Para quem não sabe, sou formado em Direito e atuei por alguns anos como advogado criminalista, e por causa deste histórico não consegui levar a sério alguns livros policiais brasileiros, pois os autores pareciam desconhecer como se dá o trabalho investigativo em nosso país. Mas estava com expectativa em alta para conferir Bom dia, Verônica justamente pelo fato da autora contar com experiência policial e possuir conhecimento prático sobre o que escreve.
Verônica Torres é uma escrivã de polícia que foi “promovida” a secretária pessoal do Delegado Carvana, titular do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa. Agora, suas funções limitam-se as tarefas burocráticas, sendo mantida a distância de qualquer investigação. Tudo muda quando Marta Campos — uma mulher que caiu no golpe “Boa noite, Cinderela” — se suicida no departamento. Contrariando a orientação de engavetar o caso, Verônica parte em uma investigação particular para capturar o homem que enganou Marta. E por causa da repercussão do caso, Veronica é contatada por Janete, que acusa o marido da prática de crimes bárbaros e implora por ajuda.
Demorei a me envolver com a estória e creio que em boa parte isso se deva a protagonista e narradora, que não é muito carismática. Entretanto, reconheço que tal característica é compatível com o perfil de Verônica, uma pessoa atormentada pelos fantasmas do passado, que convive com a violência e a impunidade diariamente.
“O ser humano é podre e egoísta, prefere o problema que já conhece a enfrentar o desconhecido com honra.” (KILLMORE, 2016, p. 191).
Admito que me causou um certo estranhamento o fato de Verônica embarcar quase que simultaneamente em duas investigações distintas por conta própria após permanecer relegada ao trabalho burocrático por tanto tempo. Apesar da motivação da protagonista não ser das mais fortes, ambas as investigações se justificam para o desenvolvimento da trama.
Quanto a investigação, fica claro que a autora tem conhecimento de causa, porém, é preciso dizer que algumas atitudes de Verônica deram a impressão de ser um tanto amadoras, enquanto outras me pareceram contar com um aparato tecnológico avançado demais (pelo menos julgando a partir do contexto que conheço).
O livro apresenta um clima sombrio e tenso que vai apenas escalando com o desenvolver da estória. Andrea Killmore não tem medo de mostrar o que há de pior no ser humano e sua escrita visceral é um reflexo disso. A autora também descreve com precisão as cenas mais cruéis, transportando o leitor para dentro do livro, mas em nenhum momento utiliza da violência como um mero recurso para chocar o leitor.
O que realmente fez o livro valer a pena são as últimas cem páginas, quando as investigações avançam mais rapidamente e as pontas da trama começas a ser costuradas. O desfecho é genial, sendo extremamente original e surpreendente, mas sem deixar a verossimilhança de lado.
Apesar de alguns percalços no caminho, Bom dia, Verônica conta com uma estória brutal, personagens vívidos e uma trama criativa. Eis a prova cabal de que a literatura policial brasileira tem muito mais a oferecer.
Autora: Andrea Killmore
N.º de páginas: 251
Editora: DarkSide Books
Exemplar cedido pela editora
Compre: Amazon
Gostou da resenha? Então compre o livro pelos links acima. Assim você ajuda o Além da Contracapa com uma pequena comissão.
Exemplar cedido pela editora
Compre: Amazon
Gostou da resenha? Então compre o livro pelos links acima. Assim você ajuda o Além da Contracapa com uma pequena comissão.





























