Aos onze anos de idade, Rob perdeu ambos os pais e agora se vê órfão, sem a possibilidade de ajudar seus irmãos. Sem outra alternativa, ele acaba virando aprendiz de um barbeiro-cirurgião e acaba descobrindo um dom. Ao longo dos anos Rob fica cada vez mais interessado pela medicina e quando houve falar sobre uma escola na Pérsia onde a medicina é uma ciência muito mais avançada do que na Inglaterra, ele não pensa duas vezes antes de partir.
O Físico é o típico livro em que acompanhamos uma trajetória de vida. Conhecemos Rob ainda criança, vemos sua adolescência e a conturbada entrada na vida adulta. Assim, sabemos quais são seus medos e cicatrizes, entendemos o que o motiva e, principalmente, compreendemos as razões de suas atitudes e pensamentos.
Além disso, O Físico conta com um elenco de coadjuvantes muito bem desenvolvidos, com destaque para os mentores de Rob: primeiro Barber, depois Ibn Sina. Fica claro que Gordon fez questão de criar personagens multifacetados, mesmo aqueles não tinham muita importância para o desenvolvimento da estória.
Entretanto, o fato é que o livro é extremamente longo, sendo que alguns trechos me pareceram completamente desnecessários, como a longa viagem da Inglaterra à Pérsia, que foi minuciosamente detalhada em cerca de oitenta páginas. Dessa forma, ao focar em eventos que pouco interessavam ao leitor, Gordon apenas quebrou o ritmo da narrativa e deixou o leitor com a sensação de ler e não sair do lugar.
O ponto alto do livro — e fator que chamou minha atenção na sinopse e que motivou minha leitura — é o início da educação de Rob na Pérsia, o que só tem início na página 303, ou seja, mais da metade do livro. Apesar de entender a opção do autor em mostrar todo o desenvolvimento do personagem, começando por sua infância, creio que ele demorou demais para entregar aquilo que o leitor estava esperando. E confesso: este aspecto certamente desmotivou minha leitura.
“— Já pensou — perguntou Rob — como cada religião reivindica a posse do coração e dos ouvidos de Deus? Nós, vocês e o islã, cada um diz que sua religião é a verdadeira. Será que nós todos estamos errados?— Talvez estejamos todos certos — respondeu Mirdin”. (GORDON, p. 429, 2018)
Um aspecto que merece destaque é o choque cultural vivenciado pelo protagonista, que sai de um país cristão, se passa por judeu e começa a estudar em uma escola muçulmana. Ainda assim, o autor conseguir mostrar que, apesar das diferenças das religiões e de cultura, o ser humano ainda é igual em sua essência, tanto nas qualidades quanto nos defeitos.
Preciso confessar que estou muito acostumado com livros que se passam no ocidente e achei uma experiência positiva ir para um canto do mundo desconhecido por mim e que conseguiu mostrar uma cultura que muitas vezes é ignorada nas artes.
Cabe registrar que não entendi a opção de tradução do título, visto que a primeira definição para “physician” no dicionário Oxford é médico. E considerando que a saga de Rob diz respeito a sua busca para se tornar médico, a tradução de “O Físico” ficou um pouco estranha.
Apesar das minhas ressalvas, encerro reconhecendo que gostei da estória de O Físico e simpatizei com o protagonista. Mas creio que a leitura teria sido mais marcante e impactante se o autor não tivesse pecado pelo excesso.
Autor: Noah Gordon
N.º de páginas: 590
Editora: Rocco
Exemplar cedido pela editora
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