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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

RESENHA: O Clube de Escrita de Jane Austen

O Clube de Escrita de Jane Austen
Quem acompanha o blog sabe que sou confesso e incondicional de Jane Austen. Além disso, também estou no processo de revisão de meu livro. Então, quando vi que editora Bertrand Brasil iria lançar O Clube de Escrita de Jane Austen, não tive dúvidas de que seria uma leitura obrigatória. 

Como é de se esperar, O Clube de Escrita de Jane Austen é um guia para escritores, o qual irá abordar temas como enredo, desenvolvimento de personagens, diálogos, cenários, tendo como ponto de partida as obras da autora. 

O primeiro registro que eu faço é o mais óbvio: o livro escrito por Rebecca Smith tem um público alvo bastante limitado. Assim, se você não for um fã de Jane Austen aspirante a escritor, este livro não é para você. Aliás, registro também que se você não leu todos os livros da autora, corre o risco de pegar spoilers.

Smith fez um trabalho meticuloso destrinchando não apenas a obra de Jane, mas também o que ela escrevia nas cartas que trocava com seus familiares. Assim, vemos uma análise sistemática não apenas de como Jane desenvolvia suas estórias, mas também descobrimos as opiniões que expressava sobre o ofício de escrever em suas correspondências.

“Ironia é a base da obra de Jane Austen. Há ironia no tom de narração, ironia verbal, ironia nas situações dos personagens e ironia dramática. O uso que ela faz da ironia constrói uma relação entre a autora e o leitor e entre o leitor e os personagens. Jane Austen dá aos leitores o crédito da inteligência para compreenderem o que está acontecendo, para captarem as piadas e entenderem as emoções e os predicados de seus personagens sem que as coisas sejam colocadas de maneira óbvia.” (SMITH, 2017, p. 171)

Um dos fatores que mais me agradou no livro é o fato de que Smith é extremamente prática, de modo que o livro é recheado com propostas de exercícios. Ou seja, a cada tópico abordado a autora sugeria um exercício para colocar em prática o novo aprendizado. E devo registrar que diversos exercícios já estão me auxiliando enquanto reviso meu livro. 

Porém, um aspecto que tornou a leitura um pouco cansativa foram os longos trechos extraídos da obra de Austen que serviam para ilustrar os argumentos da autora. Entendo que a intenção de Smith era deixar que a própria mestre ensinasse aos alunos, mas a tática foi utilizada de forma excessiva a meu ver. 

O Clube de Escrita de Jane Austen foi uma ótima leitura, que não apenas abordou aspectos da obra de Jane que nunca haviam me ocorrido, mas que também se mostrou uma ferramenta útil para quem deseja escrever. 

Título: O Clube de Escrita de Jane Austen
Autora: Rebecca Smith
Editora: Bertrand Brasil
N.º de páginas: 291
Exemplar cedido pela editora

Comprar: Amazon
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terça-feira, 9 de agosto de 2016

RESENHA: Emma

“A vaidade trabalhando em uma mente fraca produz muitos tipos de danos.” (AUSTEN, 2015, p. 346).

***

Emma é uma jovem rica de vinte e dois anos que, após o casamento da irmã, passou a governar a casa onde mora com seu pai. Apesar de não ter interesses amorosos, tampouco a intenção de se casar, ela se diverte tentando arrumar um bom partido para Harriet, sua nova protegida, ignorando as objeções de seu cunhado, sr. Knightley. Quando seus planos tomam rumos inesperados, Emma percebe os problemas que suas intromissões causaram na vida dos envolvidos. 

Confesso que demorei a me envolver com a estória e o motivo principal foi a protagonista. Emma me pareceu uma jovem superficial, fútil e que tinha um conceito muito elevado de si mesma. Acima de tudo, Emma é egocêntrica, pois não apenas espera que a vida da cidade de Higbury gire ao seu redor, mas também acha que suas opiniões e seus juízos sempre estão corretos, desdenhando das posições contrárias as suas. Mas a característica que mais me incomodou foi o preconceito latente e o sentimento de superioridade em relação aos outros. 

Uma das ocupações de Emma era fazer as vezes de cupido, entretanto, a personagem tinha pouca aptidão para discernir os verdadeiros sentimentos alheios, o que a levava a dar péssimos conselhos e a criar situações embaraçosas. Felizmente, ela aprende com os erros e aos poucos começa a amadurecer, deixando transparecer seu lado mais humano e sensível. É essa mistura de bondade e esnobismo que faz de Emma uma personagem memorável, que consegue ser, ao mesmo tempo, heroína e vilã. 

A narrativa é em terceira pessoa, entretanto, trata-se de um texto que vem permeado pelas impressões e emoções de Emma. Assim, um dos grandes baratos do livro é tentar desvendar o que realmente está acontecendo, pois a imaginação fértil somada aos preconceitos de Emma sempre a levavam a enxergar coisas que não estavam lá ou a ignorar as que estavam, de forma que o leitor não pode se fiar em suas interpretações dos fatos.

Emma é, sem sombra de dúvidas, o cerne da obra, e não por menos seu nome dá título ao livro. O que vemos é sua jornada de crescimento e amadurecimento, sendo os demais acontecimentos simples panos de fundo para o desenvolvimento da protagonista. Em virtude disso, o livro conta com um ritmo mais vagaroso e com poucas reviravoltas. 

Outro fator que chama atenção é que Emma é uma protagonista completamente diferente das demais heroínas de Jane Austen. Creio que a intenção da autora foi mostrar o ponto de vista de alguém que estivesse no centro de uma família abastada, revelando a cultura que pregava a superioridade de uma classe social em relação às outras. Emma é a personificação desse mundo de aparências e vaidades, que valoriza mais o sangue e o dinheiro do que outras qualidades. E por isso mesmo, eu diria que esta é a crítica social mais clara e contundente de Austen, pois expõe uma forma de pensar mesquinha e obtusa. 

Emma foi o último dos seis romances de Jane Austen que li e fico feliz que tenha sido assim. Isso por que o livro, apesar de não ter uma trama tão complexa, certamente apresenta uma personagem que não é fácil de ser compreendida em virtude de sua ambiguidade e que demora a despertar a empatia do leitor. Se este tivesse sido meu primeiro contato com a autora, tenho dúvidas se teria apreciado a genialidade na construção da personagem, bem como as críticas sociais. 

Esta edição digna de colecionador também conta com os livros “Mansfield Park” e “A Abadia Northanger”.


 
Título: Emma (exemplar cedido pela editora)
Autora: Jane Austen
N.º de páginas: 767
Editora: Martin Claret

sexta-feira, 1 de julho de 2016

RESENHA: A Abadia de Northanger

“— [...]. Diz o Tilney que não há nada sobre o que as pessoas mais se iludam do que os próprios sentimentos, e acho que ele tem toda razão.” (AUSTEN, 2015, p. 701).

***

Li A Abadia de Northanger pela primeira vez no final de 2011, mas em virtude do final do semestre, acabei protelando a leitura por mais de um mês. E além de não ter aproveitado a leitura tanto quanto poderia, confesso que mal me lembrava da estória, de modo que estava decidido a reler o livro assim que possível. 

Catherine, uma jovem de dezessete anos, é convidada a passar algumas semanas na cidade de Bath com amigos de sua família. Ela logo se torna amiga íntima de Isabella, e posteriormente vem a conhecer Eleanor e Henry Tilney, irmãos que a convidam a visitar a Abadia de Northanger. 

Chama atenção logo nos primeiros capítulos que Jane Austen adotou um estilo despretensioso ao escrever A Abadia de Northanger. Além de um texto mais leve e uma heroína improvável, a autora também satiriza e critica diversas situações, mas sempre mantendo o bom-humor e a ironia tipicamente inglesa. 

Este foi o primeiro livro escrito pela autora (e talvez por isso mesmo mais despretensioso), ficando claro que sua habilidade narrativa ainda estava em desenvolvimento. Confesso que senti falta da narrativa poética e musical que sempre me encanta, mas tal ausência em nada desmerece a obra. Entretanto, em virtude dessa linguagem mais simples, creio que este seja o livro ideal para quem nunca leu alguma obra de Austen   por medo de encontrar um texto rebuscado  tenha seu primeiro contato.

Ouso dizer que A Abadia de Northanger poderia muito bem ser o precursor de dois gêneros literários muito em voga atualmente: Romance de Formação e Young Adult. A evolução e o amadurecimento de Catherine são palpáveis ao longo do livro, que deixa de ser uma menina ingênua e crédula. Mas o livro também tem traços de Young Adult ao retratar dramas adolescentes, como amizades, decepções e relacionamentos amorosos. 

Apesar de ser um romance, não espere encontrar em A Abadia de Northanger uma paixão avassaladora, nem obstáculos intransponíveis. O cerne da obra certamente é a jornada de Catherine, seu processo de autoconhecimento e de aprendizagem sobre as diversas facetas da natureza humana. 

Como era de se esperar, Jane Austen mais uma vez brilha na construção dos personagens. Acho incrível como a autora faz descrições concisas a respeito da personalidade de cada um, deixando a cargo do leitor descobrir a essência deles a partir de suas ações e de seus diálogos. 

Leve, divertido e reflexivo, A Abadia de Northanger revela um lado de Jane Austen menos conhecido do público, mas que igualmente transborda talento e sagacidade. 

Esta edição também conta com os livros “Mansfield Park” e “Emma”, sendo impossível não elogiar o capricho da Editora Martin Claret. 


Título: A Abadia Northanger (exemplar cedido pela editora)
Autora: Jane Austen
N.º de páginas: 767
Editora: Martin Claret

sábado, 25 de abril de 2015

RESENHA: Mansfield Park

“Tudo dependia de uma única pergunta. Ela o amava suficientemente para abrir mão de coisas que até então considerava essenciais? Amava-o suficientemente para deixar de ver essas coisas como essenciais? E a resposta a essa pergunta, que ele repetia para si mesmo sem cessar, geralmente era um ‘sim’, porém às vezes era um ‘não’.” (AUSTEN, 2014, p. 345-6).

***

Quem acompanha o blog sabe que sou fã incondicional de Jane Austen, e sentia uma culpa enorme por não ter terminado de ler toda a sua obra. Por isso mesmo, minha meta de leitura para esse ano incluía pelo menos um livro não lido da autora, e o escolhido da vez foi Mansfield Park. Infelizmente, não foi uma boa opção. 

Filha de pais humildes e com poucas perspectivas, Fanny Price é adotada por seus abastados tios, Lady e Sir Bertram, sendo levada para Mansfield Park, onde é criada com os quatro primos. Anos depois, vemos a tranquila convivência familiar ser abalada com a chegada do sr. Rushworth e dos irmãos Henry e Mary Crawford, ante a expectativa de desejáveis enlaces matrimoniais. 

É impossível começar a resenha de Mansfield Park sem falar de Fanny, uma protagonista que não sabe protagonizar, visto que é a personificação da passividade e, portanto, limita-se a assistir aos acontecimentos que ocorrem a sua volta. Em um primeiro momento, imaginei que tal atitude até seria justificável, visto que Fanny cresceu ao lado dos primos sabendo que não era igual a eles, então, talvez sua passividade fosse oriunda de um complexo de inferioridade. Entretanto, logo constatei que as demais atitudes e pensamentos não se coadunavam com tal complexo, de modo que descartei a teoria. Verdade seja dita: Fanny não parece uma protagonista criada por Jane Austen, a mente por trás de outras tantas heroínas da literatura, que brilham justamente por serem independentes, fortes, dinâmicas e audaciosas, mas também lúcidas e racionais. 

Creio que ler livros clássicos é uma das mais interessantes formas de apreender os hábitos e costumes dos tempos de outrora. Ainda assim, me surpreendi com a aversão desmotivada da protagonista ao cortejos e galanteios de outro personagem. Se compararmos com Orgulho e Preconceito, é fácil perceber que a aversão de Elizabeth por Mr. Darcy se dá por uma série de desentendimentos plausíveis e coerentes. O mesmo não se pode falar de Fanny, que simplesmente coloca uma ideia na cabeça, fazendo o pior juízo do cavalheiro, em virtude de uma atitude que não me parece ter tanta importância, mesmo para os padrões daquela época. 

A percepção que eu tinha dos demais personagens não se assemelhava com a percepção de Fanny. A meu ver, parecia que ela estava em um pedestal de moralismo, de onde julgava os outros, exacerbando os defeitos alheios e deixando de enxergar os seus. Ao final, para justificar esta disparidade de percepções, uma série de eventos ocorrem com o único propósito de confirmar os julgamentos da protagonista, e que não me pareceram condizentes com o restante da estória. A verdade é que as condutas dos personagens não se mostraram compatíveis com suas personalidades, ficando claro que autora forçou elementos dissonantes no desfecho da trama apenas para contar a estória que tinha em mente. Jane Austen, que sempre fez um ótimo trabalho retratando o ser humano, me pareceu vilanizar aqueles que não eram maus em sua essência, mas pessoas normais, com qualidades e defeitos. 

De todos os livros da autora que já li, certamente Mansfield Park é aquele que coloca em ênfase os defeitos dos personagens acima de suas qualidades: mesquinharia, inveja, irresponsabilidade, insegurança, arrogância, desprezo, entre tantos outros. Austen expôs os defeitos de todos e, sendo conhecedora da alma humana, poderia ter criado, mais uma vez, um romance universal, com o qual pessoas de todos os cantos do mundo poderiam se identificar. O problema é que faltou carisma em seu elenco, tanto é que achei difícil me envolver com a estória, pois não simpatizei com nenhum deles.

Mansfield Park é reputado pelos críticos como a obra mais complexa de Jane Austen, e esta avalição é certeira. Por um lado, temos um vasto número de personagens, que no início da estória chegam a ofuscar a própria heroína e sua jornada. Por outro, temos uma narrativa onisciente que se mescla com os pensamentos e sentimentos de Fanny, dando a sensação de que há informações contraditórias. Por fim, Mansfield Park apresenta um viés ideológico e moralista acentuado, que não é facilmente absorvido. 

É claro que o texto de Jane Austen ainda é soberbo, porém, por mais que eu admire a autora, me dói admitir a verdade: não gostei de Mansfield Park. Apesar de sua complexidade, creio que o maior problema da obra é sua protagonista insossa, vulnerável e irritante. Se Fanny Price tivesse uma personalidade mais agradável e menos introspectiva, certamente os rumos da obra seriam outros. Ou, pelo menos é isso que quero acreditar. 

Título: Mansfield Park (exemplar cedido pela editora)
Autora: Jane Austen
N.º de páginas: 606
Editora: Penguin Companhia 

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Conexões Além da Contracapa #19

Jane Austen foi uma importante escritora inglesa que usava de personagens femininas fortes, diálogos sagazes e ironia em seus livros. Austen jogava de acordo com as regras da época: quase sempre as mulheres precisam casar para garantir o seu sustento, mas o que diferencia suas personagens das demais dos romances clássicos é a personalidade marcante (algumas são determinadas, outras não se dobram às vontades alheiras e algumas são até mesmo manipuladoras). Uma de suas obras mais importantes é...

...“Orgulho e Preconceito”, o romance entre Elizabeth Bennett e Mr.Darcy que supera as barreiras sociais e os equívocos das primeiras impressões, fazendo ainda hoje (mais de 200 anos após a sua publicação) muitos leitores suspirarem. Apesar de ser ambientada na sociedade provinciana inglesa do século XVIII, a história conta com tantos elementos atemporais que continua inspirando novas adaptações e releituras, entre elas...

...a web serie “The Lizzie Bennet Diaries” que traz para os dias de hoje o romance de Elizabeth e Darcy, conseguindo manter de maneira admirável a essência da história e dos personagens apesar de usar de uma ambientação e situações completamente diferentes. A web série (que também deu origem ao seu próprio livro - “O Diário Secreto de Lizzie Bennet”) tem início quando a protagonista começa um vlog e foi criada por...

...Hank Green que tem uma experiência pessoal com vlogs, já que, em 2007, começou o canal do Youtube “Vlogbrothers” com seu irmão...

...o escritor John Green, autor de vários best-sellers, entre eles “O Teorema Katherine” que conta a história de Colin Singleton, um jovem prodígio que acabou de levar o seu décimo nono pé da bunda, momento a partir do qual ele decide criar um teorema para prever os términos dos relacionamentos. Katherine é o nome de todas as 19 ex-namoradas de Colin e é também o nome da protagonista do clássico...

...“O Morro dos Ventos Uivantes”, a intensa, infeliz e trágica história de amor de Catherine e Heathcliff, ele um órfão adotado pelo pai dela que, por sua vez, é uma menina de família rica. A autora de “O Morro dos Ventos Uivantes” é Emily Brontë, irmã de Charlotte Brontë, autora de...

...“Jane Eyre”, outro clássico da literatura inglesa, que conta a história de uma jovem órfã que se torna preceptora na casa de um homem rico e se apaixona por ele. “Jane Eyre” foi um marco importante da literatura pelas características feministas da obra, abordando temas como a emancipação da mulher, fazendo de sua protagonista uma das mulheres mais fortes e de personalidade marcante da literatura clássica, característica que compartilha com algumas das personagens de Jane Austen.

sábado, 13 de setembro de 2014

Quem vem para o jantar? # 22

"Quem vem para o jantar?" é a coluna mensal do Além da Contracapa em que um jantar fictício se torna a ocasião em que personagens e autores interagem em encontros inusitados. 

Há meses planejávamos a festa do nosso aniversario de três anos. As histórias sobre os encontros históricos dos aniversários anteriores já circulavam no universo literário e muitos dos nossos convidados em potencial manifestavam interesse em comparecer. 

Um deles foi George R.R. Martin. Nos sentimos honrados com o interesse do escritor, porém, usando de muita diplomacia, encontramos um jeito de não convidá-lo. Entre nós, decidimos: É melhor deixá-lo em casa trabalhando no sexto livro. Se ele ficar indo em festas desse jeito, já pensou quando vai terminar a série? Além disso, todos sabemos o que Martin gosta de fazer com festas. Ainda assim, lhe mandamos uma mensagem carinhosa (e levemente chantagista):

Quando você terminar o último livro, sediaremos a festa em Westeros e você será o convidado de honra. 

Há algumas semanas, começamos a enviar os convites e foi com estranheza que recebemos inúmeras respostas de recusas. Eram as desculpas mais estapafúrdias vindas de pessoas que tinham tudo para inventar ótimos pretextos (afinal, é de inventar histórias que nossos convidados vivem). J.K. Rowling nos disse que fora informada que uma violenta espécie de gripe draconiana estava assolando a américa, enquanto Isaac Azimov alegou estar fazendo pesquisa de campo para seu próximo livro. E então uma das mensagens nos fez entender o porquê de tantas recusas (não revelaremos aqui o conteúdo para não entregar quem foi o autor), basta dizer que o local que escolhemos para sediar nosso tão aguardado evento estava assustando os nossos convidados (e eles ainda nem haviam chegado aqui!). Ora... e nós que pensamos que o Hotel Overlook seria, além de tudo, prático, já que os convidados poderiam se hospedar para passar a noite depois da festa e seguir para casa no dia seguinte. 

Mas já era tarde demais para mudar e muita gente interessante havia confirmado presença. 

Nossas primeiras convidadas chegaram juntas. Elas que nunca faltaram às nossas festas e nunca nos decepcionaram quando recorremos a elas como leitores: Agatha Christie e Jane Austen. Sabendo já serem “da casa”, ambas se ofereceram a ajudar nos bastidores do evento, mas recusamos a gentileza, pois queríamos que elas aproveitassem essa noite tanto quanto as outras.

E por falar nas outras noites, quem também faltou a nossa comemoração foi Michael Connelly, alegando que havíamos lido poucos livros dele nos últimos tempos. Uma pena, mas compreendemos já que realmente temos negligenciado o autor. Esperamos encontrar você ano que vem, Connelly. Entre nós, comentamos que Agatha e Jane poderiam ter usado o mesmo argumento e nos encheu de orgulho elas deixarem isso de lado e estarem conosco da mesma forma. Ambas sabem que não as esquecemos. É apenas a falta de tempo (não que isso aplaque nosso remorso).

Quem também chegou cedo foi Ernest Hemingway e foi logo pedindo pela localização do bar. Ele também nos disse que logo antes de sair de casa havia conversado com seu amigo de longa data F.Scott Fitzgerald que lhe dissera o quanto lamentava não vir a festa desse ano, pois a do ano passado havia sido “digna de Jay Gatsby”. 

Distraídos pelas poucas, porém precisas, palavras de Hemingway, não percebemos a presença de Guilhermo Del Toro e Chuck Hogan, que não apenas foram os primeiros a responder nosso convite, mas assim que chegaram começaram a explorar o hotel. Pelo que entendemos, os autores da Trilogia da Escuridão estavam empolgados com oportunidade de encontrar as meninas gêmeas que supostamente assombravam o local. Quando deram sua aventura por encerrada e retornaram à festa, narraram a empreitada:

— Estávamos no corredor do terceiro andar quando as luzes começaram a piscar, até apagarem por completo. — disse Del Toro, enquanto Hogan virava uma dose de tequila. — Ouvíamos murmúrios incompreensíveis e o ar parecia ficar mais frio a cada passo. 

Os convidados que ouviam a estória seguraram a respiração involuntariamente, enquanto Hogan continuava:

— De repente, um grito horripilante começou a ecoar. Vocês não ouviram daqui?

Todos menearam a cabeça, negativamente. O autor estava prestes a continuar sua narrativa, mas então Guilhermo não conseguiu mais segurar sua gargalhada:

— Não acredito que vocês caíram nessa. 

Todos pareciam estar se divertindo, mas estávamos preocupados. Nosso convidado de honra estava atrasado, o que era muito estranho sendo ele um suíço. Mas a partir do momento em que ele chegou, foi difícil distribuirmos a nossa atenção igualmente a todos os nossos maravilhosos convidados. Joel Dicker, como já fizera antes durante seu “A Verdade sobre o Caso Harry Quebert” soube nos envolver com suas palavras de maneira que esquecemos todo o resto. Eventualmente nos afastamos movidos por uma especial curiosidade em ver com quais autores Dicker interagiria já que seu livro mistura tantos gêneros tão habilmente.  

Não foi uma surpresa ver que o jovem autor buscou a companhia de Charles Dickens, dizendo ter adorado a jornada de Pip e que “Grandes Esperanças” era um de seus livros de cabeceira. Joel também confidenciou sua preocupação acerca da adaptação cinematográfica de seu livro, ao que Dickens retrucou:

— Nenhuma adaptação consegue suprir nossas expectativas. Se quer meu conselho, não assista e poupe-se do sofrimento. 

Não pudemos deixar de rir do comentário amargurado do escritor, visto que conferimos a malfadada série da BBC inspirada na obra. 

Deixamos Dicker se aconselhando sobre sua promissora carreira com o grande Dickens e fomos para outro canto do salão, onde encontramos o ancião Pittacus Lore falando com nostalgia sobre o planeta de Lorien para Richelle Mead e Suzanne Collins (que, por sua vez, não sentia falta alguma de Panem e estava muito bonita em um vestido desenhado por Cinna). Enquanto os autores se dedicaram a discutir os rumos da literatura fantástica, tivemos a impressão de ver um lírio discretamente tatuado no pescoço de Richelle. Curiosos e intrigados, tentamos averiguar se aquela seria a tatuagem que imaginávamos, mas a autora, ao perceber nosso interesse, jogou seu cabelo sobre o pescoço e piscou pra nós.

A noite estava querendo virar madrugada quando recebemos uma mensagem de um convidado que fez muita falta, mas não pode comparecer visto que na véspera fora sua própria festa de aniversário. Suas palavras eram inconfundíveis: 

“Lembrem-se de verificar a caldeira e aproveitem a festa. Nos vemos, qualquer dia desses, no escuro. Steve.”

Trocamos um olhar misto de divertimento e preocupação. Não custava nada verificar a caldeira...de novo. 

Agatha e Jane foram as primeiras a ir embora e Dickens fez questão de acompanhar as damas em segurança. Aos poucos, os outros convidados os seguiram, com exceção de Guilhermo e Chuck, que foram os únicos que aceitaram dormir no hotel. Esperamos que tenham sido deles os barulhos estranhos que ouvimos durante a noite.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Lista de Releituras # 09

Lista de Releituras é a coluna mensal em que falamos sobre os livros que já lemos e temos muita vontade de ler novamente, mas que, por diversas razões, não chegaram a ser resenhados no blog

Título: Orgulho e Preconceito
Autora: Jane Austen
Sinopse: Na Inglaterra do final do século XVIII, as possibilidades de ascensão social eram limitadas para uma mulher sem dote. Elizabeth Bennet, de vinte anos, uma das cinco filhas de um espirituoso, mas imprudente senhor, no entanto, é um novo tipo de heroína, que não precisará de estereótipos femininos para conquistar o nobre Fitzwilliam Darcy e defender suas posições com perfeita lucidez de uma filósofa liberal da província. Lizzy é uma espécie de Cinderela esclarecida, iluminista, protofeminista. Neste livro, Jane Austen faz também uma crítica à futilidade das mulheres na voz dessa admirável heroína — recompensada, ao final, com uma felicidade que não lhe parecia possível na classe em que nasceu.” (sinopse retirada do Skoob). 

Ocasião da primeira leitura: fevereiro de 2011

Por que está na lista de releituras: porque Jane Austen não apenas é uma das minhas autoras favoritas, como a obra é um dos meus livros favoritos de todos os tempos.

Comentários: O grande diferencial de autora é sua habilidade em escrever romances profundos e abordar temas de caráter universal, e em Orgulho e Preconceito isso fica ainda mais evidente, pois a obra abrange uma gama de assuntos que vão desde ambição e vaidade até humildade e amor.  

Outro ponto que merece destaque é a narrativa simplesmente perfeita de Austen, que consegue ser poética, reflexiva, rebuscada e irônica. Creio que em se tratando de qualidade da narrativa, pouquíssimos autores chegam ao patamar de Jane (aliás, o único que me vem a mente é Charles Dickens, que também possui as qualidades acima citadas). 

Seus personagens, sem exceção, possuem alto nível de verossimilhança. Me impressiona como a autora consegue demonstrar a personalidade dos personagens através de suas condutas e de suas falas. Mr. Collins, por exemplo, é reconhecido por ser uma pessoa enfadonha muito mais por seus diálogos insossos do que pela descrição que autora fez dele. 

Embora não fosse fã de livros românticos, a inesquecível estória de Elizabeth Bennet e Mr. Darcy me cativou como poucos livros conseguiram fazer. Dito isto, é evidente que planejo reler o livro, mas antes pretendo ler os demais livros da autora que ainda não tive a oportunidade de conferir (Emma e Mansfield Park). 

P.S.: Para aqueles que estejam se questionando, sim, pretendo fazer a releitura em inglês, graças a maravilhosa edição de colecionador que me foi presenteada. Afinal, nada como poder conferir uma obra que se admira em sua língua original. 



segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Quem vem para o jantar? # 21

"Quem vem para o jantar?" é a coluna mensal do Além da Contracapa em que um jantar fictício se torna a ocasião em que personagens e autores interagem em encontros inusitados. 

No ano passado, a festa do nosso primeiro aniversário surpreendeu a todos os convidados. Então, esse ano, com a intenção de fazer algo ainda melhor, decidimos fazer um evento mais elegante. Tendo isso em mente, entramos em contato com Mr. Darcy e Elizabeth, os quais, de bom grado, cederam o espaço para a nossa comemoração: a casa de Pemberley.

Estando em um local tão requintado e suntuoso, é claro que o nosso jantar subiu para o nível de banquete. O único problema é que precisaríamos limitar o número de convidados. Assim sendo, optamos por reduzir a lista apenas a autores que conhecemos desde a última festa, mas sem esquecer, é claro, de três convidados que terão sempre lugar de honra nos nossos eventos. Tendo a decoração e o cardápio definidos, mal podíamos esperar a chegada de nossos queridos convidados.
  

O primeiro a chegar foi F.Scott Fitzgerald e ele vinha sozinho. Sua esposa  a também escritora Zelda Fitzgerald  ficara em casa, pois um pouco antes de sair o casal tivera uma de suas brigas. Aceitando a primeira de muitas taças de champagne, Scott nos deu o maior elogio da noite:

— Essa é uma festa digna de Jay Gatsby!

Pouco depois de Fitzgerald chegavam Agatha Christie e Jane Austen, mantendo a tradição da pontualidade britânica. Nem é preciso dizer que estávamos extasiados em ter novamente a presença  dessas grandes damas. Jane, porém, logo se dispersou, mas Agatha se manteve conosco e, a pedidos, contava a respeito de sua última expedição na companhia do marido.

— A Mesopotâmia é fascinante!

Mesmo sem envolver em seus relatos os crimes pelos quais é tão conhecida, a Dama do Crime fascinou a todos com o seu relato e aos poucos os convidados a cercavam para ouvir mais.
Percebemos que, enquanto falava, Agatha se mantinha atenta ao que acontecia ao nosso redor e acompanhava o movimento dos garçons, recusando sempre que lhe era oferecida uma bebida. Curiosos, ficamos a observar a escritora e entendemos o seu comportamento apenas ao constatar que ela só aceitou sua primeira taça de champagne quando conseguiu manter sob vigília todos os passos do garçom, desde a cozinha até que ele chegasse ao seu lado. Trocamos um olhar de compreensão e contivemos um sorriso: nossa convidada era extremamente cuidadosa com o que ingeria, afinal, ela sabia melhor do que ninguém o tipo de coisas que podem ser colocadas acidentalmente nas bebidas.

Quando a sobremesa chegou, nossos convidados já estavam mais a vontade, o que era ótimo pois nos liberava parcialmente do trabalho de anfitriões e nos permitia observar os encontros inusitados que se formavam. Foi assim que testemunhamos a aproximação de Jane Austen e seu conterrâneo Ben Aaronovitch, autor da série “Enigmas de Londres”. Após conhecer J.K. Rowling no jantar que oferecemos no ano passado, Jane ficou curiosa para ler a saga Harry Potter e, ao terminar a leitura do último livro, percebeu que se tornara fã do gênero fantástico. Assim, ela logo aproveitou a oportunidade de embarcar nas aventuras de Peter Grant, guarda da polícia metropolitana e aprendiz de mago, pelo submundo londrino.

— Como você teve a ideia de unir fantasia e suspense? — indagou Jane.
— São os meus gêneros favoritos. — respondeu o outro e, após terminar de comer uma fatia de generosa de torta, acrescentou: — Sempre tive vontade de mesclá-los.

Do outro lado da mesa, percebemos que Michael Connelly se aproximava de Elizabeth Haynes e Gillian Flynn. Ele parecia ter certo receio principalmente em relação a essa última, talvez por medo que a protagonista de “Garota Exemplar” fosse um reflexo de sua autora. De qualquer forma, era difícil acreditar que um rosto tão meigo pudesse criar uma trama tão impactante e foi isso que Connelly disse a Flynn. Ela enrubesceu, pois se disse fã das séries Harry Bosch e Michael Haller e ao perguntar sobre futuras aventuras de Jack McEvoy disse ter um carinho especial pelo protagonista de “O Poeta”.

Connelly, que começava a ficar encabulado com tanta atenção, direcionou o assunto para Elizabeth Heynes, autora de "No Escuro", sem saber que com isso as duas autoras começariam a trocar figurinhas sobre como fazer thrillers psicológicos viciantes e com isso, o deixariam de lado. 

Mas a essa hora a noite já se encaminhava para o final. Connelly se despediu das autoras e do restante dos convidados, passando na saída por Ben Aaronovitch que nesse momento conversava com Alessandro D’avenia sobre a maravilhosa experiência que tivera durante a leitura do belo “Branca Como o Leite, Vermelha Como o Sangue”.

— Certamente, foi um dos livros mais emocionantes que já li. E sua narrativa é tão impactante que me fazia parar a todo instante para refletir.

Alessandro recebeu o elogio com um sorriso no rosto e, embora tenha admitido não ter lido nenhum livro da série “Enigmas de Londres” por falta de tempo, disse que era fã da série britânica "Doctor Who", da qual Ben foi roteirista.

Agatha Christie e Jane Austen também decidiram partir aproveitando a companhia uma da outra. Podemos perceber que para Jane era difícil deixar Pemberley, afinal o lugar saíra de sua própria imaginação, mas ela já estava cansada, visto que nunca fora muito chegada a festas.

F. Scott Fitzgerald, ao contrário, ficou nos fazendo companhia até o nascer do sol.


Nosso segundo aniversário foi uma noite e tanto. 


quinta-feira, 13 de junho de 2013

Visita ao Jane Austen Center em Bath

Quando fiz meu intercâmbio, além de aprender inglês, também tive a oportunidade de viajar para algumas cidades. E é claro que como um bom bookaholic, não poderia deixar de conferir a história por trás de alguns livros. Na coluna Viagem Literária, compartilho com vocês as experiências mais marcantes que tive. 

Jane Austen Center BathSendo fã confesso e incondicional de Jane Austen, não poderia deixar de conferir o museu dedicado a autora na cidade de Bath: o Jane Austen Center.

A vida de Jane Austen em Bath

Comecemos com um pouco de história: foram os romanos que descobriram as águas termais no local e por isso construíram casas de banho, o que deu origem ao nome da cidade.

Entre maio e junho de 1799, Jane ficou por seis semanas em Bath, sendo esta experiência que a inspirou a escrever o romance A Abadia Northanger. Este livro foi concluído apenas em 1803, sendo adquirido por um livreiro, o qual decidiu não dar prosseguimento na publicação do mesmo.

Os Austens se mudaram para Bath no ano de 1801, permanecendo lá até 1806, ocasião em que Jane, sua mãe e irmã se mudaram para Southampton, visto que seu pai havia falecido no ano anterior. 

Enquanto morou em Bath, Jane começou a escrever o livro The Watsons, vindo a abandoná-lo após ter escrito dezessete mil palavras. O livro foi recentemente publicado no Brasil pela Editora Nova Fronteira, reunindo duas obras inacabadas da autora.

Em 1815, Jane deu início ao processo de escrita de Persuasão, e mesmo tendo passado nove anos sem ir à cidade, ela ainda tinha algo a dizer sobre Bath. A autora veio a falecer dois anos após, com 41 anos de idade, na cidade de Winchester, estando enterrada na Catedral de Winchester.

Ambos os livros, A Abadia Northanger e Persuasão, foram publicados postumamente pelo seu irmão, Henry Austen.

Jane Austen Center

A visita ao museu começa com uma apresentação de cerca de vinte minutos sobre a vida de Jane Austen, e logo após segue-se para a exibição, repleta de informações sobre a vida de Jane em Bath, os costumes e as tradições da cidade naquela época, assim como dados sobre os seus livros.

O museu não tem nada de surpreendente, confesso, mas para aqueles que apreciam a obra de Jane Austen vale a pena. Para mim, a visita valeu um dos suverniers mais interessante que poderia comprar na Inglaterra: uma caneta tinteiro. Nada mais inspirador para um fã de Jane Austen aspirante a escritor do que uma caneta, não é mesmo? 

No Jane Austen Center também descobri que o único desenho da autora foi feito por sua irmã, Cassandra, e atualmente se encontra em Londres, no National Portrait, museu dedicado a pinturas e fotografias de rostos. Todos as outras pinturas realizadas ao longo dos anos são inspiradas neste desenho.

Como se vê, o desenho está incompleto, de modo que se especula que Cassandra não estivesse fazendo um bom trabalho, razão pela qual não teria terminado o retrato.


Sobre a viagem

Embora a cidade seja bonita, a arquitetura é extremamente romana e bem conservada. Assim, você tem a sensação de que voltou no tempo, mas de que não está mais na Inglaterra. Como fiz uma excursão de um dia que incluía três destinos, tive tempo apenas para ir ao museu e fazer um walking tour pela cidade.

Pude passar por alguns lugares que são retratados nos livros, como o The Circus e o Royal Crescent, e preciso confessar que foi emocionante reconhecer tais locais com base nas descrições de Jane. 

O destino da próxima Viagem Literária é um endereço bem conhecido em Londres. Clique aqui agora mesmo para descobrir.


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Quem vem para o jantar? # 18

"Quem vem para o jantar?" é a coluna mensal do Além da Contracapa em que um jantar fictício se torna a ocasião em que personagens e autores interagem em encontros inusitados. 

Embora tivesse convidado o casal para irmos a uma casa de chá em Londres, ambos insistiram que eu fosse a Pemberley, a fim de conhecer a propriedade em que viviam, o que, diga-se de passagem, sempre tive curiosidade.

Cheguei no horário marcado e assim que desci da carruagem admirei o imponente e suntuoso castelo. Dois serviçais me aguardavam na porta de entrada, sendo que um deles me guiou até o recinto onde era esperado, enquanto o outro cuidava de minha bagagem.

Encontrei meus anfitriões na biblioteca e fui recebido calorosamente. Não poderia estar mais feliz com aquele encontro, visto que foi a estória de amor deles que me levou a apreciar livros de romance com maior frequência.

— Fez boa viagem? — indagou-me Mr. Darcy.
— Não poderia ter sido melhor. — respondo.
— Ótimo. — comentou Elizabeth. — Se desejar, pode subir aos seus aposentos para tomar banho ou descansar. O jantar será servido em uma hora.

Agradeci e desloquei-me até o quarto. Na hora marcada, desci para o jantar e encontrei uma longa mesa de carvalho repleta de travessas e terrinas, de modo que fiquei me perguntando se haveriam outros convidados. Confesso que fiquei satisfeito ao saber que não.

O casal desceu logo em seguida, e demos início a refeição. Não perdi a oportunidade, e pedi que me contassem como se conheceram. Evidentemente, já conhecia a estória deles. Mas imaginei que ouvi-la pessoalmente e da boca deles seria ainda mais interessante.

Mr. Darcy, com seu típico comedimento inglês, pouco falou, limitando-se a fazer comentários pontuais a fim de preencher as lacunas deixadas por sua esposa. Por outro lado, Elizabeth não se importou em narrar-me sua estória, relatando como venceram o orgulho e o preconceito — deles próprios e de suas famílias e amigos — para se casarem.

Após o lauto jantar, encerramos a noite bebendo uma xícara de chá e embalados por discussões literárias, um assunto mais impessoal, do qual Mr. Darcy pode participar com mais naturalidade.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Expectativa Literária 2013: Lista do Alê

A princípio, a Mari iria postar hoje sua lista dos melhores livros lidos em 2012. Infelizmente, o computador dela apresentou alguns problemas técnicos, de modo que fomos obrigados a antecipar minha lista de livros mais desejados. Se tudo der certo, a Mari postará suas listas quinta e sexta. 
No que tange as minhas expectativas literárias, esclareço que tendo a desejar as obras do autor como um todo, e não apenas um título em específico. 


Em quinto lugar: Jane Austen.

Sendo fã confesso e incondicional de Jane Austen, além de profundo admirador de sua escrita absolutamente perfeita, o restante de sua obra não poderia faltar na lista de mais desejados para 2013. Dos seis livros publicados pela autora, ainda não li dois, a saber, Emma e Mansfield Park, e espero conseguir ler ambos neste ano.



Em quarto lugar: Stephen King.

Após ter me surpreendido tanto com Sob a Redoma (resenha em breve) — primeiro livro que li do autor —, certamente pretendo ler outros títulos do Mestre do Terror, mesmo não sendo um entusiasta deste gênero. Entre os seus livros, os que me chamaram a atenção foram: Celular e 11/22/63 (título em inglês), este com previsão de lançamento para novembro deste ano, pela Editora Suma de Letras.


Em terceiro lugar: John Green.

Quando terminei de ler A Culpa é das Estrelas, John Green ganhou um novo fã. O autor tem uma habilidade impressionante em transformar estórias aparentemente simples e sem grandes atrativos em uma verdadeira montanha russa de emoções. Mal posso esperar pelo lançamento de An abundance of Katherines, pela Editora Intrínseca, ainda neste semestre.



Em segundo lugar: Bernard Cornwell.

Outra agradável surpresa no ano que se encerrou foi o primeiro volume d’As Aventuras de Sharpe, assim, estou extremamente ansioso para dar continuidade a leitura da saga. Vale salientar que esta série não é considerada a melhor obra do autor, título atribuído As Crônicas de Arthur, que também estão entre os desejados para este ano. 


Em primeiro lugar: Michael Connelly.

Para mim, Connelly é sinônimo de romance policial de qualidade. Vou me permitir afirmar o óbvio: o autor sabe escrever como poucos do gênero. Narrativa envolvente, personagens cativantes, trama bem concatenada, e muita, mas muita adrenalina. Eis uma fórmula perfeita. Após ter lido O Poder e a Lei e O Veredicto de Chumbo (resenha em breve), conto os dias para ler o terceiro volume da série com o advogado Michael Haller: Reviravolta





E como todo bom bookaholic, não poderia faltar uma “faixa bônus”, certo? Entre os também desejados para 2013 estão os livros dos autores: Jo Nesbo, Jeffery Deaver, Lee Child e Pittacus Lore. 

E quais são as suas expectativas literárias para este ano? 


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Retrospectiva Literária 2012: Lista do Alê

Antes que se encerrasse o ano, pretendíamos ter feito uma semana com posts especiais, elegendo as nossas melhores leituras, assim como os livros mais desejados para este novo ano. Em virtude de alguns imprevistos, isto não foi possível, de modo que dedicaremos esta semana a Retrospectiva Literária 2012 e a Expectativa Literária 2013


Em quinto lugar: Razão e Sensibilidade, de Jane Austen.

O que sempre me impressiona nos livros de Austen é a profundidade de sua narrativa. Está narrativa, quando associada ao uso de palavras consideradas rebuscadas, dão um tom poético a obra que acho fascinante. Razão e Sensibilidade, sem dúvida, reúne o melhor de Austen: além da narrativa deliciosa, somos apresentados a personagens cativantes e a estórias de amor críveis.




Em quarto lugar: O Tigre de Sharpe, de Bernard Cornwell.

O autor tem um talento nato para mesclar ficção e realidade, e criou um dos melhores romances históricos que já li. Richard Sharpe, soldado com personalidade e carisma de sobra, é um personagem que sabe protagonizar. Esteja preparado para uma estória de tirar o fôlego e uma narrativa envolvente, que fazem com que o livro seja “devorado”. 



Em terceiro lugar: O Poder e a Lei, de Michael Connelly.

Evidentemente, meu autor preferido não poderia faltar na lista de melhores do ano. Em O Poder e a Lei, Connelly mostra toda a sua genialidade, construindo um thriller jurídico viciante e repleto de adrenalina. O livro é tudo o que um fã do gênero policial pode esperar: estória verossímil, reviravoltas imprevisíveis, trama sem pontas soltas e final satisfatório. 



Em segundo lugar: A Culpa é das Estrelas, de John Green.

Um livro que tinha tudo para ser melodramático, sentimentalista e repleto de clichês, mas que, surpreendentemente, não foi. A estória de Hazel  uma adolescente com câncer terminal — é doce, engraçada, filosófica, romântica e simplesmente inesquecível. Faço minhas, as palavras de Markus Zusak: “Você vai rir, vai chorar e ainda vai querer mais”


Em primeiro lugar: Sob a Redoma, de Stephen King (resenha em breve).

Primeiramente, sinto-me obrigado a reconhecer que é impossível resumir uma obra tão complexa em poucas linhas. Uma premissa simples, mas que suscita uma questão de profundidade espantosa: em uma sociedade em que os limites são paulatinamente quebrados, o que pode acontecer? King responde a questão narrando sobre como a vida de pessoas comuns que vivem em uma cidade comum, é impactada quando o inimaginável ocorre. Personagens críveis, trama magistral e narrativa envolvente fazem de Sob a Redoma não apenas o melhor livro de 2012, mas um dos melhores livros que já li.  





E quanto a você, caro leitor, quais foram os melhores livros lidos no ano de 2012? Não deixe de nos contar.


 

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