King 
— E por que não? Eles vão adorar. Todo mundo adora uma festa surpresa. E combinando os nossos esforços, vamos fazer uma grande festa. E em um piscar de olhos.
— Ok. Eu topo – disse George Martin prontamente — R’hollor sabe que preciso de um descanso depois de ouvir tantas reclamações sobre o final da série. 

Como esperado, ninguém quis ficar de fora e todos estavam dispostos a fazer a festa mais memorável do Além da Contracapa. Empolgados, começaram a dar várias ideias ao mesmo tempo, até que ficou impossível se entender naquela balbúrdia. Coube a Gillian Flynn colocar ordem na casa. 

— Vamos com calma, pessoal — disse ela e imediatamente todos silenciaram. — A primeira coisa que temos que decidir é onde faremos.
— Pode ser lá em casa — sugeriu King. 
— Você quer que todo mundo vá para o Maine, Stephen? 
— Por que não? O Maine é um ótimo lugar depois que você o conhece.
— Quem leu os seus livros pode ter uma ideia diferente — retrucou Benjamin
— Eu não estou convidando ninguém para ir a Derry, relaxem. Lá em casa é tranquilo. Prometo. A única coisa a se preocupar é com a Molly, The Thing of Evil. 
— Quem?! — perguntaram John Green e Hemingway apavorados. 
— Minha cadelinha — respondeu King rindo e arrancando suspiros aliviados dos colegas. 
— Ótimo. Definido o local. — sentenciou Flynn, antes que a conversa mudasse de rumo — Agora quem se responsabiliza pela lista de convidados?
— Eu aceito o desafio — disse Jane Austen
— Mas não convida só gente elegante — pediu King. — Alguns monstros sempre animam a festa. 
— Que festas você frequenta, Stephen? — questionou ela horrorizada.
— E quanto à decoração? — perguntou Flynn
— Podem deixar comigo. Estou planejando algo mágico. — disse J.K. Rowling
— Agora comidas — disse Agatha Christie
— E bebidas! Não esqueçam as bebidas — interrompeu Hemingway 
— Eu preparo o bolo — ofereceu Agatha solicita
— Não! — exclamaram todos em uníssono
— Por que isso? Eu sou uma boa cozinheira — quis saber Agatha ofendida.
— A gente acredita em você, Agatha. No entanto, creio que falo por todos aqui presentes  quando digo que ninguém vai querer comer um bolo preparado por você — explicou Jane delicadamente.  
— Ossos do ofício — disse Stephen King ao ouvido da velhinha — Você viu como eles reagiram sobre o Maine. Não podemos levar para o lado pessoal, Agatha. 
— Você comeria o meu bolo, Stephen?
— Eu....bem. Tabitha não me deixa mais comer açúcar. Sabe como é, eu ganhei uns quilinhos. 

Definidos todos os itens essenciais com os quais bons anfitriões costumam se preocupar, faltava agora o mais essencial de todos: garantir que quem realmente tinha que estar na festa, estivesse na festa.  

— Pessoal, mais uma coisa: quem vai levar eles para o Maine?  perguntou Rowling
— Cuidado que eles são desconfiados  alertou Jane.
— Eles aprenderam comigo. 
— Sim, Agatha. A gente sabe que tudo começou com você. Eles sempre deixam isso bem claro. 
— Não fique enciumado, Stephen. Eles amam você também. 
— Eu levo!  disse Martin  Eles confiam em mim. 
— Você tem certeza?
— Claro! Eles sabem que comigo ninguém corre risco. Todos sobrevivem até o final. 

Ficou claro pelos olhares que ninguém concordava, mas era Martin. Melhor não discordar. No dia da festa, a expectativa era grande, mas George tinha uma carta na manga. 

— Para o aniversário de 8 anos de vocês eu tenho um presente. Mas vocês vão precisar vir até o Maine comigo. 
 Para o Maine? Nós não temos tempo de ir para o Maine. Não podemos deixar para outra época? Para o natal, talvez? 
 Bom, vocês é quem sabem. Mas o presente é o livro Os Ventos dos Inverno. Todo mundo reclama que eu não termino de escrever o sexto livro das Crônicas de Gelo e Fogo. Terminei. E vocês podem ler. 
 Jura?
 Isso quer dizer que vocês topam o passeio? 

Chegando na casa, a desconfiança bateu. 

 Não é aqui que o King mora? 
 Sim. Eu deixei o livro com ele. Uma obra dessas precisa de proteção e o Stephen chamou o Cujo para vigiar o original. 
 O Cujo está aí dentro? Quem sabe você traz o livro aqui fora?  
 Provem que vocês são merecedores da leitura — desafiou ele. — Enfrentem o medo. E agradeçam que não é o Pennywise.  

É claro que ninguém recusaria uma oportunidade dessas. Stephen King apareceu na porta e guiou o caminho com um sorriso debochado no rosto. Foi então que as luzes se acenderam e todas as vozes gritaram juntas: Surpresa!

Estavam ali todos os autores que marcaram a história do Além da Contracapa nestes 8 anos reunidos para comemorar a data. 

 Quer dizer então que não tem livro nenhum? Foi só um truque para nos trazer até aqui? 
 Vocês realmente caíram nessa?  debochou Martin
 Então o Cujo também não está aqui? 
 Era mais fácil o Cujo dar as caras do que este aqui terminar de escrever o livro  riu King, batendo no ombro de Martin
— Ora, crianças. E eu falei para a turma que vocês eram desconfiados e vocês acreditaram em tudo. Eu achei que tinha educado vocês tão bem  disse Agatha decepcionada. 
 O truque, Agatha, é ...  mas antes de completar a frase, Martin hesitou — Eu não preciso ensinar truques para você, Rainha do Crime. 
 Ninguém vai ensinar nada para ninguém  disse Hemingway  É dia de festa. Vamos, comemorem! Bebam! 

Quem ousaria discordar de Hemingway? Afinal, a ideia toda viera dele. Ele estava certo lá quando sugeriu a festa. Devia estar certo aqui também. 



quinta-feira, 26 de setembro de 2019

O que é ir Além da Contracapa?

Quando batizamos o blog de Além da Contracapa, tínhamos consciência que o nome carregava uma responsabilidade. Para nós, “ir além da contracapa”significava escrever resenhas que nunca fossem um mero resumo da trama, mas que se aprofundassem nos mais diversos aspectos das obras (narrativa, personagens, desenvolvimento) e onde as nossas observações e constatações fossem mais importantes que meros “bom” ou “ruim”, “gostei” ou “não gostei”. Assim, nosso leitor teria a oportunidade de decidir, com base nas suas próprias preferências, se os aspectos que estávamos ressaltando lhe despertavam, ou não, interesse pela leitura. 

Ao longo desses oito anos,“ir além da contracapa” foi se tornando mais do que isso. Aos poucos, percebemos que o conceito que colocamos no nome do blog não se referia apenas à maneira de escrever as resenhas, mas também ao aspecto mais importante de todos: o ato da leitura.

Mas então, o que significa “ir além da contracapa” em uma leitura? Para nós, significa mergulhar inteiramente nela, ir além de folhear as páginas para descobrir o desfecho da história e sim aproveitar tudo que ela tem para oferecer, independente do gênero. Por isso, selecionamos alguns aspectos que hoje acreditamos nos levarem além da contracapa enquanto lemos.

MOTIVAÇÃO

Com tantos livros que existem por aí, por que você está lendo este? É por que ele despertou o seu interesse ou por alguma razão você está forçando a leitura? Qualquer leitura, independente do gênero (pode ser aquele livro aclamado pela crítica, aquele best-seller de entretenimento, aquele clássico do qual você ouviu falar a vida inteira ou aquele livro bobo que caiu por acaso nas suas mãos) só será válida se for feita por, e com, prazer. A partir do momento em que você passa a virar as páginas por obrigação (seja para cumprir uma meta ou um prazo, por exemplo), então a obra perdeu sua razão de ser e está fadada a se tornar apenas um número na lista de livros lidos. Vale a pena ler assim?

TIMING

Timing é tudo! Não adianta forçar uma leitura em um momento que não é o desta leitura. Se você se interessou pelo livro ao ler a sinopse, se não está encontrando defeitos nele (do tipo: os personagens são intragáveis ou a narrativa é enrolada), mas mesmo assim a leitura não está fluindo, talvez esse não seja o momento para ela. Às vezes estamos precisando de uma leitura leve, descontraída. Nesse momento, não vai adiantar ler um clássico denso porque a leitura não vai estar de acordo com o seu momento. Nesse caso, além da leitura não ser prazerosa, você pode estar jogando fora a oportunidade de se encantar com uma história, caso ela fosse lida em outro momento. Algumas pessoas são contra abandonar uma leitura pela metade, mas por diversas vezes, deixamos determinados livros de lado para nos jogarmos em outra aventura literária. Dias, semanas, meses ou até mesmo anos depois, voltamos ao livro abandonado e temos com ele uma deliciosa experiência de leitura. A questão não era o livro em si. Era o timing.

Photo by Sharon McCutcheon from PexelsSLOW READING

Ser bookaholic é viver sob a constante sensação de que nunca conseguiremos ler todos os livros que queremos ler. Movidos por esse sentimento, é compreensível que a nossa vontade seja ler cada livro o mais rápido possível para poder pegar outro logo. Mas isso às vezes nos impede de apreciar a leitura em todas as suas camadas. Nessa ânsia de ler todos os livros do mundo, podemos esquecer que literatura é arte e que, portanto, devemos degusta-la como se fosse um vinho. Quando lemos, devemos estar 100% presentes naquele momento, apreciando a obra que temos em mãos, sem nos deixar perturbar pela pilha de livros pendentes que nos encara do criado-mudo. Afinal, vale mais uma leitura bem feita, do que três livros devorados apenas para saírem do caminho.

REFLEXÃO

Algumas histórias proporcionam reflexões profundas e nem sempre elas são evidentes. Às vezes é preciso parar, digerir, fechar o livro por alguns minutos e pensar sobre o que você leu. É importante se permitir esse tempo. Ler não deve ser apenas descobrir quais acontecimentos aguardam pelos personagens na última página. Deve ser absorver as nuances do mundo que o autor criou e o que ele está querendo nos mostrar com ele.

ANÁLISE

Por fim, aquilo que considerávamos o significado inicial de “ir além da contracapa”: a análise da obra. Muito de um livro está nas entrelinhas. Por que o autor escolheu este personagem como narrador e não aquele? Qual a visão que ele proporciona que nenhum outro poderia proporcionar? Por que tantas descrições de cenários? Por que capítulos tão longos? Questione as escolhas do autor. Ao fazer isso, você pode encontrar respostas que enriquecem a experiência de leitura ou que, talvez, revelem aspectos desnecessários do livro em questão. De um jeito ou de outro, isso ajudará você a se tornar um leitor mais crítico, um leitor que irá buscar apreciar suas leituras na totalidade.

Há oito anos nos propusemos a ir além da contracapa. Na época não sabíamos o que nos aguardava e não tínhamos ideia de tudo que isso poderia significar. O que nunca mudou foi o prazer que a leitura nos proporciona, desde o momento em que estamos com o livro nas mãos, até o momento em que podemos falar sobre ele. Sim, nos tornamos leitores mais críticos, mas também nos tornamos leitores mais abertos a novos gêneros e novos mundos e percebemos, a cada leitura, que ainda existem muitos significados e razões para sempre querermos ir além da contracapa.


domingo, 22 de setembro de 2019

Promoção de Aniversário



Está no ar a festa de aniversário do Além da Contracapa! Você é nosso convidado para comemorar os nossos 8 anos conosco e o melhor: o presente é seu. Confira abaixo o regulamento e participe.

E fiquem ligados. Em breve novos livros serão anunciados neste post.


Regulamento

A promoção terá início no dia 22 de setembro e término no dia 22 de outubro.

Para participar, basta preencher os formulários abaixo, usando sua conta do Facebook ou seu e-mail, e ter um endereço de entrega no Brasil.

É obrigatório seguir o perfil do blog Além da Contracapa no Instagram.

As demais entradas são opcionais.

Para a entrada "Tweet about the Giveaway" ser válida, é obrigatório seguir o blog no twitter. 

A mesma pessoa poderá ser vencedora de mais de um sorteio. Basta seguir as regras e ter sorte.

O resultado será divulgado no blog e nas redes sociais até três dias após o encerramento da promoção, sendo que os sorteados serão contatados por e-mail, tendo o prazo de 48 horas para fornecerem seus dados e o blog se responsabiliza por confirmar o recebimento das informações. 

O livro “O Desaparecimento de Stephanie Mailer” será enviado pela editora Intrínseca. Os demais livros serão enviados pelo blog em um prazo de 45 dias úteis.

A Equipe do Além da Contracapa se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.



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