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sábado, 29 de fevereiro de 2020

RESENHA: Areia Movediça

Maja Norberg foi acusada pelo tiroteio que ocorreu em sua escola, supostamente assassinando diversos colegas de aula. Agora, não apenas precisa encarar o julgamento tendo apenas seus advogados como aliados, mas também precisa lidar com o fato de que todos os seus amigos estão mortos e que ela foi a única sobrevivente.

O livro é narrado em primeira pessoa por Maja, que aos poucos vai expondo os acontecimentos que ocorreram antes do tiroteio e nos mostrando o andamento do julgamento. Confesso que não gostei muito do texto de Giolito, pois achei que a autora violou a sagrada regra do “show, don’t tell” (mostre, não conte). Como consequência, a leitura se torna pouco envolvente pois apenas lemos uma descrição dos acontecimentos.  

Também preciso admitir que achei as primeiras cem páginas arrastadas, uma vez que Maja parece estar perdida em pensamentos e divaga sobre absolutamente tudo, menos sobre o que realmente queremos saber. Creio que a intenção da autora ao utilizar deste recurso fosse mostrar que a protagonista ainda estava em choque e, sem conseguir superar o trauma, não conseguia processar o que acontecera na escola. E apesar de achar a tática interessante, Giolito pesou demais a mão deixando a estória maçante. 

Passada essa parte, o livro dá uma guinada e a narrativa deixa de ser tão dispersa e passa abordar diretamente o que aconteceu. Vamos desvendando a relação entre ela e Sebastian — o outro aluno responsável pelos disparos, mas que foi morto por Maja —, seus colegas de aula e pais, a ponto de entender todo o contexto que culminou com o tiroteio. 

“Não acredito em coincidências. Também não acredito em Deus. O que acredito é que tudo o que acontece está conectado ao que aconteceu no passado, como elos em uma corrente. É predeterminado? Não. Como poderia ser? Mas não é o mesmo que dizer que algo simplesmente aconteceu. A lei da gravidade não é aleatória. A água aquece e se torna vapor. Isso não é aleatório, nem prova da justiça divina. Simplesmente é.” (GIOLITO, 2019, p. 326)

Mas o ponto alto certamente é quando o julgamento avança, chegando o momento que a defesa assume os holofotes e finalmente somos apresentados a versão de Maja dos acontecimentos. É neste momento que a estória se torna mais ágil e envolvente, além de conseguirmos juntar as peças do quebra-cabeça sobre o que aconteceu naquele fatídico dia. 

Ao fim da leitura, percebi que o foco da autora era muito mais o drama de Maja do que o evento que ela protagonizou. Assim, creio que não consegui me envolver tanto com a estória pois minha expectativa era justamente entender como aconteceu o crime e acompanhar seu julgamento. 

Apesar de ser uma estória interessante, fiquei com a sensação de que Areia Movediça tinha mais a oferecer e que acabou sendo subaproveitado. Creio que reduzindo o número de páginas e focando mais nos eventos e menos no drama, o resultado teria sido mais envolvente. 

Título: Areia Movediça
Autora: Malin Persson Giolito
N.º de páginas: 350
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora

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sábado, 16 de novembro de 2019

RESENHA: O Instituto

instituto stephen king
Luke Ellis, um garoto de doze anos, foi sequestrado de sua casa e levado para o Instituto, local onde são feitos experimentos científicos com crianças com poderes sobrenaturais há mais de cinquenta anos. Na Parte da Frente eles são testados de todas as formas possíveis e, quando estão prontos, vão para Parte de Trás do Instituto. E depois nunca mais são vistos. Após ver seus amigos serem levados para a Parte de Trás, Luke decide fugir, uma proeza que ninguém conseguiu. 

O livro começa nos apresentando a Tim Jamieson, o vigia noturno da pequena cidade de Du Pray. Apesar de não ser o protagonista, a estória de Tim é cativante e mal percebemos as primeiras cinquenta páginas passarem. É então que conhecemos Luke — o menino gênio que aos doze anos já está pronto para ingressar na faculdade — e seus pais, acompanhando-os até a fatídica noite em que o garoto é sequestrado. 

Luke é carismático e logo conquista o leitor, não apenas por sua inteligência, mas principalmente por sua empatia. E, desse modo, ficamos com um nó na garganta quando vemos os horrores que são realizados no Instituto. É impossível não se perguntar como médicos e cuidadores conseguem tratar crianças inocentes de uma forma tão perversa. E esta é uma das maiores reflexões do livro: os fins justificam os meios? 

Outro aspecto que merece destaque é como King consegue nos fazer acreditar em uma teoria da conspiração envolvendo crianças telepatas e telecinéticas, que são testadas e usadas até os limites de seus poderes. Nos agradecimentos, o autor comenta que seu objetivo sempre é “fazer o impossível parecer plausível” e é exatamente isso que King consegue fazer em O Instituto, por mais absurdas e extremas que fossem as situações. 

“Ocorreu a ele de repente que era preciso ficar preso para entender de fato o que era liberdade.” (KING, 2019, p. 266)

Confesso que no início senti uma vibe “Stranger Things” em relação aos experimentos científicos e aos poderes paranormais das crianças. Porém, logo fica claro que King criou seu próprio mundo e, apesar de possuírem um ponto comum, a estória se desenvolve de uma forma completamente diferente daquela que vemos na série. 

As últimas duzentas páginas são adrenalina pura. King já tem o talento natural de prender a atenção do leitor, mas nessa reta final se torna praticamente impossível interromper a leitura, pois queremos saber a todo custo como as coisas irão se desenvolver. O desfecho é explosivo e entrega o que promete, além de amarrar todas as pontas da estória. 

Em O Instituto King revela que os monstros não são vampiros, cachorros ou palhaços assassinos, mas os próprios seres humanos. E é por causa deste contexto de tortura e violência contra quem sequer consegue se defender que o livro nos faz refletir sobre a falta de humanidade, a perda da inocência e o poder da amizade. 

Misturando ficção científica e suspense, Stephen King mais uma vez compôs uma estória de tirar o fôlego, com personagens cativantes e antagonistas que fazem o sangue ferver. Certamente, uma estória que está a altura dos outros clássicos do autor. 

Título: O Instituto
Autor: Stephen King
N.º de páginas: 540  
Editora: Suma
Exemplar cedido pela editora

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domingo, 13 de outubro de 2019

RESENHA: Estrada Escura

Dennis Lehane - Estrada Escura - Patrick Kenzie - Angela GenaroQuem conhece a obra de Dennis Lehane e a saga da dupla Patrick Kenzie e Angela Genaro sabe que a história da pequena Amanda McCready é um assunto delicado. Quando tinha quatro anos, Amanda foi sequestrada e levada para ser criada por um casal que, durante poucos meses, lhe deu um ambiente seguro e a vida familiar de amor e proteção que uma criança merece ter. Mas os detetives localizaram a criança e, contra a vontade de Angela, Patrick a levou de volta para sua mãe, uma mulher viciada em drogas, com péssimas influencias para ela. Para o último livro da série, o autor volta a cruzar os caminhos de Amanda, Patrick e Angela, doze anos depois. Agora, Amanda desapareceu novamente, sua mãe continua uma péssima influência e a máfia russa está atrás de todos os envolvidos.

Desde que li “Gone, baby, gone” (quarto livro da série detetivesca de Lehane, que traz o caso de Amanda McCready) aguardo ansiosa o momento de conferir o que o destino reservou para a menina. Mas Lehane não é um autor para se emendar um livro no outro. É um autor para ser lido e digerido com calma. Suas histórias sempre são pesadas, seu mundo sempre é cruel e é quase impossível o leitor fechar o livro e não se sentir impactado. Entre a leitura daquele caso e deste, 3 anos se passaram (e confesso não ver problema em ter pulado o quinto livro da série, que separa as duas histórias).

Doze anos depois, Patrick é um homem diferente. Agora, ele e Angela são casados e têm uma filha (uma menina da mesma idade que Amanda ao ser sequestrada). Agora há outras coisas em jogo ao se fazer um trabalho perigoso. Há também o acúmulo das decepções, das coisas horríveis que precisaram testemunhar ao longo dos anos, há questionamentos, arrependimentos e uma carga de sentimentos intensos.

Lehane é um autor envolvente. Tanto que a primeira parte de “Estrada Escura” (quase 100 páginas) são dedicadas principalmente a contextualizar a vida do casal, mais do que a dar início à investigação. Ainda assim, o autor mantém o interesse do leitor.

Embora trate de temas pesados como tráfico de bebês, “Estrada Escura” não é tão desolador quanto eu esperava. E pela primeira vez digo que isso é bom. Sempre espero de Lehane livros que me fazem dizer: “pára o mundo que eu quero descer”, mas nesse me surpreendi muito com a fase em que encontrei Patrick, com a estabilidade do relacionamento dele e de Angela (depois de tudo que já passaram juntos) e, principalmente, com a jovem adulta que Amanda se tornou.

“Doze anos antes, eu tinha agido errado. Tinha certeza disso todos os dias que haviam se passado desde então, mais ou menos uns quatro mil e quatrocentos. No entanto, doze anos antes, eu também tinha agido certo. Deixar Amanda morando com sequestradores, por mais que eles estivessem investindo no seu bem-estar, significava deixa-la morando com sequestradores. Durante os quatro mil e quatrocentos dias desde que eu a havia tirado de lá, tivera certeza disso. Sendo assim, qual era a minha situação?” (LEHANE, 2012, p.102)

Achei sensacional que, para o desfecho da saga da dupla, Lehane tenha optado por não criar um novo caso, e sim trazer de volta o mais impactante que viveram. Para aqueles que não leram “Gone, baby, gone”, “Estrada Escura” pode ser compreendido sem problemas, pois o caso anterior é contextualizado e este segue de maneira independente. Mas para aqueles que leram, é incrível como o autor consegue despertar o sentimento de já conhecermos esta menina (embora só tenhamos convivido com a investigação do seu sequestro e não com ela, propriamente dita, no livro anterior) e de torcermos por ela por sabermos a vida que teve. Amanda é uma personagem interessante e poderosa. Seu coração, mas também sua frieza, seu senso de justiça que pouco se importa com a lei e sua inteligência lhe dão um conjunto de características que, arrisco dizer, poderiam até lhe colocar em outros livros. 

O interessante é que, além de girar em torno dos mesmos personagens, o autor faz com que esse novo livro gire em torno do mesmo debate ético do anterior: o que é o certo e o que é o errado? Quem define a linha que separa os dois? A lei deve ser sempre a regra máxima? No mundo de Dennis Lehane não existe preto e branco e as respostas nunca são fáceis.

Algo inesperado para mim foi constatar que a minha implicância com a voz narrativa de Patrick se foi. Sempre achei que Lehane falhava neste aspecto, não conseguindo empregar a alma do protagonista no olhar que ele transmitia ao leitor, mas nesse livro me senti junto de Patrick. Muito além de seus comentários irônicos, à la Philip Marlowe, Patrick não esteve apenas dentro das situações. Ele era as situações.

Continuidades são sempre audaciosas, afinal, elas correm o risco de estragar o efeito da primeira obra caso tomem um rumo torno. “Estrada Escura” é uma história de redenção que nos faz questionar conceitos e regras, mais uma vez. Um complemento válido ao excelente “Gone, baby, Gone”.

Título: Estrada Escura
Autor: Dennis Lehane
N° de páginas: 329
Editora: Companhia das Letras
Exemplar cedido pela editora

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terça-feira, 25 de junho de 2019

RESENHA: Cabo do Medo

Cabo do Medo - John D. MacDonald - Darkside Books
Adoro quando eu descubro que filmes que gosto muito foram inspirados em livros que eu nem sabia que existiam. Isso aconteceu mais uma vez com “Cabo do Medo”.

Sam Bowden vive feliz com a esposa e os três filhos até o dia em que Max Cady é libertado da prisão após cumprir 13 anos de uma sentença de prisão perpétua. Há anos, Sam foi um dos responsáveis pela condenação de Max pelo estupro de uma menina de quatorze anos e, agora que está em liberdade, Max quer vingança.

“Cabo do Medo” não é um livro sobre surpresas e reviravoltas. Desde o início sabemos quem Max é e o que pretende. Sabemos onde está o perigo. A tensão está em esperar que ele surja em qualquer lugar, a qualquer momento. Que algo aconteça. Algo que torcemos para que não aconteça. É essa expectativa que segura o leitor ao longo de mais de 200 páginas.

Essa tensão constante acontece porque MacDonald vai direto ao ponto, dando início à trama a partir do momento em que Max começa a colocar sua vingança em prática. É uma história em que não precisamos de introduções. Não precisamos acompanhar o planejamento. Só precisamos ve-lo aterrorizar a família Bowden. Por isso também, “Cabo do Medo” é um livro curto, do tipo que facilmente pode ser lido em um único dia.
“Era como se todos os seus medos tivessem se tornado realidade, como se ela sempre houvesse sabido da agonia especial que a aguardava.” (MACDONALD, John D., 2019, p.54)

O autor faz algo que me agrada muito que é envolver Max em uma atmosfera de imprevisibilidade e violência de forma que a simples menção do seu nome basta para aterrorizar. Esse é o tipo de livro cuja alma está no vilão, mas a verdade é que ele pouco aparece e, nas vezes em que aparece, mal fala. Só isso basta! Se Max está ali, isso é sinônimo de algo terrível e ninguém será páreo para ele.

Sam, por sua vez, nos faz questionar até que ponto uma pessoa pode ir quando a segurança das pessoas que ama está em risco e o quanto as regras de certo e errado se aplicam em situações extremas.

Mesmo tendo me prendido do início ao fim, confesso que no desfecho “Cabo do Medo” me jogou um balde de água fria. É ruim? Não. Longe disso. Mas eu esperava mais. Quando eu vi, o livro havia acabado sem os momentos de tensão extrema que eu aguardava para as últimas páginas. Mas isso não desmerece a jornada.

“Cabo do Medo” já ganhou duas adaptações cinematográficas com nomes de peso da sétima arte. A primeira, em 1962, com Gregory Peck e Robert Mitchum. A segunda, em 1991, com Robert De Niro (tão assustador como Max Cady que eu podia enxerga-lo durante a leitura mesmo já tendo assistido há anos) e Nick Nolte em filme de Martin Scorsese. Quanto à primeira não posso opinar, mas a segunda afirmo que é de tirar o fôlego.

Título: Cabo do Medo
Autor: John D. MacDonald
Nº de páginas: 221
Editora: Darkside Books
Exemplar cedido pela editora

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domingo, 9 de junho de 2019

RESENHA: O que terá acontecido a Baby Jane?

O que terá acontecido a Baby Jane? - Henry Farrel
Gosto muito de filmes antigos e sempre ouvi falar de “O que terá acontecido a Baby Jane?”, embora nunca tenha assistido esse clássico. Quando soube que a Darkside Books lançaria o livro que havia inspirado o filme com Bette Davis e Joan Crawford, coloquei imediatamente o título na minha lista de desejados.

Quando criança, Jane Hudson era Baby Jane, uma estrela mirim que brilhava nos palcos de teatro, mas quando a infância ficou para trás, o mesmo aconteceu com a fama. Anos depois, sua irmã Blanche conheceu uma fama ainda maior, tendo se tornado uma grande estrela de Hollywood. Até que um acidente de carro deixa Blanche em uma cadeira de rodas e interrompe sua carreira, o que faz com que Jane se torne sua cuidadora. O ressentimento entre as duas irmãs só cresce ao longo dos anos.

“O que terá acontecido a Baby Jane?” é um livro sobre sentimentos intensos. Sobre amargura, inveja e ódio em sua forma mais pura. É sobre duas personagens que carregam um fardo, cada uma a seu modo, e não podem se livrar dele.

Tanto Blanche como Jane são personagens riquíssimas. A princípio, ouvimos falar em Jane, mas demora até que possamos conhece-la. Isso a torna ainda mais enigmática e assustadora. Nessas primeiras páginas, o autor desenha tão bem a personagem e a cerca de uma atmosfera tão tensa que mesmo quando aparece em cena ela quase não fala, mas sua presença basta para que milhares de coisas sejam colocadas em movimento. Seus passos no andar debaixo, seu entrar no quarto de Blanche, seu passeio na cidade. Tudo deixa o leitor em estado de alerta. Por que ela age dessa forma? É só ressentimento pelo sucesso que Blanche alcançou quando ela mesma já havia caído no ostracismo ou tem algo a mais? Jane seria capaz de se livrar da irmã?

Blanche também é maravilhosamente construída e é ela que acompanhamos na maior parte do tempo. O autor é extremamente hábil em transmitir o pânico crescente da personagem, o nascer da angústia e da paranoia dela (paranoia essa que se intensifica pelo fato de viver isolada de tudo e de todos). Torcemos por Blanche. Tememos por Blanche.

Houve inclusive um momento em que passei a me questionar se Jane realmente fazia certas coisas ou se Blanche estava ficando maluca. Essa é parte da graça de “Baby Jane”: não entendemos Blanche, não entendemos Jane e não temos ideia de onde estamos pisando. Também por isso é muito difícil prever durante a leitura para onde a trama irá se encaminhar.

“Nada podia realmente ser capturado e mantido – nem possuído. Às vezes, você achava que tinha uma coisa, mas depois parte dela – ou tudo – sempre escapava. A vida em si não poderia ser possuída, nem mesmo um minuto dela.” (FARREL, 2019, p. 161)

Dizer que “O que terá acontecido a Baby Jane?” mantém o suspense da primeira a última página não é força de expressão. Desde as primeiras cenas parece que o autor está esticando um fio que ele irá arrebentar a qualquer momento. O suspense que Henry Farrel cria é sutil, mas intenso. Sutil porque não é a típica história de vingança, embora seja (Jane sempre se ressentiu de Blanche e te-la dependendo de si é o amargo prazer com que tempera os seus dias). Não é fisicamente violento, mas psicologicamente sim porque mesmo que Blanche não esteja sendo torturada, isso não quer dizer que não viva sob tortura. Blanche não está, literalmente, sendo mantida em cativeiro, mas a verdade é que ela está sim. Esse medo constante que paira na casa faz com que cada página do livro seja carregada de tensão e é essa tensão que faz de “Baby Jane” um livro tão viciante. Mais do que as ações das personagens, é a atmosfera de ameaça e risco que deixa o leitor constantemente em estado de alerta.

“O que terá acontecido a Baby Jane?” é mais um desses clássicos pouco conhecidos que a Darkside Books traz de volta para as prateleiras das livrarias. Uma história sem grandes reviravoltas e sem grandes artifícios que se vale do que é realmente essencial quando se trata de bons livros: personagens complexos em uma situação interessante e o domínio do autor em extrair o máximo deste conjunto. Um suspense que merece ser chamado como tal.

A edição conta ainda com “O que terá acontecido a prima Charlotte?”, “A estreia de Larry Richards” e “Primeiro, o ovo”, três contos de Henry Farrel.

Título: O que terá acontecido a Baby Jane?
Autor: Henry Farrel
N° de páginas: 317
Editora: Darkside Books
Exemplar cedido pela editora

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segunda-feira, 27 de maio de 2019

RESENHA: A Criança do Fogo

A Criança do Fogo - S.K. Tremayne
A mansão Carnhallow carrega muitas das histórias da família Kerthen ao longo dos anos. Uma delas é a trágica morte de Nina, esposa de David Kerthen e mãe do pequeno Jamie. Dois anos depois, David se casa com Rachel e a leva para a mansão. Mas o que parece ser o início de uma vida de sonhos começa a aterrorizar Rachel, principalmente quando seu enteado passa a fazer assustadoras previsões.

Embora o foco principal do livro seja Rachel, o autor divide a narrativa de forma que de um lado temos a visão dela em primeira pessoa e, do outro, a visão de David em terceira.

“A Criança do Fogo” é uma espécie de história de fantasmas, mas que em nenhum momento se assume inteiramente como tal. Isso deixa o leitor na mesma posição que a protagonista, se perguntando se as coisas que estão acontecendo são reais, sobrenaturais ou, até mesmo, loucura. Incerteza essa que eu, particularmente, gosto muito.

A trama entrelaça vários mistérios, sendo o principal deles o que realmente aconteceu na noite em que Nina morreu. Qual a participação do pequeno Jamie e o que David e sua mãe ocultaram da polícia também são mistérios daquela noite. Mas logo os acontecimentos do presente passam a intrigar também. Tem algo errado com Jamie? Ou com Rachel? O que está por trás das profecias do menino? Rachel está enlouquecendo ou tem algo de errado acontecendo na casa? O que vai acontecer na noite de natal? Qual o passado da casa? O que Rachel esconde sobre seu próprio passado? Essas são algumas das perguntas que Tremayne utiliza para conduzir a trama, fazendo o leitor se questionar o tempo todo se tem em mãos uma história de fantasmas ou uma história de loucura.

Para que a perturbação de Rachel seja convincente, é preciso que seja gradativa. Acredito que seja por isso que Tremayne estique os acontecimentos, embora, a meu ver, tenha se excedido um pouco nesse aspecto. Não é que o livro seja lento, mas nadamos tempo demais em águas mornas até realmente chegar ao que interessa. Isso seria compreensível caso houvesse um maior aprofundamento psicológico dos personagens, mas não chega a ser o caso, tanto que considero o relacionamento de Rachel e David um ponto fraco da trama. Pouco sabemos sobre a história do casal, do porquê terem se casado em apenas poucos meses de namoro e tão próximo à morte de Nina. Assim, parece que Rachel foi inserida na casa apenas para que os eventos tivessem início e não porque ela faz parte da vida daquela família.

“Mas, mesmo que explique alguma coisa, é tarde demais agora. O mistério foi além de Jamie. O mistério está em mim. Eu me torcei a fonte de escuridão. E de perigo.” (TREMAYNE, 2019, p.338)

Mas é impossível negar que Tremayne consegue deixar o leitor com os nervos à flor da pele nos últimos capítulos, conforme nos aproximamos da noite em que tudo se esclarecerá, criando um delicioso e sombrio suspense. O que me desagradou foi constatar que o autor guardava uma carta na manga que explicaria tudo, mas que o leitor não tinha a menor possibilidade de prever durante a leitura. Não me entenda mal, eu adoro ser surpreendida e feita de boba nesse tipo de história, mas isso funciona quando as peças estão escondidas e temos a chance de desvendá-las e não quando o autor, estando prestes a encerrar a história, nos joga na cara uma verdade importante.

Mesmo com algumas falhas no caminho, “A Criança do Fogo” apresenta uma narrativa fluida e um tom sombrio, desenvolvendo uma história que mantém o interesse do leitor.

Título: A Criança do Fogo
Autor: S.K. Tremayne
N° de páginas: 367
Editora: Bertrand Brasil
Exemplar cedido pela editora

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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

RESENHA: O sol da meia-noite

Jo Nesbø / O sol da meia-noiteQuando um dos meus autores de suspense favoritos lança um novo livro, eu corro conferir.

Jon cometeu um erro terrível. Tentou enganar seu chefe e fugir com uma considerável quantia de dinheiro. Mas ninguém engana o Pescador e agora o traficante está atrás do seu ex-cobrador que se escondeu em uma pequena comunidade longe de Oslo, onde o sol nunca se põe e ele atende pelo nome de Ulf.

Eu gostaria de fazer uma resenha totalmente imparcial de “O sol da meia-noite”, mas não vejo como, visto que a minha expectativa pela leitura foi totalmente influenciada pela minha experiência prévia com o autor.

A carreira de Nesbø como escritor começou e se firmou com a série Harry Hole: excelentes livros policiais protagonizados por um personagem cheio de problemas. Mas às vezes o autor se afasta do seu cativante inspetor e se arrisca em livros avulsos. Desses, tive oportunidade de ler “Sangue na Neve” e agora “O Sol da Meia-Noite”. Ambos apresentam histórias bem mais curtas do que as de Hole e são protagonizadas por personagens que deveriam matar alguém, decepcionaram seus chefes e agora lutam para continuarem vivos. O que me alertou para as coincidências foi que, mais uma vez, a narrativa em primeira pessoa do autor me incomodou. Por alguma razão, os livros avulsos de Nesbø são narrados por seus protagonistas, o problema é que eles não são homens carismáticos e mesmo estando em situações eletrizantes não conseguem contagiar o leitor (estranhamente, quando se trata dos livros da série Harry Hole, mesmo que a ação demore a acontecer, Nesbø envolve desde a primeira página). Pesquisando, vi em alguns lugares a informação de que os dois livros fazem parte de uma mesma série, mas não consegui entender a relação entre as tramas.

“Acreditava em sonhos tanto quanto em deuses. Estava mais inclinado a acreditar no amor de um viciado pelas drogas do que no amor de uma pessoa por outra. Mas acreditava na morte, isso sim. Essa era uma promessa que eu sabia que seria cumprida. Em uma bala de nove milímetros a mil quilômetros por hora – nisso eu acreditava. E que a vida era o tempo entre essa bala sair da pistola e partir um cérebro ao meio.” (NESBØ, 2018, p. 171)

“O sol da meia-noite” parece um rascunho de história e Jon/Ulf um personagem sem contexto. Mal entendemos de onde ele vem, apenas o vemos cair naquela comunidade que tem uma estranha relação com a religião e onde os relacionamentos que o protagonista desenvolve são clichês e previsíveis. Se vendassem a capa, eu jamais diria que se trata de um livro de Nesbø.

O pior é que havia muito para ser aproveitado, mas o autor não desenvolveu o potencial da trama. O passado de Jon/Ulf (sua relação com a filha doente, seu início no mundo do tráfico), o passado dramático de Lea, a mulher por quem ele se apaixona (obrigada a casar com o homem que lhe estuprou aos 18 anos porque havia engravidado) e também o personagem Mattis, cujas intenções não conseguimos compreender até o final. Para mim, fica claro que a intenção de Nesbø era nos apresentar esses detalhes nas entrelinhas (algo que normalmente aprecio), mas dessa vez deixou o livro sem tempero.

Apesar dos pesares, li o livro em três dias porque a leitura flui rapidamente, mesmo que não instigue o leitor como poderia.

Costumo dizer que Jo Nesbø não erra nunca, mas após a leitura de “O sol da meia-noite” faço o seguinte acréscimo na frase: “na série Harry Hole”, já que o autor certamente não é em seus livros avulsos o mesmo que é na sua excelente série policial.

Título: O sol da meia noite
Autor: Jo Nesbø
N° de páginas: 221
Editora: Record
Exemplar cedido pela editora

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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

[Calhamaço] para quem não gosta de [calhamaço]

Todo leitor se identifica com alguns gêneros literários mais do que com outros. Mas existem alguns livros que são capazes de abrir os olhos dos leitores para gêneros dos quais ele nunca gostou, justamente por mostrarem uma faceta diferente do gênero, por terem algo a mais. Livros que fazem o leitor que diz “Não gosto deste tipo de livro” se apaixonar justamente por um livro deste tipo.

Foi pensando nisso que o Além da Contracapa criou a coluna: “[...] para quem não gosta de [...]”, na qual faremos uma seleção de livros de um determinado gênero ou temática que podem agradar até mesmo quem costuma fugir deles. 

Começo esta coluna fazendo uma confissão: adoro livros grandes, aqueles tijolões que, se duvidar, até mesmo param em pé. Creio que por ser uma estória mais extensa do que estamos acostumados, acabo desenvolvendo uma conexão maior e fico completamente imerso na obra. Entretanto, nem todo mundo gosta de calhamaços e tais pessoas geralmente argumentam que a estória é arrastada ou muito enrolada. E, às vezes, esse realmente é o caso. Porém, está longe de ser a regra.

Sob a Redoma

Antes de ler Sob a Redoma, já havia tentado ler outros dois livros do King, mas sem sucesso. Foi só anos depois que decidi dar mais uma chance ao autor e foi com Sob a Redoma que virei um fã incondicional de King. E por que este é um calhamaço que eu indico mesmo para quem não curte livros grandes? Por que a jornada dos personagens é tão incrível, que o leitor não se preocupa com o que vai acontecer no final, mas apenas com o que está acontecendo naquele momento. Assim, apesar de você se perguntar sobre a origem da redoma ou se ela vai desaparecer, não esses questionamentos que impulsionam a leitura. O que faz o leitor virar as páginas avidamente é acompanhar a jornada dos personagens nesta situação extremamente improvável, onde as regras sociais começam a ruir e os jogos pelo poder tem início. E nem preciso dizer que a narrativa de King é tão envolvente que as 950 páginas passam voando.

Os Luminares

Os Luminares foi o tipo de livro que me chamou atenção mais pelos prêmios que ganhou e pelos elogios da crítica, do que pela sinopse, admito. Mas o que torna Os Luminares tão especial é a sua trama audaciosa e absurdamente genial. O livro começa com uma reunião secreta de doze homens que estão a discutir estranhos eventos com os quais todos eles, direta ou indiretamente, estão relacionados. Assim, a leitura da obra impressiona por que vamos formando aos poucos um intricado quebra-cabeça, o qual nos faz perder o fôlego quando finalmente entendemos como todas as peças se encaixam. Além desta trama que já é tão espetacular que por si só valeria a leitura, Os Luminares também transcende a um gênero literário específico, contando com pitadas de drama, suspense, romance e thriller, de modo que o livro agrada a leitores de todos os estilos. Tenho certeza que depois das mais de 800 páginas você vai ficar com gostinho de quero mais.

Os Miseráveis

Talvez alguns de vocês estejam questionando minha sanidade ao indicar este clássico de mais de 1500 páginas, mas indico sem medo de errar: Os Miseráveis foi uma das leituras mais impactantes e emocionantes da minha vida. A força do livro certamente reside nos personagens absurdamente reais e complexos, aos quais nos apegamos e pelos quais sofremos. Victor Hugo não poupa o leitor em nenhum momento, mostrando uma realidade de muita dor e sofrimento, a qual muitas vezes preferimos ignorar. Além disso, o autor faz uma severa crítica social, abordando temas como injustiça, criminalidade, abuso infantil, prostituição e tantos outros, que certamente farão o leitor refletir. Ressalto também que, apesar de ser um clássico escrito há mais de cento e cinquenta anos, o texto de Hugo é surpreendentemente fluído e envolvente, de modo que a leitura avança com rapidez. Porém, reconheço que entre os livros desta lista este talvez seja o menos indicado para quem não gosta de calhamaços. Isso por que o autor, em alguns momentos, perde o fio da meada e faz digressões sobre assuntos completamente irrelevantes. Se você não ficar com peso na consciência, pule essas partes, mas não deixe de ler o livro. Garanto que você não vai se arrepender. 


sexta-feira, 27 de abril de 2018

RESENHA: Insônia

Stephen King - Insônia
Talvez esse seja um comentário superficial, mas, para mim, quanto maior o livro, maior a promessa. Não é qualquer história que dá conta de 700 páginas, simplesmente porque são poucas as que precisam 700 páginas para serem contadas. Nessa categoria de livros imensos, Stephen King faz questão de ter um lugar cativo. Seu “Dança da Morte”, por exemplo, justifica (quase) todas as suas mais de 1200 páginas, por ter milhares de personagens em um mundo que precisa ser apresentado como é para depois ser destruído e só depois ser construído de novo. Já tendo se provado tantas vezes, o autor é digno de confiança para encarar uma aventura desse tamanho, mas com “Insônia” ele errou a dose.

Após a morte de sua mulher, Ralph Roberts, um aposentado de 70 anos, passa a sofrer de insônia. Mas não qualquer tipo de insônia. Ao invés de não conseguir dormir, Ralph não consegue se manter dormindo e a cada dia acorda um pouco mais cedo. Mesmo testando todos os remédios caseiros imagináveis, a condição se prolonga por meses e, com o passar o tempo, ele começa a enxergar áureas e luzes coloridas emanando das pessoas, além de seres estranhos que ele chama de Doutorezinhos Carecas. Ao descobrir o significado de suas visões, Ralph se verá desempenhando um importante papel em uma luta muito maior que a sua compreensão.

Stephen King tem um talento único. Mesmo depois de tantos livros do autor, ainda me espanta a sua capacidade de transformar premissas absurdas (e algumas vezes até ridículas) em histórias interessantes que sempre levam o leitor a uma reflexão, algo que ele repete em “Insônia”. Mas o que mais me admira é como o autor é hábil em pintar imagens para o seu leitor e fazer com que as cenas surjam diante dos seus olhos com tamanha riqueza de detalhes que é como se uma cortina se abrisse e simplesmente revelasse o que há por trás. Além disso, a voz de King é única e ninguém, absolutamente ninguém, soa como ele. Um leitor fiel reconhece o texto do mestre de longe e é por essas pequenas coisas que nada do que King escreve se torna chato. Ele conduz o leitor pela mão de uma forma que só nos resta apreciar o passeio. E é isso o que salva boa parte de “Insônia”. Confesso que se eu não tivesse tanta confiança em King provavelmente teria desistido do livro antes de chegar na metade. Isso porque durante as 300 primeiras páginas, a história não avança e tudo o que temos são o início da insônia de Ralph e suas consequências. Levando em consideração que 300 páginas é o espaço que muitas histórias precisam para serem contadas (com início, meio e fim) isso é muita coisa para pouco desenvolvimento. A minha sensação era a de nadar sem nunca chegar na praia. Sim, a água estava gostosa, mas ninguém quer nadar o dia inteiro sem nem avistar a terra firme. Para se ter uma ideia, é apenas depois da página 400 que vamos entender em torno do que gira a história (até então Ralph não tem a menor ideia do porquê da sua insônia ou suas visões).

A partir desse momento as coisas ganham fôlego e King entrega uma história tipicamente sua que inclui o sobrenatural, a luta do bem contra o mal e cenas grandiosas. Funciona? Sim, muito bem. Mas não é uma história mais complexa que a de “A Zona Morta”, por exemplo, e não justifica sua extensão, não importa o quão habilidoso seja King.

“Não fazia sentido recuar, no último instante, do limiar da loucura; não fazia sentido chegar tão próximo de qualquer limiar. Contudo, ele compreendia perfeitamente bem que não podia viver muito tempo em um mundo tão brilhante e maravilhoso sem por em perigo sua sanidade (...)” (KING, 2013, p.142)

Com tantas reclamações, pode parecer que eu não gostei de “Insônia”, mas não é o caso. A narrativa é envolvente, Ralph é um personagem carismático (assim como outros que cruzam seu caminho), os Doutorezinhos Carecas são figuras intrigantes e interessantes e a história é sim boa e bem amarrada e teria tudo para traçar uma curva ascendente, mas pela sua extensão acaba sendo uma montanha-russa, cheia de altos e baixos. Há momentos grandiosos em que eu me peguei dizendo: “Esse é o King que eu conheço”, mas outros tantos que me faziam pensar ao final de uma sessão de leitura “o que a história avançou?”.

Eu costumo dizer que King usa do sobrenatural para desencadear situações/problemas/dilemas humanos. Nesse sentido, achei interessante que “Insônia” use do contrário: uma situação mundana (a insônia) é a ferramenta usada pelo sobrenatural para se manifestar.

O jogo “acaso” e “desígnio” também é interessante, nos fazendo pensar sobre como algumas coisas são de suma importância e geram consequências capazes de mudar tudo, enquanto outras têm direito à flexibilidade já que qualquer coisa pode acontecer com elas a qualquer momento sem grandes consequências. Pensando bem, isso é válido para pessoas, decisões...

Convém mencionar também que há em “Insônia” um pequeno cruzamento com a história de “A Torre Negra”, mas não é preciso estar familiarizado com a série para entender os acontecimentos deste livro. Por falar em cruzamento, a história se passa em Derry, uma das cidades mais tradicionais do universo Stephen King.

“Insônia” não é um livro ruim. Mas ao estender a jornada além do necessário, King perdeu de ter mais um “muito bom” atrelado ao seu nome. Isso prova que mesmo os mestres escorregam de vez em quando, mas prova também que, mestre que é mestre, acerta até mesmo quando erra e que sempre recompensa seus fiéis seguidores.

Título: Insônia
Autor: Stephen King
N° de páginas: 701
Editora: Suma de Letras

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sexta-feira, 13 de abril de 2018

[Dramas Familiares] para quem não gosta de [dramas familiares]

Todo leitor se identifica com alguns gêneros literários mais do que com outros. Mas existem alguns livros que são capazes de abrir os olhos dos leitores para gêneros dos quais ele nunca gostou, justamente por mostrarem uma faceta diferente do gênero, por terem algo a mais. Livros que fazem o leitor que diz “Não gosto deste tipo de livro” se apaixonar justamente por um livro deste tipo.

Foi pensando nisso que o Além da Contracapa criou a coluna: “[...] para quem não gosta de [...]”, na qual faremos uma seleção de livros de um determinado gênero ou temática que podem agradar até mesmo quem costuma fugir deles. 

Nem todo leitor gosta dos conflitos dos dramas familiares. Mas há livros do gênero que usam do núcleo familiar como estopim para situações que misturam muitos outros elementos. É pensando nisso que elegemos três livros que irão agradar mesmo aqueles que não gostam do gênero.

Em uma festa de colégio que reúne os pais das crianças, uma pessoa morre. O leitor não sabe se foi acidente ou assassinato, mas, acompanhando a história desde os seis meses anteriores, logo percebe que as duas hipóteses são válidas, que os candidatos à misteriosa vítima são muitos e que são inúmeros os gatilhos que podem disparar para que a tragédia aconteça. Sim, os acontecimentos giram em torno dos dramas de três mulheres e suas famílias e abordam temas sérios como bullying e abuso sexual, mas enquanto os dramas se desenrolam o leitor é guiado pelo mistério “Quem morreu? Quem matou?” ao melhor estilo das histórias policiais. 

A trama é pesada: cinco irmãs (a mais nova com 13, a mais velha com 17 anos) cometem suicídio no período de um ano. A história gira em torno da família Lisbon e de como cada suicídio repercute sobre os pais e sobre cada uma das meninas. Quem nos conta a história é um grupo de meninos que, na época das mortes, era apaixonado pelas meninas. Agora, anos depois, eles relembram os acontecimentos com um olhar melancólico, fascinado e distante próprio de homens adultos. Por isso, o verdadeiro ponto de destaque de “As Virgens Suicidas” é a sensibilidade com que a história é narrada, sendo delicada e bela, apesar de tão trágica. Um livro único, do tipo que emociona e marca o leitor para o resto da vida. Um dos meus favoritos de todos os tempos.

Uma família marcada por um misterioso Drama (assim mesmo, com D maiúsculo). Essa é basicamente a premissa de “O Livro dos Baltimore” (minha melhor leitura de 2017) que conta a história dos Goldman, em especial de três primos, e do trágico acontecimento que mudou os rumos da vida de todos. Sim, temos muitos dramas familiares, mas também temos muito mistério neste quebra-cabeças que abrange décadas de história mesclando gêneros de tal forma que é difícil saber onde termina um e onde começa o outro.



sexta-feira, 6 de abril de 2018

RESENHA: O Homem de Giz

Misteriosos sinais e um grupo de amigos que encontra um corpo em uma cidade pequena. A premissa é “stephenkingiana” demais para não me atrair e fez isso ainda no final do ano passado quando descobri que a Editora Intrínseca havia adquirido os direitos de publicação de "O Homem de Giz", livro de estreia de C.J. Tudor.

Em 1986, Eddie e seus amigos têm apenas 12 anos. Para dar mais emoção aos seus dias, passados entre a escola e pequenas aventuras, a gangue formada por Mickey, Nicky, Gav, Hoppo e Eddie encontra um jeito de se comunicar secretamente através de desenhos de homens de giz. Um dia, um recado misterioso usando o código do grupo os leva até o bosque onde encontram o corpo desmembrado de uma menina da cidade. Está tudo lá. Menos a cabeça. 30 anos depois, os amigos recebem novamente os desenhos de homens de giz, mas antes que possam saber quem os deixou, um deles é encontrado morto.

Intercalando o ano de 1986 com o de 2016, através da narrativa em primeira pessoa de Eddie, Tudor nos conduz pelos eventos que marcaram a infância do grupo, nos deixando conhecer também os adultos que se tornaram.

De maneira bastante orgânica, a autora insere diversos conflitos e personagens, de modo que não sabemos quais deles serão essenciais para desvendarmos o mistério. Tudo o que sabemos é que se Eddie escolhe falar sobre esses episódios, tantos anos depois, é porque alguma importância eles têm. Assim, o trágico acidente com a menina no parque de diversões, o misterioso Sr. Holloran (homenagem a “O Iluminado” já que a autora é uma fã de King?), a morte do irmão mais velho valentão de Mickey e o afastamento dele do grupo, Nicky e seus acidentes domésticos, os protestos comandados pelo reverendo (pai de Nicky) contra o trabalho da mãe de Eddie e sua clínica de aborto, a morte do cachorro de Hoppo, são todos eventos de 1986 que se somam aos intrigantes homens de giz que reaparecem em 2016, assim como a volta de Mickey à cidade e a relação de Eddie com sua inquilina, Chloe. Nesse vai e vem, “O Homem de Giz” se mostra aquele tipo de livro envolvente que se você não precisar interromper a leitura, você não interrompe.

“Minha vida foi definida pelas coisas que não fiz, pelas coisas que não disse. Acho que o mesmo acontece com várias pessoas. Nem sempre o que nos molda são as nossas realizações, e sim as nossas omissões. Não necessariamente as mentiras, apenas as verdades que não dizemos.” (TUDOR, 2017, p.138)

O próprio Eddie diz em um dado momento que aos doze anos os seus amigos são o seu mundo, então esse é outro aspecto positivo de acompanharmos os eventos com 30 anos de intervalo. Apesar de nos contar como se tudo estivesse acontecendo naquele momento, Eddie já tem um certo distanciamento dos eventos e dos próprios amigos o que lhe permite enxergar as coisas com maior amplitude.

No final, todas as pontas se amarram e é preciso reconhecer certa audácia da autora em alguns aspectos. Ainda assim, não sei exatamente porque, fiquei querendo algo a mais. Quando terminei a leitura, senti que se tratava daquele tipo de livro que logo cairia no esquecimento, embora durante a leitura eu estivesse 100% envolvida, querendo sempre ler mais um capítulo.

“O Homem de Giz” não é aquele suspense que vai marcar a sua vida, mas você vai curtir cada segundo.

Título: O Homem de Giz
Autora: C.J. Tudor
N° de páginas: 269
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora

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domingo, 14 de janeiro de 2018

RESENHA: O Labirinto dos Espíritos

O Labirinto dos Espíritos - Carlos Ruiz Zafón - O Cemitério dos Livros Esquecidos - livro 4
O que pensar quando aquela série que você adora e que você julgava ter terminado no terceiro livro (que, por sua vez, te deixou órfã) anuncia que vem mais um volume pela frente? Foi isso que aconteceu comigo quando a editora Suma de Letras anunciou que estava prestes a lançar “O Labirinto dos Espíritos”, quarto (e, agora sim, último) livro da série “O Cemitério dos Livros Esquecidos” do maravilhoso Carlos Ruiz Zafón.

Quando o Ministro Maurício Valls desaparece, Alicia Gris é chamada para investigar o caso. Para isso, ela precisará retornar para Barcelona, a cidade onde perdeu seus pais durante a guerra e onde ganhou um ferimento que lhe causa uma dor excruciante diariamente. É lá que o destino dela irá cruzar novamente com o de Fermín Romero de Torres (que há anos lhe salvou a vida) e com o da família Sempere, em especial Daniel que tem quase certeza que Valls é o responsável pela morte de sua mãe, a mulher cujo rosto ele sofre tanto por não lembrar.

Mesmo se tratando de uma série, todos os livros do “Cemitério dos Livros Esquecidos” podem ser lidos de maneira independente e em qualquer ordem, já que as quatro histórias se sustentam por elas mesmas. Para quem leu todos os livros (seja na ordem cronológica da história ou na de lançamento), os fios vão se cruzando neste último livro, o que, claro, torna a experiência ainda mais gratificante e permite apreciar a obra em sua totalidade.

Mas mais do que personagens ou que um cenário, para mim, o que realmente liga os quatro livros é a poesia da narrativa de Zafón. Ninguém escreve como ele. Ninguém faz sons, imagens e sensações ecoarem como ele. Seu texto tem atmosfera e evoca algo em cada frase. Mas, por alguma razão, não senti isso tão intensamente neste livro, porém desconfio que há uma intenção por trás disso (não revelarei minha teoria para não dar spoilers).

“Você não percebe o vazio em que deixou o tempo passar até o momento em que vive de verdade. Às vezes a vida é apenas um instante, um dia, uma semana ou um mês, não os dias desperdiçados. Você sabe que está vivo porque dói, porque de repente tudo é importante e porque, quando esse breve momento se acaba, o resto da sua existência se transforma em uma lembrança à qual você tenta em vão voltar enquanto tiver alento no corpo.” (ZAFÓN, 2017, 566)

É claro que, por melhor que seja uma narrativa, uma boa história precisa de bons protagonistas e isso Zafón entrega para o leitor na forma de uma coleção dos mais adoráveis personagens. Não bastasse ter os inesquecíveis Daniel Sempre, seu pai, o hilário Fermín, Beatriz e Bernarda, Zafón dá vida neste livro a Vargas (que irá dividir a missão com Alicia), o misterioso Leandro (mentor de Alicia) e Fernandito (eterno admirador de Alicia), todos carismáticos, cada um do seu jeito. Mas é Alicia quem rouba a cena. Que personagem maravilhosa! Forte, cheia de defeitos e traumas. É ela quem dá forma a “O Labirinto dos Espíritos” e faz as vezes de protagonista. Inclusive, acho admirável que, com tantos personagens que os leitores aprenderam a amar ao longo dos livros anteriores, Zafón tenha a coragem de os deixar de lado por um considerável volume do livro para dar vez a uma personagem nova. Quanto aos velhos conhecidos, Julian Caráx e David Martín marcam forte presença e até mesmo o perverso inspetor Fumero é mencionado.

É preciso dizer também que em alguns momentos a história poderia ter sido desenvolvida mais rapidamente, mas talvez o autor tenha optado por não fazer isso pelas diversas pontas que se criam (afinal, fica claro que também é um objetivo deste livro esclarecer algumas pequenas coisas dos livros anteriores – entre elas os acontecimentos do frustrante “O Jogo do Anjo”). Mas é inegável que a trama é ampla e satisfaz o leitor ao final.

Eu diria ainda que, de todos os livros da série, “O Labirinto dos Espíritos” é o que menos se vale do tempero característico de Zafón (drama + amizade + amor + suspense + mistério) e mergulha mais fundo no suspense. “O que terá acontecido com Valls?” é apenas uma das perguntas que o leitor se faz durante a jornada. Conforme a trama se desenvolve, vemos que ela tem inúmeras subtramas, uma mais enigmática do que a outra.

Mas a série recebe seu título por uma razão e não há nada capaz de encher (e marejar) os olhos de qualquer apaixonado por livros como a visão do Cemitério dos Livros Esquecidos. As cenas que o envolvem são sempre inesquecíveis. As palavras que o descrevem sempre tocam fundo.

Reencontrar personagens que você já aprendeu a amar é sempre uma emoção. Em “O Labirinto dos Espíritos” houveram momentos em que foi bem difícil deixar o livro de lado, em especial nas últimas 200 páginas. Em especial mesmo na última, que nos obriga a encarar a despedida e de um jeito que nos faz querer voltar para o primeiro livro e começar tudo de novo. É com um sorriso no rosto que coloco o livro na minha estante, ao lado dos outros três. Uma jornada inesquecível.

Título: O Labirinto dos Espíritos
Autor: Carlos Ruiz Zafón
N° de páginas: 679
Editora: Suma de Letras
Exemplar cedido pela editora

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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

RESENHA: Eu sei onde você está

Eu sei onde você está / Claire Kendal / Thriller Psicológico
Gosto de livros que focam em como o personagem se sente diante de tal situação mais do que na situação em si. E thrillers psicológicos são um prato cheio para esse tipo de desenvolvimento. Foi isso que me atraiu em "Eu sei onde você está": a angústia de uma mulher que está sendo perseguida.

Desde a noite que passaram juntos, Clarissa não consegue se livrar de Rafe. Ele está em todos os lugares. Acompanhando todos os seus movimentos, mandando presentes nada bem vindos, vigiando sua casa. Não demora até que Clarissa passe a sacrificar sua rotina para poder escapar do olhar possessivo de Rafe. Para acumular provas suficientes contra seu perseguidor, ela deixa que a situação se desenrole para evitar correr o risco de ser menosprezada quando levar o caso à polícia. Mas Rafe fica cada vez mais perigoso e Clarissa entende que há motivos para ela mal lembrar da tal noite que deu início a tudo e da qual ela acordou com hematomas pelo corpo. Enquanto o pesadelo se desenrola, ela serve de jurada em um caso de uma mulher que também foi vítima de abuso sexual.

A história se desenvolve em duas narrativas, ambas no presente: de um lado, um narrador em terceira pessoa nos conta a história de Clarissa. Do outro, a própria Clarissa faz anotações detalhadas em um diário a respeito de tudo o que Rafe faz e de como isso faz ela se sentir.

Rafe é um personagem perturbador. Não o conhecemos fora do contexto perseguidor, mas nesta situação o conhecemos a fundo. Ele não é apenas obsessivo e desequilibrado. Ele é realmente violento e sua mania de encerrar cada frase com "Clarissa" é de dar arrepios. Um pequeno detalhe que funciona bem.

Quanto a Clarissa, é sua paranoia que dá forma a trama. A história não é sobre o que Rafe faz com ela e sim sobre o medo que ela sente do que ele pode vir a fazer. De onde ele possa estar. De onde mais possa se infiltrar. Das pessoas, próximas a ela, que ele possa alcançar. O medo de Clarissa é tão verdadeiro que, mesmo que as ações de Rafe não escalassem, ainda assim o livro se tornaria mais tenso a cada página porque é assim que a protagonista se sente, porque quando você está por um fio, até a brisa do vento se torna assustadora e é a esse ponto que Rafe reduz Clarissa.

"Devo parecer uma louca, como se eu tivesse algum tique nervoso. E fico me perguntando onde você está. Isso me apavora ainda mais, me faz ver que há o perigo de eu passar a ter uma fixação tão grande por você quanto você tem por mim. Na verdade, é isso que você quer, na sua missão interminável de conquistar minha atenção." (KENDAL, 2017, p. 130)

Em paralelo a isso, acompanhamos o caso do tribunal no qual uma prostituta viciada em drogas luta contra uma agressão sexual. O caso coloca uma carga extra sobre Clarissa que percebe o quão humilhante é estar na posição de vítima, uma abordagem da qual eu gostei. Em primeiro lugar, o caso não está ali apenas para preencher os dias da personagem e sim para entrar na mente dela. Não bastasse ela estar amedrontada pelo seu perseguidor, ela também tem medo do que deveria lhe ajudar a fazer com que a perseguição parasse. Nesse dilema, Clarissa se mostra uma personagem bastante racional diante de uma situação totalmente emocional, algo que também me agradou.

Em segundo lugar, fica claro que a autora quer mostrar o descaso das autoridades ao lidar com certos crimes. Porque a pessoa não está sob a mira de uma arma isso significa que ela está correndo menos risco ou que sua vida não está em perigo? Porque a mulher não consegue provar que foi estuprada, isso quer dizer que ela não foi? Porque a violência que o perseguidor comete deixa apenas marcas psicológicas isso significa que ela é menos traumática ou é menos digna de resgate do que a violência física? Até que ponto a vítima precisa sustentar uma situação insustentável apenas para acumular provas de que o que está acontecendo com ela é caso de polícia? Essas são algumas das questões que Kendal consegue abordar dentro da trama. 

É no julgamento também que a protagonista conhece um homem por quem desenvolve um interesse romântico. Aliás, Robert também é um personagem interessante já que Clarissa vê nele a antítese de Rafe, mas o leitor percebe que algo pode estar errado com ele. 

Mesclando a sequência de acontecimentos com Clarissa, os diários e ainda a história da vítima do caso do tribunal, "Eu sei onde você está" é um livro que mantém o interesse e o envolvimento, embora a tensão da história não chegue a contaminar o leitor. A trama é bem amarrada e conta com um desfecho em parte clichê, em parte inesperado. Não apresenta nada de extraordinário, mas é sim uma boa leitura.  

Título: Eu sei onde você está
Autora: Claire Kendal
Nº de páginas: 304
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora

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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

13 companhias caveirosas para a sua sexta-feira 13

Conversa de Contracapa é coluna off topic do blog Além da Contracapa. Sem limitação temática, iremos explorar todo e qualquer assunto relacionado ao mundo da literatura. 

Quem gosta de suspense sabe o valor de uma sexta-feira 13. Quando a data chega, é impossível não ficar com vontade de conferir um filme de terror ou ler um livro que o fará querer dormir com as luzes acesas.

A convite da Editora Darkside, preparamos um post para celebrar a data e sugerir para vocês 13 companhias para uma sexta-feira 13 bem caveirosa. 

1. Norman Bates - Psicose

Norman Bates é o tímido gerente do Motel Bates, um estabelecimento à beira de estrada. Mas caso você cogite se hospedar lá nesta sexta-feira 13, saiba que os Bates guardam alguns esqueletos no armário.


2. A Família Lutz - Amtyville

George e Kathleen Lutz são um tipo azarado para você convidar para a sua casa, já que eles não tiveram experiências muito boas com o que parecia a casa dos sonhos de qualquer família e fugiram 28 dias depois da mudança. Mas quem pode culpá-los? Caso você queira ouvir algumas histórias realmente assustadoras nessa sexta-feira 13, acenda uma fogueira e chame os Lutz para sentar com você.

3. Victor Frankenstein - Frankenstein

Todo mundo já ouviu falar do "Monstro" de Frankenstein, mas você já conheceu Victor Frankenstein? Ele é um jovem talentoso, cheio de ambição e obcecado por descobrir a centelha da vida. E quando a descobre, ele não percebe que a criatura que trouxe a existência é essencialmente humana, apesar da aparência grotesca. Essa sexta-feira 13 também pode ser uma oportunidade para você descobrir quem é o verdadeiro monstro desta clássica estória: a criatura ou o criador?

4. Rhoda Penmark - Menina Má

Rhoda Penmark parece uma adorável menina de oito anos, mas apenas parece. Por trás do rosto angelical se esconde uma mente fria e manipuladora, capaz de atos perversos. Se você quiser ficar de babá de Rhoda nesta sexta-feira 13, é bom ficar atento.

5. Dr. Vincent Di Maio - O Segredo dos Corpos

Se você prefere o terror do mundo real, sugerimos que você aproveite a sexta-feira 13 para fazer uma visita ao necrotério. Seu guia será o Dr. Vincent Di Maio, um conceituado médico legista que irá lhe mostrar de perto como acontece uma necropsia e qual a sua importância para a investigação e o julgamento.

6. "Ogro" - Diário de uma Escrava

"Ogro" é o pior tipo de monstro com o qual você pode se deparar. Um pedófilo. Um homem que caça meninas e as mantém em cativeiro como escravas sexuais. Se você for dar um passeio nesta sexta-feira 13, fique atento a tipos suspeitos.


7. Verônica - Bom dia, Verônica

Você pode aproveitar a sexta-feira 13 para acompanhar a policial Verônica Torres pelas ruas de São Paulo. Mas não se engane: os crimes que ela investiga são brutais e mostram o que há de pior na humanidade. Se você acha que aguenta, esteja preparado para testemunhar torturas, violência e diversas formas de abuso.

8. Bryan Clauser - Noturno

Sexta-feira 13 não é um bom dia para descobrir que existe um culto em São Francisco. Muito menos que suas vítimas são barbaramente assassinadas. Mas se você não tem medo do que se esconde nas sombras, talvez queira acompanhar o detetive Bryan Clauser nesta aventura sobrenatural.

9. Corvo - conto O Corvo

Poderia haver algo mais sinistro que um corvo do lado de fora da sua janela no meio da noite enquanto você lamenta a perda da sua amada? Caso você decida ficar em casa nesta sexta-feira 13, é melhor fechar bem as portas e as janelas para não atrair companhias indesejadas.

10. Louis Cypher - Coração Satânico

Louis Cypher é um tipo misterioso. Ele quer que o detetive Harry Angel localize o famoso cantor Jhonny Favorite, desaparecido há anos. Mas quais os verdadeiros motivos que movem Cypher? Se você estiver pensando em aceitar um servicinho extra nesta sexta-feira 13, pense bem antes de assinar o contrato.

11. Arcebispo da Cantuária - Abominação

O arcebispo da Cantuária descobriu feitiços que poderiam impedir a invasão dos vikings. Os velhos pergaminhos detalham uma poderosa magia que seria capaz de criar um exército invencível. Mas há um preço a ser pago. E garanto que você não quer ficar no caminho do arcebispo para descobrir que preço é esse, especialmente numa sexta-feira 13.

12. Frank Cauldhame - Fábrica de Vespas

Um menino de 16 anos que já matou três pessoas (incluindo seu irmão mais novo e sua prima) e que gosta de fazer pequenos experimentos violentos com animais e registrá-los em um diário, a fim de aplacar o tédio do seu dia a dia em vilarejo afastado em uma ilha escocesa. Se você não tiver medo de brincar com fogo, um passeio com Frank é uma boa pedida para a sua sexta-feira 13.

13. Stephen King 

Para encerrar, quem poderia ser uma companhia mais caveirosa que o homem que criou mundos, medos e monstros e nos mostrou que os piores costumam viver dentro de nós? Uma receita infalível para a sua sexta-feira 13, sem dúvida, é a companhia do mestre Stephen King.

 

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