domingo, 14 de janeiro de 2018

RESENHA: O Labirinto dos Espíritos

O Labirinto dos Espíritos - Carlos Ruiz Zafón - O Cemitério dos Livros Esquecidos - livro 4
O que pensar quando aquela série que você adora e que você julgava ter terminado no terceiro livro (que, por sua vez, te deixou órfã) anuncia que vem mais um volume pela frente? Foi isso que aconteceu comigo quando a editora Suma de Letras anunciou que estava prestes a lançar “O Labirinto dos Espíritos”, quarto (e, agora sim, último) livro da série “O Cemitério dos Livros Esquecidos” do maravilhoso Carlos Ruiz Zafón.

Quando o Ministro Maurício Valls desaparece, Alicia Gris é chamada para investigar o caso. Para isso, ela precisará retornar para Barcelona, a cidade onde perdeu seus pais durante a guerra e onde ganhou um ferimento que lhe causa uma dor excruciante diariamente. É lá que o destino dela irá cruzar novamente com o de Fermín Romero de Torres (que há anos lhe salvou a vida) e com o da família Sempere, em especial Daniel que tem quase certeza que Valls é o responsável pela morte de sua mãe, a mulher cujo rosto ele sofre tanto por não lembrar.

Mesmo se tratando de uma série, todos os livros do “Cemitério dos Livros Esquecidos” podem ser lidos de maneira independente e em qualquer ordem, já que as quatro histórias se sustentam por elas mesmas. Para quem leu todos os livros (seja na ordem cronológica da história ou na de lançamento), os fios vão se cruzando neste último livro, o que, claro, torna a experiência ainda mais gratificante e permite apreciar a obra em sua totalidade.

Mas mais do que personagens ou que um cenário, para mim, o que realmente liga os quatro livros é a poesia da narrativa de Zafón. Ninguém escreve como ele. Ninguém faz sons, imagens e sensações ecoarem como ele. Seu texto tem atmosfera e evoca algo em cada frase. Mas, por alguma razão, não senti isso tão intensamente neste livro, porém desconfio que há uma intenção por trás disso (não revelarei minha teoria para não dar spoilers).

“Você não percebe o vazio em que deixou o tempo passar até o momento em que vive de verdade. Às vezes a vida é apenas um instante, um dia, uma semana ou um mês, não os dias desperdiçados. Você sabe que está vivo porque dói, porque de repente tudo é importante e porque, quando esse breve momento se acaba, o resto da sua existência se transforma em uma lembrança à qual você tenta em vão voltar enquanto tiver alento no corpo.” (ZAFÓN, 2017, 566)

É claro que, por melhor que seja uma narrativa, uma boa história precisa de bons protagonistas e isso Zafón entrega para o leitor na forma de uma coleção dos mais adoráveis personagens. Não bastasse ter os inesquecíveis Daniel Sempre, seu pai, o hilário Fermín, Beatriz e Bernarda, Zafón dá vida neste livro a Vargas (que irá dividir a missão com Alicia), o misterioso Leandro (mentor de Alicia) e Fernandito (eterno admirador de Alicia), todos carismáticos, cada um do seu jeito. Mas é Alicia quem rouba a cena. Que personagem maravilhosa! Forte, cheia de defeitos e traumas. É ela quem dá forma a “O Labirinto dos Espíritos” e faz as vezes de protagonista. Inclusive, acho admirável que, com tantos personagens que os leitores aprenderam a amar ao longo dos livros anteriores, Zafón tenha a coragem de os deixar de lado por um considerável volume do livro para dar vez a uma personagem nova. Quanto aos velhos conhecidos, Julian Caráx e David Martín marcam forte presença e até mesmo o perverso inspetor Fumero é mencionado.

É preciso dizer também que em alguns momentos a história poderia ter sido desenvolvida mais rapidamente, mas talvez o autor tenha optado por não fazer isso pelas diversas pontas que se criam (afinal, fica claro que também é um objetivo deste livro esclarecer algumas pequenas coisas dos livros anteriores – entre elas os acontecimentos do frustrante “O Jogo do Anjo”). Mas é inegável que a trama é ampla e satisfaz o leitor ao final.

Eu diria ainda que, de todos os livros da série, “O Labirinto dos Espíritos” é o que menos se vale do tempero característico de Zafón (drama + amizade + amor + suspense + mistério) e mergulha mais fundo no suspense. “O que terá acontecido com Valls?” é apenas uma das perguntas que o leitor se faz durante a jornada. Conforme a trama se desenvolve, vemos que ela tem inúmeras subtramas, uma mais enigmática do que a outra.

Mas a série recebe seu título por uma razão e não há nada capaz de encher (e marejar) os olhos de qualquer apaixonado por livros como a visão do Cemitério dos Livros Esquecidos. As cenas que o envolvem são sempre inesquecíveis. As palavras que o descrevem sempre tocam fundo.

Reencontrar personagens que você já aprendeu a amar é sempre uma emoção. Em “O Labirinto dos Espíritos” houveram momentos em que foi bem difícil deixar o livro de lado, em especial nas últimas 200 páginas. Em especial mesmo na última, que nos obriga a encarar a despedida e de um jeito que nos faz querer voltar para o primeiro livro e começar tudo de novo. É com um sorriso no rosto que coloco o livro na minha estante, ao lado dos outros três. Uma jornada inesquecível.

Título: O Labirinto dos Espíritos
Autor: Carlos Ruiz Zafón
N° de páginas: 679
Editora: Suma de Letras
Exemplar cedido pela editora

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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

RESENHA: As Terras Devastadas

As Terras Devastadas Stephen King
Quem acompanha o blog sabe que a série A Torre Negra era uma das minhas maiores expectativas de 2016. Mas como encerrei a leitura do segundo livro levemente decepcionado, pois a houve pouca evolução da estória, estava desanimado para ler o volume seguinte. Mas quando li As Terras Devastadas tive uma grata e bem-vinda surpresa

Depois de muitos anos, o pistoleiro Roland não está mais sozinho. Agora, ele conta com a companhia de dois novos parceiros: o ex-viciado Eddie Dean e Susannah, uma mulher que passou por muitos traumas. O caminho dos três em direção à Torre Negra é longo, tortuoso e repleto de perigos, mas Roland não consegue esquecer de Jake Chambers, o garoto que ele abandonou a própria sorte. Sem saber o destino dele, Roland começa a perder sua sanidade. 

Se em O Pistoleiro King introduziu o protagonista e o cenário, e A Escolha dos Três focou-se nos parceiros da jornada de Roland, é possível afirmar que As Terras Devastadas é quando a jornada rumo à Torre Negra efetivamente começa e a estória começa a tomar proporções maiores. 

Os leitores mais ansiosos também ficarão felizes em saber que este livro conta com algumas respostas, trazendo um aprofundamento sobre o universo da saga. Assim, entendemos melhor o que é a torre e qual sua função, e também percebemos como o mundo criado por King é complexo

A roda que gira nossas vidas é implacável; sempre volta de novo ao mesmo lugar.” (KING, 2005, p. 218) 

Também preciso destacar que a narrativa de As Terras Devastadas é significativamente superior a dos livros anteriores. Não que a narrativa dos primeiros volumes fosse ruim, mas senti que dessa vez King estava mais a vontade ao contar sua estória, o que tornou a leitura mais fluída e envolvente. A explicação provavelmente se deve a própria evolução do autor, afinal, o primeiro livro foi publicado em 1982 e o terceiro em 1991.

Mas o aspecto que mais me impressionou neste livro foi a originalidade de King, que conseguiu mesclar mundos completamente diferentes. De um lado vemos um cenário de faroeste, para logo em seguida nos depararmos com tecnologias de ponta, por exemplo. Aliás, uma das ideias centrais do livro — que não entrarei em detalhes para evitar spoilers — é algo que beira ao bizarro, mas King desenvolveu tão bem a ponto de não causar estranheza no leitor. 

O desfecho é uma verdadeira montanha russa de emoções, no típico estilo de King. Vemos uma trama que se entrelaça de formas inesperadas e uma corrida contra o tempo que nos deixa completamente sem fôlego. O lado ruim é que As Terras Devastadas termina em um cliffhanger, de modo que o final do livro não colocou um ponto final na situação. 

Sem dúvida alguma, As Terras Devastadas foi o melhor dos três livros da série até o momento e serviu como uma injeção de ânimo que eu precisava para dar continuidade a leitura da saga. 

Título: As Terras Devastadas
Autor: Stephen King
N.º de páginas: 526
Editora: Suma de Letras

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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

RESENHA: Vulgo Grace

Vulgo Grace / Margaret Atwood
Depois do sucesso de “O Conto da Aia” não tinha como o nome de Margaret Atwood passar despercebido. E com a promessa de uma protagonista enigmática, baseada em uma pessoa real, “Vulgo Grace” me atraiu imediatamente.

No Canadá, na década de 40, Grace Marks é uma jovem de 16 anos que, enquanto trabalhava como criada na casa de Thomas Kinnear, foi acusada de ser cúmplice do assassinato de seu patrão e da governanta da casa, Nancy Montgomery. Salva da forca, mas condenada à prisão perpétua, Grace passa os dias na prisão, mas também trabalha como criada na casa do governador da prisão, graças ao seu bom comportamento. Despertando dúvidas sobre se era realmente culpada ou mesmo insana na época em que os crimes aconteceram, Grace conquista uma legião de defensores, entre clérigos e políticos, e acaba atraindo a atenção de um jovem médico que se interessa em fazer um estudo de sua saúde mental. É nas conversas com o Dr. Simon Jordan que Grace revelará toda a trajetória da sua vida, até a noite dos assassinatos. 

A história de Vulgo Grace é baseada em fatos reais. Mesmo que alguns eventos sejam criações da autora (entre eles o personagem Simon Jordan), os personagens e eventos que cercam o crime são todos reais.

A história começa quando Grace já está presa há quase 20 anos e a narrativa se dá de três maneiras diferentes: em primeira pessoa, pela própria Grace, quando se trata dos acontecimentos da sua vida; em terceira pessoa, quando o foco está no Dr. Simon e em outros personagens; e ainda através de correspondências trocadas, principalmente, entre o médico e algumas pessoas do seu círculo, entre eles a sua mãe e colegas de faculdade.

“E fiquei pensando o que seria de mim e me confortei com o fato de que, dentro de cem anos, estaria morta e em paz, em minha sepultura, e pensei que, na verdade, seria muito menos complicado se estivesse lá bem antes disso.” (ATWOOD, 2017, p.376)

O interessante no relato de Grace é que não só acompanhamos o que ela diz ao médico, mas também muitos dos seus pensamentos. E é assim que vemos que tudo o que ela fala, ela escolhe falar. Ela age com base naquilo que acredita que os outros esperam dela em determinada situação. Sendo assim, como é possível conhecer esta mulher? Ela pode contar cada detalhe da sua vida (o pai terrível, a mãe morta em uma viagem de navio quando ela ainda era criança e responsável por seus irmãos mais jovens, os empregos que teve, os amigos que fez, os homens dos quais fugiu), mas é impossível sabermos cada uma das suas intenções porque ela só revela o que lhe interessa revelar.

Tendo dito isso, Grace é mais interessante pela figura que se torna, pelas histórias que se criaram ao torno dela (seria ela culpada ou inocente? Insana ou perversa? Mulher sedutora ou vítima?) do que pelo papel que desenvolve dentro da própria trama. Parece contraditório, mas não é. Ao analisarmos, Grace é sim uma personagem interessante, mas o desenvolvimento da história é moroso demais para prender o interesse do leitor por 500 páginas. São capítulos e capítulos de uma história que avança a passos lentos, sem grandes acontecimentos (a não ser aqueles que já sabemos de antemão que irão acontecer), consequentemente, sem cativar.

Há um posfácio no qual a autora comenta suas pesquisas e as discrepâncias nos relatos existentes sobre o caso e sobre Grace e não há dúvidas que Atwood construiu uma interessante colcha de retalhos com os elementos disponíveis. Quando nos aproximamos do final, há também uma cena fantástica em que a autora arrisca uma resposta para o que teria acontecido a Grace. Mas mesmo ela é pouco para compensar uma jornada que prometeu mais do que entregou.

Em 2017, “Vulgo Grace” ganhou uma adaptação para a Netflix com Sarah Gadon, no papel de Grace Marks, e conta ainda com nomes como Anna Paquin e Zachary Levi no elenco. “Alias Grace” é uma série limitada em 6 episódios.

Título: Vulgo Grace
Autora: Margaret Atwood
N° de páginas: 512
Editora: Rocco
Exemplar cedido pela editora

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domingo, 7 de janeiro de 2018

O que vem por aí - janeiro

sábado, 6 de janeiro de 2018

Top Comentarista Janeiro


No primeiro Top Comentarista do ano, o vencedor poderá escolher o livro que quer ganhar dentre as quatro opções: "Lobo por Lobo", "Eleanor Oliphant está muito bem", "O Maravilhoso Bistrô Francês" e "Na Escuridão da Mente"

Confira o regulamento:

1. Para participar, basta preencher o formulário abaixo, usando sua conta do Facebook ou seu e-mail. É obrigatório curtir a página do blog no Facebookcomentar em todas as postagens de janeiro e ter um endereço de entrega no Brasil.

2. Para simplificar, optamos por utilizar o Rafflecopter. A primeira entrada confirma sua participação no Top Comentarista, enquanto as demais constituem chances extras, sendo opcionais. Atenção: depois de feito o sorteio será conferido se o sorteado comentou em todas as postagens do mês. Caso essa regra não seja cumprida, o mesmo será desclassificado, e um novo sorteio será realizado.

3. Para a entrada "Tweet about the Giveaway" ser válida, é obrigatório seguir o blog no twitter. 

4. Lembrando que somente serão válidos comentários significativos. Ou seja, comentários do gênero “interessante”, “legal” ou “ótima resenha” não serão computados. O participante poderá comentar apenas uma vez em cada post.

5. O sorteado poderá escolher o livro que deseja receber dentre as quatro opções disponíveis:
- Lobo por Lobo;
- Eleanor Oliphant está muito bem;
- O Maravilhoso Bistrô Francês;
- Na Escuridão da Mente.

6. O resultado do Top Comentarista será divulgado no blog até o dia 05 de fevereiro.

7. O sorteado será contatado por email, tendo o prazo de 48h para fornecer seus dados e o blog se responsabiliza por confirmar o recebimento das informações. Decorrido o prazo sem manifestação do vencedor, novo sorteio será realizado.

8. O prêmio será enviado pelo blog no prazo de trinta dias úteis.

9. A Equipe do Além da Contracapa se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.

a Rafflecopter giveaway

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Especial de Fim de Ano - Parte 3

Está no ar mais um Especial de Fim de Ano no Além da Contracapa. Quem acompanha o blog há mais tempo, já sabe o que vem por aí. Para quem nunca viu os nossos especiais, eis uma breve explicação: todo ano, fazemos um especial dividido em três partes. Na primeira, comentamos como foram as leituras dos livros que, no especial do ano anterior, elegemos como as nossas maiores expectativas para esse ano. Na segunda, vocês ficam sabendo quais foram as nossas melhores leituras de 2017. Por fim, contamos para vocês quais os livros que estão no topo da nossa lista de desejados para 2018

Na terceira, e última, parte do especial deste ano, vocês vão conferir algumas das nossas grandes expectativas literárias para 2018

3º lugar: Me chame pelo seu nome

O livro chamou minha atenção, inicialmente, em virtude da adaptação cinematográfica, que fez sucesso nos festivais de Berlim, Toronto, Sundance e do Rio, sendo um forte candidato ao Oscar. A obra conta a estória do jovem Ellio que se encanta por Oliver, um escritor de 24 anos, durante o verão na costa italiana. Embora a premissa não seja exatamente original, fiquei curioso para saber como seria desenvolvido um romance não apenas com personagens LGBTs, mas que também contasse com protagonistas com uma diferença de idade acentuada. (Alê)


3º lugar: O Desfile de Páscoa 


Uma das minhas melhores leituras do ano passado, “Foi Apenas um Sonho” me deixou na expectativa de conferir outras obras de seu autor. “O Desfile de Páscoa” não tem uma grande premissa (a história de duas irmãs que tomam rumos diferentes, mas que depois se reencontram com consequências desastrosas), mas Yates mostrou tanto domínio de personagens e soube extrair uma história tão intensa de uma premissa tão batida em “Foi Apenas um Sonho” que acredito que ele poderá fazer muito neste livro. (Mari)


2º lugar: Anna Kariênina

Preciso confessar que nunca li uma obra da literatura russa — um motivo de vergonha, admito — e há anos tenho o desejo de conferir Anna Kariênina, uma das obras-primas de Liev Tólstoi. O livro foi relançado no ano passado pela Companhia das Letras e na mesma hora decidi que seria uma das minhas prioridades de leitura. Reconheço que não tenho muito conhecimento sobre a premissa do livro, apenas de que se trata de um drama familiar tendo como pano de fundo a Rússia czarista, abordando temas como relacionamentos, política, religião e classes sociais. É pouco, mas o suficiente para despertar meu interesse, sobretudo, em virtude do reconhecimento que a obra recebeu a nível mundial. (Alê)

2º lugar: An absolutely remarkable thing

Ainda sem título no Brasil, mas com previsão de ser publicado pela editora Seguinte no segundo semestre de 2018, o livro de estreia de Hank Green,  irmão de um dos meus autores favoritos, John Green, e que divide com ele o canal Vlogbrothers no youtube, ganhou lugar na minha lista. A história de uma estudante de arte que tem um encontro inusitado com uma gigantesca estátua de robô me desperta a curiosidade mais pelo nome (ou melhor, pelo sobrenome) do seu autor do que por qualquer outra coisa. Será que o talento corre na família? (Mari)

1º lugar: O Garoto no Convés

Depois da incrível experiência de leitura que tive com O Pacifista, nada mais do que esperado que minha maior expectativa para 2018 fosse uma obra de John Boyne. Sinceramente, após ter visto tanto talento em O Pacifista, certamente lerei todas as obras do autor e O Garoto no Convés foi minha primeira opção por causa da prova do livro disponível no site da editora. Em poucas páginas, Boyne já consegue cativar o leitor e nos deixar sedentos para descobrir o desenrolar da estória. Confesso que a premissa não parece ser grandes coisas: um garoto que é flagrado furtando nas ruas recebe a opção de ser preso ou de servir em um navio. Entretanto, tenho certeza de que nas mãos de Boyne terei mais uma experiência marcante. (Alê)

1º lugar: Since we fell

Desde a leitura do devastador “Sobre Meninos e Lobos” não só fiz as pazes com Dennis Lehane como o promovi para a minha lista de autores queridinhos. “Since we fell”, a história de uma jornalista que tem um colapso nervoso, foi lançado nos Estados Unidos em maio de 2017, tendo direitos vendidos para o cinema antes mesmo do lançamento do livro. A Companhia das Letras, editora que publica os livros de Lehane no Brasil, já adquiriu os direitos de publicação por aqui, mas ainda não anunciou nada oficialmente. Dedos cruzados para que saia, finalmente, em 2018. (Mari)


domingo, 31 de dezembro de 2017

Especial de Fim de Ano - Parte 2

Está no ar mais um Especial de Fim de Ano no Além da Contracapa. Quem acompanha o blog há mais tempo, já sabe o que vem por aí. Para quem nunca viu os nossos especiais, eis uma breve explicação: todo ano, fazemos um especial dividido em três partes. Na primeira, comentamos como foram as leituras dos livros que, no especial do ano anterior, elegemos como as nossas maiores expectativas para esse ano. Na segunda, vocês ficam sabendo quais foram as nossas melhores leituras de 2017. Por fim, contamos para vocês quais os livros que estão no topo da nossa lista de desejados para 2018

Na segunda parte do especial deste ano, vocês podem conferir o nosso Top 3 Melhores Leituras de 2017.

Tormenta de Fogo Brandon Sanderson3º lugarTormenta de Fogo 


E pelo segundo ano consecutivo, Brandon Sanderson emplacou um livro nas minhas melhores leituras do ano. O que mais se destacou em Tormenta de Fogo, o segundo livro da série Executores, é como o autor conseguiu explorar todo o potencial do universo que criou, o que me deixou abismado com a complexidade da estória e com a genialidade de Sanderson. Mais uma vez preciso elogiar a narrativa que é envolvente a ponto de ser impossível largar o livro, especialmente no final, quando o ritmo se torna ainda mais acelerado. Já disse e repito: a série Executores certamente é uma das mais originais que tenho acompanhado nos últimos anos e Tormenta de Fogo provou que Sanderson é um dos mais relevantes autores de fantasia da atualidade. (Alê)

3º lugar: A Lógica Inexplicável da Minha Vida


Uma das minhas grandes expectativas literárias para 2017 (sobre a qual eu nem sabia muito a não ser o nome do autor) se revelou um livro sensível, por vezes melancólico, por outras engraçado e totalmente adorável sobre uma fase da vida em que nos questionamos sobre quem somos e quem queremos ser. Muito mais do que um Young Adult sobre autodescoberta e amadurecimento, “A Lógica Inexplicável da Minha Vida” envolve temas como amor, amizade, família e luto em uma história repleta de personagens cativantes passando por momentos com os quais qualquer leitor é capaz de se identificar. Por ter me feito, literalmente, abraçar o livro em alguns momentos, mereceu o terceiro lugar. (Mari)


Os Miseráveis Victor Hugo2º lugar: Os Miseráveis


Há anos eu desejava ler a obra-prima de Victor Hugo, sendo que o livro até mesmo entrou na minha lista de mais desejados de 2016. Por causa do tamanho, só consegui ler Os Miseráveis este ano e certamente foi um dos clássicos mais marcantes que já li. A estória de Jean Valjean, um homem que ficou preso por dezenove anos por roubar um pedaço de pão, mexeu comigo de uma forma que poucos livros conseguiram. Victor Hugo não poupa o leitor e testemunhamos a miséria dos personagens de perto, vendo como suas vidas vão degradando e como perdem sua humanidade. As vidas e estórias que se entrelaçam em Os Miseráveis são intensas e também nos fazem refletir sobre a sociedade em que vivemos, pois a pobreza e a miséria continuam sendo uma realidade. Entretanto, preciso fazer um registro: a partir da metade do livro, com a introdução de novos personagens e um novo pano de fundo, confesso que não senti a mesma conexão com a obra. Mas mesmo não tendo apreciado o livro em sua totalidade, a estória de Os Miseráveis é inesquecível, um verdadeiro “tapa na cara” e que certamente merece ser reconhecido com uma obra-prima da literatura universal.  (Alê)


2º lugar: Foi Apenas um Sonho


Um casal em crise. Essa é basicamente a premissa de “Foi Apenas um Sonho”, o que prova, mais uma vez, que não é uma premissa sensacional que dá forma a um livro sensacional e sim bons personagens e uma boa narrativa. E isso o livro de Richard Yates tem de sobra. O mais incrível é que tanto Frank quanto April não são personagens aos quais nos afeiçoamos. Não só nenhum deles é carismático o suficiente para isso como seus problemas são cotidianos demais. E é esse detalhe a chave para o brilhantismo do livro: Frank e April são pessoas comuns, com problemas comuns. Seus questionamentos, angústias e tristezas já estiveram em todos nós. Eles são um desastre como casal porque são, individualmente, desastrosos como pessoas - infelizes e frustrados – e não por grandes eventos. Isso não só dá aos personagens profundidade como dá intensidade e cada frase do livro parece ferver e transbordar. Por ter sido a leitura mais intensa e humana do ano, levou o segundo lugar. (Mari)

1º lugar: O Pacifista


A estória de Tristan — um jovem de 21 que sobreviveu ao front de guerra e não consegue enfrentar o passado — foi uma das mais emocionantes que já li, a ponto de me levar às lágrimas quando terminei a leitura. A trama é relativamente linear e não conta com grandes reviravoltas, mas os conflitos entre os personagens são tão reais e verossímeis que prendem totalmente a atenção do leitor. Boyne aborda com delicadeza a temática LGBT, porém, é impressionante sua capacidade de mostrar sentimentos de forma sútil. Vemos a todo o instante a culpa, o preconceito e a falta de aceitação, mas em nenhum momento o autor precisa verbalizar tais elementos. Outro aspecto que me chamou atenção é como o livro dialoga com a dualidade coragem/covardia, mostrando que todos são capazes de expressar tais atitudes. Em resumo, digo que Boyne acertou em cheio em todos os aspectos: dos personagens bem desenvolvidos a narrativa sensível e envolvente, além de uma trama bem amarrada. O Pacifista foi uma estória comovente e que certamente lembrarei por muitos anos. (Alê)


1º lugar: O Livro dos Baltimore


Com que frequência um livro corresponde a todas as nossas altas expectativas sobre ele? Mas aqui está: minha maior expectativa de 2017 se tornou, de fato, a minha melhor leitura do ano e me deixou sonhando com o próximo livro de Joël Dicker. Assim como os outros livros que entraram nesse top, “O Livro dos Baltimore” não tem uma premissa fantástica. É basicamente um drama familiar que flerta com o suspense, mas Joël Dicker tem o poder de construir suas tramas de um jeito que você simplesmente não sabe dizer porquê elas são tão boas, mas simplesmente não consegue desgrudar do livro (e mesmo quando desgruda, leva os personagens com você e fica pensando neles, porque eles se tornaram reais a esse ponto). A história da família Goldman, em especial dos primos Marcus, Woody e Hillel, e o misterioso Drama (assim mesmo, com D maiúsculo) que mudou a dinâmica da família é completamente envolvente, cheia de nuances e perspectivas. Um verdadeiro quebra-cabeças que é um prazer montar aos pouquinhos, entre idas e vindas do passado para o presente. Por ser, de longe, a leitura mais envolvente do ano, “O Livro dos Baltimore” ganha o primeiro lugar da minha lista.  (Mari)


 

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