quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

RESENHA: Me Encontre

Me Chame Pelo Seu Nome era uma de minhas maiores expectativas literárias de 2018 e, apesar de ter gostado da leitura, confesso que faltou um quê a mais para o livro se tornar um dos meus preferidos. Quando a continuação foi lançada, confesso que fiquei na dúvida se lia ou não e, em um momento de impulso, decidi conferir o que Andre Aciman havia reservado para personagens tão queridos como Elio e Olvier. 

Samuel está viajando para Roma a fim de encontrar seu filho, Elio, quando conhece uma jovem que desafia todas as suas expectativas e, de forma improvável, parece ser a pessoa que ele sempre desejou encontrar. Anos depois acompanhamos Elio, agora um pianista renomado, vivendo em Paris e encontrando um novo romance. Já Oliver se tornou pai de família e professor universitário, que se sente seduzido pela ideia de um reencontro. 

Me Encontre passa a sensação de ser uma coletânea de contos, cada um dedicado a um dos personagens. O primeiro arco explora a estória de Samuel que, a caminho de Roma, conhece Miranda e descobre um amor explosivo. A estória deles é o clássico amor à primeira vista, mas Aciman desenvolve tão bem seus personagens que logo perdoamos o uso do clichê. Ainda assim, confesso que não entendi o porquê desta estória, afinal, uma continuação de Me Chame Pelo Seu Nome deveria ser, necessariamente, uma continuação da estória de Elio e Oliver. 

“— [...]. Nunca tivemos segredos, você sabe sobre mim, e eu sei sobre você. Nisso eu me considero o filho mais sortudo do mundo. Você me ensinou a amar, a amar os livros, a música, as ideias belas, as pessoas, o prazer, até a mim mesmo. Melhor do que isso, você me ensinou que só temos uma vida e que o tempo está sempre contra nós.” (ACIMAN, 2019, p. 119).

A segunda parte do livro é destinada a Elio e me pareceu ter menos sentido que a de Samuel.  Isso porque acompanhamos o envolvimento de Elio com Michael, um homem mais velho, que recebeu uma partitura de herança de seu pai. E a estória deles acaba girando em torno de descobrir a identidade do autor da partitura. Ou seja, mais uma vez Aciman deu continuação a parte da estória que não interessava. 

Finalmente, chegamos a Oliver que está fazendo uma festa de despedida e que depois de algumas taças de proseco começa a fantasiar uma vida com Elio. Somente depois de 250 páginas que os dois finalmente se encontram e, para minha decepção, foi um encontro morno, que em nada me lembrou o Elio e o Oliver que conhecemos em Me Chame Pelo Seu Nome

O envolvimento deles tantos anos depois também não me convenceu. Por mais avassaladora que tenha sido a paixão deles, afirmo sem medo de errar que o tempo muda tudo. Eles cresceram, evoluíram, conheceram outras pessoas. Ou seja, hoje eles deveriam ser como estranhos um para o outro. A meu ver, o que restou tantos anos depois não é amor, mas uma nostalgia do que eles viveram, especialmente por ter sido tão intenso e marcante. Se a estória desse reencontro tivesse sido melhor desenvolvida talvez seria mais fácil de acreditar. Infelizmente, Aciman dedica apenas onze páginas para o reencontro de Elio e Oliver, o que me pareceu injustificável diante de um livro com 250 páginas. 

É preciso reconhecer que Aciman é um bom escritor, que consegue despertar diversas reflexões ao longo da estória e que nos envolve com a complexidade de seus personagens. Porém, fica claro que o autor escreveu esta “continuação” por uma demanda do mercado e não porque tivesse algo a acrescentar a estória de Elio e Oliver. 

Título: Me Encontre
Autor: André Aciman
Editora: Intrínseca
N.º de páginas: 270
Exemplar cedido pela editora

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5 comentários:

Rubro Rosa disse...

Por este e outros motivos, decidi dentro de mim, que a história de Elio e Oliver acabou no primeiro livro.
Para mim, o livro/filme foram maravilhosos e quando esse segundo livro saiu, fiquei confusa, pois penso de coração, que estava bom do jeito que terminou.
Escrever um livro apenas pelo interesse de grana ou do mercado literário?
Ah não!
Fechei no primeiro livro/filme!rs
Beijo

Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

Elizete Silva disse...

Olá! Realmente como leitores sempre nos questionamos se certas continuações são realmente necessárias, claro que quando a história é boa a gente sempre quer mais, mas (sempre tem um “mas”), temos também aquele receio de que a história perca um pouco do seu encanto, ou definitivamente não curtimos, que é o que parece acontecer com esse livro, já que não temos exatamente uma continuação, mas sim uma espécie de visita a vida atual dos protagonistas que tanto encantaram no primeiro livro, e mesmo que o autor tenha uma escrita maravilhosa, pelo visto ele não conseguiu convencer justamente por focar tão pouco nos personagens principais.

Gabriela CZ disse...

Complicado isso, Alê. Como o autor escreve uma continuação intitulada Me Encontre e deixa o reencontro dos personagens para as últimas páginas? Não me animou. Mas ótima resenha.

Beijos!

Fabiolla Devenz disse...

Tive que ler a resenha do primeiro livro para poder entender essa rsrsrs, o enredo de Me Chame Pelo Seu Nome me interessou bastante, e pretendo em breve assistir o filme.
Mas lendo essa resenha, fiquei me perguntando se foi realmente necessário o autor guiar a história para esse rumo ou até mesmo se a escrita dessa continuação foi necessária.

Luana Martins disse...

Oi, Alê
Não li o primeiro livro, que quero muito ter chance de ler e ver o filme.
Gostei da sua resenha é mesmo não conhecendo a história de Elio e Oliver senti que não precisava de uma continuação, poderia ter outro título e faria sentido esse "encontro morno".
Beijos

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