Maja Norberg foi acusada pelo tiroteio que ocorreu em sua escola, supostamente assassinando diversos colegas de aula. Agora, não apenas precisa encarar o julgamento tendo apenas seus advogados como aliados, mas também precisa lidar com o fato de que todos os seus amigos estão mortos e que ela foi a única sobrevivente.
O livro é narrado em primeira pessoa por Maja, que aos poucos vai expondo os acontecimentos que ocorreram antes do tiroteio e nos mostrando o andamento do julgamento. Confesso que não gostei muito do texto de Giolito, pois achei que a autora violou a sagrada regra do “show, don’t tell” (mostre, não conte). Como consequência, a leitura se torna pouco envolvente pois apenas lemos uma descrição dos acontecimentos.
Também preciso admitir que achei as primeiras cem páginas arrastadas, uma vez que Maja parece estar perdida em pensamentos e divaga sobre absolutamente tudo, menos sobre o que realmente queremos saber. Creio que a intenção da autora ao utilizar deste recurso fosse mostrar que a protagonista ainda estava em choque e, sem conseguir superar o trauma, não conseguia processar o que acontecera na escola. E apesar de achar a tática interessante, Giolito pesou demais a mão deixando a estória maçante.
Passada essa parte, o livro dá uma guinada e a narrativa deixa de ser tão dispersa e passa abordar diretamente o que aconteceu. Vamos desvendando a relação entre ela e Sebastian — o outro aluno responsável pelos disparos, mas que foi morto por Maja —, seus colegas de aula e pais, a ponto de entender todo o contexto que culminou com o tiroteio.
“Não acredito em coincidências. Também não acredito em Deus. O que acredito é que tudo o que acontece está conectado ao que aconteceu no passado, como elos em uma corrente. É predeterminado? Não. Como poderia ser? Mas não é o mesmo que dizer que algo simplesmente aconteceu. A lei da gravidade não é aleatória. A água aquece e se torna vapor. Isso não é aleatório, nem prova da justiça divina. Simplesmente é.” (GIOLITO, 2019, p. 326)
Mas o ponto alto certamente é quando o julgamento avança, chegando o momento que a defesa assume os holofotes e finalmente somos apresentados a versão de Maja dos acontecimentos. É neste momento que a estória se torna mais ágil e envolvente, além de conseguirmos juntar as peças do quebra-cabeça sobre o que aconteceu naquele fatídico dia.
Ao fim da leitura, percebi que o foco da autora era muito mais o drama de Maja do que o evento que ela protagonizou. Assim, creio que não consegui me envolver tanto com a estória pois minha expectativa era justamente entender como aconteceu o crime e acompanhar seu julgamento.
Apesar de ser uma estória interessante, fiquei com a sensação de que Areia Movediça tinha mais a oferecer e que acabou sendo subaproveitado. Creio que reduzindo o número de páginas e focando mais nos eventos e menos no drama, o resultado teria sido mais envolvente.
Autora: Malin Persson Giolito
N.º de páginas: 350
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora
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